sábado, 4 de março de 2017

Casey Neistat & CNN

Em novembro de 2016, foi anunciada a decisão da CNN de adquirir, por 25 milhões de dólares, a aplicação de video-messaging Beme fundada por Casey Neistat. Esta informação pode parecer inócua sem qualquer contexto, pelo que convém elaborar os detalhes e consequências que esta aquisição realmente tem.

Casey Neistat, um conhecido YouTuber americano, vlogger e produtor, fundou a aplicação Beme em 2014, como alternativa ao conteúdo altamente editado encontrado em social media, fornecendo uma aplicação com simples gravação e partilha de vídeo, sem possibilidade de edição – como uma versão minimalista de Snapchat. Ao longo da existência da empresa, foi obtendo financiamento que lhe permitiu continuar a existência, apesar de, após um lançamento relativamente bem sucedido, ter falhado em conseguir ganhar território contra os gigantes já estabelecidos.

Esta análise leva à questão: porque é que a CNN compraria uma aplicação mal sucedida?

A resposta é que o propósito da aquisição não terá sido a obtenção da aplicação, mas sim a contratação dos seus trabalhadores, nomeadamente, a contratação de Casey Neistat. Dado o complicado mundo de fake news, alternative facts e dificuldade em estabelecer uma relação com uma geração habituada a obter as suas notícias através de meios digitais, a contratação de uma personalidade, conhecida por oferecer comentários à atualidade, e que conta com uma fanbase jovem e leal, parece ser a forma da CNN se tentar posicionar no novo mundo digital dos media.

Esta nova estratégia da CNN foi revelada ao Hollywood Reporter no início deste mês pelo chefe da CNN, Jeff Zucker, que inclui novos programas com foco prioritário no conteúdo para mobile, mas também um programa noticioso digital liderado e apresentado por Casey Neistat num canal de YouTube a lançar já este mês. Para além disso, Casey Neistat anunciou que, em conjunto com a sua equipa e em seguimento da aquisição pela CNN, está a desenvolver uma aplicação com conteúdo tratado por jornalistas, fornecido através de 12 live streams que providenciarão “raw, unfiltered, unedited newsfeeds. Delivering that without context strips away the noise. It leaves you with exactly what’s taking place.”, num formato semelhante ao que se poderia descrever como um canal noticioso online.

Embora Casey Neistat tenha referido que parte da sua motivação para criar este novo formato noticioso foi a desconfiança com os mais jovens encaram as notícias apresentados pelos chamados canais tradicionais e que pretende colmatar essa falha, apresentando a informação tal como ela é, sem filtros, há quem se apresente céptico dada a sua relação com CNN e a dificuldade de apresentar sem filtro, mas ao mesmo tempo “tratada por jornalistas”.

Em conclusão, a parceria estabelecida entre Casey Neistat e a CNN parece indicar o reconhecimento de um dos gigantes noticiosos da importância do conteúdo online, assim como da necessidade de procurar as audiências, fornecendo-lhes os conteúdos que desejam num formato mais personalizável. Fica para concluir qual o impacto que esta parceria terá na criação de conteúdos noticiosos e na sua distribuição por novos meios digitais, em novos formatos e a novas audiências.

Fontes:

sexta-feira, 3 de março de 2017

Óscares – problemas magnificados no apogeu das redes sociais


Numa altura em que a rapidez da comunicação e transmissão de notícias são fatores sempre presentes, as marcas vêem-se submetidas a um escrutínio dificilmente evitável e facilmente magnificados.
Sem dúvida que o acontecimento da semana, na forma da gaffe que decorreu na atribuição de um dos Óscares mais cobiçados no mundo cinematográfico, é interessante do ponto de vista do impacto de erros com grande potencial para se tornarem virais.

É possível afirmar que, dado o contexto político atual, a indústria cinematográfica americana tem sido atacada e, em certos casos, apelidada de “sobrevalorizada”. Por isso mesmo, é também possível considerar que a pressão sobre a qual a Academia se sentia para providenciar uma noite de entretenimento e premiar os melhores do ramo sem qualquer erro seria, especialmente este ano, mais elevada do que em anos habituais – com a possível excepção do ano passado, que viu os Óscares associados à hashtag #Oscarssowhite, assim como os respetivos apelos a boicotes por parte de atores afro-americanos.

Obviamente, os planos para uma noite livre de erros foram pelo cano abaixo. Para além da quebra de audiências não prevista, causando o nono ano consecutivo de descida de audiências para uma das noites mais importantes de Hollywood (e uma das mais caras em termos de tempo de antena para anúncios), o grave erro na entrega do Óscar de melhor filme veio abalar a imagem da Academia.


No que toca à resposta das redes sociais, a noite foi de “sucesso”, com o erro a tornar-se viral e a conceder mais mediatismo e mais referências à cerimónia de entregas, nomeadamente as reações dos presentes ao desenrolar da situação. Embora a gaffe se tenha revelado um momento de leviandade numa cerimónia que tem tido dificuldade em manter-se relevante num mundo em que uma entrega de prémios de 4h se consegue tornar algo maçadora, as consequências deste momento serão tudo menos levianas.

Em primeiro lugar, há que notar o facto de o erro ter colocado a Academia, enquanto organizadora do evento, na posição embaraçosa de retirar o prémio à equipa produtora do La La Land (que tomou um posição extremamente humilde, honesta e magnânime, na minha opinião) e o entregar aos verdadeiros vencedores, a equipa do Moonlight. A equipa do La La Land teve tempo de dar alguns discursos de agradecimento (que se vieram a revelar sem motivo) e a equipa de Moonlight viu-se com tempo reduzido para fazer o mesmo.

Em segundo lugar, há que falar de quem sairá verdadeiramente prejudicado em consequência deste sério erro, a PwC. A PwC não só estragou, se calhar definitivamente, uma relação com mais de 80 anos com a Academia, mas também sofreu um duro golpe de relações públicas, graças à rápida divulgação online.

No caos que se seguiu, e das informações que foram sendo divulgadas, o erro terá partido dos representantes da PwC (Brian Cullinan e Martha Ruiz) que terão entregue a cópia do envelope para o prémio de melhor atriz, que depois foi entregue a Faye Dunaway e Warren Beatty, sendo que parte do erro também terá estado no design do próprio cartão que terá facilitado a confusão por parte do atores quando se encontravam a ler o cartão. Para além disso, testemunhos de produtores indicam que, embora parte do trabalho dos representantes da PwC seja decorar os nomes de todos os vencedores e interromper os apresentadores imediatamente se for anunciado algum vencedor errado, tal não aconteceu, o que possibilitou os discursos de agradecimento da equipa do La La Land.

O erro dos representantes da PwC é agravado pelo facto de, graças às entrevistas dadas nos dias anteriores a discutir o processo de contagem dos votos e determinação dos resultados, as suas identidades serem conhecidas, facilitando a descoberta dos seus perfis em redes sociais. Tal descoberta levou a que fosse encontrado um tweet de Brian Cullinan com uma fotografia de Emma Stone nos bastidores após a sua vitória como melhor atriz – o prémio entregue imediatamente antes do Óscar de Melhor Filme, algo que lhe terá sido dito explicitamente para não fazer.

Dadas as consequências deste grave erro, é apenas natural que a Academia reconsidere a relação que mantém com a PwC, tendo já começado por banir os dois representantes da mesma. Da parte da PwC, embora tenham já assumido publicamente responsabilidade pelo erro, a internet nunca esquece este tipo de momentos (por mais icónicos que se venham a revelar) e este erro estava submetido, literal e figurativamente, a um especial holofote de atenção, estando ainda por averiguar a totalidade do impacto que terá na reputação da empresa.

Fontes:

quinta-feira, 2 de março de 2017

A Exaltação dos "Novos Criadores" nos Óscares


No passado Domingo, realizou-se a 89ª Cerimónia dos Óscares, o segundo programa televisivo mais visto do mundo e o pináculo das cerimónias de premiação para a indústria cinematográfica.
Casey Neistat, uma dos mais proeminentes Youtubers da atualidade, juntou-se à gigante Samsung e foi a cara de um spot publicitário da marca, transmitido durante o primeiro intervalo da cerimónia.
Casey Neistat surge num parque de estacionamento e realiza o seu “discurso” aos espectadores da cerimónia, explicando que é preciso prestar atenção à massiva comunidade online, que é o Youtube.
A mensagem fundamental do anúncio é exemplificar, como até mesmo, os criadores de conteúdo que não estão envolvidos numa indústria tão grande quanto a de Hollywood, podem ter um impacto. Casey chega mesmo a apelidar os youtubers como “ os criadores desta geração”.


O facto de o anúncio ter sido transmitido, pela primeira vez, na noite dos Óscares, foi particularmente adequado, já que Casey é uma das maiores estrelas do YouTube e os Óscares são a forma mais eficaz de chegar àqueles que realizam, profissionalmente, filmes e anúncios.
Na minha opinião, esta poderá ser uma grande “jogada” por parte da Samsung, uma vez que, demonstra que a marca é parceira deste tipo de criadores e que os apoia com as suas ferramentas mais recentes (câmaras fotográficas que também funcional como telemóveis).
Este spot publicitário, reflete ainda, a necessidade de existir um foco real, por parte dos marketers e das empresas, neste tipo de plataformas, numa altura em que cada vez mais pessoas têm acesso à Internet e em que o vídeo revela ser a melhor ferramenta de exibição e suprime as falhas de linguagem e comunicação encontradas com a escrita.

De referir contudo que, esta não é a primeira vez que a Samsung colabora com criadores de conteúdo.
Após o escândalo com as baterias Galaxy Note 7, que resultaram na perda de 5,3 biliões de dólares, bem como, na perda de confiança do consumidor, a Samsung começou a colaborar, não só, com youtubers como é o caso de Neistat e Jesse Wellens, mas também, a modelo Karlie Kloss.


A Samsung, pretende assim, libertar-se da imagem deixada pelo desastre das baterias “explosivas” e fazer a transição da publicidade focada no produto, como é o caso, dos spots publicitários Galaxy A films, realizados no ano de 2016, para a publicidade focado no ser humano. Este anúncio marcou o início de uma campanha extensiva da Samsung baseada na tagline “Do what you can’t”

Spot Publicitário de 2016 - Galaxy A films

Fontes
:http://www.campaignlive.com/article/exclusive-samsung-awards-different-kind-filmmaker-during-oscars/1425390
http://www.adweek.com/brand-marketing/casey-neistat-introduces-hollywood-to-the-new-makers-in-samsungs-oscars-campaign/
https://fstoppers.com/business/samsung-ad-casey-neistat-shows-rest-us-167245

O sentido de humor como chave para o sucesso

Vivemos no período mais over-communicated da História, onde somos bombardeados com informação a todo o segundo. De acordo com dados de 2016, por dia são realizados, em média, 350 milhões de publicações por todo o mundo. Sendo que o Facebook é considerado crítico ou importante para o negócio, esta realidade obriga as marcas a apostarem num posicionamento diferenciador e muitas recorrem ao sentido de humor para atingirem o share of mind dos consumidores.

Um dos casos de sucesso deste tipo de estratégia é a Polícia de Segurança Pública que passou a utilizar o sentido de humor como ferramenta principal da sua estratégia de comunicação desde 2010. Esta mudança estratégica fez com que aumentassem de 2 mil seguidores, em julho de 2010, para 561 mil gostos atualmente, tornando-se assim uma das páginas de Facebok da PSP com mais gostos da Europa. Este sentido de humor tem que ser altamente controlado e pensado tratando-se de uma instituição tão séria como é o caso da Polícia de Segurança Pública que acreditam que Com humor e rigor se chega à comunidade e se rejuvenesce uma instituição.

Face a uma realidade e objetivo totalmente diferente, a Licor Beirão utiliza igualmente o sentido de humor como fator estratégico. Deixou de ser um simples licor para passar a ser uma bebida de referência para o mercado jovem e isso deveu-se à sua mudança na comunicação. O humor está presente desde o início nesta marca familiar, mas atualmente está mais presente e é uma constante, especialmente nas redes sociais. Apostando em pequenos cartazes com frases engraçadas a marca Licor Beirão consegue arrecadar 7000 gostos e 1248 partilhas num post efetuado a 31 de janeiro de 2017, face a uma publicação normal em 2013 que conta com apenas 189 gostos e 49 partilhas. Vídeos como o pedido de desculpas ao jogador Harry Kane ou o video de apresentação da campanha Preferias Beirão? que arrancam risos a qualquer consumidor, contam com 1,6 milhões e 4,5 milhões de visualizações, respetivamente.

Os consumidores estão cada vez mais exigentes, é cada vez mais difícil de os cativar e nada como proporcionar uma boa risada para criar um buzz virtual, resultando, tanto em vendas como na reformulação do posicionamento uma instituição inteira!

Fontes: