No dia 5 de março deste ano, Constança Bradell, uma jovem de 24 anos, usou a sua rede social Instagram para expor a sua situação e pedir ajuda. Constança sofre de uma doença rara, Fibrose Quística, que tem tido efeitos devastadores na sua vida, e que, apesar de existir um tratamento, através do medicamento Kaftrio/Trikafta, este não se encontra disponível em Portugal e o Infarmed continuava em negociações intermináveis, sem fim à vista. A jovem explicou ainda que já tinha tentado de tudo para que a sua situação fosse ouvida e para que algo fosse feito rapidamente para que ela (e outros pacientes portugueses da doença) pudessem ter acesso ao medicamento em questão.
Este seu post gerou imediatamente reações vindas de todos os
lados. Lembro-me que mal vi a primeira partilha do post da Constança, não
consegui ficar indiferente e partilhei também (não sabendo o que mais podia
fazer para ajudar) e rapidamente me apercebi do alcance que aquele post viria a
ter, com a partilha de inúmeras pessoas influentes, como atrizes, apresentadores,
músicos, entre outros, que demonstraram a sua vontade de ajudar e que tiveram
um papel fundamental na disseminação da informação.
Hoje, passados apenas cindo dias desde o post da Constança, saiu
a notícia de que o Infarmed aprovou 14 pedidos para tratamento da fibrose
quística, entre eles o pedido da Constança.
Este é um exemplo claro do poder das redes sociais e do quanto nós podemos e devemos usá-las como um meio para atingir um fim tão importante, como o deste caso relatado. A Constança Bradell tentou sozinha, durante muito tempo, que lhe fosse permitido o pedido de tratamento – “enviei várias cartas a inúmeras figuras políticas do país e também para a farmacêutica em questão” – sem que nada tivesse surtido efeito. Com apenas um post numa rede social, passados cindo dias viu o seu pedido aprovado.
Foi também com a dimensão espetacular que o post atingiu, que a Constança se apercebeu de quantas pessoas estavam dispostas a ajudar e criou, há três dias, uma campanha de angariação de fundos para conseguir pagar o tratamento, sendo que cada caixa do medicamento custa 15700€ e são necessárias, no mínimo, doze caixas. Neste momento, o dinheiro arrecadado já ultrapassa largamente a meta proposta.
E, vocês têm por hábito partilhar posts deste caráter?
Reconhecem que a vossa partilha pode ter um impacto gigante, que pode salvar
vidas (atrevo-me a dizer)? Ou costumam ignorar por acharem que não iria fazer
diferença?