sábado, 6 de junho de 2026

“Pedigree Caramelo”: como storytelling e nutrição funcionam como estratégia de webmarketing

O vídeo abaixo “Pedigree Caramelo”, da AlmapBBDO para Pedigree (Mars), usa o cachorro caramelo como um símbolo afetivo para criar identificação imediata. Esse tipo de construção lembra diretamente estratégias de webmarketing: onde, primeiro você chama atenção com uma ideia visual e emocional forte (algo fácil de reconhecer e compartilhar) e, depois, conduz o público para uma mensagem mais objetiva aqui, ligada ao cuidado diário do seu cão, deste modo, o video faz a ligação entre a importância do cachorro caramelo, por ser um animal sem raça definida, para o cuidado do mesmo, atrav+es dos produtos de uma marca reconhecida, dando um tratamento igual como se fosse para um cão de raça “definida”. 

Fonte: Pedigree Brasil

Na lógica do marketing digital, a peça funciona como uma transição do “interesse” para a “intenção”. Ao destacar a ração da marca Pedigree dentro do contexto do cuidado, o vídeo ajuda o tutor a conectar nutrição com rotina, transformando um elemento do dia a dia em valor percebido. É como no funil: o storytelling aquece a mensagem e prepara o terreno para a marca virar opção na hora da decisão.

No fim, “Pedigree Caramelo” pode ser comparado a uma jornada bem planejada: emoção para gerar conexão clara para orientar a escolha. Quando a alimentação aparece como parte do que significa cuidar, a mensagem fica mais prática e consistente com o cotidiano, exatamente o que costuma sustentar resultados em campanhas orientadas por comportamento e decisão. 

Para concluir, o video também me chamou a atenção quando o autor faz um apelo para que, as pessoas adotem os cães que moram na rua, dando a eles um oportunidade de ter uma vida melhor. Então, adotem um caozinho em vez de comprar. 


Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=DPkNPN6FduQ&list=PPSV 


Taylor Swift, Toy Story e o marketing das pistas

A nova campanha em torno da música da Taylor Swift para o novo filme do Toy Story é um exemplo interessante de como o marketing digital atual já não depende apenas de anúncios diretos. No caso desta artista, cada lançamento transforma-se quase num jogo de investigação coletiva. Os fãs não ficam apenas à espera da música: analisam roupas, cores, datas, emojis, publicações de amigos, aparições públicas e até pequenos detalhes deixados por pessoas próximas da artista.

Como fã da Taylor Swift, ou "swiftie", confesso que esta estratégia me chama particularmente a atenção. Parte da experiência de acompanhar Taylor Swift passa precisamente por tentar descobrir pistas escondidas, teorias e possíveis significados antes de qualquer confirmação oficial. Isto faz com que os fãs não sejam apenas consumidores da música, mas participantes ativos da campanha.




Esta estratégia está muito ligada à forma como Taylor Swift construiu a sua marca ao longo dos anos. A artista é conhecida por usar easter eggs, ou seja, pistas escondidas que antecipam músicas, álbuns, colaborações ou fases da sua carreira. Muitas vezes, essas pistas não aparecem apenas nas suas próprias redes sociais. Podem surgir através de videoclipes, entrevistas, fotografias, letras de músicas, celebridades próximas, equipas criativas, marcas parceiras ou até pequenos gestos aparentemente inocentes. Isto faz com que os fãs sintam que existe sempre uma mensagem escondida para decifrar.

O mais interessante é que esta lógica cria uma espécie de “teoria da conspiração” positiva em torno da artista. Os fãs juntam pistas, criam hipóteses, fazem vídeos no TikTok, threads no X, posts no Instagram e comentários em massa. Mesmo antes de existir uma confirmação oficial, a campanha já está a acontecer, porque a própria comunidade se encarrega de espalhar e interpretar os sinais.

Podemos relacionar este caso com o earned media. A Disney, a Pixar e a própria Taylor Swift não precisam de explicar tudo apenas através de publicidade paga, porque os fãs fazem grande parte da divulgação de forma espontânea. Cada teoria, vídeo ou comentário aumenta a visibilidade da campanha sem que a marca tenha de controlar diretamente toda a comunicação. Outro conceito importante é o UGC. Os fãs produzem vídeos, montagens, análises e publicações a tentar decifrar as pistas. Esse conteúdo, criado pelos próprios utilizadores, prolonga a vida da campanha e faz com que o tema continue a circular nas redes sociais. A campanha deixa de ser apenas uma mensagem enviada pela marca e passa a ser uma conversa construída pela comunidade.

Na minha opinião, esta campanha é eficaz porque entende muito bem o comportamento digital atual. As pessoas não querem apenas receber informação; querem participar, descobrir, comentar e sentir que fazem parte de algo maior. Taylor Swift domina essa lógica como poucas figuras públicas. Ela transforma pequenos detalhes em conversa global e faz com que os fãs funcionem quase como promotores da campanha.

E talvez seja por isso que eu gosto tanto de a acompanhar: mesmo quando é “só” uma música para um filme, parece sempre que há qualquer coisa escondida para descobrir. Como swiftie, acabo por entrar no jogo sem dar por isso - e acho que é exatamente aí que está a força dela.

No fim, eu sei que a Taylor Swift divide opiniões e que há muita gente que não é fã. Mas acho que, goste-se ou não, é preciso dar o braço a torcer: aquilo que ela faz, faz muito bem. Afinal, quantas artistas conseguem transformar uma simples pista numa campanha inteira?



O Efeito "Benito" em Portugal - Marketing em Tempo Real

 Se estiveram atentos às redes sociais nos últimos dias, de certeza que se depararam com uma invasão de "Benito". A visita recente do Bad Bunny a Portugal não deixou apenas os fãs em êxtase; também fez com que o mercado do marketing digital mudasse rapidamente. As marcas aproveitaram para se associarem à cultura pop e utilizarem as letras, as músicas e os memes do artista porto-riquenho. Mas afinal, porque é que isto resulta? Para começar, o consumidor de hoje mudou. Ele agora é um "nómada urbano", está sempre em movimento, controla tudo o que vê e odeia a publicidade tradicional. Vivemos num mundo cheio de imagens e publicidade, onde quase toda a gente usa bloqueadores de publicidade ou simplesmente ignora os anúncios. A atenção é um bem cada vez mais valioso.  É aí que a genialidade dos posts da Super Bock e da Delta Cafés se destaca. Ao adaptarem o verso "Debí tirar más fotos" para "Debí tirar más copos" ou "Debí tomar más bicas", estas marcas conseguiram ultrapassar o bloqueio. Não tentaram vender nada de forma agressiva, como acontece nas estratégias push. Em vez disso, usaram o humor e uma tendência que já estava na cabeça de toda a gente para ganhar a atenção e garantir relevância. 

Isto também nos ajuda a entender como funcionam os três meios digitais mais importantes, ou seja, os meios que uma marca controla, os meios em que paga para aparecer e os meios que aparecem espontaneamente. O Bad Bunny, sozinho, gera milhões de euros em publicidade paga. Mas marcas como a Vodafone e o Pingo Doce não precisaram de lhe pagar nada para aproveitar a onda. Elas usaram as suas próprias páginas do Instagram (Owned Media) de forma muito rápida. Este tipo de marketing permite criar conteúdos com custos mínimos e rapidez máxima, reagindo ao que está a acontecer no próprio dia. Qual é o resultado disto? Os fãs acharam tanta piada que começaram a partilhar, a comentar e a enviar as publicações aos amigos. Este passa palavra digital transforma-se em Earned Media e as marcas tiveram publicidade gratuita, espontânea e muito credível, porque foram os próprios utilizadores que espalharam a mensagem.



A Vodafone teve uma ideia brilhante. Como muitas pessoas que vão a um concerto ficam sem espaço para guardar fotos, a empresa criou um anúncio com o trocadilho "Debi tirar menos fotos" para promover o Google One. Já o Pingo Doce recriou a famosa "casita" amarela dos visuais do cantor para promover os seus gelados. Isto mostra que, para o marketing digital funcionar, é preciso que a marca e o contexto do cliente sejam perfeitamente adequados. Quando a publicidade se transforma numa experiência divertida e numa piada partilhada, o consumidor deixa de sentir que lhe estão a tentar empurrar um produto. A marca torna-se tão interessante e integrada no nosso dia a dia que somos nós que queremos interagir com ela. A febre do Bad Bunny em Portugal mostra que o marketing moderno não precisa de orçamentos gigantescos. Estão atentos ao que as pessoas dizem na internet, tornando a comunicação mais humana e criando laços emocionais verdadeiros. As marcas que conseguem transformar um concerto num "meme" que se adapta perfeitamente ao seu negócio deixam de ser apenas empresas frias e passam a fazer parte da nossa comunidade.

Eu fiquei com FOMO por não ter ido, e vocês?

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

The Lego Movie: In-game advertising levado ao extremo.

Já todos nos deparámos com in-game advertising e com anúncios intrusivos durantes filmes na televisão, mas o que aconteceria se se juntassem estes dois estilos de publicidade e se fossem levados ao limite? Foi esta cadeia de pensamento que levou à criação do “Lego: O Filme” em 2014 que foi, essencialmente, um anúncio de 1h30 a brinquedos de plástico. Filmes em que um dos principais objetivos era publicidade não eram novidade, pois a intenção de publicitar uma gama de brinquedos tie-in que seria lançada ao mesmo tempo do filme era a estratégia dominante desde a década de 1990.

Adicionalmente, com um nome tão excessivamente genérico, qualquer um pensaria que este filme seria apenas um “cash-grab” de esforço mínimo de um nome reconhecível para levar as crianças (e os pais) ao cinema, como muitas outras marcas fizeram antes e depois deste filme.

No entanto, apesar das expectativas mínimas, o filme da Lego foi muito bem-sucedido, com uma receita de 470 milhões de dólares em bilhetes para apenas 60 milhões de dólares em orçamento.

De facto, foi tão bem-sucedido que um dos principais concorrentes da Lego, a PlayMobil, lançaria o seu próprio filme, “PlayMobil: O Filme”, em 2019, seguindo o mesmo estil do filme da Lego. No entanto, este filmefoi um fracasso na bilheteira, faturando apenas 16 milhões de dólares para um orçamento de 40 milhões.

Tendo isto em conta, o que causou o sucesso do filme Lego e o que causou o fracasso do filme Playmobil? Ultimamente, tal como qualquer anúncio que siga o estilo de “storytelling”, o sucesso está na qualidade e na capacidade de contar história em si, e qualquer pessoa que tenha visto o filme comenta de como bem escrito e atuado o filme foi, com a mistura de um eventos absurdos e cómicos que escondem um enredo simples mas surpreendente relacionável e genuíno que marcaria todos os projetos cinematográficos futuros da Lego.


Fontes:

Ratings de “Lego: O Filme”: https://www.imdb.com/title/tt1490017/

Dados Financeiro de “Lego: O Filme”: https://www.boxofficemojo.com/title/tt1490017/

Ratings de “Playmobil: O Filme”: https://www.imdb.com/title/tt4199898/

Dados Financeiros de “Playmobil: O Filme”: https://www.the-numbers.com/movie/Playmobil-(2019)#tab=summary

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Um perfume de croissant? Sim, aconteceu!

Quando vi que a Lidl, nos Estados Unidos, tinha lançado um perfume de croissant, achei que era uma brincadeira. Mas aconteceu mesmo.

A campanha chamava-se "Eau de Croissant" e foi inspirada nos famosos croissants da pastelaria da Lidl, que eu já associo quase automaticamente à marca e acredito que muitos consumidores também. Não é por acaso que escolheram este produto.


O mais interessante é que a Lidl pegou num produto simples e barato e tratou-o como sendo um produto de luxo. Deu-lhe um nome francês, criou um frasco especial, fez uma edição limitada e levou tudo para o Instagram.

Afinal de contas, ninguém espera que uma cadeia de supermercados lance uma fragrância inspirada num produto de pastelaria. E é precisamente esse contraste que torna a campanha tão diferenciada.

A campanha também não foi lançada como uma venda tradicional. Funcionou através de um giveaway no Instagram, o que reforçou ainda mais a lógica de interação. Não era possível simplesmente comprá-lo em loja. Para participar, era preciso:

  • seguir a página @lidlus no Instagram;
  • identificar uma pessoa nos comentários;
  • partilhar o post nos stories para ter uma hipótese extra de ganhar.

Ou seja, a campanha foi pensada para pôr as pessoas a interagir, comentar e espalhar a ideia. O perfume acabou por ser quase um pretexto, pois o verdadeiro objetivo parecia estar na conversa criada à volta da marca.

Na minha opinião, a campanha resultou porque não tentou vender luxo. Usou apenas a linguagem do luxo para valorizar algo banal e familiar. No fundo, a Lidl pegou num croissant, que já fazia parte da experiência de muitos consumidores com a marca, e transformou-o em conteúdo digital.

E, sinceramente, mesmo sendo uma ideia estranha, despertou-me curiosidade. Não sei se queria usar um perfume de croissant no dia a dia, mas fiquei claramente com vontade de perceber como é que algo assim cheira. E talvez seja aí que a campanha funciona tão bem, ao conseguir transformar o absurdo em atenção.

A Lidl criou uma ideia inesperada, fácil de partilhar e suficientemente diferente para fazer as pessoas parar e comentar. No fundo, é uma forma criativa de gerar conversa, mesmo que essa conversa dure apenas alguns dias.


Fonte: https://www.foodandwine.com/lidl-eau-de-croissant-perfume-11861351