A mais recente iniciativa do Rock in Rio Lisboa é um excelente exemplo de evolução no valor de uma marca. A organização não se limitou a promover o seu cartaz musical e os seus palcos, como juntou também a possibilidade de o consumidor desfrutar da cidade. Através de uma rede que envolve 25 parceiros estratégicos ligados à cultura e ao lazer, quem tem ingresso para o evento passa a usufruir de descontos significativos (que chegam aos 50%) em atrações como o Oceanário de Lisboa, o MAAT ou o Quake — Museu do Terramoto. O festival transita assim de um produto focado puramente no entretenimento musical para uma proposta de diferenciação baseada na experiência alargada e integrada com o território, num claro exemplo de branding coletivo com a cidade.
Sabendo que cerca de 60% do público vem de fora da capital, a marca aplicou a estratégia "Torne-se Útil". Ao transformar o bilhete num passaporte de benefícios urbanos, o Rock in Rio adiciona valor real à sua oferta, uma vez que fornece uma ferramenta de conveniência que poupa tempo e trabalho ao participante no planeamento das suas atividades de lazer. Assim, mais do que ver uma banda, o festivaleiro constrói um roteiro pessoal e memorável, permitindo que este crie laços emocionais muito antes e depois dos dias dos concertos.
O impacto desta utilidade ganha ainda mais força quando chega às redes sociais. Ao publicar a sua visita a um espaço cultural através do festival, o utilizador não está apenas a publicitar as marcas envolvidas, está também a afirmar publicamente quem é e o que valoriza perante o seu grupo de amigos. Ao fazê-lo, o utilizador passa de uma transição imediata da passividade, os chamados Lurkers, para uma contribuição ativa através da criação espontânea de User-Generated Content (UGC). Com esta estratégia, o Rock in Rio prova que a publicidade atual mais eficaz é aquela que cria um ecossistema colaborativo. Ao atingir o expoente máximo do customer engagement, o festival transforma o consumidor no maior embaixador do evento e da própria cidade.
Boa noite Rita,
ResponderEliminarGostei bastante da tua publicação, parcialmente porque foi um tópico semelhante a um trabalho de grupo meu passado. Acho bastante interessante a mudança de estratégia por parte de festivais de música que, ao fazer frente a um futuro de viabilidade incerta, optam por atualizar a sua proposta de valor para algo mais de acordo com o público-alvo moderno. Como agora já não é suficiente fazer apenas uma coisa, o festival passa de um evento puramente musical para uma experiência transversal à música, ao turismo e à partilha. Adicionalmente, devido à importância dada à comunicação digital pelo consumidor moderno, ao partilhar as suas intenções em participar em eventos com amigos e seguidores, a publicidade ao festival pode criar um efeito bola de neve exponencial e tornar o festival numa autêntica sensação quase de um dia para o outro.