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sábado, 16 de maio de 2026

Fiat: humor, identidade e publicidade memorável

Hoje ao rever alguns anúncios antigos e mais recentes da Fiat, percebi como a marca conseguiu manter uma identidade de comunicação muito própria ao longo do tempo. Mesmo com anuncios separados em 10 anos, com as mudanças no setor automóvel e com a integração no grupo Stellantis, a Fiat parece continuar fiel a uma linguagem criativa, leve e facilmente memorável.

Talvez por também ter um Fiat 500 de 2018, acabo por olhar para todas as campanhas com alguma nostalgia. O Fiat 500 sempre foi mais do que um simples citadino: é um carro com personalidade, com uma estética muito própria e com uma ligação emocional forte à história da marca.

Um primeiro exemplo interessante é o anúncio “Fiat 500S - Tested for Bad Boys”, onde a marca transforma uma situação improvável e humorística numa demonstração indireta da resistência do carro. No anúncio, uma discussão acesa leva uma mulher a descarregar a sua fúria no Fiat 500 de um homem, batendo-lhe com a mala e até dando pontapés no automóvel. A reviravolta está no facto de a Fiat apresentar esta situação como algo que os seus engenheiros já tinham antecipado e testado. Ou seja, em vez de comunicar a robustez do carro através de dados técnicos, a marca usa humor, exagero e storytelling para tornar essa mensagem muito mais memorável.


Um segundo exemplo, mais recentemente já no contexto Stellantis, a Fiat continua a apostar numa comunicação criativa e emocional, mas agora mais adaptada ao consumo rápido de conteúdos digitais. O segundo anúncio, criado há cerca de dois meses para assinalar o lançamento do recente Fiat 500 híbrido, apresenta uma narrativa bastante divertida e simbólica: Roberto sai de casa no seu novo Fiat 500 com a esposa, que lhe pergunta quem ficou a fazer o trabalho. Ele responde que ficou o “Roberto 1.0”. Pelo caminho, Roberto encontra esse robot humanoide “1.0” dentro de outro Fiat 500 e pergunta-lhe quem ficou a trabalhar. O robot responde que criou o “Roberto 2.0” para continuar o trabalho. A situação repete-se sucessivamente até surgir a “Roberta”, uma robot humanoide feminina que também não ficou a trabalhar: saiu no seu 500 para ir às compras e buscar o cão.


A essência do segundo anúncio está precisamente nessa ideia: até os próprios robots acabam por se apaixonar pela experiência de conduzir o novo Fiat 500e (hibrido) que tem caixa manual e não são puramente carros eletricos, pelo que preferem criar versões mais recentes deles próprios para que alguém continue a trabalhar em casa do Roberto, enquanto aproveitam a vida, os passeios e os pequenos momentos associados ao automóvel. O mais engraçado é que os humanoides acabam por reproduzir comportamentos tipicamente humanos e italianos, incluindo o clássico gesto italiano com a mão. 

No final como não podia deixar de ser, a assinatura “From Italy with amore” reforça precisamente esta componente emocional, descontraída e quase romântica da marca.

Do ponto de vista do Web Marketing, estes dois exemplos mostram que a publicidade automóvel não precisa de depender apenas de argumentos técnicos como potência, autonomia, consumo ou tecnologia. A Fiat aposta antes numa comunicação baseada em humor, storytelling e personalidade de marca.

Para mim, este tipo de conteúdo tende a funcionar muito bem no ambiente digital porque é fácil de consumir, fácil de recordar e facilmente partilhável nas redes sociais. Num contexto em que a atenção do consumidor é cada vez mais reduzida, campanhas criativas e emocionalmente reconhecíveis acabam por gerar muito mais engagement do que publicidade excessivamente técnica.

No fundo, a Fiat mostra mais uma vez, como nos tem vindo a habituar com os seus anúncios, que uma marca, mesmo pertencendo agora ao conglomerado Stellantis, pode evoluir sem perder totalmente a sua essência. Os formatos mudam, os canais evoluem, os grupos automóveis detentores das marcas fundem-se e o consumidor tornou-se mais digital, mas o humor, a criatividade e a capacidade de contar histórias continuam a ser ferramentas extremamente poderosas no marketing, em particular no caso da Fiat.

Na vossa opinião, as marcas automóveis ainda conseguem criar campanhas verdadeiramente memoráveis através do humor e do storytelling, ou o marketing atual está demasiado focado em tecnologia, performance e consumo rápido de conteúdos?

Fontes: 

https://www.youtube.com/watch?v=3YBhftZSlbM

https://www.youtube.com/watch?v=E2IZyHgkSeI

https://www.fiat.pt/modelos/500

Peugeot 206: quando um anúncio se transforma em memória coletiva

Arrisco-me a dizer que quase todos já vimos, mais do que uma vez, este anúncio do Peugeot 206. Lançado no início dos anos 2000, numa altura em que a Peugeot procurava reforçar uma imagem mais moderna, sem perder o histórico e o “pedigree” da marca, marcado por modelos míticos como o 205, este anúncio conseguiu traduzir muito bem essa ambição.

A publicidade da Peugeot 206, conhecida como “The Sculptor”, continua a ser um excelente exemplo de como uma marca consegue criar impacto sem depender apenas de argumentos técnicos sobre o produto. Em vez de apresentar o carro através de características como potência, consumo ou preço, a Peugeot construiu uma pequena história visual, simples e memorável, centrada no desejo de ter aquele automóvel.


O anúncio mostra um jovem que, ao ver o Peugeot 206, decide transformar artesanalmente o seu carro antigo numa versão improvisada do modelo. A ideia é exagerada, divertida e pouco realista, mas é precisamente isso que a torna eficaz. O foco não está apenas no automóvel, mas na forma como a marca consegue despertar aspiração, humor e identificação.

Do ponto de vista do Web Marketing, este anúncio continua relevante porque demonstra a força do storytelling e do conteúdo partilhável. Embora tenha sido criado antes da explosão atual das redes sociais, o vídeo continua a circular em plataformas como Facebook, YouTube e Instagram, funcionando quase como conteúdo viral. Isto mostra que uma boa ideia criativa pode prolongar a vida útil de uma campanha muito para além do seu lançamento original.

Este caso também ajuda a perceber que nem todo o marketing digital nasce no digital. Um anúncio pensado inicialmente para televisão pode ganhar uma nova vida online quando tem características que favorecem a partilha: é curto, visual, emocional, fácil de compreender e provoca uma reação. Neste sentido, a Peugeot conseguiu criar uma campanha com forte capacidade de "word-of-mouth", antes mesmo de este conceito estar tão associado às redes sociais.

Na minha opinião, este anúncio representa uma fase muito própria da Peugeot, em que a marca comunicava de forma criativa, jovem e emocional, mantendo uma identidade muito clara. Antes da integração no grupo Stellantis, a Peugeot parecia ter uma personalidade de comunicação mais autónoma e reconhecível, algo que este anúncio simboliza muito bem.

No fundo, “The Sculptor” mostra que a publicidade mais eficaz nem sempre é a que explica mais, mas sim a que fica na memória, e numa era em que a atenção é um bem escasso, essa talvez seja uma das maiores conquistas de uma marca.

Ainda hoje não consigo tirar aquela música indie da cabeça e atrevo-me a dizer que esta continua a ser uma das melhores publicidades automóveis alguma vez criadas.

Não é por mero acaso que o carro usado na publicidade ainda hoje é associado ao Musée de L’Aventure Peugeot, como símbolo da criatividade e da identidade da marca.


Na vossa opinião, as campanhas publicitárias atuais ainda conseguem criar este nível de ligação emocional e memorabilidade, ou o marketing digital moderno tornou-se demasiado rápido e descartável?

Fontes:

https://www.youtube.com/watch?v=wpqSvrjZsrU

https://laventure-association.com/en/evenement/peugeot-adventure-on-screen-at-laventure-peugeot-museum/

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Entre memes e mistério: o marketing do Duolingo nas redes sociais

 Nos últimos tempos, a Duolingo voltou a destacar-se nas redes sociais com uma campanha inesperada: a “morte” da sua mascote, a conhecida coruja verde.

Antes mesmo desta campanha, o Duolingo já era conhecido pela sua forma pouco convencional de comunicar, especialmente no TikTok. A marca construiu uma presença digital muito baseada em humor, tendências e interação com os utilizadores, transformando a sua mascote quase numa personagem com personalidade própria. Este tipo de abordagem permitiu criar uma ligação mais próxima com o público, fugindo ao tom mais institucional típico de muitas marcas. 

Embora esta campanha tenha acontecido há cerca de um ano, continua a ser um exemplo muito relevante para compreender o marketing digital atual. Num contexto em que as marcas procuram constantemente formas de captar atenção, este tipo de estratégia mostra como conteúdos virais podem ter um impacto duradouro e continuar a ser referência.

A marca anunciou, de forma aparentemente dramática, que a mascote tinha desaparecido, gerando rapidamente uma onda de reações no TikTok e noutras plataformas. Comentários, memes e teorias começaram a surgir, transformando a campanha num fenómeno viral.


O mais interessante neste caso é que não se trata de publicidade tradicional. O Duolingo não está diretamente a promover o produto, mas sim a criar um momento de entretenimento que envolve o público e incentiva a participação.

Esta estratégia mostra como, hoje em dia, as marcas procuram cada vez mais integrar-se na cultura digital. Em vez de comunicarem de forma direta, optam por criar conteúdos que se misturam com aquilo que os utilizadores já consomem nas redes sociais.

Além disso, a campanha reforça a importância do engagement. Ao gerar curiosidade e surpresa, o Duolingo consegue que os próprios utilizadores amplifiquem a mensagem, partilhando, comentando e criando conteúdo à volta do tema.

Curiosamente, a “morte” da mascote não foi definitiva... o Duolingo acabou por trazê-la de volta poucos dias depois, mostrando que toda a campanha fazia parte de uma narrativa pensada para gerar envolvimento contínuo e manter o interesse dos utilizadores.

Na minha opinião, este caso demonstra que o marketing digital está cada vez mais próximo do entretenimento. As marcas já não competem apenas pela atenção, competem também pela capacidade de criar momentos que façam as pessoas parar, reagir e participar.

Confesso que, ao ver os vídeos sobre o desaparecimento da coruja, também fiquei curiosa para perceber o que estava a acontecer e até me apareciam vários conteúdos relacionados com o assunto na minha "for you page".

No fundo, o Duolingo não está apenas a promover uma aplicação, está a criar uma história em que o consumidor quer participar.


E vocês, o que acham? Este tipo de campanhas torna as marcas mais próximas ou acaba por desviar a atenção do produto em si?

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Coachella: muito mais do que um festival de música, um fenómeno de marketing

Nos últimos anos, o Coachella deixou de ser apenas um festival de música para se tornar numa das maiores plataformas de marketing experiencial do mundo. Mais do que concertos, o festival passou a representar lifestyle, exclusividade e posicionamento de marca, tornando-se um espaço estratégico para empresas que procuram visibilidade junto de públicos jovens e altamente digitais.

Em 2026, marcas como Rhode, 818 Tequila, Gap, Adidas e American Express aproveitaram o evento para criar ativações exclusivas, espaços personalizados e experiências imersivas que iam muito além da publicidade tradicional. O objetivo deixou de ser apenas vender produtos, passou a ser criar momentos partilháveis e memoráveis que os consumidores querem mostrar nas redes sociais.

Um dos elementos mais marcantes desta estratégia é o chamado experiential marketing, em que a experiência vivida pelo consumidor passa a ser o foco principal da campanha. Em vez de recorrer apenas à publicidade tradicional, as marcas apostam na criação de espaços visualmente apelativos para partilha nas redes sociais, festas exclusivas, gifting suites e ativações VIP que despertam desejo e reforçam a sensação de exclusividade.

Outro ponto importante é o papel dos influenciadores. Muitos criadores de conteúdo tornam-se verdadeiros canais de distribuição da campanha, promovendo marcas de forma mais natural e eficaz do que campanhas pagas tradicionais. O conteúdo gerado por utilizadores  aumenta o alcance orgânico e reforça a credibilidade da marca junto da Geração Z.

Além disso, o Coachella funciona como um palco de posicionamento premium. Estar presente no festival significa associação imediata a tendência, luxo e cultura pop. Isso ajuda marcas emergentes a ganhar notoriedade e marcas consolidadas a reforçar a sua imagem aspiracional.

Esta transformação mostra como o marketing atual depende cada vez mais da criação de experiências e da capacidade de gerar conversa social. O Coachella tornou-se um exemplo claro de como eventos culturais podem funcionar como poderosas ferramentas de branding e vendas.

Na vossa opinião, festivais como o Coachella conseguem realmente influenciar decisões de compra ou funcionam sobretudo como montras temporárias de tendência?

Fonte: https://www.vogue.com/article/coachellas-big-brand-renaissance?utm_source 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Ironman: quando uma marca se torna o próprio sonho

Quantas vezes já ouvimos alguém dizer: “o meu sonho é fazer um Ironman”?

Com o crescimento das corridas, do triatlo e dos desafios pessoais, cada vez mais pessoas colocam este objetivo na sua lista. O Ironman tornou-se um verdadeiro símbolo de superação, disciplina e conquista. Para muitos, não é apenas uma prova, é um marco de vida, muitas vezes até celebrado com uma tatuagem.


Mas há um detalhe que nem toda a gente conhece: o Ironman não é uma modalidade desportiva. É uma marca.

Na prática, trata-se de um evento específico de triatlo de longa distância, que pertence ao World Triathlon Corporation, atualmente integrada no The Ironman Group. Ou seja, qualquer pessoa pode praticar triatlo de longa distância, mas só está realmente a fazer um “Ironman” se participar numa prova oficial dessa marca.

E é aqui que entra o verdadeiro poder do marketing. A força da marca é tão grande que o nome “Ironman” passou a ser usado como sinónimo da própria prova. Isto é algo que poucas marcas conseguem alcançar: quando o mercado começa a usar o nome da marca para identificar toda uma categoria.

Hoje, o Ironman está presente em dezenas de países, com centenas de eventos e milhares de participantes. Quando o mercado passa a usar o nome de uma marca para designar toda uma categoria, isso revela a força da sua notoriedade, que acaba por sustentar eventos, provas em todo o mundo e até grandes patrocínios. Mais do que um evento desportivo, tornou-se um ativo global, baseado em propriedade intelectual e numa identidade extremamente forte.

Mas é no ambiente digital que esta força se amplifica de forma ainda mais evidente. As redes sociais têm um papel fundamental na construção deste fenómeno, através da partilha constante de experiências, treinos e conquistas por parte dos próprios atletas. Influenciadores digitais ligados ao desporto, como a Cláudia Dias (@claudiadias.oficial), que já realizou um Half Ironman e criou uma comunidade online onde incentiva e ajuda outras pessoas a prepararem-se para esta modalidade, contribuem diretamente para dar visibilidade e aproximar o público deste universo.

O mesmo acontece com o seu treinador, Alexandre Nobre (@nobre94), que também já realizou um Half Ironman e se encontra atualmente a preparar-se para completar um Ironman completo. Através da partilha do seu percurso, treino e evolução, acaba por inspirar e motivar outras pessoas a definirem objetivos semelhantes.


Neste sentido, o digital não só amplifica a visibilidade da marca, como também cria comunidades, gera identificação e transforma o Ironman num objetivo cada vez mais acessível e desejado.

Este caso mostra como uma marca bem construída pode ultrapassar o produto ou serviço que representa. Não estamos apenas a falar de desporto, mas de posicionamento, significado e aspiração.

Fica a reflexão: quantas marcas conseguem tornar-se tão fortes ao ponto de se confundirem com o próprio conceito que representam?

segunda-feira, 30 de março de 2026

Quando o choque também educa: a campanha que fez da Nova Zelândia “O Melhor Lugar do Mundo para ter Herpes”

À primeira vista, parece uma campanha absurda. E talvez seja precisamente por isso que resulta tão bem.

Em 2024, a New Zealand Herpes Foundation lançou a campanha “Make New Zealand the Best Place in the World to Have Herpes”, com um objetivo claro: combater o estigma associado ao herpes. Em vez de seguir um tom clínico, sério ou moralista, a campanha escolheu o caminho oposto, recorrendo ao humor, à provocação e a uma estética quase turística para chamar a atenção para um tema que continua rodeado de vergonha e desinformação.

O mais interessante neste caso é que a campanha não se limitou a informar. Tentou mudar perceções! Ao apresentar a ideia de que a Nova Zelândia podia tornar-se o “melhor lugar do mundo para ter herpes”, a marca pegou num tema tabu e transformou-o numa mensagem altamente partilhável. Isto é particularmente relevante em Web Marketing, porque mostra que, no digital, muitas vezes a atenção não se conquista apenas com informação útil, conquista-se com uma ideia inesperada, capaz de parar o scroll e gerar conversa.

Do ponto de vista estratégico, esta campanha é forte por várias razões. Primeiro, porque usa humor para abordar um tema sensível sem banalizá-lo. Segundo, porque cria uma narrativa muito própria, com celebridades locais, vídeos educativos e até um ranking internacional de estigma. E terceiro, porque transforma uma causa de saúde pública num conteúdo com verdadeiro potencial viral. Em vez de falar apenas a quem já está sensibilizado para o tema, a campanha conseguiu se inserir na cultura digital e alcançar muito mais pessoas.

Este caso também mostra que o marketing digital não tem de servir apenas a marcas comerciais. Pode ser uma ferramenta poderosa para a mudança social, desde que haja uma boa leitura do público, coragem criativa e execução coerente. O reconhecimento internacional da campanha, incluindo o prémio máximo Cannes Lions Grand Prix for Good em 2025, reforça precisamente isso: quando a criatividade é usada de forma estratégica, até mesmo um tema desconfortável pode ser transformado em impacto positivo.


No fundo, esta campanha prova que, no ambiente digital, o choque nem sempre afasta. Quando bem pensado, pode ser o ponto de partida para gerar atenção, educar o público e mudar mentalidades.

Na vossa opinião, campanhas com humor e choque são uma forma eficaz de abordar temas tabu ou correm o risco de desvalorizar assuntos sensíveis?

quarta-feira, 18 de março de 2026

Exploding Kittens: Quando a Comunidade valida o Produto antes de ele existir!

Nem todas as campanhas de marketing digital servem apenas para vender. Algumas servem, antes de tudo, para perceber se existe realmente mercado para uma ideia. Foi isso que aconteceu com Exploding Kittens, um jogo de cartas lançado no Kickstarter em 2015 (podes saber mais sobre o jogo e a marca aqui). 

A campanha tornou-se um fenómeno: ultrapassou os 219 mil apoiantes e angariou cerca de 8,78 milhões de dólares, tornando-se o projeto com mais apoiantes da história do Kickstarter na altura.

O mais interessante neste caso é perceber que o Kickstarter funcionou não somente aqui como um canal de financiamento, mas principalmente como uma ferramenta de validação de mercado. Em vez de investir primeiro em produção e só depois descobrir se o público tinha interesse, a equipa usou a plataforma para testar diretamente a ideia junto da comunidade. A resposta foi tão forte que o produto já nasceu com procura, notoriedade e envolvimento.

Este caso também mostra bem a força de três elementos integrados no web marketing: comunidade, conteúdo e confiança. O projeto não cresceu só porque o jogo parecia divertido mas sim porque conseguiu mobilizar pessoas, gerar partilhas e criar um sentimento de participação desde o início. Ou seja, o público não foi apenas espectador da campanha, fez parte do lançamento. E isso, no digital, tem um valor enorme.

Ainda mais interessante quando percebemos que Exploding Kittens não ficou limitado ao crowdfunding. A marca conseguiu expandir-se para a Netflix, onde passou a contar com uma série de animação lançada em 2024, com 9 episódios, e também com um jogo mobile incluído nos planos da plataforma. Isto mostra como uma ideia inicialmente validada por uma comunidade online conseguiu transformar-se numa marca com presença em vários formatos de entretenimento.

Assim fica uma lição importante no marketing digital, o verdadeiro valor nem sempre está apenas na venda imediata, muitas vezes está na capacidade de criar uma base de fãs, testar o interesse real do mercado e construir uma marca com potencial de expansão. No caso de Exploding Kittens, a comunidade não serviu só para financiar o produto inicial, mas também serviu também para provar que existia espaço para fazer a marca crescer, muito para além do jogo de cartas, tornando-a numa marca global. 

E na vossa opinião, o crowdfunding é apenas uma forma de financiamento ou uma das ferramentas mais inteligentes para validar produtos e construir marcas no digital?

Até que ponto uma comunidade online pode transformar uma simples ideia numa marca global?

segunda-feira, 16 de março de 2026

Burger King e o “Corno Drive-Thru”: quando o Humor vira Marketing Viral

No meio de tantas campanhas previsíveis do Dia dos Namorados, a Burger King Brasil decidiu fazer exatamente o contrário, criando o “Corno Drive-Thru”, uma ação com humor dirigida a quem já foi traído. A lógica era simples e absurda o suficiente para chamar a atenção: quem passasse no drive-thru com um amigo que confirmasse a traição podia receber um Whopper gratuito na compra de um menu selecionado. A campanha decorreu no Brasil entre 10 e 12 de junho de 2025, aproveitando a data em que o país celebra o Dia dos Namorados.

O que torna esta campanha interessante não é apenas a promoção em si. É a forma como a marca usou um tema sensível, mas muito presente na cultura popular e nas redes sociais, para gerar conversa, partilhas e reações imediatas. O nome da campanha, o tom provocador e a mecânica pouco convencional fazem com que o conteúdo tenha tudo aquilo que normalmente funciona bem online: surpresa, humor, identificação e potencial viral.

Além disso, a Burger King já é conhecida por uma comunicação irreverente, por isso esta ação não pareceu “fora da personagem”. Pelo contrário, reforçou um posicionamento que a marca já vinha a construir: próximo da cultura digital, descontraído e sem medo de arriscar. Quando uma campanha está alinhada com a identidade da marca, a probabilidade de ser bem recebida é maior, mesmo quando o conceito é polémico ou exagerado. Isto é especialmente importante em ambiente digital, onde o público reage muito rapidamente ao que considera forçado ou incoerente.

Este caso mostra bem que o web marketing não vive apenas de anúncios pagos ou de promoções agressivas. Vive também de atenção. Hoje, muitas marcas disputam segundos de interesse no feed do utilizador, e campanhas como esta provam que criatividade e timing podem gerar enorme visibilidade. Mesmo sem conhecermos aqui os números exatos de adesão, o simples facto de a campanha ter sido notícia já mostra o seu valor em termos de alcance e notoriedade. Essa é uma das grandes forças do marketing digital: transformar uma ação local num tema de conversa muito mais amplo.

No fundo, o “Corno Drive-Thru” é um bom exemplo de uma estratégia que não tenta agradar a toda a gente, mas que consegue ser memorável. E no digital, muitas vezes, ser memorável já é metade da vitória.

Na vossa opinião, campanhas como estas geram verdadeiro valor para a marca ou apenas atenção momentânea?

sábado, 14 de março de 2026

Quando um consumidor cria a campanha: o caso viral da Stanley no TikTok

Na era digital, os consumidores têm hoje um poder enorme para influenciar a reputação e a visibilidade das marcas. Um simples vídeo publicado nas redes sociais pode chegar a milhões de pessoas em poucas horas e gerar um impacto que muitas campanhas publicitárias não conseguem alcançar.

Um exemplo recente disso aconteceu com a marca Stanley, conhecida pelos seus copos térmicos.
Em novembro de 2023, uma utilizadora do TikTok publicou um vídeo onde mostrava o interior do seu carro completamente queimado após um incêndio. No meio dos destroços estava um copo Stanley que tinha ficado no porta-copos. Quando ela o abriu, mostrou que ainda tinha gelo dentro. O vídeo rapidamente se tornou viral, e acumulou milhões de visualizações e comentários. Este caso é um bom exemplo de User Generated Content (UGC) que hoje tem um impacto enorme na comunicação das marcas.


O mais interessante foi a forma como a marca reagiu. O próprio CEO da Stanley respondeu publicamente ao vídeo, agradecendo à cliente e oferecendo-se para substituir o carro que tinha sido destruído no incêndio.

Este episódio demonstra bem que efetivamente hoje em dia as marcas já não controlam totalmente a comunicação sobre os seus produtos. Muitas vezes são os próprios consumidores que criam conteúdos capazes de gerar enorme visibilidade para uma marca.

Na minha opinião, este caso demonstra também a importância da rapidez e autenticidade na resposta das empresas nas redes sociais. A Stanley não criou esta situação nem planeou esta publicidade, mas conseguiu aproveitar o momento e reforçar a sua imagem de forma muito positiva.
Num contexto digital em que qualquer pessoa pode influenciar a opinião pública, saber ouvir e reagir às conversas online tornou-se tão importante como qualquer campanha de marketing tradicional.

E vocês, o que acham? Estamos a assistir a uma mudança real na forma como o marketing acontece online? 

domingo, 1 de junho de 2025

O poder do detalhe no Branding e no Marketing Digital: o exemplo da Super Bock Mini

No contexto do branding, os detalhes fazem toda a diferença e, no âmbito do Marketing Digital, essa atenção aos pormenores pode ser aproveitada para estabelecer um contacto mais eficaz com os consumidores.

A Super Bock Mini é um excelente exemplo disso. Já há algum tempo, a marca atualizou o seu rótulo com um detalhe aparentemente simples, mas altamente estratégico: a inclusão de um floco de neve no “O” da palavra “Mini”, que muda de cor e fica azul quando a cerveja atinge a temperatura ideal para consumo.

Esta alteração, apesar de simples, representa uma inovação que transforma a embalagem num ponto de contacto emocional entre a marca e o consumidor. Mas de que forma se liga isto ao Marketing Digital?

1. Experiência de marca que gera conteúdos partilháveis

O momento em que o floco muda de cor cria uma experiência visual e sensorial que muitos consumidores sentem vontade de partilhar — seja em stories, vídeos ou fotografias. Este tipo de interação dá origem a conteúdo gerado pelo utilizador, extremamente importante para a presença digital da marca.

2. Diferenciação no ponto de venda e nas plataformas digitais

Quer seja numa prateleira física ou num anúncio online, este pequeno detalhe diferencia a Super Bock Mini da concorrência. No meio digital, esta funcionalidade pode ser trabalhada através de campanhas, vídeos ou conteúdos interativos, que reforcem visualmente a inovação e a experiência do produto. Um exemplo disso foi a campanha publicitária lançada pela Super Bock para promover esta novidade.

3. Conversão impulsionada pela curiosidade

O floco que muda de cor desperta a curiosidade dos consumidores, levando-os a querer comprar o produto para terem a experiência. Isto leva a que mais consumidores sejam influenciados a comprar o produto.


Desta forma, percebe-se que uma decisão de branding pode ser transformada num ativo valioso quando integrada numa estratégia de marketing digital bem estruturada.

Fontes:

https://www.meiosepublicidade.pt/2024/09/05/super-bock-lanca-luva-para-refrescar-cerveja-com-campanha-da-uzina-com-video

quinta-feira, 15 de maio de 2025

XXXXXXXX e a CPI das Bets

Neste post vou introduzir-vos à polémica da XXXXXXXX e a CPI das Bets. Antes de irem ao Google tentem ler até ao final e descobrir a influencer. Se já foram ou sabem, confirmem se o nome mistério não vos aparece nos 5 primeiros resultados quando digitam 'CPI das bets'. 

Babado, confusão e gritaria 

Primeiro de tudo, esclarecer que CPI é a sigla para 'Comissão Parlamentar de Inquérito'. A CPI encontra-se ocupada a investigar escândalos com casas de apostas e o seu impacto no orçamento das famílias brasileiras. A abertura do caso foi proposta pela senadora Soraya Thronicke em novembro de 2024, em virtude dos gastos bilionários de agregados beneficiários da Bolsa Família em plataformas de apostas, via Pix (o Pix é um método instantâneo de pagamento criado pelo Banco Central).

Agora vamos entrar na polémica. O motivo da comparência ao Senado Federal deve-se à influenciadora utilizar, alegadamente, o alcance nas suas redes sociais para fazer publicidade de apostas e jogos. Numa reportagem da Revista Piauí citam que o contrato da XXXXXXXX com a 'Esportes da Sorte' tinha uma cláusula de "cachê de desgraça alheia". Sim, isto quer mesmo dizer que, a ser verdade, quanto mais as pessoas perdiam dinheiro com apostas, mais ela recebia. 

O seu depoimento deveria responder a questões relativas aos cachês recebidos com publicidades e contratos com grandes empresas de apostas. Ela esclareceu que o contrato previa faturação sobre o lucro da casa de apostas e não sobre as perdas dos apostadores. Mas recusou responder qual o maior valor recebido em publicidade. 

Se já estiverem a desesperar, aqui vai uma ajuda: 


Não, ela não se enganou no evento. Se já sabem quem é, provavelmente acharam estranho. Se não sabem, pasmem-se pela pessoa da imagem de cima ser a mesma que casualmente se apresenta assim:


 ... e assim... 

A Virginocente

Há quem diga que o look despretensioso apela a uma imagem humanizada. Uma jovem mãe, simples, inocente, que nem percebe a gravidade do assunto, e tão intelectual quanto os seus óculos a fazem parecer para estar associada a tal escândalo. A consultora de branding e imagem política Deniza Gurgel afirma: "Mãe é uma imagem que é associada a bondade, cuidado e dedicação ao próximo. Só existem associações positivas relacionadas à maternidade. O marido junto com ela também é um outro elemento importante dentro desse processo de comunicação". Sobre o copo térmico rosa de que se faz acompanhar e que os seguidores estão habituados a ver nas redes sociais, a especialista esclarece:  "É um ponto de identidade para que as pessoas que a seguem consigam perceber que ela continua sendo a mesma pessoa. E isso ajuda a trazer confiança e estabilidade dentro do processo de comunicação e gestão de marca dela". 

Mas o assunto vai além da moda como estratégia de comunicação e criação de narrativa (bem diferente da habitual). Logo após o depoimento, seguem-se stories de agradecimento a senadores e um desconto no website da marca da influenciadora: 

Stories em que a influenciadora agradece aos senadores e anuncia desconto no site da WePink — Fonte: Poder360

Após este fashion statement, mais de 200 mil seguidores deram unfollow. O que a nossa protagonista não esperava era perder seguidores em troca de os oferecer aos senadores, cujo momento de fama na transmissão ao vivo no Youtube rendeu fãs (não apoiantes!). 

Senador pede fotografia à influencer — Foto: TV Senado

Já perceberam de quem se trata? Em caso afirmativo, ou não, deixo-vos com esta imagem da sessão fotográfica da influencer do Dia das Mães: 


Fotografia da sessão fotográfica do Dia das Mães — Foto: Rafael Manson/Divulgação

Não estranhem tanto a mudança de visual materno autêntico para luxuoso e poderoso, que o 'A Idade da Inocência' ficou em 1993.

O que têm a dizer sobre este caso? 

A- A VIRGINIA estava atrasada e pegou na roupa às cegas
B- A política está a ser redesenhada pelo marketing digital e os influencers
C- Deixem os ricos em paz 
D- Foi só uma estratégia de crossmedia e branding muito bem planeada 


Fontes: 

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/saiba-o-que-disse-virginia-a-cpi-das-bets/?utm_source=chatgpt.com

https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/virginia-perde-mais-de-230-mil-seguidores-apos-ser-interrogada-em-cpi/

https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/virginia-na-cpi-quando-a-politica-se-curva-ao-espetaculo/ 

https://www.poder360.com.br/opiniao/a-inocencia-da-maternidade-estrategia-de-virginia-para-a-cpi-das-bets/ 

https://investalk.bb.com.br/noticias/mercado/cpi-das-bets-entenda-o-caso-que-levou-a-influenciadora-virginia-a-depor-no-congresso 

https://entretenimento.r7.com/vivaavida/prisma/makes-e-afins/look-de-virginia-fonseca-para-depor-em-cpi-das-bets-e-criticado-nas-redes-sociais-14052025/ 

https://www.eufemea.com/2025/05/virginia-fonseca-na-cpi-especialistas-analisam-look-e-apontam-estrategia-de-imagem/ 

https://www.metropoles.com/colunas/ilca-maria-estevao/o-que-esta-por-tras-do-look-de-virginia-para-depor-na-cpi-das-bets 

quarta-feira, 16 de abril de 2025

PUMA “Go Wild”: Uma Nova Corrida pelo Coração da Geração Z

Num momento em que as marcas desportivas competem não apenas por quota de mercado, mas por relevância cultural, a Puma apresenta uma campanha que reflete uma viragem clara no posicionamento da marca. “Go Wild” não é apenas um slogan, é uma tentativa estratégica de redefinir o papel do desporto na vida quotidiana, sobretudo para a Geração Z, que valoriza autenticidade, inclusão e bem-estar.

A campanha surge como resposta a uma pesquisa global com mais de 10.000 consumidores, onde foi identificado que esta nova geração não vê o desporto apenas como performance, mas sim como um ritual emocional, uma forma de socialização, auto expressão e auto cuidado.

O anúncio central da campanha tem cerca de 60 segundos e é impossível passar despercebido. A música? Uma versão adaptada do clássico “Because I Got High” de Afroman – uma escolha ousada e irónica, que aqui se transforma numa ode ao "runner’s high" (aquela sensação eufórica após uma corrida).

Visualmente, o anúncio celebra a diversidade: desde mães com carrinhos de bebé a donos de cães, passando por grupos de amigos e corredores solitários. Todos “libertam a sua energia interior” com um sorriso no rosto. A mensagem? Correr é para todos e pode ser divertido.



Esta campanha da Puma foi uma estratégia de marketing digital altamente integrada, focada em emocionar e conectar com a Geração Z. A marca redefiniu o desporto, não como performance, mas como prazer e auto expressão, criando uma forte conexão emocional com o público. 

Também foi caracterizada por uma forte estratégia multicanal, adaptando o conteúdo para diferentes plataformas, como YouTube, Instagram e TikTok, o que permitiu à Puma atingir o público de forma personalizada, respeitando as dinâmicas e os comportamentos de cada rede social. Essa personalização do conteúdo foi crucial para criar uma experiência de marca alinhada com o estilo de vida da Geração Z, que valoriza mais a autenticidade e o bem-estar do que a performance pura.

A marca também apostou num storytelling emocional, usando a música “Because I Got High” de Afroman para criar uma narrativa divertida e relaxada, que reflete o prazer de correr, e não a busca incessante por performance. Essa abordagem tornou o anúncio mais envolvente e permitiu à Puma estabelecer uma ligação emocional com o seu público. 

A campanha também integrou o digital com o físico, associando eventos desportivos a ativações online, o que resultou numa experiência imersiva para os consumidores. Em termos de web marketing, a Puma soube explorar estratégias como a multicanalidade, a personalização de conteúdo e o uso de influenciadores de maneira eficaz, criando uma conexão emocional que vai além da simples venda de produtos, estabelecendo uma relação mais duradoura e significativa com a marca.

Essa abordagem mostra como o web marketing, quando bem executado, pode não só gerar conversão, mas também engajamento genuíno e identificação emocional com o público-alvo, especialmente quando alinhado com os valores e as preferências de novas gerações. 

A Puma mostra com esta campanha que o futuro do marketing desportivo passa por mais do que apenas “mostrar atletas a vencer”. Passa por mostrar pessoas reais a viver emoções reais, e por usar os canais certos, com o tom certo, para construir comunidade, significado e identificação. Esta campanha representou um aumento de 40% nos investimentos de marketing em relação a 2024, evidenciando o compromisso da marca em alcançar um público mais amplo.

Se o marketing do passado vendia aspiração, o marketing atual, bem executado, vende identificação — e a “Go Wild” acerta em cheio nesse ponto.

Fontes: 

PUMA lança campanha global ‘Go Wild’ com novo posicionamento

Inside Puma’s new brand positioning and largest global campaign to date

Investimento publicitário global cresce 10,5% para €960 mil milhões em 2024

Puma lança “Go Wild”, a sua maior campanha global até à data

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Um pequeno-almoço português

Apesar de o Rodrigo andar menos atento, aqui fica um "evento" que não podia deixar de ser assinalado no blogue! O conhecido chef britânico Gordon Ramsay passou por Portugal para gravar os episódios da terceira temporada do programa "Uncharted" e surpreendeu os portugueses ao cozinhar um pequeno-almoço com carne de porco preto, bacon e ovos.


Os internautas portugueses rapidamente responderem à publicação nas redes sociais com comentários e imagens de alternativas à comida tipicamente britânica a que o cozinheiro chamou portuguesa. E apesar de ter tido um alcance muito menor do que a "Mariana", também há marcas que se juntaram "oportunisticamente" e com humor à "conversa"...


Aqui fica a receita do magnifico pequeno-almoço português by Gordon Ramsay!

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Se é caro, é bom! Marketing rude ou uma chamada de atenção?





Em novembro, a Payless, uma marca americana que vende calçado a retalho e a preços bastante acessíveis, pregou uma partida a um grupo de 60 influencers. A marca organizou um evento numa loja falsa a que deram o nome de "Palessi" e onde colocaram à venda os seus sapatos por mais de 640$ e que habitualmente custam à volta de 20$.

Com esta campanha, a marca queria reforçar a ideia, num tom provocativo, de que os seus produtos estão a par das tendências e, ainda assim, são vendidos a um preço acessível. Doug Cameron, o Chief Creative Officer, referiu que seria uma experiência social que poderia desafiar a atual cultura de influência do mundo da moda e que existem determinados padrões culturais que podem alterar o valor percebido de "quase tudo". Foram dadas várias pistas sociais e visuais (do ambiente físico, por exemplo) aos consumidores  e isso fez com que os produtos fossem vistos como de luxo.


Imagem relacionada


Mas porque resultou?

O preço é um posicionamento
Coisas baratas são automaticamente vistas como tendo má qualidade e, muitas vezes, a própria qualidade do produto não é avaliada.

O branding é poderoso
Os preços, a loja decorada como uma loja de luxo e o próprio nome "Palessi" fizeram com que a marca se posicionasse numa questão de segundos no mercado de luxo.


No final desta experiência social, o valor que pagaram pelos sapatos foi devolvido. Mas será que estamos a perder a nossa capacidade para avaliar a qualidade de um produto e não nos conseguimos abstrair de algumas variáveis?


https://www.cbsnews.com/news/payless-sold-discount-shoes-at-luxury-prices-and-it-worked/
https://www.vox.com/the-goods/2018/11/30/18119773/payless-shoesource-fake-luxury-store-hoax-branding
https://tc-creatives.com/paylesss-palessi-demonstrates-the-power-of-brand-positioning/