domingo, 7 de junho de 2026

Lisboa, Santos e um Excel

Podia ser o início de uma anedota, mas não é. É apenas a história de como um lisboeta de gema, que vive o mês dos Santos ao máximo, criou um calendário das festas de Lisboa, agora disponível para todos, digitalmente.

Lisboa vive os Santos Populares com muito afinco. As festas começam um mês antes, com vários arraias espalhados pela cidade, cada bairro a querer fazer melhor figura que o vizinho. São inúmeros os espetáculos, todos comunicados individualmente e de forma dispersa. Cartazes no bairro, posts soltos nas redes sociais, stories que desaparecem em 24 horas. Informação com fartura, mas sem organização nenhuma.

Na ausência de um calendário universal, o Bruno criou o “Excel dos Santos”.


O que é um Excel tem a ver com o digital? Aparentemente, nada! Não fosse o Bruno ter partilhado o ficheiro no Google Drive, com um link acessível a todos. E esse simples gesto transformou uma folha de cálculo na bíblia do lisboeta, a base de dados que ajuda a decidir a que arraial ir, em que dia e em que bairro.  

O sucesso explica-se de forma simples: havia uma necessidade clara. A informação existia, mas estava desorganizada. O Bruno fez aquilo que muitas marcas tentam fazer: agregar valor organizando informação dispersa. O Excel começou a ser partilhado no WhatsApp. Um grupo enviou a outro, que enviou a outro, que enviou a outro. E, sem campanha paga, sem influencers, e sem plano de meios, tornou-se viral.

E é aqui que esta história deixa de ser apenas um documento de Excel e se torna num exemplo de sucesso no digital. O “Excel dos Santos” é:

  • Marketing de conteúdo: criou-se conteúdo útil, relevante e que muitos querem ver;
  • Customer pain point: resposta a uma dor do consumidor, a de encontrar informação centralizada;
  • Word of Mouth: viralidade orgânica, impulsionada pelo mundo digital.

E para o autor do Excel este tornou-se também uma fonte de rendimento. O Bruno canalizou a atenção que conseguiu com o “Excel dos Santos” e cresceu no Instagram e no TikTok. E o crescimento orgânico, trouxe oportunidades de parcerias. Marcas como o Lidl e a Super Bock, principais patrocinadores das festas, quiseram associar-se, assim como o cantor Chico da Tina. E nem a Câmara de Lisboa ficou imune, juntou-se e facilitou contactos com juntas de freguesia.


O caso do “Excel do Santos” mostra algo muito simples: antes de qualquer estratégia, está a proposta de valor. Sem a mesma, não há orçamento que salve. Procurar ideias complexas nem sempre é a solução. O que faz a diferença é identificar uma necessidade real e criar uma solução que responda a essa necessidade. 


Fonte: Bruno Braga

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