Ainda segundo o próprio jornal, esta e outras mudanças que têm sido feitas (como ter os conteúdos digitais disponíveis mediante pagamento) foram "baseadas numa pesquisa exaustiva" sobre os hábitos dos leitores.
Em carta aberta aos leitores, o jornal explica que esta medida foi tomada para oferecer "artigos confiáveis e em profundidade, análises atualizadas e opiniões estimulantes". No entanto, as chamadas grandes notícias de "última hora" não serão afetadas: "Certamente, se houver uma grande notícia, atualizaremos imediatamente".
Aparentemente, estas medidas vão contra tudo aquilo que tem sido dito sobre aquele que é o comportamento atual dos consumidores na internet, principalmente no que diz respeito à informação: a maior parte dos utlizadores tomam como garantido os conteúdos gratuitos e têm cada vez mais interesse no imediatismo, ao serem mais exigentes quanto à presença de conteúdos: querem saber tudo e "agora".
Apesar de ser uma característica apreciada, não são raros os casos em que o imediatismo leva a uma perda do rigor e da qualidade, uma vez que nem sempre se confirmam factos importantes: basta pensarmos no caso recente da morte de um estudante nas instalações da FEUP e das notícias publicadas pela TVI24 relativamente ao mesmo (ver imagens abaixo).
A isto devemos também acrescentar o impacto da partilha das notícias nas redes sociais e os comentários, por exemplo, que muitas vezes acabam por alimentar a divulgação de uma informação falsa/pouco rigorosa.
Notícia da TVI24 publicada a 1 de abril (às 10h11) - http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/homicidio/estudante-universitario-mortalmente-espancado-no-porto

Notícia da TVI24 publicada a 1 de abril (às 17h16) - http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/feup/pj-afasta-tese-de-homicidio-no-caso-do-estudante-morto-no-porto
Será que com estas medidas o "The Times" estará a dissociar a informação rigorosa do "gratuito"? Conseguirá valorizar os seus conteúdos ao torná-los menos imediatos ou estas decisões terão sido um tiro no pé?
Com o impacto das tecnologias e da internet nas empresas e no comportamento dos consumidores, serão opções como estas que irão garantir a sustentabilidade dos órgãos de comunicação social?
Fontes:
- Globo (http://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2016/03/jornal-britanico-times-deixa-de-publicar-noticias-em-tempo-real-no-site.html);
- TVI24 (links mencionados acima)



