quinta-feira, 26 de março de 2026

O inesperado que vendeu: o efeito Nike Tech Fleece

Há momentos em que o marketing deixa de ser planeado…e passa simplesmente a acontecer! Foi exatamente isso que aconteceu com a Nike num dos casos mais inesperados (e fascinantes) de marketing recente (ver mais informação aqui).



Tudo começou com uma publicação de Donald Trump



Após a captura de Nicolás Maduro, o então presidente venezuelano, uma fotografia partilhada por Donald Trump espalhou-se rapidamente pela internet. O cenário era forte: algemas, olhos vendados e tensão política global

Mas não foi isso que prendeu a atenção do público.

 Foi o outfit

Um simples fato de treino cinzento da Nike Tech Fleece. Em poucas horas, o foco mudou completamente.

Quando o produto rouba o protagonismo


O que se seguiu foi um fenómeno clássico da era digital:

- Memes
- Vídeos virais
- Discussões no TikTok e X
- “Steal the look”

E, claro… aquela curiosidade massiva.
                  


 

 

As pesquisas por “Nike Tech Fleece” dispararam globalmente e o produto começou a esgotar em várias lojas! (ver mais informação aqui e aqui)


Um momento geopolítico transformou-se, inesperadamente, numa montra global de streetwear, sem qualquer intervenção da Nike.

O verdadeiro “influencer”? O contexto


Neste caso, não houve influencers pagos, nem celebridades contratadas.

O influencer foi o próprio momento.

Isto mostra algo essencial no marketing atual:

- A notoriedade pode nascer de qualquer evento viral
- A associação a figuras públicas (mesmo em contextos negativos) gera atenção
- E a internet, principalmente os zoomers (geração net) transforma qualquer detalhe visual em tendência

A lógica mudou.

O mais interessante é que as pessoas procuraram não pelo fato de treino em si, mas pelo swag, pelo estilo e pela estética quase “bandida” que a imagem transmitia.

O poder do efeito "pull" sem intenção e earned media


As pessoas viram.
Ficaram intrigadas.
Quiseram aquele look.
Procuraram.
E compraram.

Um verdadeiro efeito pull.

Um verdadeiro caso de earned media em escala global!

O que podemos aprender com isto?


Este caso mostra uma mudança clara no marketing contemporâneo:

- As marcas já não controlam totalmente a narrativa
- A cultura digital pode transformar qualquer momento em exposição
- E o valor está cada vez mais na atenção… não apenas na intenção

A Nike não fez nada.

E fez tudo!

Conclusão


Num mundo hiperconectado, o marketing já não vive apenas de estratégia.

Vive de contexto.
De timing.
E, acima de tudo… de atenção.

Às vezes, basta uma imagem polémica.

E o mundo faz o resto.

Bem ou mal!

E vocês? sejam honestos...olharam para a notícia ou para o outfit? :)

quarta-feira, 25 de março de 2026

Tesla: A revolução do Marketing "invisível"

A Tesla é frequentemente citada como a exceção do mundo automóvel por um facto extraordinário: durante mais de 10 anos, a empresa manteve um orçamento de publicidade de 0€. Enquanto gigantes como a Ford ou a Toyota investem milhões em Paid Media, como anúncios de TV e outdoors.


O segredo deste sucesso reside no domínio absoluto da Earned Media. A Tesla gera milhões de dólares em exposição gratuita principalmente através do Word-of-Mouse. A estratégia consiste em transformar o automóvel num "gadget" sobre rodas, promovendo a criação de conteúdo gerado pelos utilizadores. Milhares de utilizadores no YouTube e TikTok publicam análises detalhadas e demonstrações, sem receberem um cêntimo da marca, validando o produto de forma muito mais credível do que um anúncio pago.

A marca de Elon Musk não possui apenas clientes, possui uma Tribo. Através do seu programa de referenciação, a marca oferece recompensas digitais para que os atuais proprietários recrutem novos membros. Este modelo de Marketing Tribal cria um sentimento de pertença a uma causa (a transição para a energia sustentável) o que ressoa perfeitamente com os valores da Geração Net

Em 2024, a Tesla começou a testar anúncios no Google e no X, adaptando-se ao mercado e reconhecendo que, num mercado saturado, a visibilidade é um recurso cada vez mais escasso. Esta transição para o Blended Marketing reflete o desafio de manter a sua imagem autêntica enquanto compete por quota de mercado contra novos gigantes elétricos.


A entrada da Tesla no Paid Media retira a autenticidade à marca ou é um passo inevitável para a massificação? Se estivesses à frente do marketing da Tesla, optarias por continuar a confiar apenas no Word-of-Mouth ou adotarias uma estratégia de Blended Marketing?

Oysho running club - do e-commerce às comunidades

 

A Oysho começou como uma marca de lingerie, mas agora já é quase tão popular como a Nike ou a Adidas. A Oysho Running Club é uma comunidade de corrida criada pela Oysho, onde quem quiser pode juntar-se a ela para correr em várias cidades da Europa. Numa altura em que a corrida está na moda, a Oysho destaca-se porque, para além de as pessoas quererem comprar as roupas que os corredores usam, também querem fazer parte de uma comunidade e ir a um evento social, sair de casa, fazer algo diferente e conhecer pessoas novas. No e-commerce, a relação entre a marca e o consumidor é praticamente inexistente. O consumidor acede ao site, escolhe o que quer e faz a compra. No running club, as pessoas encontram-se pessoalmente e criam laços emocionais, não só entre si, mas também com a marca. Isto faz com que a marca pareça mais humana. Para além disso, faz parcerias com outras marcas, por exemplo, com o Street Smash Burger. No dia 21 de marco, no fim da corrida, toda a gente foi comer smash burgers. Isto pode parecer contraditório, mas é brilhante, pois remete para a sensação de equilíbrio.


Na minha opinião, as marcas ganham muito quando conseguem tornar marketing e publicidade em experiências, mostrando que se importam com o consumidor, que querem mantê-lo e não só vender por vender. Além disso, não só os influencers que são contratados para publicitarem estes encontros, mas também todas as outras pessoas postam nas redes sociais que foram ao running club e publicitam a marca, gratuitamente, oque ainda dá mais credibilidade à marca.
A Oysho não está só a vender roupa de desporto, criou uma comunidade e lealdade junto dos consumidores. Quem já participou num running club? Eu já entrei no mundo da corrida, e vocês? Quem sabe um dia vamos todos fazer um treino com eles.

sábado, 21 de março de 2026

In‑Game Advertising: Quando o Fortnite se torna um palco de marcas









Nos últimos anos, o In-Game Advertising evoluiu muito além das tradicionais inserções publicitárias, como apenas colocar um banner num jogo, passando a envolver os utilizadores através de diferentes formas e estratégias. Tornou‑se uma das formas mais eficazes de captar atenção entre milhões de utilizadores num contexto atual em que a atenção é um bem escasso.

E se há jogo que levou esta lógica ao extremo e se destacou, é o Fortnite.

A Epic Games transformou o jogo num verdadeiro ecossistema de entretenimento, onde marcas, artistas e estúdios de cinema encontram um espaço para comunicar de forma natural, envolvente e altamente memorável. Numa atualidade em que todos jogam e que as pessoas apresentam mais do dobro da probabilidade de estarem a jogar do que ver TV ou ouvir música, este contexto faz com que a publicidade se torne mais eficaz.

Concertos virtuais - Quando a música entra no jogo

Concerto - Travis Scott


Um primeiro exemplo do In-Game Advertising foi os concertos de Travis Scott ou de Marshmello que decorreram enquanto os jogadores estavam nos seus jogos no mapa de batalha. O Fortnite inaugurou, assim, uma nova era com eventos como o concerto de Travis Scott, que reuniu mais de 12 milhões de jogadores em simultâneo.
Isto não é apenas entretenimento, é publicidade experiencial, integrada no ambiente do jogo, sem interrupções e com enorme aceitação. 

Parcerias com filmes: trailers e cenas exclusivas da Marvel dentro do jogo

A colaboração com a Marvel e a exibição de cenas exclusivas de filmes dentro do Fortnite são mais um exemplo de como o In‑Game Advertising pode substituir, ou também, complementar os canais tradicionais.
Em vez de ver um anúncio no YouTube, o jogador vive a experiência dentro do jogo e isso muda tudo.













NFL, Star Wars e muito mais: a marca como “skin”
 
Um último exemplo do In-Game Advertising praticado pela Epic Games no Fortnite são as parcerias com a NFL, Star Wars, Ferrari, entre muitas outras. Estas mostram como o jogo se tornou um espaço onde as marcas podem literalmente vestir o consumidor e ser parte integrante do jogo, onde o utilizador pode vestir a sua personagem como uma dos jogadores reais da NFL ou personagens fictícias das séries e filmes da saga Star Wars. Ainda, o caso da Ferrari, em que os veículos dentro do jogo, durante um certo período de tempo, foram Ferraris, tornou-se assim noutro exemplo perfeito do In-Game Advertising do Fortnite.


Através destes exemplos podemos afirmar que o Fortnite não é apenas um jogo. É um hub de comunicação, onde marcas e consumidores se encontram de forma natural, interativa e memorável.

sexta-feira, 20 de março de 2026

O Real Time Marketing e a IKEA

A 19 de Março, Dia do Pai, a IKEA volta a surpreender pela sua criatividade!

Com o mote "Se os pais inventassem nomes para os nossos produtos... estamos convencidos que seria algo por aqui.🤭, a IKEA lançou mais uma campanha de Real-Time Marketing aproveitando esta data especial.


 

Real-Time Marketing é uma estratégia que utiliza notícias atuais, tendências recentes e discussões do dia-a-dia na comunicação da marca. 

Sabendo que a maioria dos consumidores passa grande parte do seu tempo nas redes sociais, várias marcas têm tirado partido do “real time”, aproveitando acontecimentos mediáticos para comunicar de forma irreverente junto do seu público-alvo. Se os consumidores estão a conversar sobre um dado tópico, as marcas juntam-se à conversa, tornando-se assim mais relevantes.

Para que as marcas possam tirarem partido eficazmente do Real-Time Marketing é necessário capacidade de resposta e rapidez na disseminação e adaptação dos conteúdos nas diferentes plataformas. Uma comunidade de fãs participativa faz o resto através de posts, tweets e hashtags que se tornam virais!

A IKEA é uma das marcas que melhor trabalha o Real-Time Marketing, como aconteceu com o anúncio da estante “Boa para guardar livros. Ou 75.800€” – o montante em dinheiro apreendido ao chefe de gabinete de António Costa, Vítor Escária. Ou com o mais recente exemplo de Punch, o macaco viral.