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sábado, 16 de maio de 2026

Fiat: humor, identidade e publicidade memorável

Hoje ao rever alguns anúncios antigos e mais recentes da Fiat, percebi como a marca conseguiu manter uma identidade de comunicação muito própria ao longo do tempo. Mesmo com anuncios separados em 10 anos, com as mudanças no setor automóvel e com a integração no grupo Stellantis, a Fiat parece continuar fiel a uma linguagem criativa, leve e facilmente memorável.

Talvez por também ter um Fiat 500 de 2018, acabo por olhar para todas as campanhas com alguma nostalgia. O Fiat 500 sempre foi mais do que um simples citadino: é um carro com personalidade, com uma estética muito própria e com uma ligação emocional forte à história da marca.

Um primeiro exemplo interessante é o anúncio “Fiat 500S - Tested for Bad Boys”, onde a marca transforma uma situação improvável e humorística numa demonstração indireta da resistência do carro. No anúncio, uma discussão acesa leva uma mulher a descarregar a sua fúria no Fiat 500 de um homem, batendo-lhe com a mala e até dando pontapés no automóvel. A reviravolta está no facto de a Fiat apresentar esta situação como algo que os seus engenheiros já tinham antecipado e testado. Ou seja, em vez de comunicar a robustez do carro através de dados técnicos, a marca usa humor, exagero e storytelling para tornar essa mensagem muito mais memorável.


Um segundo exemplo, mais recentemente já no contexto Stellantis, a Fiat continua a apostar numa comunicação criativa e emocional, mas agora mais adaptada ao consumo rápido de conteúdos digitais. O segundo anúncio, criado há cerca de dois meses para assinalar o lançamento do recente Fiat 500 híbrido, apresenta uma narrativa bastante divertida e simbólica: Roberto sai de casa no seu novo Fiat 500 com a esposa, que lhe pergunta quem ficou a fazer o trabalho. Ele responde que ficou o “Roberto 1.0”. Pelo caminho, Roberto encontra esse robot humanoide “1.0” dentro de outro Fiat 500 e pergunta-lhe quem ficou a trabalhar. O robot responde que criou o “Roberto 2.0” para continuar o trabalho. A situação repete-se sucessivamente até surgir a “Roberta”, uma robot humanoide feminina que também não ficou a trabalhar: saiu no seu 500 para ir às compras e buscar o cão.


A essência do segundo anúncio está precisamente nessa ideia: até os próprios robots acabam por se apaixonar pela experiência de conduzir o novo Fiat 500e (hibrido) que tem caixa manual e não são puramente carros eletricos, pelo que preferem criar versões mais recentes deles próprios para que alguém continue a trabalhar em casa do Roberto, enquanto aproveitam a vida, os passeios e os pequenos momentos associados ao automóvel. O mais engraçado é que os humanoides acabam por reproduzir comportamentos tipicamente humanos e italianos, incluindo o clássico gesto italiano com a mão. 

No final como não podia deixar de ser, a assinatura “From Italy with amore” reforça precisamente esta componente emocional, descontraída e quase romântica da marca.

Do ponto de vista do Web Marketing, estes dois exemplos mostram que a publicidade automóvel não precisa de depender apenas de argumentos técnicos como potência, autonomia, consumo ou tecnologia. A Fiat aposta antes numa comunicação baseada em humor, storytelling e personalidade de marca.

Para mim, este tipo de conteúdo tende a funcionar muito bem no ambiente digital porque é fácil de consumir, fácil de recordar e facilmente partilhável nas redes sociais. Num contexto em que a atenção do consumidor é cada vez mais reduzida, campanhas criativas e emocionalmente reconhecíveis acabam por gerar muito mais engagement do que publicidade excessivamente técnica.

No fundo, a Fiat mostra mais uma vez, como nos tem vindo a habituar com os seus anúncios, que uma marca, mesmo pertencendo agora ao conglomerado Stellantis, pode evoluir sem perder totalmente a sua essência. Os formatos mudam, os canais evoluem, os grupos automóveis detentores das marcas fundem-se e o consumidor tornou-se mais digital, mas o humor, a criatividade e a capacidade de contar histórias continuam a ser ferramentas extremamente poderosas no marketing, em particular no caso da Fiat.

Na vossa opinião, as marcas automóveis ainda conseguem criar campanhas verdadeiramente memoráveis através do humor e do storytelling, ou o marketing atual está demasiado focado em tecnologia, performance e consumo rápido de conteúdos?

Fontes: 

https://www.youtube.com/watch?v=3YBhftZSlbM

https://www.youtube.com/watch?v=E2IZyHgkSeI

https://www.fiat.pt/modelos/500

Peugeot 206: quando um anúncio se transforma em memória coletiva

Arrisco-me a dizer que quase todos já vimos, mais do que uma vez, este anúncio do Peugeot 206. Lançado no início dos anos 2000, numa altura em que a Peugeot procurava reforçar uma imagem mais moderna, sem perder o histórico e o “pedigree” da marca, marcado por modelos míticos como o 205, este anúncio conseguiu traduzir muito bem essa ambição.

A publicidade da Peugeot 206, conhecida como “The Sculptor”, continua a ser um excelente exemplo de como uma marca consegue criar impacto sem depender apenas de argumentos técnicos sobre o produto. Em vez de apresentar o carro através de características como potência, consumo ou preço, a Peugeot construiu uma pequena história visual, simples e memorável, centrada no desejo de ter aquele automóvel.


O anúncio mostra um jovem que, ao ver o Peugeot 206, decide transformar artesanalmente o seu carro antigo numa versão improvisada do modelo. A ideia é exagerada, divertida e pouco realista, mas é precisamente isso que a torna eficaz. O foco não está apenas no automóvel, mas na forma como a marca consegue despertar aspiração, humor e identificação.

Do ponto de vista do Web Marketing, este anúncio continua relevante porque demonstra a força do storytelling e do conteúdo partilhável. Embora tenha sido criado antes da explosão atual das redes sociais, o vídeo continua a circular em plataformas como Facebook, YouTube e Instagram, funcionando quase como conteúdo viral. Isto mostra que uma boa ideia criativa pode prolongar a vida útil de uma campanha muito para além do seu lançamento original.

Este caso também ajuda a perceber que nem todo o marketing digital nasce no digital. Um anúncio pensado inicialmente para televisão pode ganhar uma nova vida online quando tem características que favorecem a partilha: é curto, visual, emocional, fácil de compreender e provoca uma reação. Neste sentido, a Peugeot conseguiu criar uma campanha com forte capacidade de "word-of-mouth", antes mesmo de este conceito estar tão associado às redes sociais.

Na minha opinião, este anúncio representa uma fase muito própria da Peugeot, em que a marca comunicava de forma criativa, jovem e emocional, mantendo uma identidade muito clara. Antes da integração no grupo Stellantis, a Peugeot parecia ter uma personalidade de comunicação mais autónoma e reconhecível, algo que este anúncio simboliza muito bem.

No fundo, “The Sculptor” mostra que a publicidade mais eficaz nem sempre é a que explica mais, mas sim a que fica na memória, e numa era em que a atenção é um bem escasso, essa talvez seja uma das maiores conquistas de uma marca.

Ainda hoje não consigo tirar aquela música indie da cabeça e atrevo-me a dizer que esta continua a ser uma das melhores publicidades automóveis alguma vez criadas.

Não é por mero acaso que o carro usado na publicidade ainda hoje é associado ao Musée de L’Aventure Peugeot, como símbolo da criatividade e da identidade da marca.


Na vossa opinião, as campanhas publicitárias atuais ainda conseguem criar este nível de ligação emocional e memorabilidade, ou o marketing digital moderno tornou-se demasiado rápido e descartável?

Fontes:

https://www.youtube.com/watch?v=wpqSvrjZsrU

https://laventure-association.com/en/evenement/peugeot-adventure-on-screen-at-laventure-peugeot-museum/

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Entre memes e mistério: o marketing do Duolingo nas redes sociais

 Nos últimos tempos, a Duolingo voltou a destacar-se nas redes sociais com uma campanha inesperada: a “morte” da sua mascote, a conhecida coruja verde.

Antes mesmo desta campanha, o Duolingo já era conhecido pela sua forma pouco convencional de comunicar, especialmente no TikTok. A marca construiu uma presença digital muito baseada em humor, tendências e interação com os utilizadores, transformando a sua mascote quase numa personagem com personalidade própria. Este tipo de abordagem permitiu criar uma ligação mais próxima com o público, fugindo ao tom mais institucional típico de muitas marcas. 

Embora esta campanha tenha acontecido há cerca de um ano, continua a ser um exemplo muito relevante para compreender o marketing digital atual. Num contexto em que as marcas procuram constantemente formas de captar atenção, este tipo de estratégia mostra como conteúdos virais podem ter um impacto duradouro e continuar a ser referência.

A marca anunciou, de forma aparentemente dramática, que a mascote tinha desaparecido, gerando rapidamente uma onda de reações no TikTok e noutras plataformas. Comentários, memes e teorias começaram a surgir, transformando a campanha num fenómeno viral.


O mais interessante neste caso é que não se trata de publicidade tradicional. O Duolingo não está diretamente a promover o produto, mas sim a criar um momento de entretenimento que envolve o público e incentiva a participação.

Esta estratégia mostra como, hoje em dia, as marcas procuram cada vez mais integrar-se na cultura digital. Em vez de comunicarem de forma direta, optam por criar conteúdos que se misturam com aquilo que os utilizadores já consomem nas redes sociais.

Além disso, a campanha reforça a importância do engagement. Ao gerar curiosidade e surpresa, o Duolingo consegue que os próprios utilizadores amplifiquem a mensagem, partilhando, comentando e criando conteúdo à volta do tema.

Curiosamente, a “morte” da mascote não foi definitiva... o Duolingo acabou por trazê-la de volta poucos dias depois, mostrando que toda a campanha fazia parte de uma narrativa pensada para gerar envolvimento contínuo e manter o interesse dos utilizadores.

Na minha opinião, este caso demonstra que o marketing digital está cada vez mais próximo do entretenimento. As marcas já não competem apenas pela atenção, competem também pela capacidade de criar momentos que façam as pessoas parar, reagir e participar.

Confesso que, ao ver os vídeos sobre o desaparecimento da coruja, também fiquei curiosa para perceber o que estava a acontecer e até me apareciam vários conteúdos relacionados com o assunto na minha "for you page".

No fundo, o Duolingo não está apenas a promover uma aplicação, está a criar uma história em que o consumidor quer participar.


E vocês, o que acham? Este tipo de campanhas torna as marcas mais próximas ou acaba por desviar a atenção do produto em si?

terça-feira, 14 de abril de 2026

Uma francesinha na Lua… e uma jogada de marketing bem assente na Terra

Tudo começa com uma imagem que parece saída de um breaking news: a Lua em destaque, o logótipo da NASA e uma mensagem que sugere que algo incomum foi detetado.

“Cientistas espaciais detetam algo estranho na Lua.”

O suficiente para parar o scroll.

Num ambiente saturado de conteúdo, onde captar atenção é cada vez mais difícil, esta publicação faz algo simples, mas extremamente eficaz: cria curiosidade imediata. E essa curiosidade leva à ação.

O utilizador vê, estranha… e desliza.

Só depois vem a revelação:
“Calma. É só a nossa francesinha.”

                                            https://www.instagram.com

Este momento de transição entre expectativa e surpresa é o que torna o conteúdo tão eficaz. Trata-se de um pequeno “plot twist” pensado para gerar engagement — um exemplo claro de como o storytelling pode ser aplicado em formatos curtos nas redes sociais. Mas há mais por trás desta criatividade.

A publicação surge num contexto em que o tema do espaço e das missões lunares voltou a ganhar atenção mediática. Ao aproveitar esse interesse coletivo, a marca insere-se numa conversa que já está a acontecer. Não cria atenção do zero, aproveita-a. Estamos perante um caso de real-time marketing, onde o timing e o contexto amplificam o impacto da mensagem.

Além disso, a estrutura em carrossel não é inocente. Cada imagem tem um papel: a primeira capta a atenção, a segunda imagem aprofunda o mistério e por fim, esclarece e o conjunto mantém o utilizador envolvido.

Este tipo de interação, deslizar, descobrir, reagir, é altamente valorizado pelos algoritmos, aumentando a probabilidade de o conteúdo chegar a mais pessoas. Esta publicação cumpre de forma exemplar o seu principal objetivo: destacar-se, envolver e ser lembrada.

Este caso mostra-nos que, no marketing digital atual, captar atenção não passa apenas por investir mais, passa por pensar melhor. Criar curiosidade. Contar uma história. E, sobretudo, dar ao utilizador um motivo para continuar.

E vocês, o que acham?
Já deslizaram um post só porque queriam perceber “o que vinha a seguir”?

sábado, 11 de abril de 2026

A Ryanair mudou mesmo… ou enganou-nos a todos antes do tempo? 😮👀

A Ryanair voltou a dar que falar e desta vez não precisou de grandes campanhas. Bastou um simples post a anunciar que iria adotar uma comunicação mais "corporate e profissional".

Mas há um detalhe que muda toda a perspetiva: a publicação foi feita antes do Dia das Mentiras. E isso não foi, de todo, por acaso.

 

(Deixo-vos aqui, como prova, o printscreen que tirei quando vi a publicação, tal foi o choque.) 

Ao antecipar-se às publicações do 1 de abril, a Ryanair apostou num território cinzento entre o sério e o humorístico. A verdade é quem, como eu, viu o post ficou na dúvida: será que a marca vai mesmo a mudar… ou isto já é a sua partida do dia das mentiras? O meu pensamento imediato foi: "Não é possível que uma marca com uma comunicação tão icónica mude assim a sua estratégia." A verdade é que a incerteza foi o que alimentou comentários, partilhas e discussões, ou seja, tudo aquilo que a marca pretendia.

Ao contrário da grande maioria das marcas, que apenas entram no “jogo” no próprio dia, a Ryanair decidiu destacar-se antes do ruído. E conseguiu exatamente isso mesmo. Quando finalmente chegou o dia 1 de abril e a conversa começou, a marca já estava no centro dela.

Toda a gente duvida dos anúncios que são feitos no Dia das Mentiras, mas quem é que coloca em causa o que é publicado nos dias anteriores? Eu nunca tinha pensado neste tipo de estratégia, mas a verdade é que é eficaz. De entre todos os posts que vi nesse dia, só me recordo deste.

E o mais interessante desta publicação é que, mesmo fingindo que vai abandonar o seu tom irreverente, a Ryanair acabou por fazer exatamente o oposto: reforçou-o. Esta brincadeira foi, na realidade, mais uma prova de que a marca conhece perfeitamente o seu público e sabe como captar a sua atenção sem perder a identidade. No fundo, para a marca não importa se alguém acreditou ou não. O que importa é que toda a gente falou sobre isso.

E vocês que viram a publicação da Ryanair, caíram na “mudança corporate”… ou perceberam logo que algo de errado não estava certo? Confesso-vos que eu acreditei mesmo...caí que nem uma patinha. Vi a publicação, confirmei a data várias vezes e fiquei chocada. Como não investiguei sobre o assunto, até a professora Teresa ter falado no assunto, pensei mesmo que haveria uma mudança. A Ryanair conseguiu que ficasse a pensar nela durante vários dias.

Levanto agora algumas questões. Será que esta estratégia pode ser usada todos os anos? O que aconteceria se todas as marcas tivessem pensado assim?

Na minha opinião, este método não pode ser usado todos os anos, senão perde o seu impacto. Se já estamos à espera que a marca faça o seu anúncio no dia anterior, o chocante torna-se o novo normal. Em relação a ser utilizado por todas as marcas, ainda bem que não tiveram todas a mesma ideia. Esta estratégia foi eficaz pois houve destaque de entre todo o ruído, o que não seria possível se todas as marcas tivessem feito a publicação no dia anterior.

Espero que tenham gostado! Comentem com sinceridade, o dia das mentiras já passou e já está visto que eu não consigo distinguir a verdade da mentira!😅

Continuação de um bom fim-de-semana! 😊

segunda-feira, 30 de março de 2026

Quando o choque também educa: a campanha que fez da Nova Zelândia “O Melhor Lugar do Mundo para ter Herpes”

À primeira vista, parece uma campanha absurda. E talvez seja precisamente por isso que resulta tão bem.

Em 2024, a New Zealand Herpes Foundation lançou a campanha “Make New Zealand the Best Place in the World to Have Herpes”, com um objetivo claro: combater o estigma associado ao herpes. Em vez de seguir um tom clínico, sério ou moralista, a campanha escolheu o caminho oposto, recorrendo ao humor, à provocação e a uma estética quase turística para chamar a atenção para um tema que continua rodeado de vergonha e desinformação.

O mais interessante neste caso é que a campanha não se limitou a informar. Tentou mudar perceções! Ao apresentar a ideia de que a Nova Zelândia podia tornar-se o “melhor lugar do mundo para ter herpes”, a marca pegou num tema tabu e transformou-o numa mensagem altamente partilhável. Isto é particularmente relevante em Web Marketing, porque mostra que, no digital, muitas vezes a atenção não se conquista apenas com informação útil, conquista-se com uma ideia inesperada, capaz de parar o scroll e gerar conversa.

Do ponto de vista estratégico, esta campanha é forte por várias razões. Primeiro, porque usa humor para abordar um tema sensível sem banalizá-lo. Segundo, porque cria uma narrativa muito própria, com celebridades locais, vídeos educativos e até um ranking internacional de estigma. E terceiro, porque transforma uma causa de saúde pública num conteúdo com verdadeiro potencial viral. Em vez de falar apenas a quem já está sensibilizado para o tema, a campanha conseguiu se inserir na cultura digital e alcançar muito mais pessoas.

Este caso também mostra que o marketing digital não tem de servir apenas a marcas comerciais. Pode ser uma ferramenta poderosa para a mudança social, desde que haja uma boa leitura do público, coragem criativa e execução coerente. O reconhecimento internacional da campanha, incluindo o prémio máximo Cannes Lions Grand Prix for Good em 2025, reforça precisamente isso: quando a criatividade é usada de forma estratégica, até mesmo um tema desconfortável pode ser transformado em impacto positivo.


No fundo, esta campanha prova que, no ambiente digital, o choque nem sempre afasta. Quando bem pensado, pode ser o ponto de partida para gerar atenção, educar o público e mudar mentalidades.

Na vossa opinião, campanhas com humor e choque são uma forma eficaz de abordar temas tabu ou correm o risco de desvalorizar assuntos sensíveis?

segunda-feira, 16 de março de 2026

Burger King e o “Corno Drive-Thru”: quando o Humor vira Marketing Viral

No meio de tantas campanhas previsíveis do Dia dos Namorados, a Burger King Brasil decidiu fazer exatamente o contrário, criando o “Corno Drive-Thru”, uma ação com humor dirigida a quem já foi traído. A lógica era simples e absurda o suficiente para chamar a atenção: quem passasse no drive-thru com um amigo que confirmasse a traição podia receber um Whopper gratuito na compra de um menu selecionado. A campanha decorreu no Brasil entre 10 e 12 de junho de 2025, aproveitando a data em que o país celebra o Dia dos Namorados.

O que torna esta campanha interessante não é apenas a promoção em si. É a forma como a marca usou um tema sensível, mas muito presente na cultura popular e nas redes sociais, para gerar conversa, partilhas e reações imediatas. O nome da campanha, o tom provocador e a mecânica pouco convencional fazem com que o conteúdo tenha tudo aquilo que normalmente funciona bem online: surpresa, humor, identificação e potencial viral.

Além disso, a Burger King já é conhecida por uma comunicação irreverente, por isso esta ação não pareceu “fora da personagem”. Pelo contrário, reforçou um posicionamento que a marca já vinha a construir: próximo da cultura digital, descontraído e sem medo de arriscar. Quando uma campanha está alinhada com a identidade da marca, a probabilidade de ser bem recebida é maior, mesmo quando o conceito é polémico ou exagerado. Isto é especialmente importante em ambiente digital, onde o público reage muito rapidamente ao que considera forçado ou incoerente.

Este caso mostra bem que o web marketing não vive apenas de anúncios pagos ou de promoções agressivas. Vive também de atenção. Hoje, muitas marcas disputam segundos de interesse no feed do utilizador, e campanhas como esta provam que criatividade e timing podem gerar enorme visibilidade. Mesmo sem conhecermos aqui os números exatos de adesão, o simples facto de a campanha ter sido notícia já mostra o seu valor em termos de alcance e notoriedade. Essa é uma das grandes forças do marketing digital: transformar uma ação local num tema de conversa muito mais amplo.

No fundo, o “Corno Drive-Thru” é um bom exemplo de uma estratégia que não tenta agradar a toda a gente, mas que consegue ser memorável. E no digital, muitas vezes, ser memorável já é metade da vitória.

Na vossa opinião, campanhas como estas geram verdadeiro valor para a marca ou apenas atenção momentânea?

domingo, 13 de abril de 2025

Má Influência: A Face Oculta da Fama Digital Infantil


Influencers em miniatura: o novo palco da infância e o silêncio por trás da fama

A nova minissérie documental da Netflix, "Má Influência: O Lado Sombrio dos Influencers Infantis", expõe um tema importante e emergente: o modo como o marketing digital e a as redes sociais estão a tonar a infância numa "ferramenta" de lucro. Baseada no caso de Piper Rockelle — uma criança transformada em estrela do YouTube —  a série revela o mundo aparentemente inocente dos kidfluencers. 

Por detrás dos vídeos coloridos, dos desafios e das coreografias virais, surgem acusações de abuso emocional, exploração comercial e manipulação psicológica — muitas vezes encobertas pela promessa de fama e dinheiro. Será que o "algoritmo" final de cada vídeo valerá tudo isto ?

Ao contrário dos adultos, estas crianças não têm ainda maturidade para consentir plenamente o que significa estar exposto online. Muitas vezes as redes sociais das crianças são geridas por pais que, intencionalmente ou não, tornam-se agentes, empresários e até produtores de uma marca pessoal com rosto infantil — levantando a sérias questões éticas e legais.

O universo dos conteúdos digitais com crianças vive numa fronteira entre o lar e o palco, onde a diversão se confunde com lucro. Quando é que a expressão espontânea de uma criança em frente à câmara deixa de ser inocente? Num ambiente onde 92% do público de influencers adolescentes é composto por homens adultos, e onde redes sociais fornecem 60% do conteúdo encontrado nos dispositivos de indivíduos com intenções indevidas, a linha entre partilha e exploração não é ténue, é estritamente invisível.

Infância e adolescência sob os Holofotes Digitais 

As minisséries Má Influência e Adolescence mostram duas faces do mesmo espelho: o impacto da exposição digital em jovens que ainda estão a descobrir a sua identidade. Em Má Influência, vemos crianças "transformadas" em entretenimento, e a gestão dos adultos que acabam por trocar brincadeiras por visualizações. Em Adolescence, acompanhamos o impacto das redes na formação de identidade, insegurança e procura por validação num mundo onde o valor pessoal parece medido em likes.

Ambas revelam o lado oculto da fama precoce e levantam a mesma pergunta: quem está realmente a proteger estes jovens no mundo digital? Quando a infância vira conteúdo e a adolescência se torna performance, o marketing precisa de parar para pensar.

O Marketing precisa de parar para pensar 

Quando os likes e visualizações passam a ser formas de validação, e quando o valor de uma criança ou adolescente é medido pelo "algoritmo" e o engagement, estamos a entrar num território perigoso. A fama precoce, por mais sedutora que pareça, tem um custo e é esse custo que frequentemente é pago em silêncio, pela saúde mental e emocional dos mais jovens.

As plataformas dizem promover “criatividade”, mas muitas vezes negligenciam o seu papel como guardiãs da segurança e do bem-estar destes utilizadores vulneráveis. E os adultos à volta das crianças precisam de refletir seriamente sobre os seus próprios papéis: estão a orientar ou a capitalizar? Estão a apoiar ou a pressionar?

O marketing tem aqui uma grande responsabilidade. Se continuarmos a transformar infância em produto e autenticidade em espetáculo, acabamos por normalizar a ideia de que crescer sob os olhos do público é inevitável ou até desejável. E não é. 

A infância e a adolescência são fases que merecem ser vividas e a privacidade também é uma forma válida e saudável de crescer. 

Fontes:

The Guardian 

Observador  

Why Adolescence is such powerful TV that it could save lives

Marketing de Mentira, Resultados de Verdade

Com o começo de Abril, inicia-se o primeiro e único dia do ano em que é permitido às marcas mentir para comunicar, interagir e brincar com os seus consumidores. A realidade é que desde que a Internet existe, os profissionais de Marketing aproveitam o Dia das Mentiras num esforço de aumentar a notoriedade da marca num mundo cada vez mais online, além de fortalecer a sua relação com os consumidores (Forbes, 2024). Para tal, realizam campanhas publicitárias onde lançam produtos fictícios, ou até mesmo divulgam notícias falsas inofensivas para gerar engagement e viralizar nas redes sociais (Marketeer, 2025).


O segredo do sucesso destas campanhas está no equilíbrio da criatividade e da autenticidade, de forma que a mentira seja recebida de forma engraçada pelo público. Apesar da efemeridade do engagement, quando as campanhas são bem planeadas, estas aumentam o reconhecimento da marca, além de humanizar a empresa. Ao mostrar aos consumidores um lado mais leve e divertido, a empresa mostra que tem um sentido de humor e sabe rir dela mesma e dos seus produtos, o que permite uma aproximação às pessoas (Marketeer, 2024).


Assim, acredito que estas campanhas de comunicação e branding têm como resultado a criação de uma relação mais próxima com o consumidor. Ao comunicar de uma forma não convencional, num ambiente digital onde o público está mais que saturado de tentativas de vendas e anúncios sérios, uma campanha divertida torna-se um destaque e, nesse sentido, as campanhas do Dia das Mentiras acabam por ter um grande potencial de viralizar. Através de um produto inusitado, com uma funcionalidade absurda, pode gerar-se um maior número de partilhas, comentários e reações nas redes sociais- o que se traduz em publicidade fácil e rápida. Além disso, algumas marcas ganham espaço em alguns sites de notícias, conquistando assim visibilidade gratuita também nesses espaços.


Mas e vocês, qual destas mentiras gostariam mais que se torna-se verdade?😊


Fontes:
https://www.forbespt.com/do-tinder-a-subway-aqui-estao-algumas-das-melhores-mentiras-de-1-de-abril-das-empresas-em-2024/
https://marketeer.sapo.pt/como-o-dia-das-mentiras-e-aproveitado-pelas-marcas-para-viralizar-nas-redes-sociais/
https://eco.sapo.pt/2025/04/01/como-as-marcas-aproveitaram-o-dia-1-de-abril-para-mentir-nas-redes-sociais/

terça-feira, 18 de março de 2025

O simples caso da Ryanair


Já viajaste na Ryanair? Então sabes como é.

É quase como apanhar um autocarro low-cost dos céus. Bilhetes baratos, bancos desconfortáveis, espaço reduzido, bagagem contada ao milímetro e um serviço essencialmente funcional fazem parte da experiência.

Naturalmente, quando algo não acontece como o esperado, os passageiros recorrem às plataformas digitais para exprimir a sua frustração. Mas o que distingue a Ryanair de outras marcas é a forma como responde a esses desabafos. Sarcasmo, humor e uma dose saudável de provocação fazem parte da receita.

Em vez de seguirem o método tradicional (criarem um site, lerem as críticas, responderem aos comentários com o script genérico), a Ryanair “abraça” as críticas e aproveita os mesmos meios para as transformar em conteúdos virais. E a verdade é que esta estratégia tem funcionado super bem. Mas porquê? O que podemos aprender com a Ryanair para aplicar ao Marketing e Comércio Eletrónico?

A Ryanair é “transparente” em relação à sua identidade. Nunca vendeu uma experiência premium e as suas limitações fazem parte da narrativa. Por exemplo, quando um passageiro com 2 metros de altura se queixa do pouco espaço entre os bancos, a Ryanair não pede desculpa, mas sim responde com um meme que diz “O voo foi £9.99. Ultrapassa isso”.

https://www.tiktok.com/@ryanair/video/7459447601440640288

Arriscado? Pode parecer, mas, de facto, há coerência com o posicionamento da marca.

O humor sempre foi uma ferramenta poderosa no marketing e a Ryanair é mestre nessa arte. A empresa transforma os aspetos mais negativos da experiência ao cliente em material de entretenimento. E os números não enganam. A organização acumula milhões de seguidores e gostos nas suas redes sociais. O mais engraçado é que isto não afasta os consumidores, pelo contrário, só cria uma relação mais próxima e descomplicada com a marca.


As pessoas não interagem apenas com a Ryanair, mas também partilham e amplificam as respostas da empresa. Cada crítica transformada num meme aumenta o alcance da marca sem custos publicitários.

Creio que a abordagem da Ryanair não funciona apenas nas companhias aéreas, mas sim em muitas outras empresas presentes no mundo digital. No fundo a Ryanair ensina-nos a ser autênticos, ter sentido de humor e aproveitar as redes sociais para conversar com os consumidores e não apenas vender.

Fontes:

https://tnews.pt/o-caso-de-sucesso-da-ryanair-no-tiktok/

https://skift.com/2024/03/22/ryanair-ceo-shares-social-media-strategy/#:~:text=Despite%20O'Leary's%20personal%20disinterest,team%20has%20significant%20creative%20freedom.

https://www.boredpanda.com/funny-ryanair-social-media-roasts/

segunda-feira, 6 de maio de 2024

McDonald's "Mãe há duas!"

 Para este Dia da Mãe, a McDonald’s desafiou o velho ditado “Mãe há só uma” criando uma campanha publicitária a pensar nas nossas heroínas que além do seu trabalho profissional cuidam dos seus filhos.

A marca pretende celebrar a Mãe que trabalha até às 19h, e a que trabalha a partir das 19h; a que ouve as queixas e a não se queixa por nada.


Para a McDonald’s se o trabalho é a dobrar, a recompensa também deve ser e por isso nos dias 5 e 6 de maio por cada euro gasto na aplicação da marca, todos recebem 2 pontos, ao invés de 1 como habitual.


De forma a promover esta campanha, a marca lançou um vídeo onde o combinar das imagens, frases e música é capaz de tocar o coração de quem assiste, despertando sentimentos de amor, gratidão e nostalgia. Todas as mães certamente se irão rever, e muitos filhos reconhecerão familiaridade e empatia pelo vídeo. A marca deixa no fim a nota de que "Numa story de família há sempre um Mac", enaltecendo que a McDonald's e os seus produtos fazem também parte da família e dos bons momentos.

Ao criar um conteúdo emocionalmente envolvente, a marca consegue aumentar o engagement do público com sua mensagem, uma vez que as pessoas são mais propensas a partilhar conteúdos que as façam sentir algo, o que pode ampliar o alcance da campanha. Por outro lado, um vídeo como este ajuda a reforçar a imagem, identidade e valores da marca, criando na mente dos consumidores uma associação positiva à mesma.

Através da celebração de datas comemorativas como esta, a McDonald’s pode construir ou reforçar um vínculo emocional genuíno com o seu publico, além de impulsionar o engagement e as vendas. 

Finalmente, a recompensa será para quem tiver aplicação e conta na MyM, a informação de como proceder ao registo aparece logo abaixo da campanha no website e não é, claro está, de forma inocente. Com esta campanha, a marca pode também conseguir alavancar o número de consumidores inscritos na app, incentivando a sua fidelização e recompra.

 



E vocês o que acharam desta campanha?

“Felizes Dias da Mãe!”

Fontes: 

https://www.mcdonalds.pt/?fbclid=IwAR2PcEHI-kJeDdUMATtp74dCY2UMmXY-tDnSRiwM1DbHNIYzt31WBMZEs2U_aem_Ae4eY9hsgdbyuRmQM0h3UPtUQlSRGkpmLuodv5_rh70Pp6NdqnE8BsU6BgIhF7bYCH2kAq1fLYgKIVuyC_eUiF0K 

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Desmistificar tabus: a menopausa e a Médis

A Menopausa é uma fase natural na vida das mulheres que representa o final do período reprodutivo e caracterizada por mudanças hormonais e físicas. Além disso, pode afetar a saúde mental, influenciando o bem-estar emocional e psicológico da Mulher (Galeno et al., 2023).

Segundo Maria Silveira, Responsável de Orquestração Estratégica, Ecossistema de Saúde Grupo Ageas Portugal, “a Menopausa não é uma doença, mas uma condição. Sendo diferente de mulher para mulher, existem tantas Menopausas quantas as mulheres, o que também dificulta. É por isso que ouvir mulheres, orientá-las e dar-lhes voz é, em si mesmo, um ótimo “medicamento”, além, claro, de um acompanhamento holístico (ginecologia, psicologia, nutrição, exercício físico)”. 

A Médis, marca do Grupo Ageas Portugal, lançou uma campanha publicitária que aborda o tema da menopausa de forma humorística e satírica, trazendo o tema para cima da mesa de jantar e para o ambiente de trabalho.
 
A campanha inclui dois spots intitulados o “Jantar” e a “Entrevista”, em que são abordadas questões como a necessidade de falar abertamente, dentro do seio familiar, sobre o tema, e o impacto da menopausa na vida profissional das mulheres.

"O Jantar" 
  
"A Entrevista"

Tem também um podcast “Ouvir Ajuda” e cinco temas de mupis e de display. Esta é a primeira campanha criativa desenvolvida pela Stream and Tough Guy (SaTG) para a marca Médis, após análise do mercado em Dezembro de 2023.

Esta campanha pretende promover e normalizar o processo da menopausa de forma a que a sociedade contribua para que seja uma fase menos dolorosa para as mulheres. Assim como reforçar que a menopausa se trata de um processo, pelo qual todas as mulheres passam ou passarão e que afeta atualmente 12% da população Portuguesa.


Segundo João Ribeiro, co-fundador e director geral da SaTG. «Por acaso, somos uma agência composta exclusivamente por homens, mas isso não nos impediu de tentar compreender um tema tão complexo quanto a Menopausa e de chegar a uma solução que é fruto de uma reflexão estratégica mais profunda do que a habitual e que vai para além da publicidade. Algo que só foi possível graças à plena parceria entre a SaTG e a equipa da Médis que teve vontade de criar algo verdadeiramente consequente para as mulheres que passam por esta fase»,

Assim a Médis decidiu reforçar a Linha Médis com uma equipa especializada no tema e posicionar-se assertivamente com o mote:

“A Sociedade não está preparada para falar abertamente sobre a Menopausa, mas a Médis está”

Fontes:
Galeno, R. S., Sanchez, G. D. V., Duarte, T. B., Santos, G. G. S., Teixeira, C. V. N., Cruz, J. A., Dantas, F. B. A., Boecker, C. R. L. de O., Pinho, M. A. B., Silva, P. C. V. da, Batista, E. L. de O., Trigueiro, T. G., Sampaio, B. M., Moura, A. G. de, & Duarte, A. A. B. (2023). MENOPAUSA E SUAS CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 5(4), 1357–1367. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2023v5n4p1357-1367
https://eco.sapo.pt/2024/04/18/medis-conclui-que-metade-das-mulheres-em-menopausa-assume-mal-estar/
https://www.medis.pt/mais-medis/saude-e-medicina/menopausa-saiba-tudo-sobre-esta-nova-fase/

segunda-feira, 1 de abril de 2024

A nova campanha viral do IKEA - "Don't worry, you can afford it"

A mais recente campanha publicitária da IKEA, intitulada "Don’t worry, you can afford it", apresenta uma abordagem inovadora ao dirigir-se aos donos de animais de estimação, destacando de forma criativa a acessibilidade dos seus produtos. 

Esta campanha, especificamente para o mercado dos Emirados Árabes Unidos (EAU), ilustra os pequenos desastres causados por animais domésticos - como vasos que se partiram misteriosamente e almofadas que simplesmente explodiram - para enfatizar que os produtos da IKEA, além de serem de qualidade, são também acessíveis e facilmente substituíveis.




Através deste conceito original, a IKEA consegue, não só enfatizar a sua posição como marca de valor e qualidade, mas também tocar no crescente fenómeno global das pet moms e pet dads, conectando-se assim de forma eficaz e afetuosa com o seu público-alvo.

Esta campanha, tal como outras já abordadas, têm a capacidade de envolver o público através de conteúdo relatable e visualmente atraente, elementos cruciais para a viralização nas redes sociais. Utiliza o storytelling para criar uma conexão emocional, mostrando compreensão dos desafios cotidianos dos seus consumidores, potencializando a identificação.

Considerando que, nos EAU, o setor dos animais de estimação tem uma avaliação de 300 milhões de dólares e mais de 1.5 milhões de habitantes têm animais de estimação, esta campanha é ouro sobre azul.

Como pessoa que tem um pequeno terrorista em casa, acho que esta campanha está simplesmente genial e faz algo que não vejo frequentemente: envolver animais de estimação em publicidade para além de alimentos. O que acham deste tipo de campanha? Deveria a IKEA aproveitar esta campanha para outros países?

Fontes:

https://adage.com/creativity/work/ikea-shows-its-products-destroyed-pets-cute-campaign-about-affordability/2548761
https://www.theinspiration.com/2024/03/ikea-dont-worry-you-can-afford-it-by-ingo-hamburg/
https://www.trendhunter.com/trends/dont-worry-you-can-afford-it

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Esteriótipos? A Heineken resolve

A Heineken é sem dúvida uma marca que se destaca pelas suas campanhas, mas com a ação “The Cliché” (2016) superou as expectativas devido à viralidade desta campanha no Brasil.

A campanha baseou-se no convite que foi feito a três homens para irem ver a final da UEFA Champions League. Contudo, para que eles pudessem participar do evento, tinham de, em primeiro lugar, convencer as namoradas de que lhes estavam a dar um presente, que consistia num fim de semana num spa, com o intuito de irem sozinhos ao estádio.
Para surpresa dos jovens (e dos espectadores), que estavam no estádio e que achavam que as namoradas estavam num spa, foi apresentado um vídeo no ecrã do estádio onde apareciam as namoradas todas juntas a agradecer o presente, que na verdade eram bilhetes para irem à final em Milão. Eles ficaram espantados porque não sabiam do que se estava a passar e simultaneamente apareceu a frase “Já pensou que ela pode gostar de futebol tanto quanto você?” (para quebrar com os estereótipos).

Veja aqui o vídeo:



Assim, a marca quebrou diversos padrões de estereótipos, principalmente, para os homens por mentirem às namoradas e por acharem que as mulheres não gostam de futebol, o que causou um enorme tráfego em torno deste vídeo nas redes sociais.

Os resultados da campanha a curto prazo foram incríveis. O vídeo que foi publicado no Facebook da marca Heineken tornou-se viral de tal forma, que ao fim de dezoito horas já possuía 4 milhões de visualizações e imensos comentários sobretudo por parte de mulheres que adoraram a ideia da marca não seguir estereótipos.


Este foi sem dúvida um caso de marketing viral em que a campanha se salientou por: ser emocional e engraçada; por envolver o público-alvo numa história, que está a ser contada, fazendo assim com que as pessoas se identifiquem; por explorar motivações e comportamentos comuns e por utilizar redes de comunicação que lhe permitiram a enorme visibilidade da ação.

Fontes:

sábado, 18 de maio de 2019

"If you wanna be my lover...”

Spice Up Your Life (for a Night)!

A Airbnb acaba de adicionar à plataforma digital o que possivelmente é a propriedade mais emocionante de sempre: o Spice Bus original do filme Spice World.

Spice Bus on Airbnb

Pela primeira vez na história, os fãs poderão fazer como a Posh, Ginger, Sporty, Baby e a Scary Spice, e dormir no icónico autocarro usado na produção de 1997 - e o interior completamente renovado ultrapassa todas as expectativas.

Suzanne Godley, a proprietária, disponibilizou o veículo na plataforma para sexta-feira, 14 de junho, e sábado, dia 15, datas em que o Spice Bus estará em Wembley Park, Londres. As reservas poderão ser feitas no Airbnb a partir das 8H de 22 de maio e cada noite custa 99 libras (cerca de 114€).



Godley ainda não confirmou se esta é uma iniciativa a repetir em novas datas depois de junho. Contudo, o serviço online Airbnb informou que a possibilidade existe e que ela pode considerar oferecer o autocarro como acomodação novamente no futuro.
A acomodação de sonho possui assentos de cinema cor-de-rosa da Union Jack, um letreiro de neon Girl Power, almofadas coloridas, tapetes com estampados de zebra, além de revistas e CDs antigos dos anos 90 para ajudar a recriar a era. Do lado de fora, o autocarro é decorado com a icónica bandeira da Union Jack, e pode ler-se “Spice Bus No. 19.”

Spice Bus on Airbnb

É incentivado um “dress code dos anos 90”, “Girl Power é essencial”, “Selfies no banco do motorista são encorajadas” e os convidados devem cantar 'Goodbye' à saída.

Esta parece ser uma estratégia de sucesso, uma vez que irá permitir aos consumidores usufruírem de uma experiência única de viverem na realidade da marca ‘Spice Girls’.
Parece existir uma excelente oportunidade para continuar o negócio uma vez que a notoriedade que está associada a priori à marca com certeza irá permitir o ‘engagement’ necessário dos consumidores.
Além disso, o facto de ser associado aos valores da marca ‘Spice Girls’, permite um reconhecimento mais rápido do serviço anunciado.
Existe um vínculo emocional forte, existe credibilidade e confiança, sendo assim possível aumentar a rede de clientes apenas com a associação à marca "Spice Girls". 
A ideia é conseguida pela investidora, mas o capital/notoriedade é conseguido pelas "Spice Girls".

E vocês o que acham deste negócio?

sábado, 11 de maio de 2019

Falsos Influencers. O que são? Como os detetar?

A atividade dos influencers está em crescimento e é estimado que em 2020 esteja avaliada entre os 5 e os 10 mil milhões de dólares. No entanto, cerca de 24% manipulam os seus resultados.
Com o advento da inteligência artificial, existem bots que conseguem gerar conteúdos e automaticamente. Como todo o processo é automático, estes podem gerar milhares de comentários, likes e partilhas muito rapidamente e podem estar associados a contas falsas.
Neste sentido, a fraude dos influencers consiste na utilização desses bots,  perfis falsos e utilizadores pagos para fazerem partilhas, comentários e likes.
Para detetar um falso influencer, devem estar atentos a alguns sinais, tais como:

  • O aumento repentino do número de seguidores. Muitos desses seguidores poderão ser perfis falsos.
  • Muitos seguidores mas com pouco envolvimento.
  • Comentários e publicações sem sentido.
  • Comentários sempre dos mesmos seguidores.
  • Fazermos uma pesquisa de imagem de uma publicação de um dado influencer. Se esta aparecer em outro site de conteúdo diferente ou num repositório, poderá ser um falso influencer.
É de salientar que, este falso envolvimento é negativo para a marca, dado que o retorno que terá com esse influencer não será proporcional ao seu investimento. Os bots, os perfis falsos e os que são pagos para fazerem publicações não irão consumir nenhum produto nem terão qualquer envolvimento com a marca.

Fontes:
https://www.entrepreneur.com/article/331719
https://izea.com/2018/01/04/influencer-fraud-spot/