sábado, 5 de abril de 2025

Ozempic: Do Tiktok ao Mercado Negro

 Nos últimos tempos a forma como um produto se torna viral mudou completamente. Meios digitais, como o Tiktok, têm o poder de transformar um produto comum num fenómeno global. E foi exatamente isso que aconteceu com o Ozempic, um medicamento que contém semaglutido, prescrito pelos médicos, para o tratamento de adultos com diabetes do tipo 2.

Sendo o Tiktok o ponto de partida, influencers e utilizadores começaram a partilhar as suas experiências com o Ozempic como uma nova "arma" de emagrecimento. Sem campanhas publicitárias, o medicamento tornou-se viral apenas com testemunhos pessoais, um exemplo claro de UGC (User Generated Content).

Mas este sucesso repentino teve um custo. A procura aumentou exponencialmente e o Ozempic começou a faltar nas farmácias. O que era um medicamento prescrito passou a ser procurado por pessoas sem qualquer indicação médica, movidas apenas com a vontade de emagrecer rapidamente.

Surgiu então um novo problema: a escassez do produto para quem realmente precisa. Trabalho numa farmácia e posso afirmar que, diariamente, tenho de dizer: “Não temos. O produto está esgotado e não temos previsão de entrega”.

Assim, começou a surgir a venda de Ozempic no mercado negro, onde não existe a necessidade de apresentação de receita médica, não há garantia da conservação correta do medicamento e, mais preocupante de tudo, onde se coloca em risco a saúde pública. Tal pode ser visto na reportagem feita pelo Repórter Sábado que se infiltrou neste meio para expor a gravidade da situação.

Reportagem Repórter Sábado:

https://www.sabado.pt/video/detalhe/o-mercado-negro-da-venda-de-ozempic-veja-o-reporter-sabado-na-integra

 

Este caso não só mostra como um produto se pode tornar famoso sem qualquer investimento publicitário, como também os riscos dos conteúdos partilhados de forma descontrolada. Quando um consumidor é influenciado por conteúdos digitais sem contexto clínico, há potencial para a desinformação e práticas ilegais.

O que acham que poderia ser feito neste tipo de situações? Maior literacia de saúde através dos mesmos meios? Ou será que as próprias plataformas digitais deveriam ter um papel mais ativo para evitar estes problemas?


Fontes:

https://www.deco.proteste.pt/saude/medicamentos/noticias/ozempic-para-serve-quem-destina

https://sicnoticias.pt/programas/investigacao-sic/2025-04-02-video-corrida-ao-ozempic-loucura-pelo-medicamento-usado-para-emagrecer-chegou-ao-mercado-negro-89b2c810

https://sicnoticias.pt/saude-e-bem-estar/2025-01-17-ozempic-infarmed-avanca-com-auditorias-a-todo-o-circuito-do-antidiabetico-b0647d7b


sexta-feira, 4 de abril de 2025

Água Saratoga ou Ashton Hall? Quem Realmente Ganhou com a Rotina Viral?

Nos últimos meses, a rotina matinal de Ashton Hall, um influencer de fitness, ganhou uma notoriedade surpreendente nas redes sociais. Ao partilhar o seu vídeo matinal, onde começa o dia às 3h52, Ashton provocou uma onda de curiosidade e até alguma controvérsia. O vídeo acumulou milhões de visualizações e, mais do que isso, fez com que muitos tentassem replicar a sua rotina. O ponto mais fascinante nesta história? O verdadeiro vencedor não é apenas o influencer, mas sim uma marca aparentemente secundária: Saratoga Spring Water.



A Rotina que Captou a Atenção de Milhões

Ashton Hall mostrou uma rotina matinal que, para muitos, pareceu inacessível e quase irreal. Desde o uso de fita adesiva na boca para evitar a respiração oral durante o sono até ao mergulho do rosto numa tigela de água com gelo, a rotina foi desenhada para ser diferente, excêntrica e claramente memorável. Mas, para além da excentricidade, havia uma estratégia por detrás disso: manter as pessoas a falar.

Ele conseguiu, através de uma série de ações muito específicas, cativar milhões de visualizações. E não foram apenas as visualizações que subiram. O debate e as tentativas de replicar partes dessa rotina multiplicaram-se nas redes sociais. As hashtags ligadas a “rotina matinal” dispararam, e a atenção ao conteúdo de Ashton tornou-se exponencial.

              

A Publicidade Oculta: Saratoga Spring Water

Embora o público estivesse focado na loucura das rotinas diárias, poucos perceberam o verdadeiro trunfo por detrás desta campanha de marketing – Saratoga Spring Water. Logo nas primeiras horas da manhã, Ashton faz questão de mencionar o gargarejo com água da fonte de Saratoga, uma marca de água premium conhecida pela sua pureza. Esta referência aparentemente casual tornou-se, no fundo, um dos pontos mais poderosos da sua rotina.

Muitas vezes, a melhor publicidade é aquela que não parece publicidade. Ao integrar a Saratoga Spring Water de forma natural na sua rotina, Ashton conseguiu associar a marca a uma vida saudável, disciplinada e de alta performance. O público, ao replicar partes da rotina de Ashton, começou a notar a presença desta água premium. Não é por acaso que, nas semanas após o vídeo se tornar viral, as pesquisas sobre a marca aumentaram e a Saratoga começou a surgir nas redes sociais como uma escolha para aqueles que queriam elevar as suas próprias rotinas matinais.

                                                                                                     

Quando o Marketing é Sobre Narrativa

O que torna esta campanha realmente notável é a forma como foi construído um “storytelling” em torno da Saratoga. Não houve anúncios explícitos, nem posts patrocinados tradicionais. Em vez disso, Ashton criou uma narrativa em que a Saratoga Spring Water era parte essencial de uma rotina que aspirava a algo maior: disciplina, frescura e bem-estar.

Esta abordagem de marketing, onde o produto se torna um elemento integrante da história de uma figura pública, permite que a mensagem chegue a um público muito mais amplo e com uma ressonância mais profunda. As pessoas não estavam apenas a ver um influencer recomendar um produto. Elas estavam a ver um influencer viver o produto, tornando-o parte da sua identidade.


O Efeito Viral e a Estratégia para Marcas

No fim, o que Ashton Hall fez foi criar uma estratégia de marketing vencedora para si e para a Saratoga Spring Water. A sua rotina matinal, embora exagerada e, para muitos, irrealista, tornou-se viral porque era única e facilmente partilhável. No entanto, o verdadeiro sucesso está na forma como conseguiu capitalizar na sua influência, trazendo uma marca consigo no processo.

Este exemplo serve como uma poderosa lição de marketing para marcas que querem alcançar audiências de forma autêntica e revolucionária. A chave está em integrar o produto numa narrativa real e impactante, de forma subtil e eficaz.

La Casa de Papel: O Assalto ao Digital que Conquistou o Mundo

A série da Netflix foi muito além do ecrã e tornou-se um dos maiores fenómenos culturais da era digital. 


Mas como é que uma história sobre ladrões de macacão vermelho e máscaras de Salvador Dalí conseguiu invadir o marketing e a comunicação das marcas pelo mundo fora?





A resposta está na estratégia certeira entre os meios online push e os meios online pull. Por um lado, a Netflix apostou fortemente em anúncios pagos, campanhas patrocinadas, trailers impactantes e qualquer outro formato que "empurrasse" a mensagem para o consumidor, muitas vezes sem que o próprio tenha solicitado, com o intuito de garantir que ninguém passava ao lado da série.

No entanto, o verdadeiro golpe de mestre veio do próprio público: a narrativa intensa, as personagens e os símbolos marcantes como "Bella  Ciao" tornaram -se virais, criando assim uma onda de fãs que espalharam rapidamente a mensagem por toda a internet.



Para ser honesta, quando a série foi lançada e ao ver tantas pessoas a falarem sobre a mesma, fiquei logo com aquela vontade de ver o mais rápido possível. Lembro-me também de, com uma colega de praxe, termos decidido vestir os fatos inspirados em "La Casa de Papel" para pedir a uma outra colega nossa para ser a nossa madrinha. Como o nome de praxe dela era "Tokyo", achámos que fazia todo o sentido representar a nossa família de praxe com esses fatos, e a partir daí, os nossos nomes também passaram a ser inspirados nas personagens da série. Foi uma maneira divertida de fazer o pedido, entrando assim no clima da série!!!



               



A febre foi tão grande que determinadas marcas e empresas entraram no jogo. De playlists inspiradas nos assaltantes no Spotify, coleções de roupa com o famoso fato vermelho e a máscara de Dalí, fatos para manifestações a claques de futebol, a série deixou de ser apenas um entretenimento para se tornar numa poderosa estratégia do digital.




Como tal, a estratégia utilizada em "La Casa de Papel" para conquistar o público e tornar-se um fenómeno cultural também pode ser vista na nova minisérie  "Adolescence". A minissérie britânica, disponível na Netflix desde março, conseguiu rapidamente captar a atenção de forma geral ao abordar temas urgentes e controversos sobre o impacto das redes sociais na juventude. 


Por outro lado, os meios pull baseiam-se na atração natural do consumidor, incentivando-o a procurar a marca de forma espontânea e desejada.

Embora os meios online push possam gerar resultados rápidos e impulsionar campanhas específicas, os meios online pull criam um relacionamento mais sólido e de longo prazo com o consumidor. O ideal para muitas marcas é combinar ambas as estratégias de forma equilibrada, garantindo que as mensagens chegam ao público certo, no momento certo, sem gerar cansaço ou qualquer tipo de rejeição.


E vocês, qual é que acham que é o golpe de mestre no digital: utilizar meios online push ou meios online pull?


https://rockcontent.com/br/blog/push-pull-marketing/

https://dimitrivieira.com/la-casa-de-papel-marketing-e-storytelling/

https://www.linkedin.com/pulse/la-casa-de-papel-e-o-poder-da-comunica%C3%A7%C3%A3o-diana-vidigal/

https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DX44eggCvVygr

https://mailchimp.com/pt-br/resources/push-vs-pull-marketing/

la casa de papel

Realidade Aumentada no E-Commerce: Os Óculos Virtuais

Como todos vocês já sabem, a realidade aumentada está a transformar drásticamente o comércio eletrónico, acabando por oferecer experiências cada vez mais personalizadas e imersivas aos consumidores.

Empresas como Firmoo, Warby Parker e Ray-Ban adotaram sistemas inovadores de realidade aumentada permitindo a todos os clientes experimentar os modelos de óculos virtualmente através da câmara dos telemóveis ou até mesmo do computador. Estes sistemas permitem detectar a estrutura do rosto de cada utilizador de forma a aplicar com precisão o modelo escolhido, simulando fielmente o tamanho e o estilo de cada óculo.


                                                            


Esta tecnologia permite uma pré-visualização extremamente realista, o que aumenta significativamente a confiança na compra e diminui possíveis dúvidas relativamente a todo este processo de compra online sem saírem do seu conforto.

Além da conveniência, os dados mostram que este tipo de ferramentas têm um impacto direto nos resultados das marcas. Segundo Tudonumclic, a introdução da realidade aumentada no e-commerce apresenta vários benefícios como: o aumento das taxas de conversão, redução nas devoluções, aumento da fidelização e envolvimento dos clientes e diferenciação da concorrência.

Para além disto, algumas plataformas também estão a integrar a inteligência artificial, que, combinada com a realidade aumentada, pode sugerir modelos personalizados com base no formato do rosto ou até no histórico de preferências do utilizador. Isto torna a experiência não só interativa, mas também inteligente, o que possibilita o aumento de vendas e, simultaneamente, a satisfação dos clientes.

Tal como o Simulador Virtual da L’Oréal transformou a maquilhagem online numa experiência tangível, os óculos virtuais não ficam atrás nesta revolução digital, democratizando assim o acesso a experiências personalizadas, mesmo para quem está a comprar a partir de casa.


Fontes:

https://www.warbyparker.com/

https://www.firmoo.pt/discount-glasses.html

https://www.ray-ban.com/portugal/sunglasses/RB2197elliot-preto/8056597625883

https://www.prooptica.pt/realidade-aumentada-o-novo-normal-na-experiencia-de-compras/

https://technologymagazine.com/digital-transformation/warby-parker-uses-augmented-reality-allow-customers-virtually-try-glasses

https://tudonumclic.pt/realidade-aumentada-transformando-a-experiencia-de-compra-no-comercio/

https://www.inovadigital.eu/pt/como-esta-a-inteligencia-artificial-a-transformar-o-ecommerce/

A Febre dos Cadernos de Pintar e das Canetas

Nos últimos meses, os cadernos de pintar para adultos e as canetas tanto de álcool como de água tornaram-se uma verdadeira febre, impulsionados pelas redes sociais e pela influência digital. Tornou-se rapidamente num fenómeno viral, levando milhões de pessoas a aderirem a esta nova tendência.

Plataformas como TikTok e o Instagram foram cruciais para essa explosão de popularidade. Influenciadores e criadores de conteúdo começaram a partilhar vídeos relaxantes de pintura, demonstrando técnicas criativas e os efeitos incríveis a partir das canetas de álcool ou água.


Se há algo que a internet faz bem, é criar febres de consumo inesperadas. Depois das air fryers, dos copos Stanley e do produto "PinkStuff" agora são os cadernos de pintar e os marcadores que dominam os carrinhos de compras online.

Produtos como o "Cozy Friends Coloring Book", "Girl Moments Coloring Book", "Fuzzy Hygge Coloring Book", entre outros e os conjuntos de marcadores da Shein, Temu e da Amazon estão a ser vendidos à rapidez da luz. Isto ficou tão viral que agora até parece impossível fazer scroll no nosso feed sem sermos bombardeados com vídeos satisfatórios de pintar.
        
             

                                                                   
Mas porque é que esta febre atingiu-nos tão fortemente?

Primeiro, porque o marketing digital tornou a experiência irresistível. Ver alguém a pintar com estas canetas num caderno super fofo ativa o nosso cérebro de forma a pensar que somos nós a fazer aquilo mesmo.

Segundo, porque o stress e a ansiedade estão em alta, e estas atividades oferecem uma pausa relaxante sem exigir grande habilidade.

Especialistas afirmam que pintar ajuda a reduzir o stress e a promover a atenção plena, tornando-se uma alternativa digital ao consumo excessivo de redes sociais. E se antes todo o digital tinha tendência a afastar as pessoas deste tipo de atividades manuais, agora faz exatamente o contrário.


Qual a lição disto tudo?

No mundo do digital, basta um vídeo ficar viral e, de repente, estamos todos a pintar animais e casinhas com marcadores. Por isso se ainda não foste influenciada/o, ainda dá tempo!


https://newsnetwork.mayoclinic.org/pt/2022/10/27/colorir-faz-bem-para-a-saude/

https://www.amazon.es/shop/helenacoelhooo/list/2S6ZPKH1CAHBE?ref_=aipsflist&fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAaaVWo5pGxAX4edyEA_m26Nr2uHFOmlF-6GojeCh_L5eeTDMJDPjEGcd0Bk_aem__hBH_N-W99pEI6IFdcT8bg

https://www.amazon.es/dp/B0D4YLQRMP/ref=cm_sw_r_as_gl_api_gl_i_H1GXGX3CXD56PY1D9ZDK?linkCode=ml1&tag=helenacoelhoo-21&fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAaY1BeXoOzKJFjBjVrBAGInQbPbBL2kPs9d--wnblMwtFabE_6Ou-c2FPl8_aem_iXDWkKUsxEt_EsJNeLbhFg

https://www.tiktok.com/search/video?q=alcoolcolorpen&t=1743704962067