sábado, 14 de março de 2026

Influencers nas redes sociais: estratégia real ou apenas mais um post patrocinado?

Nos últimos anos, o marketing de influência tornou-se uma das estratégias mais utilizadas pelas marcas no ambiente digital. Com o crescimento de plataformas como o TikTok e o Instagram, muitos criadores de conteúdo passaram a ter um papel importante na forma como os consumidores descobrem produtos, serviços e tendências. No entanto, nem todas as marcas utilizam os influencers da mesma forma.

Uma das abordagens mais comuns consiste simplesmente em enviar um produto a um criador de conteúdo e pedir que este faça uma publicação nas suas redes sociais. Este modelo tornou-se bastante popular porque é relativamente simples e, muitas vezes, mais acessível do que campanhas publicitárias tradicionais.

Neste tipo de colaboração, o influencer recebe uma amostra do produto e publica uma fotografia ou um vídeo a mostrar a experiência. Embora esta estratégia possa gerar alguma visibilidade, muitas vezes acaba por resultar em conteúdos pouco diferenciados e facilmente identificados como publicidade. Contudo, o aumento deste tipo de parcerias, levou a um maior ceticismo por parte de alguns utilizadores pois, um influencer que promove constantemente diferentes marcas pode levar a um questionamento da autenticidade da sua recomendação por parte dos seus seguidores.


Por outro lado, algumas empresas têm vindo a explorar o marketing de influência de forma mais estratégica. Em vez de colaborações pontuais, procuram estabelecer parcerias mais consistentes com criadores de conteúdo, integrando-os nas suas campanhas de comunicação e adaptando as mensagens à linguagem das redes sociais. Neste contexto, o influencer deixa de ser apenas um canal de divulgação e passa a funcionar como um verdadeiro parceiro na criação de conteúdos.

Um exemplo interessante pode ser observado em algumas campanhas digitais da NOS, que tem colaborado com criadores de conteúdo no TikTok para produzir vídeos alinhados com o estilo da plataforma e com o público mais jovem. Em vez de simples publicações promocionais, o foco passa a estar na criação de conteúdos que gerem entretenimento, identificação e partilha entre os utilizadores, como podemos ver nesta colaboração com a influencer Rita Garcez.



No vídeo, a marca colabora com a Rita para produzir um conteúdo curto e humorístico, totalmente alinhado com o estilo típico da plataforma. Em vez de um anúncio tradicional, o conteúdo funciona mais como um vídeo nativo do TikTok, pensado para entretenimento e partilha entre utilizadores.

Este tipo de abordagem demonstra como algumas marcas estão a tentar adaptar-se à lógica das redes sociais. Em plataformas como o TikTok, conteúdos demasiado promocionais tendem a gerar menos envolvimento, enquanto vídeos mais naturais e alinhados com o estilo dos criadores podem gerar mais visualizações e interações. Reflete também uma mudança no comportamento dos consumidores nas redes sociais. Atualmente, muitos utilizadores valorizam conteúdos que pareçam mais naturais e integrados no estilo do criador de conteúdo, em vez de mensagens publicitárias demasiado evidentes.

Neste contexto, o sucesso do marketing de influência pode depender menos do número de seguidores e mais da autenticidade da relação entre o influencer, a marca e o público. Assim, mais do que simplesmente “oferecer produtos” a criadores de conteúdo, as marcas parecem estar a aprender que o verdadeiro potencial do marketing de influência está na construção de colaborações mais estratégicas e criativas.

Mas fica a questão:
Será que o futuro do marketing de influência passa por estas parcerias mais estratégicas… ou os tradicionais posts patrocinados vão continuar a dominar as redes sociais?

O Triunfo do Storytelling na Era da Geração Net: "Dream Crazy" da Nike

No panorama atual, a forma como as marcas se comunicam com seus públicos sofreu uma transformação radical. Como vimos nas aulas, o foco das estratégias digitais mudou. Deixaram de se concentrar nas características físicas dos produtos para passarem a transmitir valores e propósitos. Hoje em dia, não basta vender um par de sapatilhas: é necessário vender uma visão do mundo. Esta mudança é impulsionada pelas novas gerações, que desenvolveram uma grande resistência à publicidade tradicional e intrusiva ao viverem num mundo repleto de mensagens e informação. 
A Nike é o exemplo paradigmático de uma marca que compreendeu esta nova dinâmica. Embora o seu negócio principal seja a venda de bens físicos, a sua comunicação assemelha-se mais à de um prestador de serviços de inspiração e ativismo. 
Ao longo de 30 anos, o lema "Just Do It" tem incentivado atletas de todo o país, de todos os desportos e níveis de competição. Para celebrar esta rica diversidade, o segundo mini-filme da série, intitulado "Dream Crazy", centra-se numa série de histórias que retratam tanto atletas famosos como aqueles que deveriam ser. O que todos têm em comum é a crença no poder do desporto para mudar o mundo.



Protagonizada por Colin Kaepernick, esta campanha ilustra na perfeição o conceito de "Storytelling com Propósito". A Nike abandona a neutralidade ao dar voz a causas como a justiça racial, a igualdade de género e a inclusão de pessoas com deficiência, trocando o marketing "perfeito" pela realidade crua que define a Geração Net. Que privilegia o "Inner Glow" e o "Power to You", procurando marcas que não sejam apenas fornecedoras, mas sim aliadas na expressão da sua identidade e convicções.
A eficácia desta campanha não se mediu apenas pela qualidade visual, mas pela sua capacidade de gerar um "Word-of-Mouse" sem precedentes. Através de plataformas de microblogging e redes sociais, a mensagem de "acreditar em algo, mesmo que signifique sacrificar tudo" tornou-se viral, forçando uma interação imediata e em tempo real, característica fundamental da Internet moderna. Apesar dos riscos de boicote, a estratégia baseada em dados mostrou ser a correta: ao estabelecer uma ligação com os valores éticos e sociais do seu público-alvo, a Nike assistiu a um aumento exponencial do seu envolvimento e das suas vendas online.
Em suma, o caso "Dream Crazy" mostra-nos que, no marketing digital contemporâneo, a tecnologia e o comércio eletrónico são apenas o meio. O verdadeiro motor do sucesso é a capacidade de contar histórias que ressoem com a realidade e a urgência de "viver o momento". Para a Geração Net, o ato de compra é um voto de confiança numa narrativa e num conjunto de valores. Por conseguinte, as marcas que se atrevem a ter uma voz e a tomar partido são as que, no final, conseguem romper o ruído digital e conquistar a lealdade de um consumidor cada vez mais exigente e informado.

Quando um consumidor cria a campanha: o caso viral da Stanley no TikTok

Na era digital, os consumidores têm hoje um poder enorme para influenciar a reputação e a visibilidade das marcas. Um simples vídeo publicado nas redes sociais pode chegar a milhões de pessoas em poucas horas e gerar um impacto que muitas campanhas publicitárias não conseguem alcançar.

Um exemplo recente disso aconteceu com a marca Stanley, conhecida pelos seus copos térmicos.
Em novembro de 2023, uma utilizadora do TikTok publicou um vídeo onde mostrava o interior do seu carro completamente queimado após um incêndio. No meio dos destroços estava um copo Stanley que tinha ficado no porta-copos. Quando ela o abriu, mostrou que ainda tinha gelo dentro. O vídeo rapidamente se tornou viral, e acumulou milhões de visualizações e comentários. Este caso é um bom exemplo de User Generated Content (UGC) que hoje tem um impacto enorme na comunicação das marcas.


O mais interessante foi a forma como a marca reagiu. O próprio CEO da Stanley respondeu publicamente ao vídeo, agradecendo à cliente e oferecendo-se para substituir o carro que tinha sido destruído no incêndio.

Este episódio demonstra bem que efetivamente hoje em dia as marcas já não controlam totalmente a comunicação sobre os seus produtos. Muitas vezes são os próprios consumidores que criam conteúdos capazes de gerar enorme visibilidade para uma marca.

Na minha opinião, este caso demonstra também a importância da rapidez e autenticidade na resposta das empresas nas redes sociais. A Stanley não criou esta situação nem planeou esta publicidade, mas conseguiu aproveitar o momento e reforçar a sua imagem de forma muito positiva.
Num contexto digital em que qualquer pessoa pode influenciar a opinião pública, saber ouvir e reagir às conversas online tornou-se tão importante como qualquer campanha de marketing tradicional.

E vocês, o que acham? Estamos a assistir a uma mudança real na forma como o marketing acontece online? 

sexta-feira, 13 de março de 2026

O macaco que conquistou a internet: como o IKEA se tornou viral com Punch

Num ambiente digital onde as tendências surgem e desaparecem rapidamente, muitas marcas aproveitam os fenómenos virais para aumentar a sua visibilidade. Um exemplo recente disso foi o caso do pequeno macaco Punch, que acabou por colocar o IKEA no centro de uma das histórias mais partilhadas nas redes sociais em 2026.

Punch é um pequeno macaco que vive no Ichikawa City Zoo, no Japão. Depois de ter sido rejeitado pela mãe, os tratadores deram-lhe um peluche do IKEA para lhe proporcionar conforto. O peluche, que era um orangotango da coleção Djungelskog, começou a ser visto por Punch como se fosse uma espécie de "figura maternal" e começou a aparecer em vídeos onde o macaco o abraçava constantemente.



Rapidamente, começaram a circular nas redes sociais imagens e vídeos (com milhões de visualizações) onde a história emocionou milhares de pessoas em todo o mundo, que passaram a partilhar os vídeos e a comentar a relação inesperada entre o macaco e o peluche. Com a popularidade crescente, o peluche tornou-se extremamente procurado, e em vários países, esgotou rapidamente do IKEA e chegou a ser vendido em plataformas de revenda online, a preços superiores ao original.

Após esta história ficar viral, o IKEA reagiu nas redes sociais em vários paises, utilizando este caso como uma ferramenta de marketing. Esta resposta rápida mostra como muitas empresas procuram adaptar-se a acontecimentos virais e aproveitar momentos inesperados que surgem na internet. No entanto, a situação também gerou alguma polémica. Alguns utilizadores questionaram até que ponto é adequado transformar uma situação emocional envolvendo um animal num fenómeno de marketing, levantando questões éticas sobre a exploração comercial de histórias sensíveis.

Este caso demonstra bem o poder das redes sociais no marketing digital atual. Um momento inesperado pode transformar-se rapidamente numa tendência global, influenciando não só a visibilidade de uma marca, mas também o comportamento de compra dos consumidores.

E para vocês, será que as marcas devem aproveitar fenómenos virais como este para comunicar com o público, ou existe um limite quando se trata de histórias mais sensíveis?

quarta-feira, 11 de março de 2026

Storytelling Emocional e Marketing de Impacto: O Caso ‘WHY DO IT?’ da Nike

Quem não conhece o icónico slogan “Just Do It” da Nike? 

Em 2025, a Nike apresentou a campanha “WHY DO IT?”, uma iniciativa que vai muito além de promover produtos: o foco está em inspirar as pessoas a agirem e a superarem limites.  

A campanha mostra vários atletas e pessoas a enfrentar obstáculos, treinar e lutar pelos seus objetivos, enquanto surge uma questão: “Por que fazemos o que fazemos?”. Cada cena revela esforço, dedicação e momentos de superação, lembrando que o verdadeiro valor não está apenas na vitória, mas na jornada, na determinação e na paixão que move cada ação. 


O vídeo destaca-se pelo uso de imagens reais combinadas com edição dinâmica e uma trilha sonora envolvente, criando um efeito que prende o espectador do início ao fim. Cada cena foi cuidadosamente produzida para transmitir energia, determinação e emoção, reforçando o impacto da mensagem sem precisar de falar diretamente do produto.

A campanha foi transmitida em diversos canais, como redes sociais, Youtube, Televisão, de forma a explorar vídeos curtos e conteúdos interativos que incentivam partilhas, comentários e conversas. Essa abordagem digital fez com que a mensagem chegasse rapidamente a diversos públicos, aumentando o alcance da marca.

Uma experiência marcante que cria conexão emocional com o público e posiciona a Nike como muito mais do que uma marca de produtos desportivos, coloca-a como uma referência de inspiração, propósito e motivação. Este caso evidencia como criatividade e storytelling estratégico conseguem transformar uma campanha de marketing em algo memorável e capaz de deixar uma impressão duradoura.

 Mas será que esta abordagem funciona para todas as marcas? Até que ponto contar histórias emocionais consegue gerar mais impacto do que simplesmente promover produtos?