quinta-feira, 3 de abril de 2025

Nike: Mais do que sapatilhas, um estilo de vida

 Se há uma marca que vende motivação, estilo de vida e superação, além dos seus produtos, essa marca é a Nike.

Assim, o slogan da Nike - “Just Do It” - não fala de produtos, mas sim de ação e motivação, logo faz com que a marca simbolize esforço e sucesso, criando conexões emocionais com os consumidores.

Além disto, a Nike não contrata apenas influenciadores, mas constrói narrativas com grandes nomes do desporto. Michael Jordan e Cristiano Ronaldo são exemplos de atletas que não só usam Nike, mas também incorporam a mentalidade da marca. Também o facto de fazer parcerias com artistas, como o Travis Scott, transforma os seus produtos ainda mais desejados, criando uma sensação de exclusividade e aumentando a procura.


A Nike também investe em inovação e na melhoria da experiência dos utilizadores. Um exemplo disto é a plataforma Nike By You, que permite personalizar sapatilhas.

Outro grande trunfo da Nike no marketing digital é o Nike+ Run Club (NRC), uma aplicação que vai mais além de apenas registar corridas dos clientes, ou seja, cria uma comunidade de corredores. Também oferece treinos personalizados e desafios interativos, fazendo com que os utilizadores se conectem com treinadores e também atletas profissionais, vendendo aos consumidores um estilo de vida ativo e motivador. No Nike+ Run Club também está presente o gamification, algo que faz com que os utilizadores fiquem mais engaged com a marca, incentivado assim a determinação e consistência nos treinos, através de desafios, estatísticas da sua performance e também recompensas digitais.



Desta forma, este tipo de estratégia fortalece a lealdade à marca, criando uma relação duradoura com os consumidores. A Nike criou uma comunidade e os consumidores querem fazer parte dela.

E vocês, acreditam que outras marcas também poderiam adotar esta estratégia de transformar os seus clientes em membros de uma comunidade?


quarta-feira, 2 de abril de 2025

ChatGPT e o Estilo Ghibli: Criatividade ou Apropriação Indevida

A ferramenta Chatgpt tem na sua base o recurso à tecnologia de ponta Inteligência Artificial. Até ao momento cada um de nós (enquanto utilizador) pode fazer perguntas a este chat boot e receber on time a respetiva resposta, o mais completa e detalhada possível, via texto, imagens ou voz. Com o passar dos tempos, e das atualizações, verificou-se a opção do Chatgpt gerar imagens através da Inteligência Artificial, no entanto esta possibilidade não é totalmente isenta, pois por motivos de RGPD (Regulamento Geral da Proteção de Dados) esta gestão pode não ser totalmente efetiva.

Contudo, apesar do indicado, nada foi impedimento para que a ferramenta em causa apresentasse uma nova atualização na versão paga, na passada quarta-feira (26 de marco). Segundo o Jornal Sic Notícias (2025) é agora possível “produzir uma imagem inspirada no estilo do famoso criador de filmes de animação japonês Studio Ghibli sem acordo de licenciamento, o que reacende o debate sobre a utilização de conteúdos para desenvolver este software.”

Reação dos Criadores

Quem não ficou agradado com o sucedido foi o japonês Hayao Miyazaki (cofundador do Studio Ghibli), que já em 2016 havia prestado declarações no sentido de não compactuar com os trabalhos virtuais gerados através de Inteligência Artificial, segundo Mouriquand (2025). E, após o lançamento na nova atualização no Chatgpt o mesmo veio dizer que: “Nunca teria a ideia de integrar esta tecnologia no meu trabalho. Sinceramente, acho que é um insulto à própria vida”, perante o Jornal Sic Notícias (2025).

Atitude do Diretor Executivo da Open AI:

Na rede social X, Sam Altman (Ceo e Diretor Executivo da Open AI no Chatgpt) escreveu segundo o Jornal Sic Notícias (2025) em resposta às críticas, relativas à questão da proteção dos dados não estar a ser respeitada. “As imagens no ChatGPT são muito mais procuradas do que imaginávamos (e tínhamos grandes expectativas). (...) O nosso objetivo é oferecer aos utilizadores o máximo de liberdade criativa possível”.

Sam após o lançamento da novidade ao estilo Ghibli decidiu transformar “ seu perfil na plataforma de redes sociais X num retrato ao estilo Ghibli.”, de acordo com Mouriquand (2025). Posto isto, Miyazaki levantou a questão: “Bem, eles têm uma licença ou permissão para fazer esse treino ou não'?" segundo Mouriquand (2025).

Reação Negativa de Internautas
Perante Marketeer (2025), o McDonald’s México também aderiu a esta tendência contudo foi alvo de críticas após publicar nas redes sociais imagens ao estilo característico dos filmes do Studio Ghibli, geradas através de AI. Posto isto, Miyazaki levantou a questão: “Bem, eles têm uma licença ou permissão para fazer esse treino ou não'?" segundo Mouriquand (2025).
A estratégia de comunicação de marketing desta cadeia de fast food foi alvo de críticas, tendo sido acusada pelos utilizadores digitais por tentativa de “apropriação artística sem permissão.”, segundo Marketeer (2025). 

Reação Positiva de Internautas
Tudo isto gerou grande adesão nas redes, por parte dos internautas que consideraram o feito algo divertido tendo aderido rapidamente à atualização. Esta nova atualização foi tida, de acordo com Mouriquand (2025), como: "Hoje é um grande dia para a Internet", declarou um utilizador ao partilhar memes populares no formato Ghibli.”.


McDonald´s México e a tendência do estilo Ghibli. Fonte: Facebook (2025)




Não só utilizadores de redes sociais anônimos aderiram à moda de utilizarem imagens ao estilo Ghibli. Um exemplo disto, segundo Mouriquand (2025), foi a a administração de Trump ter usado a conta oficial X da Casa Branca ter publicado a imagem chorosa de uma figura feminina defensora da República Dominicana, após detida por agentes de imigração dos Estados Unidos.


domingo, 30 de março de 2025

Diferenças na Comunicação Visual: caso prático da IKEA na China vs Suécia

 


    A IKEA é reconhecida internacionalmente pelo comércio de mobiliário e peças de decoração, pelo seu estilo nórdico que reflete suas raízes suecas e por se encontrar presente em mais de 60 países. A marca será utilizada como base para analisar como empresas internacionais adaptam as suas estratégias de comunicação para atrair diferentes públicos ao redor do mundo.

    No que concerne a comunicação visual digital são observáveis diferenças entre a estratégia da IKEA na China e no seu país de origem, a Suécia, para a comparação iremos utilizar a página da IKEA na Weibo (uma rede social chinesa) e a página sueca de Instagram.

Exemplo ilustrativo de uma publicação da IKEA China na sua página do Weibo, na sua versão original e traduzida para português

    Por um lado, na sua comunicação em imagens, a IKEA China foca em imagens de produtos isolados, raramente incluindo pessoas, sendo acompanhados, tanto de texto explicativo como frases promocionais, porém uma diferença ainda mais curiosa é a inclusão do preço sempre que há a alusão aos produtos, como se pode ver na publicação. Esta estratégia pode tentar atrair diretamente o consumidor através de informações claras e objetivas. (Exemplo ilustrativo de uma publicação da IKEA China na sua página do Weibo, na sua versão original e traduzida para português)

Por outro lado, a página sueca da IKEA apresenta na sua larga maioria um conceito de espaço com uma combinação de produtos vendidos pela marca, sem destacar items específicos, para além disso não existe nem texto nem preços na comunicação digital da marca na Suécia. Isso reflete uma estratégia mais focada na inspiração e na experiência do consumidor, mais alinhada ao estilo de vida sueco (Exemplo ilustrativo de umpublicação da IKEA Suécia na sua página de Instagram)

Links:

IKEA Sverige - Instagram [@ikeasverige]

宜家家居IKEA - Weibo [@ikea]


O Marketing que não deixa nenhum desvio passar em branco

Quem diria que um evento político em Portugal, envolvendo um deputado e um conjunto de malas, se transformaria numa excelente oportunidade de marketing para várias marcas? 

A situação ganhou ainda mais visibilidade quando o caso de Miguel Arruda e as suas “malas” se tornou um verdadeiro meme nas redes sociais, gerando uma série de reações divertidas e irreverentes. Entre as marcas que souberam tirar proveito do acontecimento, o Licor Beirão destacou-se pela sua abordagem criativa e repleta de humor.



Aproveitando a confusão gerada pela situação das malas, a marca lançou uma campanha bem-humorada, com um trocadilho divertido. Conhecida como uma das marcas mais queridas em Portugal, publicou nas suas redes sociais uma imagem de uma mala de viagem coberta com autocolantes, com a legenda: "Chega de desvios!". A frase rapidamente foi interpretada pelo público como uma referência à situação que envolvia o deputado e as malas suspeitas e, ao mesmo tempo, está subjacente uma crítica aos desvios que se tornaram um tema central nos debates mediáticos.

Tal como em diversas outras situações, a marca soube captar a essência do momento, utilizando o seu tom divertido e descontraído para se associar a um tema atual e de grande impacto na comunidade online. O uso de uma mensagem simples, mas eficaz, gerou muitas interações e partilhas entre os utilizadores, amplificando a visibilidade da marca de forma orgânica.

O marketing humorístico tem sido uma das estratégias mais eficazes no mundo digital, e a campanha do Licor Beirão é um exemplo perfeito disso. Aproveitar uma situação viral para se conectar com o público de forma leve e divertida tem o potencial de gerar grandes resultados. Ao usar um tema de relevância nacional e ao mesmo tempo inserir o seu produto no contexto da conversa, a marca não só conseguiu potenciar o engagement nas suas plataformas, mas também reforçar a sua imagem como uma marca que está atenta às tendências culturais.

Mas não, não foi só o Licor beirão que brincou com o tema das "malas". 

Várias outras marcas também souberam explorar a situação com criatividade. Peixaria Silveira, por exemplo, usou a imagem de um funcionário a carregar uma mala, com a legenda: "Mala-andros", sugerindo o trocadilho com "malandros". Já a Feliciano Créditos & Seguros aproveitou a situação para promover os seus serviços de seguro de bagagens: "Chega de se preocupar com a sua bagagem.Saiba como pode assegurar a sua bagagem de porão".












Embora as abordagens tenham sido diferentes, o objetivo comum foi aproveitar o momento para se conectarem com o público de forma humorística, mas também relevante. Enquanto a Peixaria Silveira utiliza um trocadilho simples e direto, dando ênfase à sua capacidade de brincar com a situação e gerar risos, a Feliciano Créditos & Seguros adota uma abordagem mais séria, ainda que com um toque de humor, para promover o seu serviço de seguro que, no contexto da situação, fazia todo o sentido.

O que têm estas marcas em comum? A capacidade de se adaptar rapidamente a um acontecimento viral e integrar o humor nas suas campanhas de forma eficaz, criando uma conexão mais profunda com o público. 

Este tipo de marketing demonstra como as marcas podem ser rápidas a reagir a temas atuais, aproveitando o momento de forma inteligente para reforçar a sua presença junto do público. Além disso, são prova de que o humor, quando bem doseado, pode ser uma ferramenta poderosa para atingir notoriedade e engagement. E neste caso, estas marcas souberam usá-lo na perfeição.


Fontes:

https://visao.pt/atualidade/sociedade/2025-01-23-os-memes-e-piadas-sobre-o-caso-do-deputado-das-malas-que-estao-a-animar-a-internet/#&gid=0&pid=1

https://www.noticiasaominuto.com/pais/2713168/empresas-brincam-com-matriosca-de-malas-de-deputado-chega-de-desvios

https://www.instagram.com/licor_beirao/



sexta-feira, 28 de março de 2025

Polène Entra no Mundo LV—Adeus preços acessíveis?

Polène: Da Elegância Minimalista ao Império Louis Vuitton

Polène é uma marca francesa de luxo conhecida pelo seu design minimalista, elegância discreta e qualidade artesanal. Fundada em 2016 pelos irmãos Mothay, a marca rapidamente conquistou um público fiel graças aos seus modelos sofisticados e a preços relativamente acessíveis (dentro do mercado de luxo), como o icónico Numéro Un. O seu sucesso baseava-se na combinação perfeita entre um design intemporal e um posicionamento mais acessível, tornando-se uma referência para quem procurava peças exclusivas sem os preços exorbitantes das grandes casas de moda.

No entanto, a Polène deu um passo gigante no mundo do luxo ao ser adquirida pelo grupo LVMH (o grupo adquiriu uma participação minoritária),  o maior conglomerado de luxo do mundo. Esta aquisição faz parte da estratégia da LVMH para expandir o seu portfólio e reforçar a presença em marcas direcionadas a um público mais jovem e moderno.

Com esta mudança, chegou também uma consequência inevitável: o aumento dos preços. Os modelos da Polène, que antes eram vistos como uma alternativa de luxo mais acessível, já começaram a sofrer reajustes nos valores, refletindo a nova gestão sob a LVMH. Esta transição levanta questões sobre o futuro da marca: conseguirá a Polène manter a sua identidade original ou será completamente integrada no universo Louis Vuitton?

Do Luxo Acessível ao Exclusivo

A compra pelo grupo veio confirmar uma tendência que já se verifica há anos no mundo da moda e do luxo: sempre que uma marca independente é adquirida por um gigante da indústria, os preços sobem. Mas porque é que isto acontece?

Quando uma marca como a Polène entra para um grupo como a LVMH, ela passa a integrar uma nova estratégia de mercado. Se antes o objetivo era oferecer luxo a preços mais acessíveis, agora a prioridade passa a ser a exclusividade, a valorização da marca e a maximização dos lucros. Isto reflete-se em várias mudanças:

  • Reposicionamento da marca – Deixa de ser uma alternativa mais acessível e passa a competir com outras marcas de luxo consolidadas.

  • Aumento na perceção de exclusividade – Preços mais altos criam uma barreira de entrada para consumidores ocasionais e reforçam a ideia de prestígio.

  • Padronização dentro do grupo – A Polène passa a seguir as estratégias da LVMH, que historicamente aposta na subida de preços para fortalecer as suas marcas.

A questão que fica é: será que esta estratégia compensa a longo prazo? Embora um aumento de preços possa elevar o estatuto da marca, também pode afastar os consumidores que a apoiaram desde o início. No caso da Polène, resta saber se a marca conseguirá manter o equilíbrio entre exclusividade e fidelidade ao seu público original.


Bernard Arnault: The Wolf In Cashemere

Bernard Arnault, presidente e CEO da LVMH, é conhecido pelas suas movimentações estratégicas no universo dos negócios. Recentemente, confirmou a aquisição de uma participação minoritária no grupo Richemont, proprietário da Cartier, referindo tratar-se de um pequeno investimento e garantindo que não pretende interferir na gestão da empresa. No entanto, esta não é a primeira vez que Arnault adota esta abordagem.

Em 2007, em parceria com a Colony Capital, adquiriu 9,8% do capital da Carrefour, maior retalhista europeu na altura, alegando que o objetivo era colaborar com o principal acionista da empresa (recentemente vendeu a sua participação). Mas nem sempre estas participações minoritárias são tão inofensivas.

Um dos exemplos mais marcantes da sua estratégia ocorreu em 1988, quando Arnault adquiriu uma participação inicial de 24% na LVMH. Através de aquisições subsequentes, aumentou gradualmente a sua posição, atingindo 43,5% das ações e 35% dos direitos de voto, permitindo-lhe assumir o controlo da empresa e ser eleito presidente do conselho de administração em janeiro de 1989.

Estes casos mostram que, embora uma participação minoritária possa parecer um investimento passivo, nas mãos de um estratega como Arnault, pode ser apenas o primeiro passo para obter influência ou até mesmo controlo futuro sobre a empresa. A sua abordagem cuidadosa e calculada prova que, no mundo dos negócios de luxo, nada é deixado ao acaso.


O Futuro do Luxo: Exclusividade ou Exagero?

A compra da Polène pela LVMH e o consequente aumento de preços mostram uma tendência cada vez mais comum no mundo do luxo: marcas acessíveis a tornarem-se cada vez mais exclusivas. Para alguns, isto significa mais prestígio e qualidade; para outros, é apenas mais uma barreira de entrada.

Bernard Arnault continua a provar que, no setor do luxo, cada movimento estratégico conta, e mesmo pequenas participações podem significar grandes mudanças no futuro.

No fim, a pergunta mantém-se: o luxo está a evoluir ou simplesmente a afastar-se do público que o ajudou a crescer?

Fontes: https://www.nssmag.com/en/fashion/37879/lvmh-bernard-arnault-investment-polene

https://euro.polene-paris.com/?utm_campaign=SEARCH_EU_Marque&utm_source=google&utm_medium=cpc&utm_id=918154555_169862944060_717640861185&gad_source=1&gbraid=0AAAAADP65syhjKQ6ViSyWxVANr7nBoSIq&gclid=Cj0KCQjwkZm_BhDrARIsAAEbX1EQPSE4VNdfqwJoDoy-KFcE86u22_Ezm_aphfAUIJeyUVbEGu_4xPMaAp3xEALw_wcB

https://forbes.com.br/forbes-money/2021/09/bilionario-bernard-arnault-vende-participacao-no-carrefour-apos-14-anos/

https://www.voguebusiness.com/story/companies/bernard-arnaults-stake-in-richemont-why-it-matters