sexta-feira, 24 de abril de 2026

Influência digital: quando uma rotina se transforma em tendência

Há dois dias, a influenciadora Helena Coelho publicou um vídeo que rapidamente começou a dar que falar, mostrando mais uma vez o impacto que o marketing de influência pode ter. Desta vez, não foi sobre moda ou maquilhagem, mas sim sobre algo tão simples como a sua rotina de higiene oral.

https://www.instagram.com/reel/DXcwZnMDIK4/?igsh=MWo1aXR6cWJjOWg0bg==

No vídeo, partilha os produtos que usa no dia a dia: fio dentário, irrigador bocal (water flosser), escova elétrica, elixir sem álcool com flúor e até um gadget para o hálito. Marcas como Usmile ou Zdeer aparecem de forma natural.

À primeira vista, pode parecer apenas mais um conteúdo informativo ou de lifestyle. No entanto, o impacto vai muito além disso. Sempre que Helena Coelho partilha um produto, existe um efeito quase imediato no mercado. A sua credibilidade e proximidade com o público fazem com que muitos seguidores confiem nas suas recomendações, o que frequentemente leva ao esgotamento dos produtos mencionados.

Este fenómeno mostra como o marketing digital evoluiu. Já não se trata apenas de campanhas planeadas pelas marcas, mas também da capacidade dos influenciadores de gerar procura de forma orgânica. Um simples vídeo pode transformar produtos comuns em tendências virais em questão de horas.

Para além disso, este caso torna-se ainda mais interessante pela reação que gerou. Vários profissionais da área, nomeadamente dentistas, reagiram ao vídeo, comentando e analisando as escolhas feitas.

https://www.instagram.com/reel/DXfE9_0CKPT/?igsh=MW5nd3JwazNnOHo4cw==

https://vm.tiktok.com/ZGdHjdPBC/

https://vm.tiktok.com/ZGdHjLNAx/

Isto cria um segundo nível de conteúdo, onde diferentes vozes entram na conversa, aumentando ainda mais o alcance e a credibilidade do tema.

No fundo, estamos perante um efeito em cadeia típico do digital: um conteúdo gera atenção, essa atenção gera interação, e essa interação gera ainda mais conteúdo. O resultado é uma amplificação contínua que nenhuma campanha tradicional conseguiria replicar com a mesma rapidez.

Este caso levanta uma questão importante: até que ponto as decisões de consumo estão cada vez mais dependentes da influência digital? E será que confiamos mais na recomendação de um influenciador do que em especialistas?

Um minuto de silêncio que fez barulho: a campanha da Vodafone

Num mundo onde tudo acontece em segundos, onde cada scroll traz uma nova opinião, um novo conflito ou até um comentário agressivo, a Vodafone fez algo pouco comum: pediu para parar.

  “Um minuto para calar o ódio.”

A realidade é que o ambiente digital se tem tornado cada vez mais hostil. O discurso de ódio, os ataques gratuitos e a normalização da agressividade online fazem hoje parte da experiência diária nas redes sociais.

E é precisamente neste contexto que esta campanha ganha força.

Num ecossistema onde as marcas competem por atenção constante, esta destaca-se por fazer exatamente o oposto. Em vez de incentivar interação, incentiva silêncio.

E foi precisamente isso que captou a atenção.

A combinação de um tema sensível, a violência e o ódio online, com uma abordagem inesperada tornou o momento relevante e diferenciador. Não há promoção direta, nem call-to-action tradicional. Há apenas uma pausa.

Mas a campanha não ficou por aqui.


Foi reforçada nos Prémios PLAY, levando a mensagem para um palco físico e transformando um momento individual numa experiência coletiva. Mais do que uma publicação, tornou-se um posicionamento consistente.

Este caso mostra-nos algo cada vez mais evidente no marketing digital: destacar-se nem sempre passa por fazer mais barulho.

Às vezes, passa por fazer o contrário.

O que é que vocês acham? Num mundo onde o ódio gera engagement, será que parar é mesmo uma opção para as marcas?

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Entre memes e mistério: o marketing do Duolingo nas redes sociais

 Nos últimos tempos, a Duolingo voltou a destacar-se nas redes sociais com uma campanha inesperada: a “morte” da sua mascote, a conhecida coruja verde.

Antes mesmo desta campanha, o Duolingo já era conhecido pela sua forma pouco convencional de comunicar, especialmente no TikTok. A marca construiu uma presença digital muito baseada em humor, tendências e interação com os utilizadores, transformando a sua mascote quase numa personagem com personalidade própria. Este tipo de abordagem permitiu criar uma ligação mais próxima com o público, fugindo ao tom mais institucional típico de muitas marcas. 

Embora esta campanha tenha acontecido há cerca de um ano, continua a ser um exemplo muito relevante para compreender o marketing digital atual. Num contexto em que as marcas procuram constantemente formas de captar atenção, este tipo de estratégia mostra como conteúdos virais podem ter um impacto duradouro e continuar a ser referência.

A marca anunciou, de forma aparentemente dramática, que a mascote tinha desaparecido, gerando rapidamente uma onda de reações no TikTok e noutras plataformas. Comentários, memes e teorias começaram a surgir, transformando a campanha num fenómeno viral.


O mais interessante neste caso é que não se trata de publicidade tradicional. O Duolingo não está diretamente a promover o produto, mas sim a criar um momento de entretenimento que envolve o público e incentiva a participação.

Esta estratégia mostra como, hoje em dia, as marcas procuram cada vez mais integrar-se na cultura digital. Em vez de comunicarem de forma direta, optam por criar conteúdos que se misturam com aquilo que os utilizadores já consomem nas redes sociais.

Além disso, a campanha reforça a importância do engagement. Ao gerar curiosidade e surpresa, o Duolingo consegue que os próprios utilizadores amplifiquem a mensagem, partilhando, comentando e criando conteúdo à volta do tema.

Curiosamente, a “morte” da mascote não foi definitiva... o Duolingo acabou por trazê-la de volta poucos dias depois, mostrando que toda a campanha fazia parte de uma narrativa pensada para gerar envolvimento contínuo e manter o interesse dos utilizadores.

Na minha opinião, este caso demonstra que o marketing digital está cada vez mais próximo do entretenimento. As marcas já não competem apenas pela atenção, competem também pela capacidade de criar momentos que façam as pessoas parar, reagir e participar.

Confesso que, ao ver os vídeos sobre o desaparecimento da coruja, também fiquei curiosa para perceber o que estava a acontecer e até me apareciam vários conteúdos relacionados com o assunto na minha "for you page".

No fundo, o Duolingo não está apenas a promover uma aplicação, está a criar uma história em que o consumidor quer participar.


E vocês, o que acham? Este tipo de campanhas torna as marcas mais próximas ou acaba por desviar a atenção do produto em si?

quarta-feira, 22 de abril de 2026

É uma cabazada... quando a publicidade provoca

Nem sempre é preciso dizer o nome da concorrência para percebermos de quem se está a falar. A campanha do Lidl “É uma cabazada” prova exatamente isso.

No vídeo, o Lidl mostra um cabaz de compras mais barato em cerca de 16,78€, mas o detalhe mais interessante está na forma como essa comparação é feita. A funcionária da caixa aparece com um uniforme praticamente igual ao de outra cadeia de supermercados bem conhecida, não é exatamente o mesmo, mas é suficiente para qualquer pessoa perceber a referência.

E é aqui que a campanha se torna inteligente. Em vez de uma simples comparação de preços, o Lidl opta por uma abordagem mais provocadora, que capta atenção de imediato. Num contexto em que estamos constantemente expostos a publicidade, destacar-se tornou-se metade do trabalho, e este anúncio consegue fazê-lo.

Além disso, este tipo de conteúdo tem tudo para ser partilhado. Seja pela criatividade, pelo humor ou até pela polémica, são estas campanhas que acabam por gerar conversa e circular nas redes sociais. No fundo, são os próprios consumidores que acabam por amplificar a mensagem.

Ao mesmo tempo, o Lidl reforça o seu posicionamento como uma marca mais acessível, utilizando uma comparação clara e fácil de entender. A mensagem é simples: o mesmo tipo de compras, mas mais barato.

Ainda assim, fica a dúvida: até que ponto este tipo de provocação é sempre positiva? Pode chamar a atenção, mas também pode gerar reações menos favoráveis.

O polido, o imprevisível e como um post se torna viral!

Com uns dias de atraso em relação à publicação original, mas este tinha que ser o tema de um texto aqui! A parceria Bernardo Silva e La Roche-Posay tornou-se em tudo o que uma marca pode desejar: conteúdo viral, atenção prolongada e engagement genuíno.

No início nada de extraordinário. Uma típica campanha de redes sociais. Escolha de uma celebridade, um vídeo dentro tom e estilo de comunicação da marca, mensagem  alinhada e um produto certo para a época do ano (protetor solar). 


Tudo mudou quando o jogador publicou o conteúdo e quase de forma imediata começam a entrar comentários de vários colegas como Rúben Dias, João Félix e Bruno Fernandes. O que era para ser uma publicação certinha transformou-se em conversa de balneário. E foi neste exato momento que a campanha deixou de ser mais uma, e passou a ser conteúdo que as pessoas realmente querem ver.

Como é que a La Roche-Posay conseguiu isso?

Não conseguiu. Não foi a marca que tornou a campanha viral, mas a interação genuína entre amigos que não se inibiram de comentar a publicação como se tivessem a conversar entre si.

  •  Impacto: a partir do momento em que os jogadores entraram na conversa, as pessoas deixaram de ver a publicação apenas pelo vídeo. A atenção passou para a caixa de comentários e a expetativa de novas interações.
  • Engagement: colocar gosto numa publicação é algo mecânico, muitas vezes nem vemos a publicação. Comentários, respostas, marcar amigos por seu lado é outro nível. Cada comentário traz também novas pessoas à publicação e o alcance cresce de forma natural.
  • Genuíno: a dinâmica entre os jogadores é natural, não é forçada. Acontecendo de forma espontânea torna-se mais eficaz que qualquer patrocínio.
  • Relevância: os comentários dos colegas introduziram uma dose de humor na publicação. Levaram a conversa para o dia-a-dia. Isto tornou o conteúdo mais leve e também mais próximo. É verdade que a marca perdeu o controlo da narrativa,mas ganhou em impacto.

O que podemos aprender com este caso? O conteúdo perfeito e controlado nem sempre é o mais eficaz!

Os resultados desta parceria teriam sido muito diferentes se os jogadores não tivessem comentado? Não sabemos, mas provavelmente não. O conteúdo ganhou vida própria e esta pode ser uma lição para muitas marcas. Limitar o imprevisível pode bloquear atenção genuína e limitar o diálogo. 


Fontes: Instagram bernardocarvalhosilva, Meios & Publicidade

Imagens: Instagram bernardocarvalhosilva