Imagina abrir o Instagram e aparecer isto no teu feed:
Sim, estás a ver bem.. um simples quadrado laranja.
"Can´t wait for #FyreFestival. Coming Soon".
Sem contexto.
Sem explicação.
Pois bem, esse mesmo quadrado foi publicado várias vezes e ao mesmo tempo por centenas de influenciadores, entre os quais Kendall Jenner, Bella Hadid e Emily Ratajkowski que, como podem imaginar, são macro-influenciadoras que representam um estilo de vida aspiracional para milhões de seguidores:
E foi assim que começou o Fyre Festival, em abril de 2017 (ver mais informação aqui).
Um vídeo de arrepiar...
Quando chegaram à ilha… o sonho acabou. E o choque foi imediato.
Havia apenas:
No entanto, esta situação acabou por marcar o Marketing Digital, tendo-se tornado uma lição para esta indústria (ver mais informação aqui e aqui):
Este caso deixou claro que o Fyre Festival não foi apenas um festival mal organizado. Ele tornou-se uma lição para as marcas, influenciadores e consumidores sobre o poder do marketing, os perigos de criar expectativas irreais e a importância de responsabilidade e transparência.
E tu? se fosses consumidor na situação do Fyre Festival, como reagirias? O que este caso te faz refletir sobre a forma como somos persuadidos online? 😊
E foi assim que começou o Fyre Festival, em abril de 2017 (ver mais informação aqui).
O Poder do Marketing de Influência | FOMO | Paid Media
Foi explorado de forma inteligente o FOMO (Fear of Missing Out ou medo de ficar de fora). Ao pagar centenas de influenciadores para postar um quadrado laranja de forma coordenada, mas sem explicar o que era, eles criaram um senso de mistério e exclusividade, algo que para a Geração Z é um gatilho para uma enorme curiosidade e desejo de ação imediata!E quando esta geração não consegue satisfazer a curiosidade imediatamente, o interesse intensifica-se. Para quem vive o "agora" e a efemeridade das experiências, a urgência era óbvia... não se tratava apenas de ir ao festival, mas de garantir um lugar num momento histórico que todos os seus ídolos estavam a promover.
E, de repente, acontece o momento que todos aguardavam para entender… ou melhor, sentir:
Um vídeo de arrepiar...
- praias paradisíacas
- iates de luxo
- modelos internacionais
- festas exclusivas
Era um mix de experiências irrepetíveis. Um estilo de vida desejável. Um sonho de férias. Precisamente o que a Geração Z mais procura e quer partilhar com o mundo! Experiências efêmeras, viver o "agora", o fazer parte de um grupo exclusivo.
Em apenas 24 horas, gerou cerca de 300 milhões de impressões!
Em apenas 24 horas, gerou cerca de 300 milhões de impressões!
Em 48 horas, milhares de bilhetes estavam esgotados!
E, de repente, tudo muda.A realidade: O pesadelo
Quando chegaram à ilha… o sonho acabou. E o choque foi imediato.
Não havia vilas de luxo.
Não havia organização.
Não havia organização.
Havia apenas:
- tendas de emergência, semelhantes a acampamentos de crise
- colchões molhados espalhados pelo chão
- bagagens atiradas em contentores
- comida improvisada (o famoso sanduíche de queijo que se tornou viral)
E este é o Fyre Festival, o festival que nunca aconteceu...
E o que aconteceu com os influenciadores e marcas envolvidas?
E o que aconteceu com os influenciadores e marcas envolvidas?
Quem se envolveu perdeu muita credibilidade. As influenciadoras famosas, que foram usadas como “rosto” do festival, acabaram por vender algo que nem existia. E o público nunca mais se vai esquecer disto...
No entanto, esta situação acabou por marcar o Marketing Digital, tendo-se tornado uma lição para esta indústria (ver mais informação aqui e aqui):
- Transparência é obrigatória: Hoje, qualquer post patrocinado precisa de deixar claro que é publicidade. Não dá mais para esconder.
- Micro-influenciadores valem mais: Milhares de seguidores podem chamar mais a atenção, mas quem realmente cria confiança são os pequenos influenciadores, que têm conexão verdadeira com o público.
- O público está mais inteligente: As pessoas não acreditam mais em promessas vazias. Parcerias reais e de longo prazo funcionam muito melhor que posts isolados.
E acredita, o impacto deste caso foi tão grande que acabou por virar história e estudo de caso em plataformas de streaming como Hulo e Netflix.
Dois exemplos conhecidos:
Dois exemplos conhecidos:
- Fyre: The Greatest Party That Never Happened (Hulu, 2019)– um documentário que revela os bastidores e o colapso total do festival, onde expõe as falhas na organização e a ilusão criada pelo marketing.
- Fyre (Netflix, 2019) – um filme que dramatiza os acontecimentos e o impacto do festival, e que mostra como a expectativa criada pelas redes sociais e influenciadores acabou por se chocar com a dura realidade.
Olá, Sara! Gostei bastante do teu post, sobretudo porque conseguiste mostrar muito bem como o Fyre Festival foi muito mais do que um evento falhado: tornou-se um marco na forma como pensamos o marketing de influência, o FOMO e a construção de expectativas no digital. A explicação está muito clara e a ligação entre o imaginário criado nas redes sociais e a realidade vivida pelos consumidores ficou especialmente bem conseguida.
ResponderEliminarAchei também muito pertinente a forma como destacaste o papel dos influenciadores e da transparência. Este caso mostra bem que, no marketing digital, alcance não é o mesmo que credibilidade, e que a confiança do público pode ser rapidamente posta em causa quando a comunicação não corresponde à realidade.
Respondendo à tua questão final, acredito que este caso nos faz refletir sobre o facto de, online, sermos muitas vezes persuadidos mais pela estética, pela validação social e pelo sentimento de exclusividade do que pela informação concreta. Talvez por isso o Fyre Festival continue a ser um exemplo tão forte: mostra como o marketing pode gerar desejo muito rapidamente, mas também como esse desejo, sem verdade por trás, acaba por destruir reputações. Parabéns!
Olá Carlos! Obrigada pelo teu feedback :)
ResponderEliminarFico contente que tenha transmitido bem a mensagem que queria passar. Exato, a questão não está no evento ter falhado, mas sim no marco sobre como as expectativas e perceções da geração atual (eu inserida...) podem ser moldadas pelas redes sociais e influenciadores que nos identificamos e que desejamos ter o mesmo estilo de vida... Já viste o impacto que teve?
Eu confesso que quando vi o vídeo me deu muita vontade de ir! E concordo contigo, o alcance não significa que seja credível. E este caso mostra bem o impacto que uma comunicação desonesta pode ter não só para os consumidores, mas também para as marcas e influenciadores envolvidos. É fascinante (e um pouco assustador!) pensar em como a estética, o sentimento de exclusividade e o FOMO nos podem levar a acreditar em algo que, na realidade, nem existe...
Isto é uma lição aprendida sobre transparência, confiança e a necessidade de questionarmos o que consumimos online!