
WEB MARKETING E COMÉRCIO ELECTRÓNICO

Nos dias de hoje, as marcas procuram novas formas de
comunicar com o público nas redes sociais. Mais do que apenas publicar
conteúdos promocionais, algumas empresas têm utilizado memes virais como forma
de aumentar o engagement e criar identificação com os utilizadores.
Um exemplo recente pode ser visto num vídeo publicado pela NOS no TikTok, onde a marca recorre ao meme “Juro, Joca”. Ao integrar uma
referência já conhecida e divertida pelos utilizadores, a NOS consegue criar um
conteúdo leve, próximo da linguagem da plataforma e mais propenso a ser
partilhado.
Outro caso interessante é o do Grupo Soluções Ideais, que utilizou também um meme na sua publicidade (Anúncio Grupo Soluções Ideais). A abordagem humorística, baseada num meme que circula na internet, permite à marca captar rapidamente a atenção do público e aumentar a visibilidade das suas mensagens de forma divertida e informal.
Mais do que simplesmente adaptar conteúdos já existentes,
este tipo de marketing demonstra como as marcas estão cada vez mais ligadas à cultura digital. Ao utilizar memes, conseguem comunicar de forma mais próxima,
gerar identificação e aumentar o potencial de partilha dos conteúdos.
Desta forma, quando utilizados de forma adequada e alinhados com a identidade da marca, os memes podem transformar publicações simples em conteúdos altamente envolventes e memoráveis. É um exemplo l.de como o humor e a criatividade se tornaram ferramentas essenciais no marketing digital.
Nem todas as campanhas de marketing digital servem apenas para vender. Algumas servem, antes de tudo, para perceber se existe realmente mercado para uma ideia. Foi isso que aconteceu com Exploding Kittens, um jogo de cartas lançado no Kickstarter em 2015 (podes saber mais sobre o jogo e a marca aqui).
A campanha tornou-se um fenómeno: ultrapassou os 219 mil apoiantes e angariou cerca de 8,78 milhões de dólares, tornando-se o projeto com mais apoiantes da história do Kickstarter na altura.
O mais interessante neste caso é perceber que o Kickstarter funcionou não somente aqui como um canal de financiamento, mas principalmente como uma ferramenta de validação de mercado. Em vez de investir primeiro em produção e só depois descobrir se o público tinha interesse, a equipa usou a plataforma para testar diretamente a ideia junto da comunidade. A resposta foi tão forte que o produto já nasceu com procura, notoriedade e envolvimento.
Este caso também mostra bem a força de três elementos integrados no web marketing: comunidade, conteúdo e confiança. O projeto não cresceu só porque o jogo parecia divertido mas sim porque conseguiu mobilizar pessoas, gerar partilhas e criar um sentimento de participação desde o início. Ou seja, o público não foi apenas espectador da campanha, fez parte do lançamento. E isso, no digital, tem um valor enorme.
Ainda mais interessante quando percebemos que Exploding Kittens não ficou limitado ao crowdfunding. A marca conseguiu expandir-se para a Netflix, onde passou a contar com uma série de animação lançada em 2024, com 9 episódios, e também com um jogo mobile incluído nos planos da plataforma. Isto mostra como uma ideia inicialmente validada por uma comunidade online conseguiu transformar-se numa marca com presença em vários formatos de entretenimento.
Assim fica uma lição importante no marketing digital, o verdadeiro valor nem sempre está apenas na venda imediata, muitas vezes está na capacidade de criar uma base de fãs, testar o interesse real do mercado e construir uma marca com potencial de expansão. No caso de Exploding Kittens, a comunidade não serviu só para financiar o produto inicial, mas também serviu também para provar que existia espaço para fazer a marca crescer, muito para além do jogo de cartas, tornando-a numa marca global.
E na vossa opinião, o crowdfunding é apenas uma forma de financiamento ou uma das ferramentas mais inteligentes para validar produtos e construir marcas no digital?
Até que ponto uma comunidade online pode transformar uma simples ideia numa marca global?
Quem nunca procurou o seu nome numa garrafa da Coca-Cola?
A campanha “Share a Coke” tornou-se um dos exemplos
mais icónicos de marketing e em 2025 regressa com uma nova abordagem, adaptada
a uma geração cada vez mais digital, mas que valoriza ligações reais.
A ideia é simples, mas cria impacto, ao substituir o
logótipo por nomes próprios e incentivar as pessoas a partilharem uma Coca-Cola
com alguém especial. Lançada originalmente em 2011, a campanha rapidamente se
tornou global.
Em 2025, a marca recupera este conceito, mas com uma nova
abordagem, a integração entre o mundo físico e o digital. Agora, para além de
encontrar nomes nas embalagens, os consumidores podem criar experiências
personalizadas através de plataformas digitais, como conteúdos interativos e
vídeos partilháveis.
O anúncio reforça uma mensagem clara: as melhores
experiências são aquelas que partilhamos. Ao longo do vídeo, vemos momentos
simples com amigos e família, que ganham significado através de
pequenos gestos, como oferecer uma bebida com o nome de alguém.
Visualmente, a campanha aposta em cores vibrantes, rostos reais e situações do dia a dia. Ao personalizar o produto, a Coca-Cola conseguiu transformar algo comum em algo único. Cada garrafa deixa de ser apenas uma bebida e passa a ser uma experiência pessoal. Este detalhe aumentou significativamente o envolvimento do público e incentivou a partilha nas redes sociais, tanto online como offline.
Mais do que publicidade, “Share a Coke” é um exemplo claro
de como o marketing pode transformar um produto numa experiência emocional.
Mas fica a questão: Até que ponto a personalização pode ser a chave para aumentar o engagement numa estratégia de marketing digital?
No meio de tantas campanhas previsíveis do Dia dos Namorados, a Burger King Brasil decidiu fazer exatamente o contrário, criando o “Corno Drive-Thru”, uma ação com humor dirigida a quem já foi traído. A lógica era simples e absurda o suficiente para chamar a atenção: quem passasse no drive-thru com um amigo que confirmasse a traição podia receber um Whopper gratuito na compra de um menu selecionado. A campanha decorreu no Brasil entre 10 e 12 de junho de 2025, aproveitando a data em que o país celebra o Dia dos Namorados.
O que torna esta campanha interessante não é apenas a promoção em si. É a forma como a marca usou um tema sensível, mas muito presente na cultura popular e nas redes sociais, para gerar conversa, partilhas e reações imediatas. O nome da campanha, o tom provocador e a mecânica pouco convencional fazem com que o conteúdo tenha tudo aquilo que normalmente funciona bem online: surpresa, humor, identificação e potencial viral.
Além disso, a Burger King já é conhecida por uma comunicação irreverente, por isso esta ação não pareceu “fora da personagem”. Pelo contrário, reforçou um posicionamento que a marca já vinha a construir: próximo da cultura digital, descontraído e sem medo de arriscar. Quando uma campanha está alinhada com a identidade da marca, a probabilidade de ser bem recebida é maior, mesmo quando o conceito é polémico ou exagerado. Isto é especialmente importante em ambiente digital, onde o público reage muito rapidamente ao que considera forçado ou incoerente.
Este caso mostra bem que o web marketing não vive apenas de anúncios pagos ou de promoções agressivas. Vive também de atenção. Hoje, muitas marcas disputam segundos de interesse no feed do utilizador, e campanhas como esta provam que criatividade e timing podem gerar enorme visibilidade. Mesmo sem conhecermos aqui os números exatos de adesão, o simples facto de a campanha ter sido notícia já mostra o seu valor em termos de alcance e notoriedade. Essa é uma das grandes forças do marketing digital: transformar uma ação local num tema de conversa muito mais amplo.
No fundo, o “Corno Drive-Thru” é um bom exemplo de uma estratégia que não tenta agradar a toda a gente, mas que consegue ser memorável. E no digital, muitas vezes, ser memorável já é metade da vitória.
Na vossa opinião, campanhas como estas geram verdadeiro valor para a marca ou apenas atenção momentânea?