Como forma de iniciar a minha
participação no blog e celebrar o início do ano de 2023, acho interessante começar por
analisar os impactos que existiram no comércio eletrónico causados pela
pandemia. Parece uma realidade distante, mas prolongou-se por mais de 2 anos e
marcou a sociedade de forma inesperada.
Por tal, parece-me ser revelante ver o
que mudou no nosso país e na sociedade no geral bem como, analisar as
tendências para 2023.
O comércio eletrónio era já antes da pandemia a grande tendência e o bote salva-vidas de uma grande parte dos negócios. Os portugueses já recorriam ao online para comprarem e com um simples telemóvel faziam intermináveis pesquisas sobre qual o melhor produto e melhor relação preço-qualidade para que fizessem a melhor escolha possível e por tal, era já notória a importância desta nova tendência e o impacto que teria a médio-longo prazo.
Com a chegada da pandemia, o encerramento de centros comerciais e a “obrigação” de reduzir as interações sociais, o comércio eletrónico deu o seu maior pulo como forma de satisfazer as necessidades dos consumidores fechados em casa e dos comerciantes desesperados com os fracos resultados e a incerteza de data para a volta à normalidade.
Assim, as empresas – grandes, médias e pequenas – a nível mundial viram-se forçadas a adaptarem-se à situação e assim foi, no entanto, é interessante constatar que segundo artigo do Sapo, “cerca de 20% a 30% da transformação digital impulsionada pelos desafios colocados pela pandemia, tenham vindo para ficar” e por tal, efetivamente existe um "novo normal’’ e não um regresso à normalidade.
Esta tendência também se verificou em Portugal, já que segundo a SIBS em comunicado à Sapo, “o comércio digital representa agora, aproximadamente, 15% do total de compras pagas com meios eletrónicos. Antes da pandemia representava 9%. Destaque para o MB Way, tanto nos pagamentos com número de telemóvel, como na criação de cartões virtuais MB NET, que nos últimos meses cresceu duas a quatro vezes mais do que crescia antes da Covid-19.”
No que toca ao comércio eletrónico propriamente dito, segundo a Marktest, "mais de 56% dos portugueses já fazem compras online e que quase um terço (30%) faz compras na internet entre duas a três vezes por mês e uma vez por mês. Os mesmos dados revelavam ainda que 14,2% dos que fazem compras online já as fazem semanalmente."
No entanto, há quem defenda que as lojas físicas continuam a ser o espaço de eleição dos clientes pela possibilidade de contacto e de interação com outro ser humano, o qual é capaz de aconselhar e apoiar decisões de compra, tal como referido em entrevista pelo diretor comercial da Worten.
Porém, o fenómeno Glovo e Uber Eats, o qual praticamente não envolve interação humana, veio para ficar e segundo a empresa Glovo “nestes últimos dois anos vimos os hábitos dos portugueses alterarem por completo. Se já estávamos numa rota de crescimento desde que entrámos em Portugal, há pouco mais de 4 anos, e a converter de forma estável os hábitos de consumo, nos últimos dois anos vimos o consumo dos portugueses aumentar de forma mais acentuada”. No entanto, não é na entrega de comida onde a Glovo mais cresce, é na entrega de "quase tudo menos comida’’, levando a que empresas como a Uber Eats comecem a pensar em seguir o mesmo caminho.
Então, a meu ver, será que o consumidor dá assim tanto valor à interação humana, já que, mesmo num período pós-pandemia continuamos a verificar que a alimentação não é o bem mais encomendado pela internet, mas sim, eletrodomésticos, telemóveis e decoração? Ou será que o português se acomodou ao novo normal?
Olhando agora para o futuro, sabendo o impacto que o passado teve, devemos analisar as tendências para este novo ano.
Do meu ponto de vista, a aposta em comércio eletrónico e em estratégias omnicanal já não são uma opção mas sim uma necessidade, no entanto, a integração das redes sociais e do chamado “social commerce”, será a nova plataforma a adicionar à estratégia de omnicanal, já que é uma das tendências mais aclamadas até porque segundo o Statista, cerca de 724 mil milhões de dólares foram gerados em social commerce em 2022 e a estimativa é que esta tendência cresça mais de 30% até 2030.
Ainda, a aposta em live commerce é uma moda que nasceu com a pandemia e que se tem vindo a intensificar, sendo já fonte de receita para diversas empresas, aliás segundo a Marketshow, os carrinhos de compras podem chegar até valores superiores em mais de 20% ao valor captado pelas plataformas de e-commerce tradicionais.
Além disso, a relação do comércio eletrónico com a realidade aumentada e o metaverso provavelmente serão a aposta do futuro para diversas marcas como já é o caso da Nike.
Por fim, mas não menos importante, a relação com a sustentabilidade é também essencial e cada vez mais valorizada pelos consumidores, por isso, a aposta em produtos ecológicos, redução de plástico, etc. deverá – sendo que por algumas empresas já é - ser o próximo passo para atingir um novo público alvo e expandir as vendas.
Que mais tendências acham que podem existir? E com quais se relacionam mais?
Fontes usadas:
https://smartlinks.pt/5-tendencias-do-e-commerce-para-2023/
https://phcsoftware.com/business-at-speed/marketing-digital-em-2023-tendencias-e-oportunidades/