Quando pensamos no Airbnb, associamos imediatamente ao alojamento. No entanto, nos últimos anos, a marca tem vindo a expandir o seu modelo para além das casas, apostando também nas chamadas Airbnb Experiences.
Através desta funcionalidade, a plataforma permite que qualquer pessoa possa oferecer atividades como visitas guiadas, aulas de cozinha, workshops ou experiências culturais. Desta forma, o Airbnb passa a intermediar não só a estadia, mas também a forma como os turistas vivem o destino.
Este modelo é um exemplo claro de intermediação digital, onde a plataforma cria valor ao ligar diretamente dois lados do mercado: quem oferece a experiência e quem a procura. O mais interessante é que o Airbnb não é dono de nenhum destes serviços - limita-se a facilitar o contacto, gerir a plataforma e garantir confiança entre as partes.
Algumas das experiências disponíveis mostram bem até onde este conceito pode ir. Desde atividades como “ser sereia por um dia” - onde os participantes podem vestir uma cauda, aprender a nadar como sereia e até fazer sessões fotográficas temáticas - esculpir madeira com motosserras ou até criar joias com o próprio ADN, o Airbnb transforma atividades inesperadas em produtos turísticos. Existem também experiências como sessões onde se aprendem técnicas de sobrevivência em Porto Rico, como abrir cocos sem faca ou construir abrigos. Mais recentemente, a plataforma tem também apostado em experiências exclusivas e curadas, reforçando a ideia de que já não se trata apenas de viajar, mas de viver algo único e partilhável.
No meio de tantas opções, já quase parece normal encontrar atividades que nunca imaginaríamos experimentar… até começarmos a considerar seriamente fazer uma delas.
Por um lado, isto pode ser visto como uma forma de democratizar o acesso ao mercado, permitindo que qualquer pessoa monetize conhecimentos ou atividades. Por outro, também levanta algumas questões. Ao substituir intermediários tradicionais, como agências ou operadores turísticos, o Airbnb está a simplificar o processo… ou apenas a criar um novo tipo de dependência da plataforma?
Na minha opinião, este caso mostra como o marketing e o e-commerce estão cada vez mais ligados à criação de ecossistemas completos. O Airbnb já não vende apenas alojamento, vende uma experiência integrada, onde tudo acontece dentro da mesma plataforma.
Confesso que, ao ver algumas destas experiências na app, é fácil ficar com vontade de experimentar algo “diferente” e, no meio de tantas opções inesperadas, a ideia de passar um dia como sereia não parece assim tão descabida. Isto mostra bem como a plataforma não só intermedeia, mas também influencia o comportamento do consumidor.
No fundo, o Airbnb não vende casas nem experiências, vende acesso a pessoas.
E vocês, o que acham? Já experimentaram alguma destas experiências ou gostariam de experimentar alguma?
Fontes:
Olá!
ResponderEliminarNa minha opinião, o caso do Airbnb Experiences é um excelente exemplo de como as plataformas digitais estão a evoluir para ecossistemas completos de consumo. Já não se trata apenas de reservar um alojamento, mas de construir toda uma experiência em torno da viagem.
O mais interessante para mim é precisamente essa lógica de intermediação. O Airbnb não produz nada em si, mas consegue criar valor ao ligar pessoas e ao dar estrutura e confiança a essa ligação. Isso mostra bem como, no digital, o valor muitas vezes está na plataforma e não no produto físico.
Ainda assim, também acho que esta evolução levanta algumas questões. Ao centralizar tantas experiências numa única plataforma, o Airbnb ganha um poder muito grande sobre a forma como consumimos turismo e experiências. Isso pode ser positivo em termos de acessibilidade e conveniência, mas também pode criar uma certa dependência.
No geral, parece-me que estamos a caminhar para um modelo onde viajar deixa de ser apenas visitar lugares e passa a ser viver experiências muito específicas e curadas. E o Airbnb é claramente um dos principais responsáveis por essa mudança.