sexta-feira, 17 de abril de 2026

Airbnb Experiences: a nova forma de intermediar experiências

 Quando pensamos no Airbnb, associamos imediatamente ao alojamento. No entanto, nos últimos anos, a marca tem vindo a expandir o seu modelo para além das casas, apostando também nas chamadas Airbnb Experiences.

Através desta funcionalidade, a plataforma permite que qualquer pessoa possa oferecer atividades como visitas guiadas, aulas de cozinha, workshops ou experiências culturais. Desta forma, o Airbnb passa a intermediar não só a estadia, mas também a forma como os turistas vivem o destino.

Este modelo é um exemplo claro de intermediação digital, onde a plataforma cria valor ao ligar diretamente dois lados do mercado: quem oferece a experiência e quem a procura. O mais interessante é que o Airbnb não é dono de nenhum destes serviços - limita-se a facilitar o contacto, gerir a plataforma e garantir confiança entre as partes.

Algumas das experiências disponíveis mostram bem até onde este conceito pode ir. Desde atividades como “ser sereia por um dia” - onde os participantes podem vestir uma cauda, aprender a nadar como sereia e até fazer sessões fotográficas temáticas - esculpir madeira com motosserras ou até criar joias com o próprio ADN, o Airbnb transforma atividades inesperadas em produtos turísticos. Existem também experiências como sessões onde se aprendem técnicas de sobrevivência em Porto Rico, como abrir cocos sem faca ou construir abrigos. Mais recentemente, a plataforma tem também apostado em experiências exclusivas e curadas, reforçando a ideia de que já não se trata apenas de viajar, mas de viver algo único e partilhável.
No meio de tantas opções, já quase parece normal encontrar atividades que nunca imaginaríamos experimentar… até começarmos a considerar seriamente fazer uma delas.



Por um lado, isto pode ser visto como uma forma de democratizar o acesso ao mercado, permitindo que qualquer pessoa monetize conhecimentos ou atividades. Por outro, também levanta algumas questões. Ao substituir intermediários tradicionais, como agências ou operadores turísticos, o Airbnb está a simplificar o processo… ou apenas a criar um novo tipo de dependência da plataforma?

Na minha opinião, este caso mostra como o marketing e o e-commerce estão cada vez mais ligados à criação de ecossistemas completos. O Airbnb já não vende apenas alojamento, vende uma experiência integrada, onde tudo acontece dentro da mesma plataforma.

Confesso que, ao ver algumas destas experiências na app, é fácil ficar com vontade de experimentar algo “diferente” e, no meio de tantas opções inesperadas, a ideia de passar um dia como sereia não parece assim tão descabida. Isto mostra bem como a plataforma não só intermedeia, mas também influencia o comportamento do consumidor.

No fundo, o Airbnb não vende casas nem experiências, vende acesso a pessoas.

E vocês, o que acham? Já experimentaram alguma destas experiências ou gostariam de experimentar alguma? 

Fontes: 

A long tail também toca em vinil

No seguimento dos conceitos de “Cauda Longa” apresentados recentemente na UC, achei interessante ver o caso da AudioWax, uma empresa portuguesa de produção de discos de vinil. Na minha opinião, este exemplo liga-se bem a este conceito, porque mostra que um negócio não precisa de depender só de grandes sucessos ou de vendas em massa para criar valor.


Ao responder a pedidos mais específicos e a clientes de vários mercados, a empresa consegue trabalhar nichos diferentes e tirar partido de uma procura mais dispersa. Isto mostra como o digital e o alcance internacional podem dar espaço a negócios mais especializados.

Na vossa opinião, é esta lógica de nicho que torna negócios como este mais sustentáveis hoje em dia?

“Se não têm pão, comam brioches” … ou então façam um vídeo para a Domino’s

Está provado que a comida ocupa um lugar muito importante na mente do consumidor médio português (https://www.nit.pt/fit/saude/portugueses-pensam-mais-em-comida-do-que-em-sexo-e-desta-ninguem-estava-a-espera) e aquando do advento da redes sociais não era incomum sermos “inundados” pelo detalhe fotografado da última refeição de vários amigos, numa dinâmica de transição entre a word-of-mouth analógica e a word-of-mouse da era digital.

As marcas sabem deste duplo “vício":  o português adora falar de comida e adoooora mostrar o que comeu. Também sabem que a geração Z convive confortavelmente com a exibição imediata dos seus “feitos” e com a sensação de pertença ao contribuir para a criação de uma marca que aprovam.

Por tudo isto, a Domino’s lançou uma campanha que pretende tirar partido dessas características e criou um desafio de criação de conteúdos digitais que de uma vez só divulguem o produto, criem engagement, com alguma sorte se tornem virais (a Domino’s está certamente a fazer figas para que tal aconteça) e estimulem o word-of-mouse, tão importante nos dias de hoje para conseguir alcançar os números de uma campanha de tipo push, sem gerar os anticorpos a que esse tipo de campanha  dá lugar e em vez disso tirar partido da eficácia e credibilidade que uma comunicação espontânea gera junto dos consumidores.

 

Subitamente, todos podemos ser inluencers da Domino’s !

Este tipo de marketing participativo transforma o consumidor num embaixador da marca, com esta a beneficiar de todas as vantagens de uma mensagem genuína, abrangente e com rápida difusão a troco de…



UMA PIZZA!?! 

Hummmm….

Afinal, se calhar, não vou já a correr ligar a câmara do meu telemóvel.

Mas de tanto falar na Domino’s fiquei com vontade de comer qualquer coisa que leve pepperoni...

(Não se preocupem, prometo que não mando fotos)

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Quando um produto prova o seu valor sozinho: o caso DeWALT na NASCAR

No Marketing Digital atual, existem momentos em que a melhor publicidade surge de forma inesperada.

Numa corrida da NASCAR, ao sair da pit lane, um dos carros acabou por ficar com uma ferramenta DeWALT (serra elétrica) agarrada ao para-choque dianteiro. Sem que o piloto se apercebesse de imediato, a ferramenta foi arrastada ao longo de vários metros, sujeita a contacto constante com o alcatrão, vibração intensa e velocidade. Apesar do ocorrido, verificou-se que a ferramenta continuava a funcionar.

A DeWALT é uma marca de ferramentas utilizada em contextos exigentes, incluindo ambientes ligados ao desporto automóvel. O facto de estar presente num contexto como a NASCAR já transmite, por si só, uma perceção de qualidade, resistência e confiança associada à marca.

Este tipo de situação representa uma das formas mais poderosas de marketing: a prova real e inesperada da qualidade de um produto. Ao contrário da publicidade tradicional, onde as marcas afirmam que os seus produtos são resistentes, aqui essa resistência é demonstrada em contexto extremo e sem qualquer encenação.

Quando momentos como este são captados e partilhados online, entram no domínio do word-of-mouth digital (word-of-mouse). São os próprios utilizadores que divulgam o conteúdo, gerando milhares de visualizações, comentários e partilhas.

Curiosamente, neste caso, a marca não teve necessidade de reagir ativamente. A própria audiência assumiu esse papel, ao partilhar e comentar o acontecimento, funcionando como amplificadora da mensagem. De certa forma, foram os consumidores que “fizeram marketing” pela marca, reforçando a credibilidade do produto de forma espontânea.

Além disso, este exemplo reforça a ideia de que as marcas já não controlam totalmente a sua comunicação. Um acontecimento inesperado pode transformar-se rapidamente num fenómeno viral, trazendo visibilidade global sem qualquer investimento direto.

Outro fator essencial é a autenticidade. A geração atual valoriza demonstrações reais em vez de promessas publicitárias. Um produto que sobrevive a uma situação extrema como esta ganha credibilidade imediata junto do público.

Fica a questão: até que ponto as marcas conseguem beneficiar de situações inesperadas sem comprometer a autenticidade que as torna eficazes?


terça-feira, 14 de abril de 2026

Uma francesinha na Lua… e uma jogada de marketing bem assente na Terra

Tudo começa com uma imagem que parece saída de um breaking news: a Lua em destaque, o logótipo da NASA e uma mensagem que sugere que algo incomum foi detetado.

“Cientistas espaciais detetam algo estranho na Lua.”

O suficiente para parar o scroll.

Num ambiente saturado de conteúdo, onde captar atenção é cada vez mais difícil, esta publicação faz algo simples, mas extremamente eficaz: cria curiosidade imediata. E essa curiosidade leva à ação.

O utilizador vê, estranha… e desliza.

Só depois vem a revelação:
“Calma. É só a nossa francesinha.”

                                            https://www.instagram.com

Este momento de transição entre expectativa e surpresa é o que torna o conteúdo tão eficaz. Trata-se de um pequeno “plot twist” pensado para gerar engagement — um exemplo claro de como o storytelling pode ser aplicado em formatos curtos nas redes sociais. Mas há mais por trás desta criatividade.

A publicação surge num contexto em que o tema do espaço e das missões lunares voltou a ganhar atenção mediática. Ao aproveitar esse interesse coletivo, a marca insere-se numa conversa que já está a acontecer. Não cria atenção do zero, aproveita-a. Estamos perante um caso de real-time marketing, onde o timing e o contexto amplificam o impacto da mensagem.

Além disso, a estrutura em carrossel não é inocente. Cada imagem tem um papel: a primeira capta a atenção, a segunda imagem aprofunda o mistério e por fim, esclarece e o conjunto mantém o utilizador envolvido.

Este tipo de interação, deslizar, descobrir, reagir, é altamente valorizado pelos algoritmos, aumentando a probabilidade de o conteúdo chegar a mais pessoas. Esta publicação cumpre de forma exemplar o seu principal objetivo: destacar-se, envolver e ser lembrada.

Este caso mostra-nos que, no marketing digital atual, captar atenção não passa apenas por investir mais, passa por pensar melhor. Criar curiosidade. Contar uma história. E, sobretudo, dar ao utilizador um motivo para continuar.

E vocês, o que acham?
Já deslizaram um post só porque queriam perceber “o que vinha a seguir”?