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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Entre memes e mistério: o marketing do Duolingo nas redes sociais

 Nos últimos tempos, a Duolingo voltou a destacar-se nas redes sociais com uma campanha inesperada: a “morte” da sua mascote, a conhecida coruja verde.

Antes mesmo desta campanha, o Duolingo já era conhecido pela sua forma pouco convencional de comunicar, especialmente no TikTok. A marca construiu uma presença digital muito baseada em humor, tendências e interação com os utilizadores, transformando a sua mascote quase numa personagem com personalidade própria. Este tipo de abordagem permitiu criar uma ligação mais próxima com o público, fugindo ao tom mais institucional típico de muitas marcas. 

Embora esta campanha tenha acontecido há cerca de um ano, continua a ser um exemplo muito relevante para compreender o marketing digital atual. Num contexto em que as marcas procuram constantemente formas de captar atenção, este tipo de estratégia mostra como conteúdos virais podem ter um impacto duradouro e continuar a ser referência.

A marca anunciou, de forma aparentemente dramática, que a mascote tinha desaparecido, gerando rapidamente uma onda de reações no TikTok e noutras plataformas. Comentários, memes e teorias começaram a surgir, transformando a campanha num fenómeno viral.


O mais interessante neste caso é que não se trata de publicidade tradicional. O Duolingo não está diretamente a promover o produto, mas sim a criar um momento de entretenimento que envolve o público e incentiva a participação.

Esta estratégia mostra como, hoje em dia, as marcas procuram cada vez mais integrar-se na cultura digital. Em vez de comunicarem de forma direta, optam por criar conteúdos que se misturam com aquilo que os utilizadores já consomem nas redes sociais.

Além disso, a campanha reforça a importância do engagement. Ao gerar curiosidade e surpresa, o Duolingo consegue que os próprios utilizadores amplifiquem a mensagem, partilhando, comentando e criando conteúdo à volta do tema.

Curiosamente, a “morte” da mascote não foi definitiva... o Duolingo acabou por trazê-la de volta poucos dias depois, mostrando que toda a campanha fazia parte de uma narrativa pensada para gerar envolvimento contínuo e manter o interesse dos utilizadores.

Na minha opinião, este caso demonstra que o marketing digital está cada vez mais próximo do entretenimento. As marcas já não competem apenas pela atenção, competem também pela capacidade de criar momentos que façam as pessoas parar, reagir e participar.

Confesso que, ao ver os vídeos sobre o desaparecimento da coruja, também fiquei curiosa para perceber o que estava a acontecer e até me apareciam vários conteúdos relacionados com o assunto na minha "for you page".

No fundo, o Duolingo não está apenas a promover uma aplicação, está a criar uma história em que o consumidor quer participar.


E vocês, o que acham? Este tipo de campanhas torna as marcas mais próximas ou acaba por desviar a atenção do produto em si?

sexta-feira, 17 de abril de 2026

“Se não têm pão, comam brioches” … ou então façam um vídeo para a Domino’s

Está provado que a comida ocupa um lugar muito importante na mente do consumidor médio português (https://www.nit.pt/fit/saude/portugueses-pensam-mais-em-comida-do-que-em-sexo-e-desta-ninguem-estava-a-espera) e aquando do advento da redes sociais não era incomum sermos “inundados” pelo detalhe fotografado da última refeição de vários amigos, numa dinâmica de transição entre a word-of-mouth analógica e a word-of-mouse da era digital.

As marcas sabem deste duplo “vício":  o português adora falar de comida e adoooora mostrar o que comeu. Também sabem que a geração Z convive confortavelmente com a exibição imediata dos seus “feitos” e com a sensação de pertença ao contribuir para a criação de uma marca que aprovam.

Por tudo isto, a Domino’s lançou uma campanha que pretende tirar partido dessas características e criou um desafio de criação de conteúdos digitais que de uma vez só divulguem o produto, criem engagement, com alguma sorte se tornem virais (a Domino’s está certamente a fazer figas para que tal aconteça) e estimulem o word-of-mouse, tão importante nos dias de hoje para conseguir alcançar os números de uma campanha de tipo push, sem gerar os anticorpos a que esse tipo de campanha  dá lugar e em vez disso tirar partido da eficácia e credibilidade que uma comunicação espontânea gera junto dos consumidores.

 

Subitamente, todos podemos ser inluencers da Domino’s !

Este tipo de marketing participativo transforma o consumidor num embaixador da marca, com esta a beneficiar de todas as vantagens de uma mensagem genuína, abrangente e com rápida difusão a troco de…



UMA PIZZA!?! 

Hummmm….

Afinal, se calhar, não vou já a correr ligar a câmara do meu telemóvel.

Mas de tanto falar na Domino’s fiquei com vontade de comer qualquer coisa que leve pepperoni...

(Não se preocupem, prometo que não mando fotos)

sábado, 14 de março de 2026

Quando um consumidor cria a campanha: o caso viral da Stanley no TikTok

Na era digital, os consumidores têm hoje um poder enorme para influenciar a reputação e a visibilidade das marcas. Um simples vídeo publicado nas redes sociais pode chegar a milhões de pessoas em poucas horas e gerar um impacto que muitas campanhas publicitárias não conseguem alcançar.

Um exemplo recente disso aconteceu com a marca Stanley, conhecida pelos seus copos térmicos.
Em novembro de 2023, uma utilizadora do TikTok publicou um vídeo onde mostrava o interior do seu carro completamente queimado após um incêndio. No meio dos destroços estava um copo Stanley que tinha ficado no porta-copos. Quando ela o abriu, mostrou que ainda tinha gelo dentro. O vídeo rapidamente se tornou viral, e acumulou milhões de visualizações e comentários. Este caso é um bom exemplo de User Generated Content (UGC) que hoje tem um impacto enorme na comunicação das marcas.


O mais interessante foi a forma como a marca reagiu. O próprio CEO da Stanley respondeu publicamente ao vídeo, agradecendo à cliente e oferecendo-se para substituir o carro que tinha sido destruído no incêndio.

Este episódio demonstra bem que efetivamente hoje em dia as marcas já não controlam totalmente a comunicação sobre os seus produtos. Muitas vezes são os próprios consumidores que criam conteúdos capazes de gerar enorme visibilidade para uma marca.

Na minha opinião, este caso demonstra também a importância da rapidez e autenticidade na resposta das empresas nas redes sociais. A Stanley não criou esta situação nem planeou esta publicidade, mas conseguiu aproveitar o momento e reforçar a sua imagem de forma muito positiva.
Num contexto digital em que qualquer pessoa pode influenciar a opinião pública, saber ouvir e reagir às conversas online tornou-se tão importante como qualquer campanha de marketing tradicional.

E vocês, o que acham? Estamos a assistir a uma mudança real na forma como o marketing acontece online? 

quarta-feira, 2 de abril de 2025

ChatGPT e o Estilo Ghibli: Criatividade ou Apropriação Indevida

A ferramenta Chatgpt tem na sua base o recurso à tecnologia de ponta Inteligência Artificial. Até ao momento cada um de nós (enquanto utilizador) pode fazer perguntas a este chat boot e receber on time a respetiva resposta, o mais completa e detalhada possível, via texto, imagens ou voz. Com o passar dos tempos, e das atualizações, verificou-se a opção do Chatgpt gerar imagens através da Inteligência Artificial, no entanto esta possibilidade não é totalmente isenta, pois por motivos de RGPD (Regulamento Geral da Proteção de Dados) esta gestão pode não ser totalmente efetiva.

Contudo, apesar do indicado, nada foi impedimento para que a ferramenta em causa apresentasse uma nova atualização na versão paga, na passada quarta-feira (26 de marco). Segundo o Jornal Sic Notícias (2025) é agora possível “produzir uma imagem inspirada no estilo do famoso criador de filmes de animação japonês Studio Ghibli sem acordo de licenciamento, o que reacende o debate sobre a utilização de conteúdos para desenvolver este software.”

Reação dos Criadores

Quem não ficou agradado com o sucedido foi o japonês Hayao Miyazaki (cofundador do Studio Ghibli), que já em 2016 havia prestado declarações no sentido de não compactuar com os trabalhos virtuais gerados através de Inteligência Artificial, segundo Mouriquand (2025). E, após o lançamento na nova atualização no Chatgpt o mesmo veio dizer que: “Nunca teria a ideia de integrar esta tecnologia no meu trabalho. Sinceramente, acho que é um insulto à própria vida”, perante o Jornal Sic Notícias (2025).

Atitude do Diretor Executivo da Open AI:

Na rede social X, Sam Altman (Ceo e Diretor Executivo da Open AI no Chatgpt) escreveu segundo o Jornal Sic Notícias (2025) em resposta às críticas, relativas à questão da proteção dos dados não estar a ser respeitada. “As imagens no ChatGPT são muito mais procuradas do que imaginávamos (e tínhamos grandes expectativas). (...) O nosso objetivo é oferecer aos utilizadores o máximo de liberdade criativa possível”.

Sam após o lançamento da novidade ao estilo Ghibli decidiu transformar “ seu perfil na plataforma de redes sociais X num retrato ao estilo Ghibli.”, de acordo com Mouriquand (2025). Posto isto, Miyazaki levantou a questão: “Bem, eles têm uma licença ou permissão para fazer esse treino ou não'?" segundo Mouriquand (2025).

Reação Negativa de Internautas
Perante Marketeer (2025), o McDonald’s México também aderiu a esta tendência contudo foi alvo de críticas após publicar nas redes sociais imagens ao estilo característico dos filmes do Studio Ghibli, geradas através de AI. Posto isto, Miyazaki levantou a questão: “Bem, eles têm uma licença ou permissão para fazer esse treino ou não'?" segundo Mouriquand (2025).
A estratégia de comunicação de marketing desta cadeia de fast food foi alvo de críticas, tendo sido acusada pelos utilizadores digitais por tentativa de “apropriação artística sem permissão.”, segundo Marketeer (2025). 

Reação Positiva de Internautas
Tudo isto gerou grande adesão nas redes, por parte dos internautas que consideraram o feito algo divertido tendo aderido rapidamente à atualização. Esta nova atualização foi tida, de acordo com Mouriquand (2025), como: "Hoje é um grande dia para a Internet", declarou um utilizador ao partilhar memes populares no formato Ghibli.”.


McDonald´s México e a tendência do estilo Ghibli. Fonte: Facebook (2025)




Não só utilizadores de redes sociais anônimos aderiram à moda de utilizarem imagens ao estilo Ghibli. Um exemplo disto, segundo Mouriquand (2025), foi a a administração de Trump ter usado a conta oficial X da Casa Branca ter publicado a imagem chorosa de uma figura feminina defensora da República Dominicana, após detida por agentes de imigração dos Estados Unidos.


sexta-feira, 14 de março de 2025

"Share a Coke": a campanha que modificou as embalagens da Coca-Cola

Já encontraste uma garrafa de Coca-Cola com o teu nome no rótulo? A campanha "Partilha uma Coca-Cola" não só revitalizou a marca, como também criou uma forte ligação emocional com os consumidores. Esta estratégia simples, mas altamente eficaz, transformou a experiência de consumo num momento único e personalizado, tornando-se um fenómeno global.

Lançada em 2011 na Austrália, rapidamente se expandiu para vários mercados internacionais, adaptando os rótulos com os nomes mais comuns de cada país. Esta abordagem não apenas incentivou a compra individual, mas também estimulou a partilha entre amigos e familiares, criando uma experiência emocionalmente envolvente. A força da campanha residiu na capacidade de transformar um simples refrigerante num elemento de interação social e conexão emocional.

A Coca-Cola maximizou o impacto digital da campanha através das redes sociais, incentivando os consumidores a partilhar fotos e histórias com a hashtag #PartilhaUmaCocaCola. Esta estratégia gerou um grande volume de conteúdo autêntico e viral, aumentando a visibilidade da marca e reforçando o envolvimento do público. Além disso, a personalização da campanha para diferentes mercados, com nomes e mensagens adaptadas a cada região, garantiu um impacto global sem perder a relevância local.

A Campanha "Share a Coke" é um exemplo notável de como a personalização e integração eficaz das redes sociais podem transformar a relação entre uma marca e seus consumidores. Para além do aumento significativo das vendas, a Cola-Cola conseguiu criar momentos memoráveis, que os consumidores tiveram prazer em partilhar, reforçando assim a conexão emocional e lealdade à marca.

A Coca-Cola utilizou plataformas como Facebook, Instagram e Twitter para criar um diálogo direto com os consumidores, encorajando o conteúdo gerado por eles e promovendo uma sensação de comunidade. Além disso, a marca recorreu a influenciadores digitais para aumentar o alcance da campanha de forma orgânica e espontânea.

No ambiente digital, a Coca-Cola também desenvolveu experiências interativas, como sites e apps, que permitiam aos consumidores procurar e partilhar as garrafas com seus nomes. A utilização de e-mail marketing manteve o público informado e engajado, enquanto a análise de dados ajudou a otimizar a campanha em tempo real, garantindo relevância local.

Esta campanha obteve resultados positivos para a marca, pelo que o número de pessoas que bebe coca-cola aumentou em 5% e o número de jovens que a consomem cresceu 7%.

Fontes: 

sábado, 6 de abril de 2024

TikTok e Cosmética: O caso da Sephora Kids

Na era digital e das redes sociais, a influência dos famosos/ influenciadores sobre as escolhas de consumo da nova geração, tornou-se uma realidade evidente. Em Portugal, como por todo o mundo, jovens e até mesmo crianças são frequentemente influenciados pelos gostos e preferências das suas celebridades preferidas. Esta tendência não só afeta o tipo de produtos que os jovens escolhem, mas também molda as suas perceções de estilo de vida, moda, assim como a sua personalidade.

É o caso da “Sephora Kids” assim apelidado, pelo facto de existirem cada vez mais crianças e jovens a comprarem cosméticos de beleza para uso próprio, muito por influência de estratégias de marketing e redes sociais. São muitos os pais e influenciadores que se questionam e se preocupam, pela forma como crianças de 10/11 anos começam a procurar maquilhagem de forma abrupta, visto que este fenómeno se estende cada vez mais. Estas , admitem que se não usarem maquilhagem não se sentem “elas mesmas”.
 
                               

Lojas como a Sephora (conhecida por oferecer uma grande diversidade de produtos de alta qualidade, captando a atenção dos mais jovens), Ulta Beauty, entre outras, encontram-se repletas de meninas entre os 10-12 anos e até mesmo crianças com apenas 8 anos, que não têm necessidade para este tipo de consumo. Os próprios especialistas da pele, estão cada vez mais preocupados e tentam alertar as mesmas para os problemas que poderão vir a ter no futuro, como irritação, acne e dermatite, consequência da obsessão de imitar os influenciadores.

São muitas as redes sociais utilizadas para a divulgação de vídeos de skincare, sendo mais frequente no TikTok. O que já era uma tendência entre adultos, estendeu-se à faixa etária mais jovem, por influência dos seus ídolos e das próprias campanhas de marketing de marcas de produtos de beleza. Além disso, a crescente disponibilidade de tutoriais de beleza online e o fácil acesso aos produtos através de lojas físicas e online também podem contribuir para essa tendência.

Um dos casos mais famosos do TikTok é North West, filha da Kim Kardashian, que com apenas 10 anos já se enquadra nesta tendência.



Quando se trata de divulgar produtos de beleza, as marcas e os influenciadores devem tomar em atenção a forma como fazem os seus discursos, de modo a não levarem ao uso excessivo e inadequado dos cosméticos. Existem conteúdos que se associam a padrões de estética e que, por conseguinte, influenciam a autoestima dos mais jovens.

Seria uma mais-valia a produção de gamas de cosmético mais específicas, com químicos adequados à idade de crianças e jovens. Desta forma, não afetavam os problemas adversos do uso excessivo de maquilhagem com químicos inadequados para a sua pele, pois muitas influenciadoras admitem receber mensagens de jovens que as questionam sobre os produtos que utilizam, para os poderem comprar e imitá-las, para alcançarem padrões de estética irreais.

E vocês, não acham que a “obsessão” de imitarmos os influenciadores e famosos trará consequências no modo como vivemos?

Fontes:

'Sephora kids': a obsessão pelas rotinas de cosméticos alcança crianças e acende o alerta de especialistas | Medicina | O Globo

Breaking down the 'Sephora kids' trend (youtube.com)

'Sephora Kids' e o alarmante crescimento do mercado de produtos de beleza para crianças - BBC News Brasil

TikTok e make-up: o polémico sucesso infantil das “Sephora Kids” - Atualidade - SAPO Lifestyle

'Sephora Kids': fenômeno é um alerta para adultização da infância - Estadão (estadao.com.br)

quarta-feira, 3 de abril de 2024

O poder das Fandoms na Era Digital

Todos nós alguma vez na vida já fomos fãs de algo, de uma série, uma saga de filmes, livros, jogos, um cantor/a ou banda, um clube desportivo, ou mesmo um produto.

A palavra “Fandom” foi criada pela junção de “fan” com “kingdom” originando o “Reino dos fãs”, ou seja, Fandoms são comunidades que juntam fãs e ídolos, promovendo a interação, a criatividade e a partilha de ideias e pensamentos. Estes grupos permitem a criação de uma conexão muito forte baseada na partilha de paixões, valores e interesses.

Os grupos de fãs já existiam no passado, no entanto com evolução da tecnologia, da internet e dos meios de comunicação, as fandoms criaram um novo nível de engagement, devido á maior facilidade em juntar pessoas. Desencadeou-se assim, uma atitude mais proativa, centrada na distribuição e criação de conteúdo, desde vídeos, memes, fanfics, eventos e até mesmo na criação de negócios como restaurantes, hotéis, salas de escape, entre outros.

Os fãs sempre existiram, mas as redes sociais fortaleceram a sua relação com a comunidade e aumentaram a sua influência em relação ao mercado. A Era Digital facilitou a comunicação entre fãs, através de fóruns, paginas online, redes sociais, grupos, blogs e podcasts dedicados ao fandom. E facilitou ainda a comunicação com os próprios ídolos, por exemplo no Instagram existem atualmente, comunidades que os artistas, influencers e atores podem criar para interagir com o público, de uma forma mais próxima.

As Fandoms são comunidades muito poderosas, potenciadas pela Era Digital não criam apenas novas culturas, mas sim novos mercados. Podemos ver alguns exemplos de diferentes Fandoms:

  • Apple enthusiasts – A marca Apple conseguiu criar um grupo de fãs leal e devota à marca através da inovação e constante lançamento de produtos melhorados. Há clientes que têm todos os produtos da marca, que adquirem os novos produtos assim que estes são lançados, existem inúmeros vídeos, páginas, blogs na internet sobre as tecnologias da Apple, com comparações e opiniões. Aposto que qualquer pessoa que tenha um iphone, antes de o comprar fez comparações entre os vários modelos Apple e várias marcas de smartphones, através de vídeos partilhados por outros utilizadores, feedback e rewies partilhados em blogs ou redes sociais.

  • Harry Potter “Potterheads” - A fandom de Harry Potter é uma das mais dedicadas e apaixonadas do mundo. Os fãs se reúnem em convenções, eventos temáticos, e online em fóruns e redes sociais para discutir teorias, compartilhar arte e fanfics, e expressar seu amor pela série. A Universal Studios levou o mundo mágico de Harry Potter aos fãs, em Inglaterra e nos Estados Unidos os fãs têm oportunidade de conhecer todos os locais onde ocorre a saga fictícia. Existem também jogos de telemóvel e computador onde é possível encontrar a nossa casa e descobrir o nosso patronum, entre outras atividades e todo o tipo de merchandising criado em torno das histórias de Harry Potter. Além disso, a série inspirou movimentos sociais, como a Aliança da Luz, uma organização sem fins lucrativos fundada por fãs de Harry Potter que se dedicam a promover a justiça social e combater a discriminação. Em Portugal, mais precisamente em Sintra foi recentemente inaugurado um restaurante temático, adivinhem sobre o que? Sim, claro o Harry Potter, trata-se de um buffet de pizzas, mas todo o conceito gira á volta da decoração e da experiência. No espaço de um mês e meio, o restaurante Plataforma 9 3/4 já deu muito que falar.

  • Temos ainda, atualmente as Swifties como foi retratado na última publicação da Ana Pereira, ainda no âmbito musical as directioners, que mesmo após a banda se separar continuam com uma forte presença online e a apoiar cada um dos membros individualmente enquanto aguardam por um reencontro dos 1D (confeço que sou uma delas). No âmbito das séries um dos maiores fandoms de sempre é o de Game of Thrones.


É importante destacar que estas comunidades se tornaram tão efetivas na comunicação das marcas, que as marcas se estão a aproveitar do marketing gratuito realizado pelas Fandoms através do Word of Mouth/Mouse e do User Generated Content. As empresas cada vez mais percebem a importância dos fãs e, portanto, começam a criar eventos e produtos especiais para os mesmos.

O User Generated Content como sabemos é uma das melhores formas de criatividade e empreendedorismo, por parte dos consumidores, que apenas é possível devido à elevada quantidade de informação que nos rodeia. É considerado um earned media, assim como o WOM, pois não é pago, nem é propriedade da empresa, é gerado pelos consumidores, porque a empresa merece, positiva ou mesmo negativamente.

Isto permite criar um laço mais afetivo forte com os consumidores pois como já abordamos nas aulas, as novas gerações apostam muito na relação com a marca, desejam interação, relação, participação e acima de tudo experiências únicas. Já para não falar que a geração net tem preferência pela comunicação via online e baseia muito as suas decisões em opiniões de outros consumidores publicadas online.

Os fandoms desempenham um papel crucial na indústria do entretenimento, pois contribuem significativamente para a divulgação de músicas, jogos, livros, filmes e séries, aumentando o interesse e, por conseguinte, os lucros para os produtores e a perspetiva é que com o passar dos anos esse poder aumente.

E vocês? Fazem parte de algum fandom? Conhecem alguma iniciativa interessante criada por fãs?


Fontes:

terça-feira, 3 de maio de 2022

Sistemas de recomendação: Existe transparência e ética?

Atualmente, 80% do conteúdo assistido na Netflix tem origem em sistemas de recomendação e 35% das compras na Amazon surgem de recomendações orientadas por dados. 

O desenvolvimento das novas tecnologias de informação aliado à existência de uma vasta produção de dados e sobrecarga de informação, impulsionaram o desenvolvimento de sistemas de recomendação com base em algoritmos capazes de filtrar, priorizar e orientar os utilizadores de forma personalizada, reduzindo a dificuldade dos processos de escolha. 




Ainda assim, alguns autores não têm dúvidas que que existe uma “personalização corrupta”.  Empresas como a Netflix e a Amazon.com, respondem, sobretudo, aos seus interesses económicos, sugerindo conteúdos originais sob o pretexto de personalização. De facto, uma dada mensagem tem efeitos superiores quando é percebida como personalizada pelo utilizador, independentemente de ser realmente personalizada.

Em empresas como o Facebook e o Instagram, também o impacto social dos sistemas de recomendação ganha particular relevância. O digital modificou a forma como se consome informação, utilizando-se cada vez mais uma arquitetura em rede e baseada em redes sociais. A inteligência artificial e os algoritmos por trás dos sistemas de recomendação assumem um papel importante, mas podem resultar em vieses e na retenção dos utilizadores em “bolhas de informação”. Por consequência, há uma priorização da perspetiva com a qual o utilizador concorda, dificultando o acesso a mensagens que desafiem os pontos de vista individuais.



O problema não está nos algoritmos que fazem parte dos sistemas de recomendação, mas sim na forma como algumas empresas os têm utilizado com base em interesses económicos, com o objetivo de maximizar as taxas de retenção. No futuro, importa discutir estas temas e criar algoritmos que procurem promover os interesses dos indivíduos, com transparência e ética. 

Fontes:

Pajkovic, N. (2021). Algorithms and taste-making: Exposing the Netflix Recommender System’s operational logics. Convergence.

The New York Times (2018). How Amazon Steers Shoppers to Its Own Products. https://www.nytimes.com/2018/06/23/business/amazon-the-brand-buster.html

domingo, 1 de maio de 2022

Tal Canal - o Reddit Português?

Existe uma nova rede social criada por e para portugueses chamada Tal Canal. Não se confunda com o famoso Programa de Herman José de 1983, "O Tal Canal", se bem que de facto o nome da rede é uma homenagem ao nome do programa.

Esta rede social foi criada por um casal português que tem como objetivo fazer desta a "rede social de Portugal". O Tal Canal é focado não nos utilizadores, mas nos conteúdos. Este tem o mesmo conceito que o Reddit, mas mais centrado nos canais.

No Tal Canal, é possível criar a sua própria comunidade, moderá-la e fazê-la crescer. É possível publicar, comentar e votar nos posts, sendo que o algoritmo destaca então os posts mais recentes e mais populares. Esta rede aposta na transparência, partilhando com o público as estatísticas que recolhem. Desde o lançamento da rede social em meados de Abril, as estatísticas são as seguintes:



Pessoalmente, não tenho como hábito utilizar redes sociais deste tipo, apenas quando me aparece como resultado de um tópico que pesquisei no Google... Por isso, desde já lanço-vos algumas questões:

- Costumam utilizar este tipo de redes sociais?

- Pensam que esta nova rede social Portuguesa, Tal Canal, tem potencial para ter sucesso?

- O que acham das estatísticas até agora?

- Pensam que este tipo de redes sociais têm potencial para as marcas? Conhecem alguns casos de sucesso?


Fontes:

https://talcanal.pt/

https://zap.aeiou.pt/tal-canal-rede-social-475534

https://www.reddit.com/r/devpt/comments/u7kgb6/criei_o_tal_canal_uma_rede_social_para_portugal_%C3%A0/

domingo, 24 de abril de 2022

O Fenómeno das Kardashians/Jenner nas Redes Sociais

A família Kardashian, uma família de classe alta, tornou-se ainda mais rica depois que Kim viralizou na internet num vídeo em 2003. Kim, levou por arrasto toda a sua família para a fama ao começarem um Reality Show "Keeping up with the Kardashians" apenas baseando sobre as respectivas vidas. 

Desde então, a fama não parou de aumentar dando espaço para as Kardashians e Jenners, especialmente Kylie e Kim, crescerem no mundo das redes sociais:

Kim (@kimkardashian): 303 milhões seguidores no instagram

Kris (@krisjenner): 47,1m seguidores no Instagram

Kourtney (@kourtneykardash): 172m seguidores no Instagram

Kloé (@hkloekaradshian): 322k seguidores no Instagram

Kylie (@kyliejenner): 330m seguidores no Instagram

Kendall (@kendalljenner): 232m seguidores no Instagram


                                   Imagem1: Mãe e filhas

Apesar desta família ter chegado onde chegou por causa do seu programa de TV, Kim revelou que com um post patrocinado por uma marca, pode ganhar mais do que numa temporada inteira. 

Embora nunca ter sido revelado concretamente o valor, estima-se que a cada post feito no Instagram pode gerar entre 300 mil USD$ - 500 mil USD$ para a conta de Kim ou até mesmo 1 milhão, em alguns casos.

“A Kim é uma das mais importantes e poderosas influencers. O seu alcance é maior do que as próprias marcas. Cada vez que veste, publica ou fala sobre uma marca de Moda, as vendas e a notoriedade crescem automaticamente.”, afirma Tommy Hilfiger, num comunicado. 

Kim e as suas irmãs, tornaram-se das influenciadoras mais procuradas pelas marcas, visto que é sempre um investimento com retorno, uma vez que os produtos esgotam. O que também podemos observar nestas parcerias, é que para uma maior transparência, normalmente usam as hashtags #ad e #collab, de modo a alertar os seus seguidores de que estão a ser pagas para promover um determinado produto.


                                                             Imagem2: Kim no seu instagram


Opinião Pessoal:
Existem mesmo muitas pessoas a ganhar dinheiro com as redes sociais, e principalmente, com o instagram. No entanto, é preciso que se note que as Kardashians já eram famosas antes desta plataforma. Para conseguirmos ser influencers é preciso ser dedicado quase  todo o nosso tempo para vermos algum retorno (não imediato) e pode nunca resultar em nada, pois há muita concorrência. É um grande sonho de muitas raparigas de hoje em dia, ao acreditarem que ser-se influenciadora digital é tudo de bom e é só "postar fotografias", mas tem todo um trabalho e estratégia por trás e, em casos de sucesso, com algum fator diferenciador.

Se eu gostava de ser influenciadora? não mesmo! prefiro utilizar as redes sociais só quando me apetece!




Fontes:
https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/instagram-ou-reality-show-kim-kardashian-revela-onde-ganha-mais-dinheiro
https://observador.pt/2017/03/17/isto-e-o-que-as-kardashians-ganham-por-cada-post-no-instagram/
https://observador.pt/seccao/lifestyle/vaidades/celebridades/kim-kardashian/
https://claudia.abril.com.br/famosos/de-onde-vem-fama-e-riqueza-das-kardashian-jenner/

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Um pequeno-almoço português

Apesar de o Rodrigo andar menos atento, aqui fica um "evento" que não podia deixar de ser assinalado no blogue! O conhecido chef britânico Gordon Ramsay passou por Portugal para gravar os episódios da terceira temporada do programa "Uncharted" e surpreendeu os portugueses ao cozinhar um pequeno-almoço com carne de porco preto, bacon e ovos.


Os internautas portugueses rapidamente responderem à publicação nas redes sociais com comentários e imagens de alternativas à comida tipicamente britânica a que o cozinheiro chamou portuguesa. E apesar de ter tido um alcance muito menor do que a "Mariana", também há marcas que se juntaram "oportunisticamente" e com humor à "conversa"...


Aqui fica a receita do magnifico pequeno-almoço português by Gordon Ramsay!

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Clubhouse finalmente no Android

Meses depois do lançamento da app para iOS, os utilizadores de Android agora também já podem usar o Clubhouse.

Para já, foi lançada uma versão beta nos Estados Unidos da América que, tal como no lançamento para iOS, apenas pode ser usada por quem recebeu um convite de um utilizador já existente. Está previsto que a aplicação seja lançada progressivamente em vários países.

O lançamento vem depois de os downloads da app para o iPhone terem caído para cerca de 922 000 downloads em todo o mundo em Abril, em comparação com os 2,7 milhões de descarregamentos em Março e 9,6 milhões em Fevereiro.


Já escrevemos aqui algumas vezes sobre esta famosa aplicação de conversas de áudio e respetivas funcionalidades e vantagens, nomeadamente ao nível de webmarketing. No entanto, se em fevereiro toda a gente falava do Clubehouse, atualmente, apenas três meses depois, parece que a app foi só uma moda passageira. Muitas pessoas que a usavam acabaram por se esquecer ou até já desinstalaram. Mesmo ao nível das marcas e influencers já não se ouve falar.

Como já debatemos aqui no blog, um dos motivos que pode ter levado à queda de interesse das pessoas pelo Clubhouse é o facto de só ter estado disponível para quem tinha iPhone. Para além disso, as apps concorrentes também se apressaram a responder, nomeadamente o Instagram com a possibilidade de realizar transmissões em direto de até quatro pessoas em conjunto.

Será cedo ainda para podermos afirmar que a popularidade do Clubhouse foi apenas uma moda? Será que a chegada da app ao Android vai conseguir salvar ou já não vem a tempo disso?

quinta-feira, 11 de março de 2021

Burger King: boa intenção, má execução

No dia 8 de março, celebrou-se o Dia Internacional da Mulher e o Burger King fez questão de assinalar a data. No entanto, a ideia que parecia ter uma boa intenção acabou por ter o efeito contrário ao que era desejado.

A marca fez a seguinte publicação no Twitter: “As mulheres pertencem à cozinha”. A frase era o início de uma sequência de tweets onde explicava o contexto: “Se quiserem, claro.”, seguido de um texto onde expunha que apenas 20% dos chefes de cozinha são mulheres. A iniciativa da cadeia de fast food tinha como objetivo anunciar um programa da empresa cujo intuito é promover a igualdade de género na restauração.

O Burger King acabou por apagar o tweet e pedir desculpa porque não queria ter dado espaço a comentários abusivos na sequência da publicação.

À partida, a estratégia de causar o choque inicialmente e depois desmistificar e chamar a atenção para a mensagem seria boa. No entanto, dividiu os utilizadores da rede social. Enquanto uns acharam genial, outros consideraram inadmissível.

O motivo principal para esta situação, a meu ver, poderá estar relacionado com a forma como a publicação foi feita. Ou seja, como o conteúdo estava dividido em vários tweets, facilmente qualquer pessoa poderia tirar a frase provocadora do contexto e passar uma má imagem da marca, desvirtuando totalmente a mensagem que a empresa queria promover. Uma boa mensagem com boas intenções acabou por ser mal executada e ter o efeito oposto. 

Terá sido uma ideia de génio ou uma aposta arriscada? Vale tudo para gerar partilhas e feedback? Apagar e pedir desculpa foi a melhor opção?

quarta-feira, 3 de março de 2021

Rede Habib's vai "Passar os Pontos"

A marca brasileira Habib's, especializada em culinária árabe e de posição muito consolidada no mercado pela relação de qualidade e custo, possui 320 restaurantes, vende mais de 600 milhões de esfirras por ano e emprega aproximadamente 22 mil pessoas. A empresa foi fundada em São Paulo, no ano de 1988, pelo empresário luso-brasileiro, nascido em Portugal, Antonio Alberto Saraiva, portanto há mais de 30 anos em operação em mais de 100 municípios brasileiros.

Para a surpresa de todos, no último dia 22 de fevereiro todas as lojas amanheceram com a faixa "Passo o Ponto", que gerou uma grande confusão nas redes sociais, pois seus clientes questionavam se as lojas iriam fechar.


Passados 2 dias da divulgação, veio o alívio de seus consumidores. As faixas foram substituídas por novas e tudo tratava-se de uma estratégia de marketing (de guerrilha) para anunciar seu novo clube de fidelidade, chamado Habibers. Apesar da iniciativa ser considerada ousada para os padrões de marketing brasileiro, tudo faz parte de um processo de digitalização da empresa, através do uso de um App para acumulo de pontos, além da opção de cashback de até 15% nas compras.

"Cada R$ 1 gasto será convertido em 1 ponto, que poderá ser trocado por itens do cardápio. Ao acumular 40 pontos, por exemplo, o consumidor poderá trocá-lo por duas bib'sfihas de queijo ou carne. Para quem prefere doce, ao juntar 50 pontos será possível adquirir uma bib'sfiha de chocolate. As possibilidades de troca são diversas e incluem itens mais caros, como o beirute tradicional, fixado em 160 pontos".

Na realidade a ação tem um objetivo muito maior que apenas o lançamento de um programa de fidelidade, pois trata-se de um rebranding da nova identidade da rede, que também inclui reformulação de elementos visuais, paleta de cores e até mesmo uma repaginação do famoso gênio, garoto-propaganda do Habib's. A partir de agora a empresa coloca o cliente no centro da estratégia, conferindo a eles o título de embaixadores da marca: os Habibers.

"Nosso objetivo é transformar os consumidores em influencers da marca, ou melhor, em Habibers, clientes que compartilham com a gente os mesmos valores e gostam de mesa farta por um preço justo. E como todo influencer, os Habibers ganharão cachê, que nesse caso são os pontos no super App".  (Bruna Saraiva, Diretora de Estratégia do Habib's)


Apesar da ousadia e de todo o investimento para o desenvolvimento de plataformas digitais e de reposicionamento da marca, é fato que a utilização das faixas "Passo o Ponto" causou o impacto que esperavam, com baixo custo e alta criatividade.

Fonte 1
Fonte 2
Fonte 3