terça-feira, 17 de março de 2026

“Share a Coke”: O poder de transformar um produto numa experiência

 

Quem nunca procurou o seu nome numa garrafa da Coca-Cola?

A campanha “Share a Coke” tornou-se um dos exemplos mais icónicos de marketing e em 2025 regressa com uma nova abordagem, adaptada a uma geração cada vez mais digital, mas que valoriza ligações reais.

A ideia é simples, mas cria impacto, ao substituir o logótipo por nomes próprios e incentivar as pessoas a partilharem uma Coca-Cola com alguém especial. Lançada originalmente em 2011, a campanha rapidamente se tornou global.

Em 2025, a marca recupera este conceito, mas com uma nova abordagem, a integração entre o mundo físico e o digital. Agora, para além de encontrar nomes nas embalagens, os consumidores podem criar experiências personalizadas através de plataformas digitais, como conteúdos interativos e vídeos partilháveis.

O anúncio reforça uma mensagem clara: as melhores experiências são aquelas que partilhamos. Ao longo do vídeo, vemos momentos simples com amigos e família, que ganham significado através de pequenos gestos, como oferecer uma bebida com o nome de alguém.

Visualmente, a campanha aposta em cores vibrantes, rostos reais e situações do dia a dia. Ao personalizar o produto, a Coca-Cola conseguiu transformar algo comum em algo único. Cada garrafa deixa de ser apenas uma bebida e passa a ser uma experiência pessoal. Este detalhe aumentou significativamente o envolvimento do público e incentivou a partilha nas redes sociais, tanto online como offline.


Mais do que publicidade, “Share a Coke” é um exemplo claro de como o marketing pode transformar um produto numa experiência emocional.

Mas fica a questão: Até que ponto a personalização pode ser a chave para aumentar o engagement numa estratégia de marketing digital?

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segunda-feira, 16 de março de 2026

Burger King e o “Corno Drive-Thru”: quando o Humor vira Marketing Viral

No meio de tantas campanhas previsíveis do Dia dos Namorados, a Burger King Brasil decidiu fazer exatamente o contrário, criando o “Corno Drive-Thru”, uma ação com humor dirigida a quem já foi traído. A lógica era simples e absurda o suficiente para chamar a atenção: quem passasse no drive-thru com um amigo que confirmasse a traição podia receber um Whopper gratuito na compra de um menu selecionado. A campanha decorreu no Brasil entre 10 e 12 de junho de 2025, aproveitando a data em que o país celebra o Dia dos Namorados.

O que torna esta campanha interessante não é apenas a promoção em si. É a forma como a marca usou um tema sensível, mas muito presente na cultura popular e nas redes sociais, para gerar conversa, partilhas e reações imediatas. O nome da campanha, o tom provocador e a mecânica pouco convencional fazem com que o conteúdo tenha tudo aquilo que normalmente funciona bem online: surpresa, humor, identificação e potencial viral.

Além disso, a Burger King já é conhecida por uma comunicação irreverente, por isso esta ação não pareceu “fora da personagem”. Pelo contrário, reforçou um posicionamento que a marca já vinha a construir: próximo da cultura digital, descontraído e sem medo de arriscar. Quando uma campanha está alinhada com a identidade da marca, a probabilidade de ser bem recebida é maior, mesmo quando o conceito é polémico ou exagerado. Isto é especialmente importante em ambiente digital, onde o público reage muito rapidamente ao que considera forçado ou incoerente.

Este caso mostra bem que o web marketing não vive apenas de anúncios pagos ou de promoções agressivas. Vive também de atenção. Hoje, muitas marcas disputam segundos de interesse no feed do utilizador, e campanhas como esta provam que criatividade e timing podem gerar enorme visibilidade. Mesmo sem conhecermos aqui os números exatos de adesão, o simples facto de a campanha ter sido notícia já mostra o seu valor em termos de alcance e notoriedade. Essa é uma das grandes forças do marketing digital: transformar uma ação local num tema de conversa muito mais amplo.

No fundo, o “Corno Drive-Thru” é um bom exemplo de uma estratégia que não tenta agradar a toda a gente, mas que consegue ser memorável. E no digital, muitas vezes, ser memorável já é metade da vitória.

Na vossa opinião, campanhas como estas geram verdadeiro valor para a marca ou apenas atenção momentânea?

Feedback 3.0 na Hotelaria: O Caso do Hotel InterContinental Porto e a App Medallia na Co-Criação da Experiência

Era apenas um comentário deixado depois de uma estadia.

Um hóspede tinha acabado de sair do Hotel InterContinental Porto - Palácio das Cardosas e respondeu ao questionário recebido no telemóvel. Em poucos segundos partilhou a sua experiência (uma sugestão, um elogio ou um detalhe a melhorar). Num ambiente digital cheio de opiniões, poderia ser apenas mais um comentário perdido...Mas hoje, já não é.

Trabalho neste hotel e isto permitiu-me perceber algo que vai além da operação diária: o feedback é realmente valorizado. As respostas entram numa plataforma interna chamada Medallia (ver mais informação sobre a app aqui), onde são acompanhadas e analisadas. Todas as semanas, esse feedback é discutido em reuniões e transformados em melhorias concretas na operação. Ou seja, o que começa como um comentário individual pode gerar mudanças reais no serviço.


Plataformas internas como a Medallia têm um impacto que vai muito além do interior da organização. O feedback recolhido e o alcance das métricas permite melhorar continuamente a experiência e, indiretamente, influenciar as avaliações externas que outros consumidores irão ler quando procuram o hotel. De certa forma, o feedback interno acaba por alimentar a reputação externa.

Além disso, os hóspedes, ao deixarem a sua classificação e comentário, acumulam pontos no programa de fidelização, que podem ser convertidos em benefícios futuros. Este incentivo demonstra como a marca reconhece o contributo do cliente e reforça a ideia de que participar também traz valor para quem partilha a sua experiência. Desta forma, o feedback deixa de ser apenas um ato espontâneo e passa a integrar uma relação de benefício mútuo, onde o cliente ajuda o hotel a melhorar e o hotel recompensa essa participação!



É neste tipo de prática que o Feedback 3.0 ganha sentido! Não se trata apenas de recolher opiniões, mas de escutar ativamente os hóspedes e transformar essa informação em ação. Na hotelaria, isso é essencial, porque estamos a falar de serviços, ou seja, experiências intangíveis, vividas em tempo real e construídas através de interações humanas. O controlo contínuo da qualidade do serviço é crucial, e não termina no check-out...continua através do feedback. Aqui, o hóspede deixa de ser apenas consumidor da experiência e passa a ser parte do seu desenvolvimento: existe co-criação da experiência.

Numa era marcada pelo Power to You, os consumidores têm voz, avaliam, partilham e influenciam outros consumidores. O marketing deixou de ser um monólogo e passou a ser um diálogo. Se antes a marca falava e o cliente escutava, hoje o cliente fala e a marca precisa de ouvir e adaptar!

Talvez por isso, trabalhar neste contexto fez-me olhar para o marketing de uma forma um pouco diferente. Num mundo em que todas as marcas tentam falar mais alto para captar atenção, talvez o verdadeiro desafio do marketing na era digital não seja falar mais.

Talvez seja ouvir melhor.

Porque hoje, especialmente em setores como a hotelaria, a experiência já não é construída apenas pela marca. É construída em conjunto com quem a vive. E a voz do cliente tem, cada vez mais, um peso real nessa construção.

E, portanto, se os consumidores têm hoje mais poder, mais voz e mais influência do que nunca… será que o verdadeiro desafio das marcas já não é apenas como comunicar, mas aprender a ouvir? e estarão  verdadeiramente preparadas para transformar essa voz em ação?

domingo, 15 de março de 2026

Marketing com empatia: a comunicação da Wells no Dia do Pai

Numa altura em que muitas marcas utilizam datas comemorativas para promover produtos, a Wells adotou uma abordagem diferente na comunicação sobre o Dia do Pai. Na mensagem enviada aos clientes, a marca reconhece que nem todas as pessoas vivem esta data da mesma forma e pergunta diretamente se preferem não receber conteúdos relacionados com o tema.

Ao afirmar que “nem todas as datas significam a mesma coisa para todas as pessoas”, a marca demonstra sensibilidade para experiências pessoais diversas, como perda ou relações familiares difíceis. A solução apresentada é simples: quem não quiser receber este tipo de comunicação pode optar por não a receber, sem necessidade de dar explicações.

Esta estratégia enquadra-se numa tendência crescente no marketing digital: uma comunicação mais personalizada e centrada no bem-estar do consumidor. Ao permitir que o utilizador controle o tipo de mensagens que recebe, a marca demonstra respeito pelo seu público e reforça a confiança na relação com os clientes.

Assim, mais do que uma campanha promocional, esta comunicação destaca-se por colocar a empatia no centro da estratégia de marketing.

sábado, 14 de março de 2026

Influencers nas redes sociais: estratégia real ou apenas mais um post patrocinado?

Nos últimos anos, o marketing de influência tornou-se uma das estratégias mais utilizadas pelas marcas no ambiente digital. Com o crescimento de plataformas como o TikTok e o Instagram, muitos criadores de conteúdo passaram a ter um papel importante na forma como os consumidores descobrem produtos, serviços e tendências. No entanto, nem todas as marcas utilizam os influencers da mesma forma.

Uma das abordagens mais comuns consiste simplesmente em enviar um produto a um criador de conteúdo e pedir que este faça uma publicação nas suas redes sociais. Este modelo tornou-se bastante popular porque é relativamente simples e, muitas vezes, mais acessível do que campanhas publicitárias tradicionais.

Neste tipo de colaboração, o influencer recebe uma amostra do produto e publica uma fotografia ou um vídeo a mostrar a experiência. Embora esta estratégia possa gerar alguma visibilidade, muitas vezes acaba por resultar em conteúdos pouco diferenciados e facilmente identificados como publicidade. Contudo, o aumento deste tipo de parcerias, levou a um maior ceticismo por parte de alguns utilizadores pois, um influencer que promove constantemente diferentes marcas pode levar a um questionamento da autenticidade da sua recomendação por parte dos seus seguidores.

Por outro lado, algumas empresas têm vindo a explorar o marketing de influência de forma mais estratégica. Em vez de colaborações pontuais, procuram estabelecer parcerias mais consistentes com criadores de conteúdo, integrando-os nas suas campanhas de comunicação e adaptando as mensagens à linguagem das redes sociais. Neste contexto, o influencer deixa de ser apenas um canal de divulgação e passa a funcionar como um verdadeiro parceiro na criação de conteúdos.

Um exemplo interessante pode ser observado em algumas campanhas digitais da NOS, que tem colaborado com criadores de conteúdo no TikTok para produzir vídeos alinhados com o estilo da plataforma e com o público mais jovem. Em vez de simples publicações promocionais, o foco passa a estar na criação de conteúdos que gerem entretenimento, identificação e partilha entre os utilizadores, como podemos ver nesta colaboração com a influencer Rita Garcez.


No vídeo, a marca colabora com a Rita para produzir um conteúdo curto e humorístico, totalmente alinhado com o estilo típico da plataforma. Em vez de um anúncio tradicional, o conteúdo funciona mais como um vídeo nativo do TikTok, pensado para entretenimento e partilha entre utilizadores.

Este tipo de abordagem demonstra como algumas marcas estão a tentar adaptar-se à lógica das redes sociais. Em plataformas como o TikTok, conteúdos demasiado promocionais tendem a gerar menos envolvimento, enquanto vídeos mais naturais e alinhados com o estilo dos criadores podem gerar mais visualizações e interações. Reflete também uma mudança no comportamento dos consumidores nas redes sociais. Atualmente, muitos utilizadores valorizam conteúdos que pareçam mais naturais e integrados no estilo do criador de conteúdo, em vez de mensagens publicitárias demasiado evidentes.

Neste contexto, o sucesso do marketing de influência pode depender menos do número de seguidores e mais da autenticidade da relação entre o influencer, a marca e o público. Assim, mais do que simplesmente “oferecer produtos” a criadores de conteúdo, as marcas parecem estar a aprender que o verdadeiro potencial do marketing de influência está na construção de colaborações mais estratégicas e criativas.

Mas fica a questão:
Será que o futuro do marketing de influência passa por estas parcerias mais estratégicas… ou os tradicionais posts patrocinados vão continuar a dominar as redes sociais?