sábado, 23 de maio de 2026

A Frize deixa-nos bem dispostos

 

Antecipando a chegada do tempo quente a Frize lançou um produto que dá inicio à exploração um novo segmento que pretende afastar-se da tradicional água com gás: o mocktail.

O produto é novo, mas a campanha que o apresenta aos portugueses mantém o tema da campanha lançada em 2025 para reposicionamento da marca para apelar a um público mais jovem em que esta se apresenta como produto irreverente. Até aqui nada de novo. A surpresa surge quando se percebe que a marca se apropriou de um tema muito recente e amplamente discutido na sociedade e o transformou em veículo da sua mensagem numa adaptação tão perfeita que até parece que foi combinado 😊

É que a Frize criou um anúncio em que os irmãos Nelson e Sérgio Rosado, os Anjos, pedem uma Frize a um barman que lhes responde: “Depois daquilo que se passou?”, aludindo ao conflito com Joana Marques; eles respondem com uma versão adaptada do hit “Perdoa” (“Perdoa se peço demais, eram só umas medidas legais”), mas a marca remata com a “sentencia”: “Perdoem‑nos, Anjos. Este mocktail é só para bem‑dispostos”. 

A campanha surge após um muito publicitado processo em que os Anjos pediram uma avultada indemnização à humorista por um vídeo satírico sobre a sua atuação do hino nacional, caso que terminou com a absolvição desta.

Do ponto de vista de marketing digital, a campanha adota uma estratégia de storytelling (ainda que indireto) em que a realidade e a dimensão intangível do anúncio se misturam com humor num "piscar de olho” cúmplice ao consumidor que lhe lembra que não há necessidade de explicar porque todos sabemos a que se refere a representação.

O objetivo de identificar a marca como irreverente e brincalhona sai reforçado através desta campanha com uma mensagem bem-humorada e provocadora. Paralelamente, a marca coloca-se ao lado do público que maioritariamente se manifestou no sentido da valorização da liberdade de expressão ao sublinhar que os Anjos não são suficientemente bem dispostos para poderem aceder ao privilégio de consumir este mocktail.

A própria marca “Anjos” sai reforçada desta campanha, já que após meses de criticas, os dois irmãos exibem publicamente uma capacidade de “fair-play” que não lhes era reconhecida até ao momento, permitindo-lhes dar inicio a um eventual processo de rebranding com amplo alcance em curto espaço de tempo.

Em resumo, esta campanha tem todos os ingredientes para ser bem sucedida em marketing digital devido ao facto de ser memorável e pelo seu potencial de gerar comentários online.

Antecipando a chegada do tempo quente a Frize lancou um produto que dá inicio á exploração um novo segmento que pretende afastar-se da tradicional água com gás: o mocktail.

O produto é novo, mas a campanha que o apresenta aos portugueses mantem o tema da campanha lançada em 2025 para reposicionamento da marca para apelar a um público mais jovem em que esta se apresenta como produto irreverente. Até aqui nada de novo. A surpresa surge quando se percebe que a marca se apropriou de um tema muito recente e amplamente discutido na sociedade e o transformou em veículo da sua mensagem numa adaptação tão perfeita que até parece que foi combinado 😊

É que a Frize criou um anúncio em que os irmãos Nelson e Sérgio Rosado, os Anjos, pedem uma Frize a um barman que lhes responde: “Depois daquilo que se passou?”, aludindo ao conflito com Joana Marques; eles respondem com uma versão adaptada do hit “Perdoa” (“Perdoa se peço demais, eram só umas medidas legais”), mas a marca remata com a “sentencia”: “Perdoem‑nos, Anjos. Este mocktail é só para bem‑dispostos”. 

A campanha surge após um muito publicitado processo em que os Anjos pediram uma avultada indemnização à humorista  por um vídeo satírico sobre a sua atuação do hino nacional, caso que terminou com a absolvição desta.

Do ponto de vista de  marketing digital, a companha adota uma estratégia de storytelling (ainda que indireto) em que a realidade e a dimensão intangível do anúncio se misturam com humor num “piscar de olho” cúmplice ao consumidor que lhe lembra que não há necessidade de explicar porque todos sabemos a que se refere a representação.

O objetivo de identificar a marca como irreverente e brincalhona sai reforçado através desta campanha com uma mensagem bem-humorada e provocadora. Paralelamente, a marca coloca-se ao lado do público que maioritariamente se manifestou no sentido da valorização da liberdade de expressão ao sublinhar que os Anjos não são suficientemente bem dispostos para poderem aceder ao privilégio de consumir este mocktail.

A própria marca “Anjos” sai reforçada desta campanha, já que após meses de criticas, os dois irmãos exibem publicamente uma capacidade de “fair-play” que não lhes era reconhecida até ao momento, permitindo-lhes dar inicio a um eventual processo de rebranding com amplo alcance em curto espaço de tempo.

Em resumo, esta campanha tem todos os ingredientes para ser bem sucedida em marketing digital por ser memorável e pelo seu potencial de gerar comentários on-line.

Digam lá se não ficaram com vontade de brindar ao fim das aulas com um mocktail da Frize, hein? 😉



Frize Mocktail e Anjos



sexta-feira, 22 de maio de 2026

LinkedIn Premium: A barreira invisível entre o networking gratuito e a monetização da curiosidade

Muitas vezes, quando pensamos no modelo de negócio Freemium, o exemplo clássico que nos vem à mente é o dos jornais digitais, lemos o início de um artigo gratuitamente, mas rapidamente esbarramos numa paywall que nos exige uma subscrição para aceder ao resto da informação.


Contudo, no panorama das redes sociais, poucas plataformas executam esta estratégia de forma tão exímia e lucrativa como o LinkedIn. A base deste sucesso assenta no facto de a sua versão gratuita ser, por si só, uma ferramenta incrivelmente completa e valiosa. Qualquer utilizador pode criar o seu perfil, candidatar-se a vagas e construir uma rede de contactos sem gastar um cêntimo. Esta gratuidade é essencial para garantir o chamado network effect. A plataforma só tem valor para os recrutadores e para as empresas se toda a força de trabalho estiver lá presente. No entanto, a genialidade da estratégia da empresa revela-se no momento em que o utilizador tenta dar um passo além do uso básico e esbarra em bloqueios estrategicamente desenhados para despertar frustração, curiosidade ou necessidade comercial. 

 

Um dos exemplos mais flagrantes e psicologicamente eficazes desta estratégia é a funcionalidade "Quem viu o seu perfil". Na versão gratuita, o LinkedIn mostra que dezenas de pessoas visitaram a página, mas apresenta a maioria das fotografias e nomes desfocados. Ao fazê-lo, a plataforma não está apenas a vender uma subscrição, está a monetizar um gatilho mental fortíssimo, a curiosidade humana e a necessidade de validação profissional. Saber quem nos está a investigar pode ser a diferença entre conseguir uma oportunidade de ouro ou perdê-la, e é exatamente sobre essa urgência que a conversão para o Premium opera. Da mesma forma, o modelo impõe barreiras rigorosas ao networking ativo. Se um utilizador quiser enviar uma mensagem a alguém fora da sua rede de contactos diretos, como um recrutador ou um potencial cliente, depara-se com o bloqueio do InMail, exigindo a passagem para uma conta paga.

Deste modo, o caso do LinkedIn demonstra que o modelo Freemium atinge o seu expoente máximo quando a versão gratuita é tão boa que se torna indispensável na rotina do utilizador. A verdadeira mestria não está em forçar o pagamento desde o primeiro minuto, mas sim em mapear detalhadamente a jornada do consumidor e colocar a paywall no momento exato em que a ambição profissional, ou a simples curiosidade, superam a resistência a pagar.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

O “Caos Bonito” do Marketing Emocional: quando uma campanha vende sensações, não apenas produto

No marketing atual, as marcas já não competem apenas por atenção. Competem por significado, identificação e emoção. E foi exatamente isso que a campanha de Natal e Passagem de Ano da Casal Garcia conseguiu transmitir através de uma narrativa simples, humana e extremamente visual - uma campanha da qual tive também a oportunidade de fazer parte como protagonista.

Par

ticipar neste projeto permitiu-me perceber de perto como uma campanha emocional é construída muito para além do produto. Desde a narrativa ao ambiente visual, tudo foi pensado para transmitir uma sensação específica: aquele período entre o Natal e o Ano Novo em que os dias parecem perder definição e o tempo deixa de funcionar de forma normal.


A campanha acompanha Francisca durante esse intervalo quase suspenso da realidade - um verdadeiro “limbo” festivo onde já ninguém sabe se é segunda-feira, sábado ou domingo.

Mas é precisamente aí que está a força criativa da campanha.

Em vez de apostar numa visão demasiado perfeita ou artificial das festividades, o vídeo trabalha o conceito de “caos bonito”: o caos das mesas cheias, das gargalhadas espontâneas, dos brindes repetidos, das conversas demoradas e da sensação coletiva de simplesmente aproveitar o momento.

Ao longo do vídeo, a personagem surge constantemente num estado de fruição - come, brinda, ri-se e vive sem pressa. A narrativa transmite a ideia de que, naquele espaço entre festividades, existir já é suficiente. E essa autenticidade emocional aproxima imediatamente o público da marca.

Do ponto de vista do marketing, esta abordagem é particularmente eficaz porque o produto não surge de forma forçada. O Casal Garcia Fruitzy de Pêssego aparece integrado naturalmente nos momentos de convívio, funcionando como parte da experiência e não apenas como elemento promocional.

Esta é uma das maiores tendências do marketing contemporâneo:
as marcas mais fortes são aquelas que conseguem vender emoções, ambientes e estados de espírito, em vez de apenas características funcionais.

Visualmente, a campanha reforça esta ideia através de uma estética leve, quente e descontraída, alinhada com o posicionamento da marca. O fecho do vídeo resume perfeitamente toda essa construção emocional ao descrever o final do ano como algo “leve, doce e no ritmo certo” - características que refletem simultaneamente a experiência vivida pela protagonista e a personalidade da bebida.

Ter participado nesta campanha permitiu-me também observar como o storytelling emocional consegue criar identificação genuína com o consumidor. Porque, no fundo, quase toda a gente reconhece aquele período indefinido entre o Natal e o Ano Novo. E quando uma marca consegue transformar uma sensação coletiva numa narrativa visual coerente, deixa de vender apenas um produto - passa a fazer parte da memória emocional do público.

Deixo aqui o link para quem quiser ver o vídeo completo!

https://www.instagram.com/reel/DSxFi4HjT5U/?igsh=YnZoZjB0aG82cmhy 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

“67”: quando um número vira tendência no digital

Nos últimos tempos, é cada vez mais comum ver crianças e jovens a dizerem “67” em vídeos, nas redes sociais e até no dia a dia. O mais curioso é que, na verdade, quase ninguém sabe explicar exatamente o que isso significa.

E é aqui que isto se torna interessante do ponto de vista do marketing digital. O “67” não nasceu como uma campanha ou uma ideia de marca, mas acabou por ganhar força sozinho, através das redes sociais, da repetição e da forma como os utilizadores vão copiando comportamentos uns dos outros.

Em plataformas como o TikTok e o Instagram começaram a surgir vídeos, sons e referências associadas ao número, o que ajudou a transformar algo que, à partida, não tinha um significado claro, numa espécie de “código” cultural entre utilizadores. Este tipo de fenómenos demonstra como o digital cria tendências que se propagam de forma autónoma, sem necessidade de uma origem formal de marketing ou comunicação de marca.

No fundo, o mais interessante nem é perceber o que o número significa (porque muitas vezes nem existe uma explicação única), mas sim perceber como ele se espalha. As pessoas repetem porque veem outros a repetir, partilham porque está a ser partilhado, e assim cria-se uma tendência que cresce de forma orgânica e quase auto-sustentada.

Do ponto de vista do marketing digital, isto mostra algo muito simples: nem sempre é preciso uma grande mensagem ou uma ideia estruturada. Às vezes, basta um elemento pequeno, fácil de reproduzir e culturalmente adaptável para ganhar vida própria dentro das redes sociais.

Este fenómeno ganhou ainda mais força com a música “Six Seven” de Laurinha Costa, DJ Cabello e DJ Tchouzen, que ajudou a amplificar a tendência através do som e da dança.

Aqui, a lógica é clara: quando um elemento é associado a música e coreografia, a probabilidade de viralização aumenta significativamente, porque facilita a replicação e a participação ativa dos utilizadores.

Do ponto de vista do Web Marketing, este caso é particularmente relevante porque mostra que as tendências digitais não vivem isoladas. Elas constroem-se através de um ecossistema de conteúdos: vídeos, música, memes e interações, que se alimentam mutuamente e aceleram a sua disseminação.

Neste contexto, várias marcas já perceberam a importância de integrar tendências em vez de apenas criar campanhas isoladas. No caso do TikTok, muitas tendências musicais e virais acabam por ser incorporadas por criadores e até por marcas, que procuram ganhar relevância dentro da cultura da plataforma. Também marcas como a Nike têm recorrido frequentemente a códigos culturais do digital e tendências orgânicas para reforçar a sua presença junto de públicos mais jovens.

Isto mostra uma mudança importante no marketing contemporâneo: as marcas já não são apenas criadoras de tendências, mas também observadoras e participantes da cultura digital.

💡E aqui entra um exemplo interessante: o fenómeno do “67” poderia perfeitamente ter sido explorado por uma marca como a McDonald's. A marca tem histórico de comunicação altamente ligada à cultura jovem e viral, e poderia ter integrado o número numa campanha simples, visual e altamente repetível: por exemplo, através de conteúdos curtos no TikTok com humor e repetição, transformando um fenómeno espontâneo numa ativação global de engagement.

E é precisamente isso que torna este tipo de tendências tão relevante para o marketing digital: elas não são criadas, são descobertas.

No fundo, o “67” mostra algo essencial no comportamento digital atual: nem sempre importa o significado original, mas sim a capacidade de algo ser repetido, reinterpretado e partilhado até se tornar parte da cultura coletiva.

E fica a reflexão final: no digital, o mais poderoso não é o que se diz… mas o que todos decidem repetir.

Heinz: quando a criatividade simples fala mais alto

Num contexto em que muitas campanhas apostam em tecnologia complexa, a Heinz conseguiu destacar-se com uma ideia simples, mas extremamente eficaz: a campanha “AI Ketchup”.

O conceito era direto: pedir a ferramentas de inteligência artificial para gerar imagens de ketchup. Curiosamente, os resultados aproximavam-se sempre de uma garrafa Heinz. A marca aproveitou este insight para reforçar uma ideia poderosa, quando pensamos em ketchup, pensamos automaticamente em Heinz.

Esta campanha destaca-se por combinar criatividade com uma tendência atual, a inteligência artificial, sem complicar a mensagem. Em vez de explicar demasiado, deixa que o próprio resultado fale por si, criando um efeito quase intuitivo no público.

Para além disso, é um excelente exemplo de branding forte. A Heinz não precisou de mostrar características do produto nem de investir numa narrativa emocional complexa. Bastou uma ideia inteligente para reforçar o seu posicionamento na mente dos consumidores.

O mais interessante é que este impacto não fica apenas no plano criativo ou visual. Ele estende-se à própria forma como a marca é reconhecida. Quando a inteligência artificial começa a gerar automaticamente imagens que remetem para a Heinz, isso revela um nível de notoriedade tão forte que a marca praticamente se torna sinónimo da categoria de produto.

E aqui começa uma reflexão mais ampla. Quando o mercado passa a usar o nome de uma marca para designar toda uma categoria de produto, isso revela a força da sua notoriedade e do seu posicionamento. Esse nível de reconhecimento acaba por sustentar uma presença global muito forte e consistente, tornando-se um exemplo claro de propriedade intelectual na prática. Mais do que uma campanha, estamos perante uma marca que se transformou num ativo global altamente valioso.

Do ponto de vista de marketing, este é um cenário quase ideal: quando pensamos em ketchup, pensamos em Heinz. A marca ocupa automaticamente o espaço mental do consumidor.

No entanto, esta força também levanta uma questão estratégica importante. Quando uma marca se torna sinónimo de uma categoria, existe o risco de diluição da marca, ou seja, quando o nome ou os seus elementos distintivos começam a ser usados de forma tão genérica que podem perder parte da sua singularidade ao longo do tempo.

Isto não significa que exista um problema neste caso concreto, mas sim uma reflexão sobre o equilíbrio necessário na gestão de marca. Construir uma marca tão forte que se torna referência global é o objetivo de qualquer estratégia de branding, mas é igualmente essencial garantir que essa notoriedade é protegida e controlada, de forma a preservar o seu valor no longo prazo.

No fundo, este caso mostra de forma muito clara como marketing, criatividade e direito não estão separados, mas funcionam como partes do mesmo sistema. Uma marca não é apenas comunicação ou publicidade, é também um ativo estratégico que precisa de ser continuamente gerido para manter a sua força e relevância.

E é precisamente aqui que a campanha volta ao ponto inicial. Este caso demonstra que, no marketing digital, nem sempre é preciso fazer mais para se destacar. Às vezes, uma ideia simples, bem executada e alinhada com o contexto atual, pode gerar tanto ou mais impacto do que campanhas mais elaboradas.

Fica a reflexão final: será que, no meio de tanta inovação e tecnologia, as campanhas mais simples acabam por ser as mais memoráveis?