quinta-feira, 28 de abril de 2016

A Censura e o Comportamento nas Redes Sociais

Geralmente, quando pensamos em países com regimes políticos marcados pela censura e pela propaganda, é normal associarmos a falta de liberdade de expressão aos órgãos de comunicação social e aos meios mais tradicionais. E relativamente às redes sociais, quais são as condições com as marcas e as empresas se deparam?

Um artigo do site TechCrunch acerca dos efeitos da censura na internet foca-se essencialmente na forma como a atividade nas redes sociais é afetada. Para além dos efeitos repressivos, aborda outros efeitos no comportamento dos utilizadores.

  • Falam no exemplo da China, em que a censura pode até fortalecer as relações entre as pessoas nas redes sociais porque a internet tem um papel muito mais decisivo do que nas sociedades ocidentais. Isto deve-se ao facto de "existir propaganda em todos os meios de comunicação tradicionais. Quanto algo é divulgado nesses meios, as pessoas sabem que não é algo objetivo, mas se for visto na internet, pode ser realmente verdadeiro".
  • Referem ainda que um relatório da McKinsey conclui que a mesma descrença nos media faz com que os chineses valorizem mais as recomendações de amigos, família e de opinion makers do que os americanos.

Existem também outros países em que os comportamentos dos consumidores são surpreendentes. A agência de marketing digital Istizada, com atividade no Médio Oriente, publicou no seu blog o perfil do comportamento dos cidadãos da Arábia Saudita na internet. É de destacar que:

  • Relativamente às redes sociais, 61% dos sauditas consideram que partilham "tudo" ou "praticamente tudo" online, segundo um estudo da KPCB Internet Trends (2013), sendo os que mais partilham a nível mundial (nos E.U.A., por exemplo, apenas 15% dos inquiridos deu a mesma resposta). Pensa-se que isto se deve principalmente devido à falta de liberdade - a nível da expressão mas também de comportamentos e hábitos - que é imposta no dia-a-dia das pessoas.
  • O Twitter tem uma taxa de penetração no país de 33%, a mais alta do mundo.
  • Na região do Golfo Pérsico, é o país que mais usa o Facebook, sendo o 3º site mais visitado.

 http://istizada.com/wp-content/uploads/2013/07/saudi-arabians-and-social-sharing1.png


O panorama político e cultural destes países pode ser visto pelas marcas ocidentais como uma dificuldade na comunicação com estes mercados. No entanto, parecem existir determinadas tendências no comportamento das pessoas que podem e devem ser seguidos atentamente pelas empresas.


Fontes:
http://techcrunch.com/2014/05/03/business-and-censorship/
http://istizada.com/saudi-arabia-online-marketing/

2 comentários:

  1. Olá Maria Manuel! De facto, resultados surpreendentes. Poderá também ficar a dever-se a alguma falta de maturidade não só em termos democráticos mas em termos digitais de alguns desses países? Ou seja, não medem bem as consequências da exposição?

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  2. Olá professora! O fator que indica poderá ter alguma influência nestes resultados. No entanto, penso que serão povos bastante "habituados" a ter de medir as consequências daquilo que tornam público... Na minha opinião, acho que o facto de serem países compostos por uma população bastante jovem (e por isso já familiarizada e adepta do mundo digital), o facto de as redes sociais constituirem um "escape" aos meios tradicionais de comunicação e o facto de o meio digital permitir um certo anonimato (através de pseudónimos/nicknames) são decisivos para os números apresentados.

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