quarta-feira, 25 de março de 2026

Tesla: A revolução do Marketing "invisível"

A Tesla é frequentemente citada como a exceção do mundo automóvel por um facto extraordinário: durante mais de 10 anos, a empresa manteve um orçamento de publicidade de 0€. Enquanto gigantes como a Ford ou a Toyota investem milhões em Paid Media, como anúncios de TV e outdoors.


O segredo deste sucesso reside no domínio absoluto da Earned Media. A Tesla gera milhões de dólares em exposição gratuita principalmente através do Word-of-Mouse. A estratégia consiste em transformar o automóvel num "gadget" sobre rodas, promovendo a criação de conteúdo gerado pelos utilizadores. Milhares de utilizadores no YouTube e TikTok publicam análises detalhadas e demonstrações, sem receberem um cêntimo da marca, validando o produto de forma muito mais credível do que um anúncio pago.

A marca de Elon Musk não possui apenas clientes, possui uma Tribo. Através do seu programa de referenciação, a marca oferece recompensas digitais para que os atuais proprietários recrutem novos membros. Este modelo de Marketing Tribal cria um sentimento de pertença a uma causa (a transição para a energia sustentável) o que ressoa perfeitamente com os valores da Geração Net

Em 2024, a Tesla começou a testar anúncios no Google e no X, adaptando-se ao mercado e reconhecendo que, num mercado saturado, a visibilidade é um recurso cada vez mais escasso. Esta transição para o Blended Marketing reflete o desafio de manter a sua imagem autêntica enquanto compete por quota de mercado contra novos gigantes elétricos.


A entrada da Tesla no Paid Media retira a autenticidade à marca ou é um passo inevitável para a massificação? Se estivesses à frente do marketing da Tesla, optarias por continuar a confiar apenas no Word-of-Mouth ou adotarias uma estratégia de Blended Marketing?

Oysho running club - do e-commerce às comunidades

 


A Oysho começou como uma marca de lingerie, mas agora já é quase tão popular como a Nike ou a Adidas. A Oysho Running Club é uma comunidade de corrida criada pela Oysho, onde quem quiser pode juntar-se a ela para correr em várias cidades da Europa. Numa altura em que a corrida está na moda, a Oysho destaca-se porque, para além de as pessoas quererem comprar as roupas que os corredores usam, também querem fazer parte de uma comunidade e ir a um evento social, sair de casa, fazer algo diferente e conhecer pessoas novas. No e-commerce, a relação entre a marca e o consumidor é praticamente inexistente. O consumidor acede ao site, escolhe o que quer e faz a compra. No running club, as pessoas encontram-se pessoalmente e criam laços emocionais, não só entre si, mas também com a marca. Isto faz com que a marca pareça mais humana. Para além disso, faz parcerias com outras marcas, por exemplo, com o Street Smash Burger. No dia 21 de marco, no fim da corrida, toda a gente foi comer smash burgers. Isto pode parecer contraditório, mas é brilhante, pois remete para a sensação de equilíbrio.


Na minha opinião, as marcas ganham muito quando conseguem tornar marketing e publicidade em experiências, mostrando que se importam com o consumidor, que querem mantê-lo e não só vender por vender. Além disso, não só os influencers que são contratados para publicitarem estes encontros, mas também todas as outras pessoas postam nas redes sociais que foram ao running club e publicitam a marca, gratuitamente, oque ainda dá mais credibilidade à marca.
A Oysho não está só a vender roupa de desporto, criou uma comunidade e lealdade junto dos consumidores. Quem já participou num running club? Eu já entrei no mundo da corrida, e vocês? Quem sabe um dia vamos todos fazer um treino com eles.

sábado, 21 de março de 2026

In‑Game Advertising: Quando o Fortnite se torna um palco de marcas









Nos últimos anos, o In-Game Advertising evoluiu muito além das tradicionais inserções publicitárias, como apenas colocar um banner num jogo, passando a envolver os utilizadores através de diferentes formas e estratégias. Tornou‑se uma das formas mais eficazes de captar atenção entre milhões de utilizadores num contexto atual em que a atenção é um bem escasso.

E se há jogo que levou esta lógica ao extremo e se destacou, é o Fortnite.

A Epic Games transformou o jogo num verdadeiro ecossistema de entretenimento, onde marcas, artistas e estúdios de cinema encontram um espaço para comunicar de forma natural, envolvente e altamente memorável. Numa atualidade em que todos jogam e que as pessoas apresentam mais do dobro da probabilidade de estarem a jogar do que ver TV ou ouvir música, este contexto faz com que a publicidade se torne mais eficaz.

Concertos virtuais - Quando a música entra no jogo

Concerto - Travis Scott


Um primeiro exemplo do In-Game Advertising foi os concertos de Travis Scott ou de Marshmello que decorreram enquanto os jogadores estavam nos seus jogos no mapa de batalha. O Fortnite inaugurou, assim, uma nova era com eventos como o concerto de Travis Scott, que reuniu mais de 12 milhões de jogadores em simultâneo.
Isto não é apenas entretenimento, é publicidade experiencial, integrada no ambiente do jogo, sem interrupções e com enorme aceitação. 

Parcerias com filmes: trailers e cenas exclusivas da Marvel dentro do jogo

A colaboração com a Marvel e a exibição de cenas exclusivas de filmes dentro do Fortnite são mais um exemplo de como o In‑Game Advertising pode substituir, ou também, complementar os canais tradicionais.
Em vez de ver um anúncio no YouTube, o jogador vive a experiência dentro do jogo e isso muda tudo.













NFL, Star Wars e muito mais: a marca como “skin”
 
Um último exemplo do In-Game Advertising praticado pela Epic Games no Fortnite são as parcerias com a NFL, Star Wars, Ferrari, entre muitas outras. Estas mostram como o jogo se tornou um espaço onde as marcas podem literalmente vestir o consumidor e ser parte integrante do jogo, onde o utilizador pode vestir a sua personagem como uma dos jogadores reais da NFL ou personagens fictícias das séries e filmes da saga Star Wars. Ainda, o caso da Ferrari, em que os veículos dentro do jogo, durante um certo período de tempo, foram Ferraris, tornou-se assim noutro exemplo perfeito do In-Game Advertising do Fortnite.


Através destes exemplos podemos afirmar que o Fortnite não é apenas um jogo. É um hub de comunicação, onde marcas e consumidores se encontram de forma natural, interativa e memorável.

sexta-feira, 20 de março de 2026

O Real Time Marketing e a IKEA

A 19 de Março, Dia do Pai, a IKEA volta a surpreender pela sua criatividade!

Com o mote "Se os pais inventassem nomes para os nossos produtos... estamos convencidos que seria algo por aqui.🤭, a IKEA lançou mais uma campanha de Real-Time Marketing aproveitando esta data especial.


 

Real-Time Marketing é uma estratégia que utiliza notícias atuais, tendências recentes e discussões do dia-a-dia na comunicação da marca. 

Sabendo que a maioria dos consumidores passa grande parte do seu tempo nas redes sociais, várias marcas têm tirado partido do “real time”, aproveitando acontecimentos mediáticos para comunicar de forma irreverente junto do seu público-alvo. Se os consumidores estão a conversar sobre um dado tópico, as marcas juntam-se à conversa, tornando-se assim mais relevantes.

Para que as marcas possam tirarem partido eficazmente do Real-Time Marketing é necessário capacidade de resposta e rapidez na disseminação e adaptação dos conteúdos nas diferentes plataformas. Uma comunidade de fãs participativa faz o resto através de posts, tweets e hashtags que se tornam virais!

A IKEA é uma das marcas que melhor trabalha o Real-Time Marketing, como aconteceu com o anúncio da estante “Boa para guardar livros. Ou 75.800€” – o montante em dinheiro apreendido ao chefe de gabinete de António Costa, Vítor Escária. Ou com o mais recente exemplo de Punch, o macaco viral.

 

Quando um meme se torna marketing: a repercussão nas redes sociais

Nos dias de hoje, as marcas procuram novas formas de comunicar com o público nas redes sociais. Mais do que apenas publicar conteúdos promocionais, algumas empresas têm utilizado memes virais como forma de aumentar o engagement e criar identificação com os utilizadores.

Um exemplo recente pode ser visto num vídeo publicado pela NOS no TikTok, onde a marca recorre ao meme “Juro, Joca”. Ao integrar uma referência já conhecida e divertida pelos utilizadores, a NOS consegue criar um conteúdo leve, próximo da linguagem da plataforma e mais propenso a ser partilhado.

Outro caso interessante é o do Grupo Soluções Ideais, que utilizou também um meme na sua publicidade (Anúncio Grupo Soluções Ideais). A abordagem humorística, baseada num meme que circula na internet, permite à marca captar rapidamente a atenção do público e aumentar a visibilidade das suas mensagens de forma divertida e informal.

Mais do que simplesmente adaptar conteúdos já existentes, este tipo de marketing demonstra como as marcas estão cada vez mais ligadas à cultura digital. Ao utilizar memes, conseguem comunicar de forma mais próxima, gerar identificação e aumentar o potencial de partilha dos conteúdos.

Desta forma, quando utilizados de forma adequada e alinhados com a identidade da marca, os memes podem transformar publicações simples em conteúdos altamente envolventes e memoráveis. É um exemplo de como o humor e a criatividade se tornaram ferramentas essenciais no marketing digital.