domingo, 7 de junho de 2026

Danonino: quando a nostalgia volta à televisão!

 Recentemente, vi uma notícia sobre o regresso da Danonino à televisão em Portugal, cerca de 10 anos depois. Para mim, foi impossível não pensar logo na minha infância. Há marcas que basta vermos durante segundos para nos lembrarem de uma fase da nossa vida, e a Danonino é claramente uma delas.



Mas este regresso não me parece apenas uma escolha nostálgica ou uma tentativa de “voltar ao passado”. Parece-me uma forma inteligente de falar com duas gerações ao mesmo tempo.

Por um lado, a marca volta a aparecer num canal que muitos pais ainda associam à infância, à rotina familiar e à confiança. Por outro, apresenta-se novamente às crianças de hoje, que podem não ter a mesma ligação emocional à marca, mas que continuam a ser  o real consumidor do produto.

E é aqui que a estratégia se torna interessante. Num produto infantil, quem consome nem sempre é quem decide a compra. As crianças até podem pedir, mas são os pais que escolhem, compram e avaliam se faz sentido levar o produto para casa ou não. Por isso, recuperar a memória afetiva dos adultos pode ser tão importante como captar a atenção das crianças.

Além disso, a campanha não vai estar apenas presente na televisão, também vai circular nas redes sociais e em publicidade exterior. Ou seja, a Danonino parece estar a usar a televisão para recuperar familiaridade, mas sem ignorar os outros pontos de contacto onde as famílias também estão presentes.

Na minha opinião, a nostalgia pode ser uma porta de entrada muito forte, mas a marca tem de conseguir transformar essa memória antiga numa presença relevante na rotina atual das famílias. Caso contrário, corre o risco de ser apenas uma recordação simpática, mas pouco suficiente para influenciar a compra.

No fundo, a Danonino não volta à televisão apenas para ser lembrada, volta para tentar fazer novamente parte da rotina de compra das famílias.

 Acham que este regresso à televisão vai conseguir transformar a nostalgia dos pais em compras? 

Confesso que, depois de pensar nisto tudo, fiquei com saudades de comer um Danonino 😅


Fontes:

 https://grandeconsumo.com/danonino-regressa-a-comunicacao-em-portugal/

https://meiosepublicidade.pt/2026/05/26/publicidade-da-danonino-volta-as-televisoes


Wendy’s: Trend-setter, Trend-followers e anti-cultura

 

                                                         Imagem 1. Logótipo da Wendy's

Durante a década de 2010 ocorreu aa génese do marketing viral em redes sociais (Twitter, Tumblr e Facebook) que mudaria por completo o estilo da presença que várias empresas adotariam no espaço digital.
Até 2017, a comunicação digital era realizada de forma muito formal e rígida, onde as marcas tratavam as suas contas pficiais nas redes sociais como ferramentas de comunicação formal. No entanto, a estratégia inovadora da Wendy's iria mudar completamente a forma como marca se relacionariam com os seus clientes.


A estratégia da Wendy's centrava-se na ideia de tratar a conta da marca como uma conta pessoal que "tweetava" e "re-tweetava" como qualquer outro utilizador, com a finalidade de retratar a marca como mais humana e natural.
A estratégia foi muito bem sucedida e o que começou como um tweet sarcástico tornou-se na característica icónica da marca e integral para a imagem desta. Esta forma de comunicação única coalesceu numa reputação de "roasts" que são uma forma de humor em que alguém faz piadas, provocações ou críticas exageradas sobre , no caso da Wendy's, uma pessoa (cliente) ou marca concorrente, com a intenção de ser engraçado mas sem ofender seriamente. As pessoas e marcas que se encontravam alvos dos "roasts" da Wendy's respondiam com humor próprio de forma a criar uma conversa humorosa.
Ultimamente, a estratégia funcionou, e estas conversas humorísticas atraíram grandes volumes de atenção e publicidade. De facto, esta campanha foi tão bem sucedida que outras marcas tentaram emular o estilo da Wendy's, com níveis de sucesso variados.


Consequentemente, foi em resposta a esta imitação que surgiu a imagem anti-cultura de reação "Silence Brand", uma imagem de cariz absurdo que aparecia como resposta a posts de contas oficiais destas várias marcas como forma de comunicar descontentamento por parte da audiência face a publicações que forçavam a graça e eram apenas tentavivas de imitação do estilo da Wendy's em vez de publicações originais.


                                                              Imagem 2. Silence, brand

Deste modo, é possível ver que o público digital reage positivamente a comunicação inovadora e humorística desde que as marcas ajam de forma "in on the joke" sem tentar forçar a atenção ou potencial viral.

Fontes:

https://www.mediashower.com/blog/wendys-roast-campaign/

https://www.youtube.com/watch?v=ROaj3bCpZEM&t=938s

Georgina Rodríguez e o anel mediático

    No mundo digital, as marcas já não disputam apenas espaço publicitário, disputam atenção. Num ambiente onde os consumidores são constantemente expostos a novas mensagens, as figuras públicas tornaram-se importantes pontos de ligação entre marcas e audiências. Um exemplo desta realidade é o impacto mediático que teve o anel de noivado de Georgina Rodríguez.




    Depois de Georgina Rodríguez ter partilhado nas redes sociais a notícia do seu noivado com Cristiano Ronaldo, a publicação rapidamente despertou a atenção do público e dos meios de comunicação devido ao seu anel. Descrito por especialistas como uma peça de grandes dimensões e elevado valor, tornou-se um dos principais elementos da conversa online em torno do anúncio.

    O mais interessante deste fenómeno é perceber como um objeto que inicialmente tinha um significado pessoal passou a funcionar como um elemento de comunicação. O anel deixou de ser apenas uma joia e passou a representar uma narrativa associada a luxo, estilo de vida e imagem pessoal.

    Atualmente, os consumidores acompanham figuras públicas não apenas pelos produtos que promovem, mas também pelas histórias que partilham. A vida pessoal, os momentos marcantes e as escolhas de estilo acabam por fazer parte da identidade digital destas personalidades. Neste caso, uma simples fotografia conseguiu gerar curiosidade, conversas e uma enorme circulação de conteúdo criado por utilizadores, desde notícias a publicações nas redes sociais.

    Este fenómeno mostra também como funciona o poder do personal branding. Georgina Rodríguez construiu ao longo dos anos uma presença digital associada à moda, beleza e lifestyle, tornando-se uma figura capaz de influenciar perceções e tendências. Quando um elemento visual tão forte aparece associado à sua imagem, ele passa naturalmente a ser interpretado dentro desse universo.

    Adicionalmente,  algumas marcas aproveitaram a atenção gerada em torno do anúncio para criar conteúdos relacionados com o tema. Ao associarem-se a uma conversa que já estava a acontecer entre consumidores, conseguiram aumentar a sua relevância e aproximar-se do público. Em vez de interromperem a audiência com uma mensagem publicitária tradicional, estas marcas entraram numa conversa existente e procuraram capitalizar a atenção do momento.

    Este caso relaciona-se com a evolução da comunicação digital, onde os consumidores deixaram de ser apenas espectadores e passaram também a participar na construção da mensagem. Comentários, partilhas e conteúdos criados pelos próprios utilizadores ajudam a ampliar a visibilidade de determinados temas, transformando uma publicação individual numa conversa coletiva.

    Assim, o caso do anel de Georgina demonstra que nem sempre é necessário criar uma campanha tradicional para gerar impacto. Uma história com significado, associada a uma pessoa com influência e uma audiência envolvida, pode transformar um momento pessoal num fenómeno de comunicação digital.

Porque é que esta campanha do Dia da Criança é uma aula perfeita de Branding Emocional?

 

    Se andaste pelas redes sociais por estes dias, perto ou no próprio dia 1 de junho, de certeza que te cruzaste com publicações que fizeram alusão ao Dia Mundial da Criança. Várias marcas transformaram esta premissa universal numa aula perfeita de branding emocional. 

    Em vez de seguirem o caminho óbvio do marketing tradicional, que seria tentar vender produtos de forma agressiva através de descontos ou promoções, estas empresas decidiram tocar-nos diretamente no coração, ao apostar numa estratégia de marketing mais nostálgica e numa clara experience-based differentiation.

    Ao olharmos para algumas imagens partilhadas neste dia, percebemos como cada marca adaptou o conceito à sua própria identidade, criando narrativas com um poder gigante. A Oreo e a Nacional utilizaram como base os rituais diários e do lanche, para que nos lembrássemos da nossa própria infância e daqueles momentos simples em família. 

    Por sua vez, a Milaneza ligou o crescimento dos mais novos ao conforto de partilhar uma refeição à mesa, enquanto a Hisense aproveitou o lado tecnológico para mostrar como o tempo voa entre os ecrãs e as memórias que guardamos em casa.

    Em todos estes casos, o gatilho psicológico é o mesmo: ao cruzar a simplicidade da imagem com a passagem do tempo, o utilizador digital faz uma transição rápida da cognição, o processar racional do produto, para a emoção, ao sentir empatia e saudade.

    Ao disponibilizarem este tipo de conteúdos, as marcas transformam as redes sociais num ecossistema colaborativo, uma vez que motivam o público a saltar imediatamente da passividade para uma contribuição ativa, ao comentarem, ao partilharem as imagens nas suas próprias histórias e ao identificarem amigos e familiares. No fundo, não partilhamos o post da Oreo ou da Milaneza para lhes fazermos publicidade gratuita, partilhamos porque aquela imagem serve como um veículo de autoexpressão daquilo que sentimos e valorizamos.

    No Dia da Criança, as marcas afastam-se da publicidade agressiva. Em vez disso, apostam no storytelling, ao contarem uma história, que identificamos como sendo tão nossa, que acaba por nos transformar, a todos, nos maiores embaixadores da marca.

O Grande Problema da Escolha

Ao longo desta Unidade Curricular comecei a refletir mais sobre a influência que as marcas têm sobre nós e de como isso influencia os nossos comportamentos.

E a verdade é que uma das grandes vantagens do comércio online é a grande variedade de produtos disponíveis. Temos acesso a muitas mais opções do que numa loja física e conseguimos comparar preços, estilos e características em poucos minutos.

Mas, cada vez mais, começo a sentir o lado negativo dessa abundância.

 

Apercebi-me deste sufoco ao utilizar a loja online da SHEIN. Existe tanta oferta que, muitas vezes, passo mais tempo à procura do produto que pretendo do que a tomar uma decisão. Entre centenas de opções semelhantes, deixo de saber o que escolher e acabo por desistir da compra por completo. Não consigo ter paciência para procurar no meio de tanta informação. 

  

Na minha opinião, o que deveria simplificar e melhorar a experiência online, acaba por me gerar indecisão.

A este meu problema juntam-se as estratégias de marketing, cada vez mais agressivas. A SHEIN envia notificações constantes, seja com campanhas, descontos "imperdíveis" ou alertas diários. Para mim, chegou a um ponto onde esta estratégia já não consegue captar a minha atenção, só me provoca cansaço.

Cheguei ao ponto de desinstalar a aplicação por já não suportar toda a informação que ela me dava.

Com este meu problema, comecei-me a questionar. Será que sou a única a pensar que a oferta em exagero piora a experiência do cliente, em vez de a melhorar? Talvez exista um ponto onde o excesso deixa de ajudar na compra e começa a dificultar a tomada de decisão. E será que as estratégias de marketing agressivas, não começam provocar efeitos negativos, em vez de positivos?

O que é que vocês pensam desta situação?

Na minha opinião, num mundo com tanta informação, começo a preferir lojas com uma seleção mais reduzida e organizada, onde possa encontrar rapidamente o que procuro. Quero que a minha experiência de compra seja fluída e não que seja mais uma fonte de cansaço.

E vocês, também já sentiram que desistiram de uma compra porque havia opções a mais?Não achem este post estranho, eu também sou do século XXI! 😅 Só começo a ficar exausta de todas as informações que as marcas nos querem dar.

 

Imagens retiradas do website da SHEIN

Pequena nota: Este post não possui fontes pois é apenas um desabafo meu sobre este tema.