sexta-feira, 10 de abril de 2026

Inteligência Artificial no ensino: oportunidade ou desafio?

Achei muito interessante saber que a FEP esta a avançar com um projeto-piloto de Inteligência Artificial aplicada ao ensino. Para mim, este é um exemplo claro de como a IA já não é apenas uma tendência, mas sim uma realidade com impacto direto na forma como aprendemos, comunicamos e interagimos com a tecnologia.

Este tema pode ser relacionado com a nossa unidade curricular Web Marketing e o Comércio Eletrónico, sobretudo porque a Inteligência Artificial tem vindo a transformar a criação de conteúdos, a personalização da experiência do utilizador e a forma como as organizações comunicam digitalmente. Ao mesmo tempo, levanta questões importantes sobre confiança, credibilidade da informação e utilização responsável da tecnologia.

Como é uma área com a qual me identifico, acho especialmente interessante ver esta mudança acontecer num contexto tão próximo da nossa experiência académica. No fundo, o desafio não está apenas em usar IA, mas sim em perceber como a integrar de forma útil, ética e consciente.

Deixo-vos o link abaixo:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/maioria-das-universidades-ja-adotou-ia-mas-capacidade-institucional-continua-atrasada-diz-relatorio_n1732644?

Na vossa opinião, a utilização da IA no ensino superior representa mais uma oportunidade de melhoria da aprendizagem ou um risco para a autonomia e integridade académica?

Não, não há menos conteúdo de Inteligência Artificial na Internet.

Já alguma vez pensaste “Têm-me aparecido menos anúncios/publicações/conteúdo feitos por inteligência artificial ultimamente”? Se sim, então não tenho boas notícias, algo que o seguinte vídeo captura em 10 segundos.


(Tradução: “Wow, ultimamente não me tem aparecido tanto conteúdo de inteligência artificial”)

A imagem do avião é a comumente associada ao efeito de “Preconceito de sobrevivência”, que é efetivamente a indução em erro resultante de uma interpretação direta baseada em informação incompleta.

O exemplo do avião provém da Segunda Guerra Mundial quanto à quantidade e local que um avião bombardeiro deveria ter de modo a maximizar a sua taxa de sucesso e de retorno. Visto que a imagem do avião mostra as áreas danificadas dos aviões que regressavam às bases aéreas, a conclusão mais óbvia seria que estas áreas deveriam ser fortificadas por serem comumente danificadas. No entanto, esta conclusão está errada, pois uma análise breve da imagem não se apercebe que a razão de as áreas em branco não chegarem danificadas aos hangares é porque aviões danificados nessas áreas não retornam.

Deste modo, a conclusão correta é que as áreas em branco são as mais cruciais de serem protegidas enquanto que as áreas vermelhas representam áreas que podem ser danificadas sem comprometerem completamente a capacidade de retorno do avião.


Aplicando agora esta lógica à identificação de inteligência artificial, a razão de não ver tanto conteúdo de IA não é por existir menos, mas sim por ser mais difícil de identificar.

Este efeito parece aplicar-se realmente aos consumidores, como demonstra um estudo realizado em 2024 onde apenas 50% dos inquiridos conseguiram identificar, entre duas versões de um texto, qual é que foi gerado por Inteligência Artificial, com as pessoas mais novas (25-34 anos) a identificarem-na com maior facilidade. Adicionalmente, sem saber qual versão era de IA, 56% dos inquiridos respondeu preferi-la à real, apenas retraindo a preferência ao saber que era, de facto, gerada por IA.

Já não estamos nos dias do Will Smith a comer esparguete (um dos primeiros vídeos gerados por Inteligência Artificial) e a tendência online parece cada vez mais virada para um domínio de conteúdo IA irreconhecível.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Trabalhar de qualquer lugar: como a Airbnb transformou uma tendência numa campanha de marketing


Nos últimos anos, a forma como trabalhamos e viajamos tem vindo a mudar significativamente. O crescimento do trabalho remoto permitiu que muitas pessoas deixassem de estar presas a um local fixo para viver e trabalhar. Foi precisamente neste contexto que a Airbnb lançou a campanha “Live Anywhere with Airbnb”, uma iniciativa que procurou aproveitar esta nova realidade e reforçar o posicionamento da marca como facilitadora de experiências de vida flexíveis.

A campanha foi lançada em 2021 e tinha um conceito simples mas muito apelativo: a Airbnb selecionaria 12 pessoas para viver durante um ano em diferentes alojamentos disponíveis na plataforma, em vários locais do mundo. Durante esse período, os participantes poderiam trabalhar remotamente e partilhar as suas experiências, mostrando como é possível viver e trabalhar de forma mais flexível.

Um dos aspetos mais interessantes desta campanha foi a forma como a Airbnb conseguiu relacionar a sua estratégia de marketing com uma tendência social real: o aumento do trabalho remoto e o surgimento dos chamados digital nomads. Em vez de promover apenas alojamentos para férias, a marca passou a comunicar a ideia de que a sua plataforma pode ser utilizada também para estadias mais longas e para um novo estilo de vida.

Outro elemento importante da campanha foi o seu forte impacto digital. A iniciativa foi amplamente divulgada online e incentivava as pessoas a candidatarem-se através da plataforma da Airbnb. Ao mesmo tempo, os participantes selecionados partilhavam as suas experiências nas redes sociais, gerando conteúdo autêntico e aumentando a visibilidade da marca. Desta forma, a campanha combinou marketing digital, storytelling e conteúdo gerado pelos próprios utilizadores.

A campanha também contribuiu para reforçar a imagem da Airbnb como uma marca inovadora e adaptada às mudanças do comportamento dos consumidores. Ao promover a possibilidade de viver em diferentes locais do mundo, a empresa conseguiu posicionar-se não apenas como uma plataforma de alojamento, mas como uma facilitadora de novas experiências e estilos de vida.

Live Anywhere with Airbnb” demonstra como as marcas podem aproveitar mudanças sociais e tecnológicas para desenvolver estratégias de marketing relevantes e alinhadas com as necessidades atuais dos consumidores.


Na vossa opinião, iniciativas como a campanha “Live Anywhere with Airbnb” conseguem realmente influenciar a forma como as pessoas viajam e trabalham, ou funcionam sobretudo como uma estratégia de marketing para reforçar a imagem da marca?

Existe uma métrica universal?

Numa era digital onde o trabalho das marcas cada vez mais passa pelas ferramentas online, a forma como avaliamos cada conteúdo torna-se chave para o sucesso de uma estratégia digital. Frequentemente utilizámos métricas como alcance ou número de seguidores como indicadores de sucesso, mas será que são estas as métricas mais importantes? E quando a esta análise juntamos ainda a escolha entre celebridades, influenciadores ou criadores de conteúdo, tudo depende ainda menos de uma métrica universal e mais da clareza de objetivos.

Existem diversos rankings que indicam a pessoa mais seguida ou influenciador com melhor resultados. É informação de acesso gratuito e fácil. No entanto, estes rankings levantam alguma discussão na forma como avaliam a informação. Quando as métricas avaliadas não fazem sentido, é a marca que perde. Os rankings são importantes, mas deixam frequentemente de lado fatores como o estatuto, enquadramento estratégico ou o investimento necessário para amplificar determinado influenciador.

Embora o paid media seja indispensável nos dias de hoje, talvez devêssemos rever como olhamos para as métricas. É que a clareza das métricas começa com a clareza de objetivos. Não há nada de errado na promoção de conteúdos, mas é publicidade pura e dura. Avaliar e escolher misturando métricas descontextualizadas não só prejudica as marcas, como desvaloriza o trabalho dos criadores que constroem comunidades com interações reais e orgânicas.

A LEGO é uma marca que não precisa de apresentações. Conseguiu reinventar-se e manter-se relevante para todas as gerações. Se em criança  brincamos com legos, construindo peças à medida da nossa imaginação, em adultos, queremos coleções mais complexas, como as inspiradas no universo de filmes ou séries, ou a até mais recente Botanicals. Recentemente a LEGO invadiu o feed de todos. Numa só publicação juntou futebol, FIFA World Cup e 4 dos jogadores mais falados da atualidade, sendo um deles por acaso a pessoa com mais seguidores no Instagram. “Everyone Wants a Piece” é a campanha internacional que junta Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Kylian Mbappé e Vinícius Júnior, promovendo a nova LEGO Editions inspirada no FIFA World Cup 2026.

 


As publicações, tanto da LEGO como dos jogadores, conseguiram alcances estrondosos quase de imediato. Podemos então dizer que foi o melhor post da marca nos últimos tempos? Talvez não. Apesar da enorme visibilidade gerada em parte pelas celebridades presentes, esta publicação da LEGO teve um investimento também ele estrondoso (parte de uma estratégia de comunicação maior que terá novidades a 1 de maio). Sem investimento, só com a associação a celebridades, será que teria o mesmo impacto? E se fosse apenas comunicação do set, sem qualquer celebridade ou até influenciador?  

 

 

Ao observar o feed da marca, percebemos que alguns dos posts com melhor engagement não têm qualquer celebridade ou influenciador. São publicações que comunicam projetos criados pelos seguidores da marca, antes mesmo de se tornarem sets oficiais, ou simples anúncios de novidades. É conteúdo sem investimento aparente também. No entanto, geram um número elevado de comentários, debates entre os seguidores e muitas partilhas. É assim justo dizer que a publicação com os jogadores não cumpriu o objetivo? Não, porque o objetivo era alcance e awareness.

O que devemos ter então em conta? Qual a métrica que devemos avaliar?

Não existe uma métrica universal. A métrica mais importante depende sempre do objetivo. Quando optamos por celebridades ou influenciadores, maximizamos o alcance, o que é positivo para awareness. Conteúdos centrados em criadores e na comunidade maximizam a interação, a proximidade e a ligação emocional. Assim, mais do que rankings ou procurarmos uma métrica universal, devemos garantir que a estratégia que escolhemos está alinhada com o que pretendemos alcançar. 

 

E vocês, foram impactados pela LEGO e o “Everyone Wants a Piece”?

 

Fonte imagens: LEGO  

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Pipoca com Estilo: A Bolsa que Está a Roubar a Cena!

Vinte anos depois, o icónico filme O Diabo Veste Prada prepara-se para regressar.

Para promover o lançamento, a rede Cinemark, nos EUA, anunciou uma linha exclusiva de produtos temáticos. O item que roubou todas as atenções e rapidamente se tornou viral foi um balde de pipoca inovador, desenhado no formato de uma bolsa vermelha inspirada no universo da moda. A “bolsa” traz um detalhe muito especial: um charm em forma de salto alto com um tridente, a famosa referência visual que marcou o cartaz do filme. Além disso, a coleção inclui outros produtos, como copos personalizados.



O que as redes de cinema perceberam é que podem transformar um produto totalmente utilitário, como o balde de pipoca, num item altamente desejável. Um exemplo disso foi o lançamento do filme Barbie, em 2023, que apostou fortemente numa estratégia de marketing baseada em produtos temáticos.



Ir ao cinema deixa de ser apenas assistir a um filme e passa a ser um evento de consumo ampliado, impulsionando a experiência física nas salas de exibição. Estas precisam, cada vez mais, de criar momentos tangíveis e “instagramáveis” que justifiquem a deslocação do público.

Qual é o teu nível de entusiasmo para o retorno de Miranda Priestly? Terias coragem de desfilar com uma “bolsa” cheia de pipocas? E até que ponto um item colecionável influencia a tua decisão de ir ver um filme ao cinema?