segunda-feira, 13 de abril de 2026

A transformação da decisão do consumidor no Turismo: o caso do AI Planner da Hilton Hotels

Já te aconteceu isto?

Abres o navegador para planear uma viagem… e, sem dar por ela, tens 20 abas abertas. Comparas hotéis, lês reviews, mudas de destino, voltas atrás, e no fim escolhes algo parecido com o de sempre.

Não é falta de opções.
É exatamente o contrário: é o excesso delas.
Este fenómeno tem nome: Paradoxo da Escolha. E durante anos foi uma das maiores frustrações no turismo digital. Mas agora, estamos a passar por uma mudança de paradigma, eis um exemplo interessante recente:

Uma nova forma de planear viagens: Hilton AI Planner

(ver mais info. aqui)

Em inícios de Março deste ano, a Hilton Hotels lançou o Hilton AI Planner, um concierge digital baseado em inteligência artificial que transforma o planeamento de viagens numa conversa. Mais do que uma simples ferramenta de pesquisa, posiciona-se como um motor de recomendação e um infomediador, organizando e estruturando a informação de forma personalizada para melhorar a experiência do cliente.

Em vez de filtros e pesquisas intermináveis, basta escrever tipo:
“Quero uma escapadinha de praia tranquila, mas com boa comida local”

E, em segundos, surgem sugestões personalizadas:


Não é só mais rápido.
É uma forma completamente diferente de decidir!

Do e-Commerce ao a-Commerce
Até agora, estávamos habituados ao e-commerce:
  • nós procuramos online
  • comparamos
  • decidimos comprar
Mas o Hilton AI Planner representa a evolução para:
a-Commerce (Automated Commerce) onde:
  • expressamos uma intenção
  • a IA interpreta
  • e apresenta soluções já filtradas
e começamos a ser guiados.
Deixamos de procurar…

Mas afinal, o que torna isto realmente diferente?

À primeira vista, pode parecer apenas “mais um chatbot”.
Mas não é.
A verdadeira inovação está em como tudo foi integradoou seja: 

1. Não é uma ferramenta, é um sistema de decisão
Ao contrário de plataformas como motores de busca ou OTAs, o AI Planner está integrado diretamente no ecossistema da HiltonIsto significa:
  • descoberta
  • comparação
  • decisão
Tudo acontece no mesmo espaço, ou seja, não sais da plataforma; Não perdes contexto;  Não dispersas atenção!

2. Conversa em vez de pesquisa

Isto significava:
  • filtro
  • menus
  • dezenas de clicks
Agora:
  • linguagem natural
  • perguntas abertas
  • respostas interpretadas
Basicamente descreves o que queres sentir com alguém que te compreende!

3. De “muitas opções” para “opções certas”
Se compararmos com as plataformas tradicionais, estas mostram centenas de resultados.
O AI Planner apresenta poucas sugestões que são altamente relevantes! o que resolve diretamente os grandes desafios de hoje em dia: o Paradoxo da Escolha/ a dificuldade de decisão.

4. Um sistema que aprende
A plataforma evolui com o uso, ou seja:
  • aprende com comportamentos
  • adapta recomendações
  • melhora ao longo do tempo
5. A jogada estratégica de desintermediação 
Durante anos, o processo era assim: cliente → Google → Booking → hotel

Agora, a Hilton Hotels tenta fazer isto: cliente → Hilton AI → decisão → reserva
Isto é um reflexo direto do que a era digital veio possibilitar: a desintermediação.
Com maior controlo sobre a jornada do cliente e uma relação mais próxima e direta, consegue-se capturar mais valor. Neste contexto, a Hilton Hotels deixa de gerir apenas “quartos” para passar a gerir o próprio algoritmo de descoberta, reduzindo a dependência de intermediários e reforçando o seu ecossistema digital!

A IA como bússola na Cauda Longa
No Turismo, existe uma enorme Cauda Longa, onde o volume de procura de milhares de destinos menos conhecidos, somados, já supera a popularidade dos grandes centros turísticos tradicionais!

O problema?
O cliente raramente chega até eles.

O AI Planner resolve isso ao:
  • interpretar preferências
  • descobrir padrões
  • recomendar opções fora do óbvio e "clichê"

O triunfo do YOU MODEL
Este exemplo mostra bem como o cliente está cada vez mais no centro de tudo. Aqui, não estamos apenas a escolher entre opções... estamos a construir uma experiência à medida!

O utilizador define o que quer, ajusta ao longo do processo e molda o resultado final em tempo real. Ou seja, o produto deixa de ser algo fixo e passa a adaptar-se continuamente à pessoa que o está a usar.

E para nós (Geração z) - os Trysumers?
Este tipo de solução encaixa especialmente bem com a Geração z, pessoas curiosas, que gostam de explorar, experimentar e descobrir coisas novas a toda a hora.

Com o AI Planner, podemos testar ideias sem compromisso, explorar diferentes possibilidades e até chegar a experiências que talvez nunca tivessemos considerado. Isso torna o processo mais envolvente e até mais divertido!

Portanto...

O caso da Hilton Hotels mostra-nos algo importante: a inovação não está só na tecnologia, mas na forma como ajuda o cliente a decidir.

Mais do que criar uma ferramenta, a Hilton está a assumir um novo papel que é o de apoiar o cliente nas suas escolhas!

E isso levanta uma questão interessante: talvez hoje já não seja tão importante perguntar “o que estamos a vender?”, mas sim “como podemos ajudar melhor o cliente a escolher?”.

Porque, no fim, num mundo cheio de opções, quem facilita a decisão acaba por ganhar a preferência, não acham? 😉

domingo, 12 de abril de 2026

Uma missão espacial, um detalhe absurdo...e uma oportunidade incrível para a Nutella! 🚀

Uma missão espacial, um detalhe absurdo... e uma oportunidade incrível para a Nutella! 🚀

Durante uma transmissão ao vivo da missão Artemis II, houve um momento que ninguém antecipava e que captou a atenção de milhões de pessoas: um pote de Nutella a flutuar em gravidade zero. 

Um pequeno detalhe para ajudar a contextualizar: A missão Artemis II representou um marco no regresso da humanidade ao espaço, sendo o primeiro voo tripulado em órbita lunar desde há 50 anos.

A verdade é que, no meio de toda esta magnitude histórica, foi um detalhe banal que roubou a cena. Durante a transmissão, o frasco apareceu a flutuar dentro da cápsula: perfeitamente visível, quase como se tivesse sido colocado ali de propósito. O momento tornou-se viral nas redes sociais e meios de comunicação, com muitos a chamarem-lhe “o melhor anúncio de sempre”.

Surgiu então a questão inevitável: teria sido intencional? A resposta foi clara, com a NASA a garantir que não existiu qualquer tipo de patrocínio ou colocação de produto nas suas missões. A verdade é que o momento resultou da combinação perfeita de um cenário mediático, uma audiência global em direto e um elemento familiar reconhecível. Foi o suficiente para transformar segundos de imagem em milhões de impressões.

A melhor parte? Sem investimento, sem planeamento e sem controlo por parte da Nutella. Um exemplo perfeito de earned media, amplificado pelo word of mouth digital e pelos efeitos de network.

Depois do momento viral, chegou a vez de a própria marca entrar na conversa. Ao invés de ignorar a situação, a Nutella reagiu nas redes sociais com humor e no timing perfeito, encaixando-se no momento com uma lógica clara de real-time marketing e brand responsiveness. Até outras marcas reagiram à situação insólita, demonstrando o sentimento de “inveja” perante a sorte da Nutella.

  

A marca não criou o momento, mas soube prolongá-lo, com publicações que foram acompanhando a vida da Missão Artemis II.

 

Este episódio mostra-nos algo cada vez mais evidente no contexto digital atual: nem tudo o que gera impacto nasce de uma estratégia. Às vezes, o mais relevante acontece dos imprevistos. O verdadeiro diferencial das marcas reside na sua capacidade em reconhecer os momento certos e agir atempadamente.

A realidade é que um pote de Nutella não foi para o espaço como campanha, mas acabou por lá estar no momento certo, no contexto certo, à frente das pessoas certas. E isso bastou.

O que é que vocês acham? Acreditam que este momento foi uma coincidência feliz ou que foi pensado? Acham que as marcas deviam estar preparadas para agir perante este tipo de momentos?

Eu, pessoalmente, acredito que o aumento da ocorrência deste episódios indica uma mudança clara e necessária para a estratégia das marcas. As vencedoras deixam de ser as que planeiam mais e passam a ser que reagem melhor. Porque, pelas situações que já temos vindo a ver (IKEA, KITKAT...), num ambiente dominado pela atenção e pela velocidade, não basta apenas estar presente, é preciso saber agir no momento certo.

E, muitas vezes, isso não se planeia, aproveita-se.😉

Fontes

sábado, 11 de abril de 2026

A Ryanair mudou mesmo… ou enganou-nos a todos antes do tempo? 😮👀

A Ryanair voltou a dar que falar e desta vez não precisou de grandes campanhas. Bastou um simples post a anunciar que iria adotar uma comunicação mais "corporate e profissional".

Mas há um detalhe que muda toda a perspetiva: a publicação foi feita antes do Dia das Mentiras. E isso não foi, de todo, por acaso.

 

(Deixo-vos aqui, como prova, o printscreen que tirei quando vi a publicação, tal foi o choque.) 

Ao antecipar-se às publicações do 1 de abril, a Ryanair apostou num território cinzento entre o sério e o humorístico. A verdade é quem, como eu, viu o post ficou na dúvida: será que a marca vai mesmo a mudar… ou isto já é a sua partida do dia das mentiras? O meu pensamento imediato foi: "Não é possível que uma marca com uma comunicação tão icónica mude assim a sua estratégia." A verdade é que a incerteza foi o que alimentou comentários, partilhas e discussões, ou seja, tudo aquilo que a marca pretendia.

Ao contrário da grande maioria das marcas, que apenas entram no “jogo” no próprio dia, a Ryanair decidiu destacar-se antes do ruído. E conseguiu exatamente isso mesmo. Quando finalmente chegou o dia 1 de abril e a conversa começou, a marca já estava no centro dela.

Toda a gente duvida dos anúncios que são feitos no Dia das Mentiras, mas quem é que coloca em causa o que é publicado nos dias anteriores? Eu nunca tinha pensado neste tipo de estratégia, mas a verdade é que é eficaz. De entre todos os posts que vi nesse dia, só me recordo deste.

E o mais interessante desta publicação é que, mesmo fingindo que vai abandonar o seu tom irreverente, a Ryanair acabou por fazer exatamente o oposto: reforçou-o. Esta brincadeira foi, na realidade, mais uma prova de que a marca conhece perfeitamente o seu público e sabe como captar a sua atenção sem perder a identidade. No fundo, para a marca não importa se alguém acreditou ou não. O que importa é que toda a gente falou sobre isso.

E vocês que viram a publicação da Ryanair, caíram na “mudança corporate”… ou perceberam logo que algo de errado não estava certo? Confesso-vos que eu acreditei mesmo...caí que nem uma patinha. Vi a publicação, confirmei a data várias vezes e fiquei chocada. Como não investiguei sobre o assunto, até a professora Teresa ter falado no assunto, pensei mesmo que haveria uma mudança. A Ryanair conseguiu que ficasse a pensar nela durante vários dias.

Levanto agora algumas questões. Será que esta estratégia pode ser usada todos os anos? O que aconteceria se todas as marcas tivessem pensado assim?

Na minha opinião, este método não pode ser usado todos os anos, senão perde o seu impacto. Se já estamos à espera que a marca faça o seu anúncio no dia anterior, o chocante torna-se o novo normal. Em relação a ser utilizado por todas as marcas, ainda bem que não tiveram todas a mesma ideia. Esta estratégia foi eficaz pois houve destaque de entre todo o ruído, o que não seria possível se todas as marcas tivessem feito a publicação no dia anterior.

Espero que tenham gostado! Comentem com sinceridade, o dia das mentiras já passou e já está visto que eu não consigo distinguir a verdade da mentira!😅

Continuação de um bom fim-de-semana! 😊

O Web Marketing da CONTROL: Quando a Atualidade se Transforma em Conteúdo Viral

A CONTROL tem-se afirmado como uma das marcas mais consistentes em real time marketing em Portugal. A sua estratégia assenta numa combinação rara e eficaz de rapidez, humor inteligente e capacidade de transformar acontecimentos nacionais em conteúdo digital com enorme potencial de partilha. Sem falar diretamente do produto, que para muitos poderia até ser um Taboo, a marca consegue abordar um tema mais sensível e transformá-lo em publicações e mensagens que abordam desde a cultura, emoção até acontecimentos do quotidiano e é isso que a torna única, relevante e tão memorável.

Quando o Sporting quebrou o jejum de 19 anos sem ser campeão, a CONTROL publicou uma das suas peças mais memoráveis: “Hoje é rugir até a selva inteira ouvir.” A imagem do leão, associada ao momento histórico para o clube e os seus adeptos, tornou o post numa celebração emocional que reforçou a presença da marca sem qualquer esforço comercial.

Outro exemplo, mais recente, foi na remontada do Sporting frente ao Bodø/Glimt, que garantiu a primeira presença do clube nos quartos de final da Champions League, aqui a marca voltou a acertar no tom de brincadeira e fez mais uma publicação memorável para os adeptos sportinguistas. “Montada é bom, mas uma (re)montada...”, mais uma vez mostrou como o duplo sentido pode ser usado com subtileza, humor e pertinência, transformando um momento desportivo em conteúdo viral.


As publicações da marca vão muito além do desporto e do Sporting, nas últimas semanas com a subida dos preços dos combustíveis influenciada pelas tensões entre EUA e o Irão a CONTROL viu mais uma oportunidade perfeita para criar conteúdo e voltou a demonstrar todo o seu talento para brincar com temas sensíveis sem perder a leveza que a caracteriza. “Ainda vais e vens?”, esta publicação tornou-se rapidamente reconhecível, precisamente porque traduzia o sentimento geral do país com ironia e simplicidade.


A CONTROL prova que o marketing digital eficaz não depende de falar do produto em si, mas de falar com o público. A marca domina o timing, entende o contexto e sabe transformar cada acontecimento em narrativa. É por isso que continua a ser uma referência no panorama português de marketing de conteúdo.


https://www.instagram.com/controlportugal/
https://www.thepearmarketing.com/blog-do-marketing/zv6hv7q3rvpwimub629fgoufe8baba

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Inteligência Artificial no ensino: oportunidade ou desafio?

Achei muito interessante saber que a FEP esta a avançar com um projeto-piloto de Inteligência Artificial aplicada ao ensino. Para mim, este é um exemplo claro de como a IA já não é apenas uma tendência, mas sim uma realidade com impacto direto na forma como aprendemos, comunicamos e interagimos com a tecnologia.

Este tema pode ser relacionado com a nossa unidade curricular Web Marketing e o Comércio Eletrónico, sobretudo porque a Inteligência Artificial tem vindo a transformar a criação de conteúdos, a personalização da experiência do utilizador e a forma como as organizações comunicam digitalmente. Ao mesmo tempo, levanta questões importantes sobre confiança, credibilidade da informação e utilização responsável da tecnologia.

Como é uma área com a qual me identifico, acho especialmente interessante ver esta mudança acontecer num contexto tão próximo da nossa experiência académica. No fundo, o desafio não está apenas em usar IA, mas sim em perceber como a integrar de forma útil, ética e consciente.

Deixo-vos o link abaixo:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/maioria-das-universidades-ja-adotou-ia-mas-capacidade-institucional-continua-atrasada-diz-relatorio_n1732644?

Na vossa opinião, a utilização da IA no ensino superior representa mais uma oportunidade de melhoria da aprendizagem ou um risco para a autonomia e integridade académica?