quarta-feira, 22 de abril de 2026

É uma cabazada... quando a publicidade provoca

Nem sempre é preciso dizer o nome da concorrência para percebermos de quem se está a falar. A campanha do Lidl “É uma cabazada” prova exatamente isso.

No vídeo, o Lidl mostra um cabaz de compras mais barato em cerca de 16,78€, mas o detalhe mais interessante está na forma como essa comparação é feita. A funcionária da caixa aparece com um uniforme praticamente igual ao de outra cadeia de supermercados bem conhecida, não é exatamente o mesmo, mas é suficiente para qualquer pessoa perceber a referência.

E é aqui que a campanha se torna inteligente. Em vez de uma simples comparação de preços, o Lidl opta por uma abordagem mais provocadora, que capta atenção de imediato. Num contexto em que estamos constantemente expostos a publicidade, destacar-se tornou-se metade do trabalho, e este anúncio consegue fazê-lo.

Além disso, este tipo de conteúdo tem tudo para ser partilhado. Seja pela criatividade, pelo humor ou até pela polémica, são estas campanhas que acabam por gerar conversa e circular nas redes sociais. No fundo, são os próprios consumidores que acabam por amplificar a mensagem.

Ao mesmo tempo, o Lidl reforça o seu posicionamento como uma marca mais acessível, utilizando uma comparação clara e fácil de entender. A mensagem é simples: o mesmo tipo de compras, mas mais barato.

Ainda assim, fica a dúvida: até que ponto este tipo de provocação é sempre positiva? Pode chamar a atenção, mas também pode gerar reações menos favoráveis.

O polido, o imprevisível e como um post se torna viral!

Com uns dias de atraso em relação à publicação original, mas este tinha que ser o tema de um texto aqui! A parceria Bernardo Silva e La Roche-Posay tornou-se em tudo o que uma marca pode desejar: conteúdo viral, atenção prolongada e engagement genuíno.

No início nada de extraordinário. Uma típica campanha de redes sociais. Escolha de uma celebridade, um vídeo dentro tom e estilo de comunicação da marca, mensagem  alinhada e um produto certo para a época do ano (protetor solar). 


Tudo mudou quando o jogador publicou o conteúdo e quase de forma imediata começam a entrar comentários de vários colegas como Rúben Dias, João Félix e Bruno Fernandes. O que era para ser uma publicação certinha transformou-se em conversa de balneário. E foi neste exato momento que a campanha deixou de ser mais uma, e passou a ser conteúdo que as pessoas realmente querem ver.

Como é que a La Roche-Posay conseguiu isso?

Não conseguiu. Não foi a marca que tornou a campanha viral, mas a interação genuína entre amigos que não se inibiram de comentar a publicação como se tivessem a conversar entre si.

  •  Impacto: a partir do momento em que os jogadores entraram na conversa, as pessoas deixaram de ver a publicação apenas pelo vídeo. A atenção passou para a caixa de comentários e a expetativa de novas interações.
  • Engagement: colocar gosto numa publicação é algo mecânico, muitas vezes nem vemos a publicação. Comentários, respostas, marcar amigos por seu lado é outro nível. Cada comentário traz também novas pessoas à publicação e o alcance cresce de forma natural.
  • Genuíno: a dinâmica entre os jogadores é natural, não é forçada. Acontecendo de forma espontânea torna-se mais eficaz que qualquer patrocínio.
  • Relevância: os comentários dos colegas introduziram uma dose de humor na publicação. Levaram a conversa para o dia-a-dia. Isto tornou o conteúdo mais leve e também mais próximo. É verdade que a marca perdeu o controlo da narrativa,mas ganhou em impacto.

O que podemos aprender com este caso? O conteúdo perfeito e controlado nem sempre é o mais eficaz!

Os resultados desta parceria teriam sido muito diferentes se os jogadores não tivessem comentado? Não sabemos, mas provavelmente não. O conteúdo ganhou vida própria e esta pode ser uma lição para muitas marcas. Limitar o imprevisível pode bloquear atenção genuína e limitar o diálogo. 


Fontes: Instagram bernardocarvalhosilva, Meios & Publicidade

Imagens: Instagram bernardocarvalhosilva

terça-feira, 21 de abril de 2026

Será o Óscar o novo Ambrósio?

Hoje, tal como na famosa frase do anúncio da Ferrero Rocher - “Ambrósio, apetece-me algo!” - procuramos soluções que satisfaçam os nossos desejos e necessidades. No contexto atual, essa experiência já não depende de alguém que nos sirva, mas sim da capacidade de encontrar exatamente o que precisamos, no momento em que queremos.

Fonte: https://www.oscar-app.com/en

É precisamente aqui que entra a app Óscar. Através de poucos cliques, os utilizadores conseguem aceder a uma vasta gama de serviços domésticos, desde limpezas a reparações, de forma rápida, simples e totalmente digital. A aplicação transforma tarefas tradicionalmente demoradas num processo imediato, alinhado com as expectativas do consumidor moderno.

Este tipo de solução reflete uma mudança clara no comportamento do consumidor, cada vez mais orientado para a conveniência e para o consumo “on-demand”. Vivemos numa realidade onde o tempo é escasso e a facilidade de acesso a serviços se torna um fator decisivo.

Além disso, a app Óscar funciona como um intermediário digital eficiente, ligando oferta e procura quase em tempo real. Este modelo aproxima-se de outras plataformas digitais que se destacam pela sua capacidade de simplificar o quotidiano dos utilizadores.

Outro aspeto relevante é a transparência. A possibilidade de visualizar preços e avaliações previamente reduz a incerteza e aumenta a confiança, elementos fundamentais no ambiente digital.

Para a "Senhora", bastava chamar pelo Ambrósio para satisfazer um desejo de forma quase instantânea, hoje essa experiência é replicada digitalmente através da conveniência e rapidez com que conseguimos resolver necessidades. A app Óscar demonstra como, no marketing digital atual, a verdadeira proposta de valor está na utilidade e na experiência.

Fica a questão, até que ponto a conveniência imediata pode redefinir o que consideramos um serviço de qualidade?

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Bieberchella: como Justin Bieber transformou o Coachella numa oportunidade de negócio

O Coachella sempre foi conhecido pelas grandes atuações musicais, mas em 2026 um nome destacou-se acima de todos: Justin Bieber. A sua presença foi tão marcante que rapidamente surgiu nas redes sociais o termo “Bieberchella”, usado pelos fãs para descrever o impacto da sua atuação e da sua influência durante o festival.

Mais do que um simples concerto, Justin Bieber transformou a sua presença numa verdadeira campanha de marketing. Através da sua marca de moda, SKYLRK, criou o espaço exclusivo “Skylrk Oasis” dentro do festival e lançou uma coleção limitada de merchandising associada ao evento. Esta estratégia uniu música, moda e exclusividade numa experiência altamente desejável para o público.

No entanto, um dos maiores impactos do fenómeno “Bieberchella” não aconteceu apenas na sua própria marca, mas também na marca Rhode, fundada por Hailey Bieber. A forte presença mediática do casal durante o festival acabou por aumentar significativamente a visibilidade da marca de skincare, que já era uma das mais faladas entre o público jovem e digital.

Durante o Coachella, Hailey Bieber apareceu associada a várias ativações de marca e conteúdos virais ligados ao festival, fazendo com que a Rhode fosse amplamente mencionada nas redes sociais. O efeito foi quase imediato: milhões de visualizações no TikTok, Instagram e conteúdos gerados por fãs ajudaram a reforçar ainda mais o posicionamento premium da marca.

Outro aspeto importante foi a associação entre lifestyle e produto. A Rhode não vende apenas skincare, vende uma imagem de sofisticação, exclusividade e desejo. A presença no Coachella reforçou precisamente isso, mostrando como o festival funciona como uma plataforma de branding de luxo e influência social.

Este caso, “Bieberchella”, prova que artistas e celebridades já não vendem apenas entretenimento, vendem cultura, comportamento e consumo. E, neste caso, até uma marca como a Rhode conseguiu transformar esse momento cultural em valor real de branding.

Na vossa opinião, marcas como a Rhode beneficiam mais da associação a grandes momentos culturais como o Coachella do que de campanhas publicitárias tradicionais?


Fonte: https://www.shopdropdaily.com/post/rhode-skin-x-818-tequila-photo-booth-pop-up-activation-coachella 

Coachella: muito mais do que um festival de música, um fenómeno de marketing

Nos últimos anos, o Coachella deixou de ser apenas um festival de música para se tornar numa das maiores plataformas de marketing experiencial do mundo. Mais do que concertos, o festival passou a representar lifestyle, exclusividade e posicionamento de marca, tornando-se um espaço estratégico para empresas que procuram visibilidade junto de públicos jovens e altamente digitais.

Em 2026, marcas como Rhode, 818 Tequila, Gap, Adidas e American Express aproveitaram o evento para criar ativações exclusivas, espaços personalizados e experiências imersivas que iam muito além da publicidade tradicional. O objetivo deixou de ser apenas vender produtos, passou a ser criar momentos partilháveis e memoráveis que os consumidores querem mostrar nas redes sociais.

Um dos elementos mais marcantes desta estratégia é o chamado experiential marketing, em que a experiência vivida pelo consumidor passa a ser o foco principal da campanha. Em vez de recorrer apenas à publicidade tradicional, as marcas apostam na criação de espaços visualmente apelativos para partilha nas redes sociais, festas exclusivas, gifting suites e ativações VIP que despertam desejo e reforçam a sensação de exclusividade.

Outro ponto importante é o papel dos influenciadores. Muitos criadores de conteúdo tornam-se verdadeiros canais de distribuição da campanha, promovendo marcas de forma mais natural e eficaz do que campanhas pagas tradicionais. O conteúdo gerado por utilizadores  aumenta o alcance orgânico e reforça a credibilidade da marca junto da Geração Z.

Além disso, o Coachella funciona como um palco de posicionamento premium. Estar presente no festival significa associação imediata a tendência, luxo e cultura pop. Isso ajuda marcas emergentes a ganhar notoriedade e marcas consolidadas a reforçar a sua imagem aspiracional.

Esta transformação mostra como o marketing atual depende cada vez mais da criação de experiências e da capacidade de gerar conversa social. O Coachella tornou-se um exemplo claro de como eventos culturais podem funcionar como poderosas ferramentas de branding e vendas.

Na vossa opinião, festivais como o Coachella conseguem realmente influenciar decisões de compra ou funcionam sobretudo como montras temporárias de tendência?

Fonte: https://www.vogue.com/article/coachellas-big-brand-renaissance?utm_source