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domingo, 2 de junho de 2019

#FyreFraud

Se ainda não ouviram falar sobre o festival mais polémico dos últimos anos então esta é a grande oportunidade!

De forma muito resumida e com muito poucos spoilers, imaginem um festival numa ilha paradisíaca, recheado de modelos e celebridades, comida gourmet e luxuosas villas. Agora imaginem chegar ao evento e depararem-se com colchões encharcados, comida de avião, sem eletricidade e sem infraestruturas preparadas para o receber.
Conseguem imaginar? Pois, milhares de pessoas viveram esse pesadelo naquela que foi considerada uma das maiores fraudes do ano 2017, o Fyre Festival.

Foi em 2016 em plena Web Summit que Billy McFarland e Ja Rule anunciaram a realização de um festival que iria acontecer numa ilha paradísica, antiga propriedade de Pablo Escobar, o Fyre Festival. Inicialmente, o festival foi concebido para promover a aplicação da marca, a Fyre App, uma plataforma desenvolvida para possibilitar maior acessibilidade no processo de contratação de artistas para eventos.

Para Billy McFarland, o fundador e CEO de Fyre Media, fazia sentido investir numa forte promoção do evento, o que conduziu à contratação de inúmeras modelos para fazerem parte do anúncio original, no sentido de criar a ideia de uma experiência única e imperdível, com cenários paradisíacos e acompanhados das mulheres mais bonitas do momento.

Em paralelo com a divulgação do vídeo promocional, o Instagram foi inundado com quadrados laranja associados ao hashtag #fyrefestival. Partilhado por conhecidos influencers por todo o mundo, esta imagem icónica despertou o interesse de milhares de consumidores.

Pela sua forte presença nas redes sociais, apenas 48h após a abertura da bilheteria, os bilhetes milionários (preços entre 400 e 1200 dólares) para o evento já estavam esgotados. Contudo, apesar da intensa divulgação e partilha de vídeos e imagens alusivas ao festival, esta estratégia de marketing ocorreu antes do festival começar a ter um planeamento sólido e organização estruturada

Contrariamente ao plano de marketing e comunicação extremamente bem estruturados e delineados, o plano de organização seguiu um caminho totalmente distinto e dias antes do evento ter lugar não havia infraestruturas preparadas para receber os festivaleiros nem estavam asseguradas as condições para o evento decorrer nos tramites anunciados.

Na verdade, o festival foi criado unicamente pelas redes sociais mas também foi destruído pelas mesmas, uma vez que mal os festivaleiros se a perceberam que nada do que tinha sido prometido ia ser cumprido, começaram os primeiros tweets e a partilha das primeiras imagens que mostravam as condições deploráveis em que se encontravam. Colchões encharcados, comida de avião e sem condições sanitárias.

Este desfecho permite refletir que apesar de toda a orquestra digital ter funcionado de forma exemplar, o grande problema surge porque o evento não proporcionou a experiência vendida. Este é um exemplo perfeito para perceber quais as consequências da falta de sintonia entre os vários departamentos, nomeadamente o marketing e as outras vertentes do negócio.
Não obstante de toda polémica envolvente, este caso permitiu validar a ideia de que o marketing digital se for estrategicamente utilizado, é e deve ser um pilar para impulsionar e divulgar qualquer negócio ou evento, uma vez que permite alcançar e influenciar um grande número de pessoas.
Contudo, é importante compreender que o marketing digital isoladamente é apenas uma ferramenta e deve sim ser vista como parte integrante de um diversificado leque de departamentos que em conjunto permitem o sucesso de um negócio, evento e/ou organização.

E vocês? O que fariam de diferente para evitar este final trágico?

Fontes:

sábado, 18 de maio de 2019

Podia ser mais um post sobre o Game of Thrones, mas...

... não é!

É sobre a forma como a Shutterstock, gigante dos bancos de fotografias, vídeos e músicas para profissionais criativos, aproveita com um tom humorado e no momento certo, os temas que estão "na berra" entre os internautas para se promover.

Como outras marcas, aproveitou o enorme impacto da série Game of Thrones junto dos fãs, e não só: o último episódio revelará já amanhã, nos EUA, quem conquistará finalmente o Iron Throne, mas se esta é uma questão importante e com enorme simbolismo para os fãs da série, que viram muitas cabeças rebolar e sangue ser derramado à custa desta conquista, para aqueles que nunca a viram é, provavelmente, um assunto exageradamente debatido.

E é exatamente essa a premissa da recente campanha da marca: existem cadeiras suficientes no mundo, e no catálogo de imagens do site, que não justificam uma carnificina por causa de um trono:

Nobody has to lose their head

Antes ainda desta paródia, a Shutterstock aproveitou da mesma forma o "flop" do Fyre Festival, o evento de luxo nas Bahamas que gastou imenso dinheiro numa campanha falsa com modelos profissionais, uma ilha particular e uma equipa de filmagem e que acabou por não acontecer, deixando muitos empresários locais endividados.

O filme da marca é muito semelhante ao original mas demorou apenas um dia a produzir, foi feito com filmes e música do catálogo, custou 2100$ (uma pequena fração do que se estima que o filme original tenha custado) e em vez de um festival, promete o acesso a recursos impressionantes sem gastar muito dinheiro:

Be on Fyre

Ambos os exemplos fazem parte da campanha "It’s Not Stock, It’s Shutterstock”, que pretende simultaneamente inspirar a criatividade e destacar a quantidade e qualidade de recursos fotográficos, audio e vídeo que a marca tem disponíveis.

Fontes:
https://www.b9.com.br/108268/novo-comercial-da-shutterstock-faz-piada-com-o-trono-de-ferro-de-game-of-thrones/
https://www.b9.com.br/103047/shutterstock-recria-a-campanha-do-fyre-festival-usando-apenas-imagens-do-seu-acervo/?highlight=shutterstock