quinta-feira, 14 de maio de 2026

Como uma campanha publicitária abalou a Bud Light

 

Como a Bud Light transformou uma campanha em um dos maiores fracassos da histórias.


                        Fonte: you.tube

    A campanha fazia parte de uma estratégia de comunicação destinada a alcançar públicos mais jovens e diversificados. No entanto, a colaboração desencadeou uma forte reação negativa por parte de consumidores conservadores nos Estados Unidos. Nas redes sociais multiplicaram-se vídeos de boicote à marca, críticas públicas e apelos para deixar de consumir produtos da Bud Light. Algumas figuras públicas e comentadores políticos acusaram a empresa de adotar uma postura excessivamente “woke”, expressão frequentemente utilizada em debates culturais e políticos para criticar iniciativas associadas à inclusão social e diversidade.

    O impacto comercial foi imediato. As vendas da Bud Light registaram uma queda significativa durante vários meses, levando a marca a perder a posição de cerveja mais vendida nos Estados Unidos, lugar que ocupava há décadas. A empresa-mãe, Anheuser-Busch InBev, sofreu igualmente perdas de valor de mercado e enfrentou dificuldades em recuperar a confiança de parte do seu público tradicional.

    Além do impacto económico, o caso tornou-se um exemplo relevante no estudo da comunicação empresarial e da gestão de marca. Muitos analistas consideram que a empresa falhou na forma como comunicou a campanha e geriu a reação pública. Inicialmente, a Bud Light tentou distanciar-se da controvérsia sem assumir uma posição clara, o que acabou por gerar críticas tanto de consumidores conservadores como de grupos defensores da inclusão LGBTQIA.

    Do ponto de vista académico, esta polémica demonstra como as marcas globais estão cada vez mais expostas à polarização política e cultural. As empresas deixaram de ser vistas apenas como entidades comerciais, passando também a ser avaliadas pelas posições sociais e valores que representam. Neste contexto, decisões de marketing podem transformar-se rapidamente em debates ideológicos amplificados pelas redes sociais.

    O caso Bud Light evidencia ainda a importância da coerência estratégica na comunicação corporativa. Quando uma marca procura associar-se a causas sociais ou temas sensíveis, torna-se essencial compreender o perfil do seu público-alvo, antecipar possíveis reações e preparar respostas eficazes em situações de crise reputacional.


https://youtu.be/jgRdVGy2F6E?is=b9ykndRkbA5_0uve


Boicote ou publicidade gratuita? O efeito Fernanda Torres para a Havaianas

         Boicote ou publicidade gratuita? O efeito Fernanda Torres para a Havaianas.

                        

             Campanha publicitária de fim de ano com a atriz gerou reações políticas e dividiu opiniões entre internautas nas redes sociais

                                                    Fonte: cidademarkring.com


    A campanha da Havaianas lançada em 12/ 2025 com a atriz Fernanda Torres tornou-se um caso clássico de como publicidade, cultura pop e polarização política se podem misturar nas redes sociais.

O centro da polémica foi um anúncio de fim de ano em que Fernanda Torres dizia que não queria que as pessoas começassem o ano “com o pé direito”, mas “com os dois pés”. A ideia original da campanha era transmitir uma mensagem de ação, autenticidade e atitude, alinhada com o posicionamento histórico da marca.

No entanto, parte do público interpretou a frase como uma indireta política ligada à divisão entre “direita” e “esquerda” no Brasil. Isso gerou uma onda de críticas, apelos ao boicote e uma intensa repercussão nas redes sociais.

Um ponto importante é que a crise não nasceu da campanha em si, mas da interpretação simbólica feita num ambiente digital altamente polarizado. Em branding, isto é conhecido como “apropriação narrativa”: o público redefine o significado da mensagem e transforma a campanha num debate cultural maior do que o produto anunciado.

O caso teve um enorme alcance orgânico:

o vídeo acumulou milhões de visualizações e centenas de milhares de comentários;

hashtags de boicote circularam nas redes sociais;

políticos e influenciadores entraram na discussão;

meios de comunicação, portais de marketing e programas de entretenimento passaram a cobrir o tema.

Na prática, a campanha saiu do universo publicitário e entrou no noticiário político-cultural.

Este tipo de repercussão gera aquilo a que o marketing chama earned media (media espontânea). A marca passa dias a ser comentada sem precisar de investir proporcionalmente em compra de espaço publicitário.

Inclusive, vários utilizadores nas redes sociais comentaram que só descobriram a campanha por causa da polémica, o que demonstra o efeito amplificador do debate online.

Impacto na reputação da marca: 

Impactos negativos

associação da marca a um posicionamento político;

risco de afastamento de consumidores mais conservadores;

ataques coordenados nas redes sociais;

volatilidade inicial das ações da Alpargatas, dona da marca.

Em momentos como este, marcas muito populares sofrem porque o seu público é extremamente amplo e diverso. A Havaianas sempre foi vista como uma marca democrática, transversal e popular. Quando entra numa guerra cultural, perde parte dessa neutralidade simbólica.

Impactos positivos

Ao mesmo tempo, houve ganhos claros como o aumento massivo da visibilidade, reforço da associação da marca à brasilidade, irreverência e cultura pop, apoio de parte do público, que considerou as críticas exageradas e recuperação rápida do valor das ações após a queda inicial.

https://www.cidademarketing.com.br/marketing/2025/12/22/havaianas-leva-chinelada-nas-redes-por-campanha-com-fernanda-torres/?utm_source=chatgpt.com



terça-feira, 12 de maio de 2026

Adidas Backyard Legends: O futebol já não é suficiente?

Estamos em ano de Mundial e a Adidas já começou a aquecer o jogo com a campanha “Backyard Legends”.

 Através de uma narrativa quase cinematográfica, a campanha coloca inesperadamente Timothée Chalamet no centro da história, com a missão de formar uma equipa capaz de derrotar um trio lendário de jogadores de bairro que permanece invicto há décadas. Entre diferentes gerações de futebolistas, desde lendas como Zidane, Beckham e Messi até nomes da nova geração como Lamine Yamal ou Jude Bellingham, a campanha transforma um simples jogo de rua quase numa espécie de lenda urbana do futebol, marcada por nostalgia, rivalidade e identidade geracional. Mas o mais interessante é que a Adidas não se fica pelo futebol…

Para além de Timothée Chalamet, a presença de figuras como Bad Bunny mostra que a campanha procura ocupar um espaço muito mais amplo, misturando desporto, música, cinema e cultura digital numa única narrativa.

Mais do que um anúncio desportivo, “Backyard Legends” funciona quase como um pequeno filme, afastando-se da publicidade tradicional centrada no produto. A campanha aposta numa narrativa marcada por identidade cultural e nostalgia para criar ligação emocional com diferentes públicos.

Essa mistura não acontece por acaso. Atualmente, os interesses do público cruzam-se constantemente. O mesmo consumidor que acompanha futebol também consome moda, música, cinema e cultura digital diariamente. Ao refletir essa realidade dentro da própria campanha, a Adidas consegue posicionar-se não apenas como uma marca desportiva, mas como parte da própria cultura pop.

Outro aspeto particularmente interessante é a forma como a campanha atravessa várias gerações ao mesmo tempo. A presença de antigas lendas do futebol desperta nostalgia em quem cresceu a vê-las jogar, enquanto os nomes da nova geração aproximam naturalmente públicos mais jovens. Ao mesmo tempo, ter figuras ligadas à música e ao entretenimento faz com que a campanha consiga chegar até a pessoas que nem acompanham futebol regularmente.

A própria estética do vídeo reforça essa ligação emocional. Apesar da produção claramente cinematográfica, o anúncio utiliza uma linguagem visual retro inspirada nos campos de bairro e nas antigas gravações de futebol de rua. O resultado faz com que a campanha pareça menos publicidade e mais uma memória coletiva ligada ao futebol.

No fundo, hoje as marcas mais fortes não são apenas as que vendem produtos, mas as que conseguem entrar na cultura e criar ligações emocionais através das histórias que contam.

Depois de ver esta campanha fiquei ainda mais empolgado para o Mundial, alguém sentiu o mesmo?

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Decathlon: a experiência de compra sem limites


A Decathlon é hoje um dos melhores exemplos de como uma marca pode juntar o mundo físico e o digital numa só experiência. Em vez de separar a loja online da loja física, a marca conseguiu criar um modelo em que os dois canais se complementam: a loja torna-se uma extensão do site e o site funciona como apoio à experiência em loja.

Ao entrar numa loja Decathlon, percebe-se que o objetivo já não é apenas vender produtos. A marca aposta também numa experiência mais prática, sensorial e até de lazer, onde os clientes podem tocar nos materiais, experimentar equipamentos, testar bicicletas ou ver tendas montadas. Isto permite uma gratificação imediata que o comércio online, por si só, dificilmente consegue oferecer.

Ao mesmo tempo, a Decathlon usa a tecnologia para tornar todo o processo mais simples e rápido. Os pagamentos são cada vez mais fluidos, muitas vezes sem grandes filas, aproximando a experiência da loja física da rapidez que associamos a uma compra online. Além disso, se um artigo não estiver disponível na prateleira, o cliente pode encomendá-lo no momento e recebê-lo em casa, o que aumenta muito a variedade de escolha disponível em qualquer loja.

Outro ponto forte é a possibilidade de comprar online e levantar em loja em pouco tempo. Esta solução combina a conveniência de comprar a partir de casa com a segurança de ter o produto disponível no próprio dia, sem depender totalmente de entregas ao domicílio.


No fundo, a Decathlon mostra que o futuro do retalho não passa por escolher entre online e offline, mas sim por juntar os dois numa experiência única, simples e centrada no consumidor. O cliente escolhe onde compra, como recebe o produto e de que forma quer interagir com a marca.

E vocês, costumam comprar mais online, em loja, ou depende do produto?

segunda-feira, 4 de maio de 2026

🎀 “Barbie”: a campanha de marketing por trás do fenómeno global

Em 2023, o lançamento do filme da Barbie mostrou como uma campanha de marketing pode ir muito além da promoção de um produto ou de um filme. A Barbie conseguiu transformar o seu lançamento num verdadeiro fenómeno global, dominando redes sociais, marcas e até o dia a dia das pessoas.


No fim de semana de estreia, entre 20 e 23 de julho, o filme foi o mais visto em Portugal, com 189.709 espectadores e mais de 1,1 milhões de euros de bilheteira, segundo o Instituto do Cinema e Audiovisual. A nível global, o arranque do filme gerou cerca de 356 milhões de dólares, tornando-se um dos maiores sucessos de estreia do ano.

O filme conta com nomes como Margot Robbie, Ryan Gosling e Helen Mirren, e inclui uma banda sonora com artistas como Dua Lipa, Tame Impala, Nicki Minaj e Ice Spice.

No entanto, o sucesso não se explica apenas por estes fatores. A estratégia destacou-se pela forte aposta no marketing integrado. Em vez de depender apenas de trailers ou publicidade tradicional, a campanha envolveu dezenas de colaborações com marcas de diferentes setores, desde moda, à alimentação, criando uma presença constante e impossível de ignorar. O chamado “Barbiecore”, com o rosa a dominar tendências, tornou-se viral e levou milhares de pessoas a participar ativamente, seja através de conteúdos nas redes sociais ou experiências personalizadas.

A estratégia desenvolvida pela Mattel em parceria com a Warner Bros. Pictures teve um orçamento de marketing que terá ultrapassado o próprio custo de produção do filme. Muito antes da estreia, começaram a surgir teasers criativos, como a paródia de “2001: Odisseia no Espaço”.


Seguiram-se outdoors cor-de-rosa espalhados por várias cidades do mundo que apenas revelavam a data de estreia, de forma a criar curiosidade e antecipação.


A campanha expandiu-se rapidamente para o digital, com ferramentas interativas como geradores de selfies, emojis oficiais e conteúdos pensados especificamente para redes sociais. Isto fez com que o filme estivesse constantemente presente nas conversas online, muito antes de chegar aos cinemas.

Mas o impacto não ficou apenas no digital. A campanha saiu do ecrã e entrou no quotidiano das pessoas através de experiências e colaborações com outras marcas. Em Malibu foi criada a “Barbie DreamHouse”, disponível na Airbnb, enquanto em Boston existiu um barco temático com experiências imersivas para fãs.


Plataformas digitais também aderiram ao fenómeno: o Google introduziu efeitos visuais cor-de-rosa nas pesquisas relacionadas com “Barbie” e o Spotify criou playlists temáticas que rapidamente se tornaram virais, com mais de 620 mil listas de reprodução criadas pelos utilizadores.


O universo da Barbie espalhou-se ainda pelo retalho e pela alimentação, com colaborações com marcas como Zara, Crocs ou Burger King, que lançaram produtos e experiências inspiradas no filme. Em muitos casos, não se tratava apenas de vender produtos, mas de criar experiências associadas ao universo da marca.

Para além do impacto comercial, a campanha também teve uma forte dimensão cultural e social, com iniciativas associadas a organizações como a Save the Children, reforçando mensagens de empoderamento e igualdade. Ao mesmo tempo, o digital amplificou tudo isto, com redes sociais a serem inundadas por conteúdos, memes e tendências como o “Barbiecore”, que ajudaram a consolidar o filme como um fenómeno cultural global.

Outro ponto essencial foi o fator emocional e nostálgico. A Barbie não é apenas uma personagem, mas um símbolo que atravessa gerações. A campanha soube explorar essa ligação emocional, combinando nostalgia com modernidade, o que permitiu alcançar tanto públicos mais novos como adultos que cresceram com a marca.

Este caso mostra que o marketing atual já não se limita à publicidade tradicional. Vive de experiências, colaborações, redes sociais e participação ativa dos consumidores. Quando uma campanha consegue sair do cinema e entrar no quotidiano das pessoas, deixa de ser apenas promoção e passa a ser cultura.

Fica a reflexão: será que este nível de impacto é replicável por outras marcas, ou depende sempre de um ícone tão forte como a Barbie? 🎀