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domingo, 3 de junho de 2018

Brandless: uma marca de e-commerce "sem marca"

Recentemente encontrei uma notícia acerca de uma startup de e-commerce chamada Brandless. Lembro-me de ter visto imagens nas redes sociais (provavelmente no Twitter) acerca desta mesma, mas apenas depois desta notícia é que decidi pesquisar um bocado sobre o modelo de negócio desta e descobri que este acaba por ser bastante interessante do ponto de vista do Marketing Digital e do e-commerce.


A missão da Brandless é a de vender produtos essenciais (como produtos de higiene, alimentos básicos, etc.) sem uma marca, com um packaging simples que diz apenas o nome do produto e os seus ingredientes, a 3$ cada um e apenas online. A Brandless diz que através deste modelo de negócio consegue poupar aos consumidores cerca de 40% ao diminuir gastos associados a marketing, marca e publicidade. [1] 

A ideia seria que uma marca como estas estaria a competir com consumidores bastante sensíveis ao preço, mas pelo contrário, a marca tenta diferenciar-se num nicho diferente — os dos consumidores que procuram alimentos com ingredientes orgânicos, sem conservantes, ou organismos geneticamente modificados. Logo, a Brandless não está a competir com os produtos de marca branca das grandes superfícies, como seria de esperar, mas com marcas para um consumidor que quer comida saudável e de qualidade — é perante estas últimas que se acaba a poupar dinheiro e não as primeiras. 

Mas como é que a Brandless consegue sobreviver? A verdade é que mesmo para esse nicho de consumidores, a lealdade à marca seria algo de se esperar — não é de esperar que o consumidor vá trocar de uma marca em que confia e que sabe que gosta por causa de experiências passadas por uma marca que em tudo aparenta ser uma marca “branca”. A Brandless consegue, contudo, vingar, adoptado uma estratégia que está completamente virada para os millennials. 

Primeiro, a sua missão contra marcas liga-se com a ideia de que os millennials são cada vez menos fiéis às marcas, sendo que a confiança em grandes marcas, especialmente na área da alimentação, tem vindo a deteriorar—se. Segundo, estes consumidores gostam da conveniência de poderem simplesmente comprar os seus produtos online e são a faixa etária com maior adesão à internet — assim, tirarão mais facilmente partido da estratégia de distribuição de um player 100% digital. Em terceiro lugar, o design minimalista acaba por ser trendy e apelativo para esta geração. Por último, por cada compra, é doada uma refeição à instituição de caridade “Feeding America”. Em suma, uma estratégia de marketing para apelar a um nicho de clientes ocupados demais para fazerem compras em supermercado e que querem a conveniência de terem os seus produtos enviados para casa, mas que querem comprar produtos de qualidade e saudáveis, e, ao mesmo tempo, sentirem que estão a fazer uma diferença no mundo e a apoiar causas sociais.


Contudo, a estratégia de marketing da Brandless não termina aqui, sendo que estes têm utilizado bastante as redes sociais como um canal para criar relações duradouras com os clientes, construindo relações mutuamente benéficas, criando uma autêntica comunidade à volta da marca. A seleção dos produtos é feita através da partilha de ideias juntamente com a comunidade, fazendo posts no facebook e interagindo com estes. Através do digital e das diferentes comunidades digitais, eles procuram ir de encontro com as necessidades e desejos da comunidade vegan, gluten-free entre outros. Promovem ainda a criação de conteúdo por parte dos consumidores, nomeadamente através da promoção da hashtag #brandlesslife para fotos e vídeos de “unboxing” das caixas onde os produtos são enviados. [2] 

Por fim, gostava de falar acerca da notícia que inspirou este post — durante o mês de Maio, em Los Angeles, a Brandless levou a cabo uma experiência “pop-up”, com uma showroom na qual os produtos estavam meramente expostos, não sendo possível comprá-los. Ao invés de ser uma mera loja, esta estratégia de marketing foi uma autêntica experiência — algo que apenas durava 2 semanas e durante as quais o nicho/comunidade para o qual a Brandless vende pode experienciar uma série de eventos levados a caba pela marca. A experiência, chamada “Pop-up With a Purpose” teve painéis como “Vegan Women of Color: Influencing Lives and Healing Our Cultures” ou “How to Quit Your Day Job”. Ainda, apela a esta ideia do marketing social e da ideia de que o consumidor millennial quer contribuir para um mundo melhor e menos fútil — a Brandless, por exemplo, por cada pessoa que usasse a hashtag #Brandless nas redes sociais iria doar 3 refeições — isto por sua vez ajuda a criar buzz sobre a marca nas redes sociais e fomentar o “word of mouth” (ou neste caso “word of mouse”) da comunidade, na base da qual está praticamente toda a promoção da marca . Para além disso, nesta experiência “pop-up” estariam na showroom embaixadores da loja, com iPads, a ajudarem os consumidores curiosos a navegarem no site e fazerem as suas próprias compras — estes viam os produtos e experimentavam-nos na loja e, depois, finalizariam a compra online com já uma maior certeza acerca de questões de qualidade. [3]

A experiência da Brandless acaba por demonstrar (entre outras) duas ideias que abordamos nas aulas — por um lado, o poder das comunidades digitais formadas nas redes sociais; por outro, o uso do marketing de experiências e do “pop-up” por marcas de e-commerce, trazendo o “web-only” para o “in-person”. 

Nestas experiências “pop-up”, por um lado, cria-se buzz e reconhecimento da marca, pois, como é uma experiência pop-up, que vai embora rapidamente, as pessoas querem experienciar por causa do FOMO (fear of missing out), mas, por outro lado, a empresa também colecciona dados acerca dos potenciais consumidores e das suas preferências. [4]


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Quanto realmente custa produzir uma T-shirt

Foi lançada há pouco tempo uma campanha de sensibilização elaborada pela ONG Fashion Revolution relativamente à exploração laboral na indústria têxtil de baixo custo.
Como se pode verificar pelo vídeo, uma máquina de venda automática foi disposta numa determinada rua no centro de Berlim, Alemanha, com a indicação de que as T-shirts brancas tinham um custo de apenas dois euros (T - Shirt only 2 €).
Como seria de esperar, o anúncio rapidamente reteu a atenção de várias pessoas que se mostraram dispostas a adquirir o produto.
Ora, após a introdução da moeda e a escolha do tamanho pretendido foram surpreendidos: em vez de obterem a t-shirt foram “forçados” a visualizar uma pequena apresentação explicando o motivo de a peça ser tão barata. Como tal, à medida que era inserida a moeda os potenciais compradores viam-se obrigados a ler a mensagem (Comunicação push).
Por sua vez, cada indivíduo recebia uma mensagem diferente. Ou seja, apesar de a justificação do valor da peça ser comum, cada apresentação apresentava uma criança diferente, como por exemplo: "Conheça a Manisha, uma das milhões de pessoas que fazem a nossa roupa barata por menos de 13 cêntimos à hora, durante 16 horas por dia. Ainda quer comprar esta t-shirt?".

Após a mensagem, é dada a opção de efetuar a compra ou em contrapartida doar o valor. Pode-se ver pelo vídeo que as pessoas mostraram diversas reações e no final não ignoraram a causa. Por conseguinte, optaram por ser solidárias e doaram o montante.



Assim, o objetivo consiste em sensibilizar os consumidores para que fiquem consciencializados com este tipo de indústria, no qual esta campanha advém do facto de no dia 24 de Abril de 2013 um edifício no Bangladesh ter ruído. Nele operacionalizam cinco fábricas de roupa, que por sua vez eram fornecedoras de marcas ocidentais conhecidas. Consequentemente, 1100 pessoas perderam a vida. Portanto, surgiu a ideia de lançar um apelo às pessoas para que estas não contribuam para a continuidade deste tipo de práticas.
Logo, deste o ano passado que esta data é relembrada como forma de recordar a opinião pública que a exploração laboral e sobretudo infantil existe. Assim, o vídeo foi divulgado a 23 de Abril e atualmente já conta com mais de cinco milhões de visualizações no Youtube.
No entanto, também existe a opinião contrária. Num país onde milhares de crianças passam fome onde a única forma de obterem rendimentos, ainda que muito reduzidos, é através da “exploração infantil”, até que ponto não é ético deixa-las trabalhar?


As opiniões também divergiram nas redes sociais, nomeadamente no Facebook e Twitter. Por uma lado, como já disse, há quem defenda que é a única maneira de estas crianças deterem meios para sobreviver, por outro lado, há quem argumente que é imoral e por esse motivo deveria ser combatido.




Este caso pode ser relacionado com o que vimos na aula relativamente aos alertas que os consumidores recebem (messaging). Um exemplo disso foi o caso abordado referente à promoção da alimentação saudável onde cada vez que um consumidor pretendia adquirir uma pizza recebia um alerta questionando-o se essa seria a melhor opção fornecendo uma alternativa mais saudável.

Como tal, identificam-se com esta causa?

sábado, 25 de abril de 2015

Live for Now - Pepsi Challenge

A Pepsi lançou no mês de Março uma iniciativa global Pepsi Challenge onde convida os consumidores a participar em vários desafios, que serão lançados mensalmente nas redes sociais, tendo por base diferentes temáticas, desde a tecnologia, a música, o desporto e o design. Pela participação poderão ganhar várias recompensas e experiências. Basta acederem ao site oficial da marca, facebook, twitter, instagram...
Para "apadrinhar" cada desafio, a marca conta com conhecidos embaixadores capazes de desafiar os limites como Usher (vencedor de oito Grammys e com mais de 65 milhões de discos vendidos), a tenista Serena Williams, James Rodríguez, Usain Bolt (homem mais rápido do mundo e dono de seis ouros olímpicos), Nicola Formichetti (estilista famoso por seu trabalho na Diesel, Uniqlo e Lady Gaga) e Jerome Jarre (fenômeno das redes sociais com a conta no Snapshot mais seguida do mundo)



Durante este mês de Abril e até meados de Maio, a Pepsi coloca nas mãos dos seus consumidores o poder de criar uma nova imagem para a sua lata. É a oportunidade que a geração millenials tanto aprecia: conseguir criar e inovar com o seu talento criativo fazendo uma nova imagem para a lata.
O Desafio do design " Live for Now" está lançado e não tem limitações - basta ter imaginação!
O grande vencedor ganhará uma experiência ao lado de um conhecido design do setor.
Conseguirá a marca bons resultados dando empowerment aos seus consumidores?
A marca junta ao desafio a responsabilidade social - sempre que os utilizadores usem a hashtag #PepsiChallenge nas redes sociais, a Pepsi doará US$ 1 à organização Liter of Light, para levar iluminação sustentável aos países mais pobres, incluindo Quênia e Colômbia.

Pepsi Challenge

"O novo Desafio Pepsi procura encorajar os consumidores de todo o mundo a sair de sua zona de conforto e aceitar um novo desafio e oportunidade. O design é, há muito tempo, um paraíso para aqueles que ousam fazer as coisas de maneira diferente, de forma que queríamos que um de nossos primeiros desafios globais se conectasse diretamente com essa destemida classe de criadores", disse o vice-presidente sênior e CMO (chief marketing officer) da PepsiCo Global Beverage Brands, Kristin Patrick. "

À semelhança dos vários exemplos já vistos nas nossas aulas, estamos perante mais uma iniciativa onde o conteúdo irá ser gerado pelo próprio utilizador.
A motivação não virá da recompensa, nem da participação de celebridades, mas do reconhecimento do que poderão criar!
Estamos perante blended marketing: a marca promove-se envolvendo os seus consumidores, utilizando da melhor forma as redes sociais e ao mesmo tempo, o desafio será divulgado na TV, na radio, em embalagens especiais e publicidade na rua.
É um desafio global que passará por vários países, diferentes culturas, várias línguas, diferentes comportamentos do consumidor...

Conseguirá desta forma a marca "renascer" e combater a sua concorrente Coca-Cola?
Esta geração irá apoiar este desafio colaborativo?

segunda-feira, 20 de abril de 2015

"Marcado" para a vida: Os objectivos corporativos e a sua influência na sociedade

Marcado, sim, mas não no sentido pejorativo. Não com a conotação negativa que o ser humano tendencialmente poderá associar à expressão “ficar marcado para a vida”. É sabido, no entanto, que pela influência da própria inevitabilidade da vida, todos iremos passar, uns mais do que outros, por momentos negativamente marcantes.


Este é um processo diferente. O processo em que, por influência de uma globalização cada vez mais inevitável e incontestável, somos assoberbados com um leque de informação que não temos sequer tempo de absorver e sob a qual não temos qualquer tipo de controlo. O processo em que, por influência directa ou indirecta dos maiores players corporativos (nacional ou internacionalmente), nos são impostas determinadas premissas que deveriam, em princípio, ser tidas como universais para cada um de nós – e a verdade é que acabamos por acreditar nelas, acabamos por nos deixar reger por elas e, involuntariamente, acabamos por desenvolver um “pensamento de massas”, uma atitude de consentimento, da qual todos somos “vítimas”, em maior ou menor escala.

Nós somos adultos, no entanto. Temos vindo a compreender de forma mais assertiva a sociedade em que estamos inseridos e a desenvolver uma maior consciencialização no que respeita às marcas e à sua influência sobre o consumidor. (Isto acontece por isso, porque somos adultos).

Crianças não são adultos. Crianças não entendem as razões pelas quais devem seguir as “regras” que lhes são impostas - mas seguem. Crianças não têm poder de decisão sobre aquilo que comem, vestem, vêem ou sobre o local onde os pais irão despender o seu dinheiro para providenciar os cuidados de saúde de que necessitam. Crianças não compreendem os “tags” que as empresas, voluntária ou involuntariamente lhes colocam, ainda em período prematuro das suas vidas, tão frágeis.

Missão, Visão e Valores: Todas as empresas os têm. Todas as marcas internacionalmente conceituadas desenvolvem projectos de grande escala em torno destes critérios. E todos nós, mais cedo ou mais tarde, acabaremos por ser “atingidos” por estas acções, deixando-nos influenciar por elas. (Ou não: como disse, cada vez mais a nossa consciencialização social joga a nosso favor.)

Quais os verdadeiros valores que devemos incutir nas nossas crianças, no nosso futuro? Os das grandes marcas, ou os de respeito, bondade, generosidade e partilha que (em princípio) nos ensinaram a nós?

quarta-feira, 18 de março de 2015

Dress to impress

Num mundo virtual onde a quantidade de informação é enorme e a capacidade de retenção da atenção dos consumidores é reduzida, é necessário que as empresas consigam utilizar as estratégias adequadas para captar a atenção, para a mensagem que querem transmitir.

Mas como fazer isso num universo capitalizado por selfies, memes, notícias de celebridades, spamsites e blogs sobre tudo e sobre nada? Como fazer passar uma mensagem de forma a que ela seja, efectivamente, lida, adquirida e partilhada?

Podemos usar a inovação para criar algo de novo, nunca antes visto, podemos impor um produto ao cliente, através de publicidade massificada, da utilização de várias plataformas ao mesmo tempo, podemos promover a co-criação, procurando conhecer melhor os interesses do cliente.

Ou então podemos usar o "barulho" da internet, o buzz momentâneo e capitalizá-lo. Não foi uma empresa, mas sim o que fez o Salvation Army sul-africano, ao aproveitar a notícia viral do momento (há algumas semanas) para centrar a atenção dos utilizadores das redes sociais num assunto de interesse público: a violência doméstica.


Esta ONG pegou no sucesso viral #TheDress, que questionava as pessoas sobre se um vestido era branco e dourado, ou azul e negro, e utilizou-o para chamar a atenção das pessoas para um assunto que tantas vezes passa despercebido, utilizando o trocadilho das cores do vestido, com as cores das marcas da violência: "Why is it so hard to see black and blue?". 

Em apenas 15 horas, esta imagem foi partilhada 11000 vezes. É ou não um bom exemplo de Marketing Viral?

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Lançamento do novo cacau quente com final imprevisto

Acabei de visualizar o vídeo que a seguir estará disponível. Foi uma iniciativa da organização Inspirit, que decorreu no Centro Comercial Oeiras Parque, e há quem denomine esta iniciativa de marketing social.
O objetivo era que alguns consumidores, escolhidos aleatoriamente, provassem o novo cacau quente e dessem a sua opinião. Como uma simples e comum prova de bebidas novas que decorrem em supermercados, hipermercados, na rua, ou noutro local.

O resultado desta "prova" foi o seguinte:


O objetivo deste tipo de marketing é o de "atenuar ou eliminar os problemas sociais, as carências da sociedade relacionadas principalmente às questões de higiene e saúde pública, de trabalho, educação, habitação, transportes e nutrição". Antes de ter lido a notícia, achei que seria mais um simples e abusivo contacto com os consumidores.
Mas, para quem viu o vídeo (como eu), a definição faz todo o sentido.

E agora com as questões ultimamente referidas em Web Marketing, na complementaridade do offline com o online, com vista a melhores resultados, achei que esse era um segundo motivo para vos partilhar.

O que vocês acham desta campanha?