segunda-feira, 4 de junho de 2018

Água das Pedras leva-te ao NOS Primavera Sound

A marca Água das Pedras teve um passatempo em vigor (termina hoje às 24:00H), que tinha por objectivo premiar os participantes vencedores com passes completos ou bilhetes diários duplos para o NOS Primavera Sound 2018.



A comunicação da ação ocorreu nas redes sociais, Facebook e Twitter. No entanto, para poderem participar, os candidatos tinham de ser followers da marca no Instagram. Os candidatos tinham de tirar uma fotografia com a garrafa de um dos sabores de Pedras (Limão, Frutos Vermelhos ou Maçã) num cenário inspirado nas cores do sabor que tivessem escolhido. Depois teria de publicar essa fotografia na sua conta de Instagram, legendando-a com a hashtag correspondente ao produto fotografado (#pedraslimao#pedrasfrutosvermelhos ou #pedrasmaça) e identificar @aguadaspedras.


A marca Água das Pedras é uma marca com elevada notoriedade no mercado, com mais de 140 anos de existência. Uma vez que a marca pretende um rejuvenescimento dos seus consumidores habituais, decidiu lançar uma campanha direccionada únicamente para as redes sociais - melhor meio de contactar este público. Para isso vai premiar quem gera conteúdo (User Generated Content) utilizando o produto (garrafa) e cruzando a sua actuação nas redes sociais, uma vez que comunica a acção no Facebook e Twitter, mas o participante tem de ser follower no Instagram. Com este cruzamento de redes sociais, garante à partida uma elevada taxa de sucesso, o atingimento do seu objectivo: chegar a um novo público e o aumento de followers nas redes sociais. Para a ação ter sucesso é importante que o prémio seja relevante para este tipo de público, o que acontece neste caso, uma vez que um bilhete para o NOS Primavera Sound é sempre um prémio interessante para esta faixa etária de consumidores.

Fontes: 
Página do Facebook da Marca

domingo, 3 de junho de 2018

GDPR e o uso de dados — consequências (nomeadamente para o marketing de e-mails)

Muita tinta (e, principalmente, píxeis) tem corrido nos últimos tempos acerca do GDPR (General Data Protection Regulation) ou RGPD (Regulamento Geral de Proteção de Dados) em Português, inclusive neste mesmo blog. 

Hoje mesmo fui à Nespresso e senti os efeitos desta mesma legislação — por exemplo, não posso mais usar a conta do meu pai para acumular pontos, tendo de criar uma conta própria e, ao fazer isto mesmo, fui repetidamente informada pela menina de como estaria a consentir para que me fossem enviados e-mails ou mensagens promocionais e para que eles guardassem os meus dados, a cada passo em que dava o meu nome, NIF, morada, e-mail ou número de telefone. Também sentimos os efeitos desta nova legislação com a quantidade de e-mails que recebemos nas últimas semanas, a maior parte deles por abrir e completamente ignorados, acerca deste mesmo assunto. Mas, em termos concretos, para nós consumidores e, principalmente, para os marketeers, quais as implicações desta nova lei?

Assim, e em jeito de resposta à pergunta do Bruno — “GDPR: Será que vai mudar assim tanto?” — decidi pesquisar um bocado sobre quais as implicações principais da nova legislação no âmbito do marketing digital.

Primeiro, o que é exatamente o GDPR? Esta é a nova lei de privacidade da União Europeia que pretende proteger a privacidade do consumidor e forçar as marcas e marketers a seguirem regras de consentimento e de coleção de dados. [1] 

Por exemplo uma das implicações é que, como isto é válido para consumidores europeus, mesmo as empresas de fora da Europa que estejam a querer lidar com consumidores europeus têm de seguir estas regras — têm de perguntar se o contacto é Europeu ou não e levar a cabo práticas de negócio que vão de encontro com as regras da Europa, pelo menos para estes segmentos de consumidores.

Na base, estão as seguintes práticas que terão de ser implementadas pelos marketers:

  1. requerer aos consumidores que estes optem por subscrever — os consumidores só podem ser adicionados a listas de e-mail se assim o consentirem
  2. em formulários, todas as opções têm de estar “unchecked” — algo que acontecia várias vezes era que, quando preenchíamos um formulário, tínhamos de ir nós retirar a cruz na parte que diz que consentimos a que a nossa informação seja utilizada e que nos sejam enviados e-mails; agora, temos de ser nós a carregar nessa caixa para que esta seja selecionada e não o contrário
  3. eliminar os dados dos consumidores se assim for requerido por este
  4. explicar como é que os dados são utilizados 
  5. notificar os consumidores acerca de falhas (ao contrário do que foi feito com o caso da Cambridge Analytica no Facebook)


[4]

Mas, em termos concretos, o que é que isto significa para os marketers? Em muitos casos, isto significa que estes tiveram de alterar toda a relação destes com dados — tiveram de tornar a linguagem clara e transparente, eliminar certos dados, modificar os termos e condições de uso, etc. [2]

A verdade é que até agora listas de e-mails e de telefones eram vendidas por empresas a outras empresas, que usavam estes dados para nos fazer publicidade, muitas vezes intrusiva — telefonemas, mails de spam, etc. Estas estratégias de marketing raramente funcionam, exceptuando em consumidores mais vulneráveis, mas a verdade é que as empresas não poderão mais fazer isto.

Para além disso, isto ajuda a evitar (ou pelo menos a fazer com que haja uma legislação forte em caso de escândalos como os dos últimos anos) escândalos como foi o caso do Cambridge Analytica.

Quanto a toda esta questão, tenho duas opiniões.

Por um lado, penso que o GDPR irá forçar os marketers a repensarem a sua estratégia de publicidade em vários níveis, principalmente aquela publicidade mais “preguiçosa”, por assim dizer. Até aqui, a publicidade era enviada para nós numa quantidade imensurável, spams de e-mails que às vezes nem nos lembrávamos de que site era aquele. Agora, com a ideia de consentimento, estamos mais conscientes do tipo de publicidade que recebemos e temos mais facilidade em controlar o tipo de publicidade que vemos e recebemos, pelo menos até um certo ponto. Para além disso, os marketers terão de levar a cabo estratégias que são mais inovadoras do que simplesmente bombardear-nos com publicidade — isto puxa a melhorias na qualidade do conteúdo e a avanços na indústria, do mesmo modo que os ad-blockers, como mencionei num post anterior, o fazem [3]

Por outro, e ao contrário do que muito se discutiu sobre este assunto, não penso que seja mau as empresas terem acesso a dados pessoais meus. Afinal, muito se falou sobre a ideia de que a publicidade deve ser personalizada e direcionada para o consumidor em questão. Se, ao terem dados acerca de mim, dos meus gostos e dos meus hábitos, conseguirei receber informação acerca de produtos que eu até possa gostar, porque não? Afinal, se bem feito, estratégias mais personalizadas numa estratégia 1-to-1 é algo bom. Contudo, há sempre o problema desta informação ser utilizada das formas que se tentou fazer no caso das eleições nos EUA — mesmo que não tenha resultado agora, num futuro orwelliano há sempre essa publicidade. 

[3] https://www.ppchero.com/what-is-gdpr-and-how-will-it-impact-online-advertising/

Jurassic World Alive ao estilo Pokémon Go

O filme “Mundo Jurássico: Reino Caído”, estreia em Portugal na próxima quinta-feira, 7 de junho, mas antes disso é possível jogar Jurassic World Alive, disponível para Android e iOS.
A ideia é semelhante à do Pokémon Go: procurar ADN dos dinossauros em realidade aumentada e descobrir se há velociráptores ou tiranossaurus rex em casa, no trabalho, na repartição das finanças ou no centro de saúde. É possível fazer combinações de ADN para criar híbridos e formar uma equipa de dinossauros que pode combater as formações de outros jogadores. Mas há uma diferença: não é necessário andar, literalmente, atrás deles. Pode-se simplesmente implementar um drone virtual que vai navegar o mapa por ti e recolher o ADN de um dinossauro.
No início estarão disponíveis 100 dinossauros. Contudo, está previsto que o número vá aumentando, com actualizações do jogo que vão trazer aparições especiais de criaturas com capacidades mais avançadas. Quanto mais vezes jogar irá receber recompensas, tais como moedas de jogo, e upgrades para o drone, tais como baterias extra.


Numa altura em que a realidade aumentada se torna cada vez mais comum, chega a altura dos estúdios Universal investirem nesta tecnologia depois do sucesso que a mesma teve aquando do lançamento do Pokémon Go.

Fonte:
https://tek.sapo.pt/mobile/ios/artigos/procure-dinossauros-pela-cidade-em-jurassic-world-alive#
http://p3.publico.pt/vicios/hightech/25667/depois-de-pokemons-vamos-andar-atras-de-dinossauros

Native ads: benéfico para o consumidor?



Hoje apareceu-me nos recomendados um vídeo relativamente antigo do Late Week Tonight with John Oliver sobre Native Advertising e achei que poderia ser interessante fazer um post sobre esta questão, uma vez que se acaba por se inserir naquela questão sobre a qual a professora fez uma pergunta recentemente — com a Internet, o consumidor tornou-se mais poderoso ou mais vulnerável?
Em 2018, é esperado que 60% dos gastos em publicidade na Internet sejam gastos em Native Ads [1]. Este tipo de publicidade acaba por ser uma espécie de marketing de conteúdos, uma vez que tem por base a criação de conteúdo para o consumidor. No que diz respeito à Trifecta Digital abordada na aula (Earned, Owned, Paid Media) o Native Advertisement acaba por se inserir na “paid” media mas aparenta ser “earned” media — é aqui que se insere a controvérsia do uso deste tipo de publicidade por parte das empresas.
Os native ads (ou anúncios nativos) referem-se a, no contexto de sites de notícias, estes mesmos aceitarem pagamento para publicarem conteúdo custodiado que se assemelhe bastante — em termos de tom, apresentação e funcionalidade — às notícias, editoriais e conteúdo de entretenimento produzidos independentemente por esses sites [2].
Assim, torna-se difícil para nós — consumidores — identificarmos este tipo de conteúdo como publicidade. Isto, por um lado, é benéfico para as empresas que querem evitar os problemas relacionados com “ad blockers” online — este tipo de posts não são protegidos por esta “barreira”. Do lado dos sites de notícias, isto é benéfico porque é uma fonte de retorno preciosa, principalmente na medida em que estes começam cada vez mais a sentir os efeitos dos ad-blockers. E para o lado do consumidor? Isto é benéfico? Para todos os efeitos, este assemelha-se ao tipo de conteúdo orgânico (e que nós vemos como sendo genuíno) que esperamos de um site de notícias.

Ora, como foi abordado na aula, o consumidor (principalmente o consumidor millennial) não confia no conteúdo criado pela marca ou que sente que foi “comprado” pela marca. Confiamos mais facilmente na “earned” media do que na “owned” ou “paid” media. Assim, do lado do consumidor, este aqui pode sentir-se compelido a comprar um produto porque viu uma notícia positiva sobre este num site e confia que este site de notícias será relativamente imparcial. Através destes estratagemas, o consumidor acaba a ser, do ponto de vista de alguns, “enganado” — a maior parte dos consumidores nem sabe que este tipo de conteúdos existe, fica muitas vezes confuso entre o tipo de conteúdo que é genuíno e aquele que é pago, e isto beneficia as empresas.
Como é que este tipo de conteúdos difere de Marketing de Conteúdos? O Marketing de Conteúdos geralmente tem por foco a “owned” media ou a “earned” media — este tipo de conteúdos geralmente não se assemelha bastante a publicidade — o objetivo é fazer com que, ao longo do tempo e devido às relações e associações positivas criadas por este conteúdo, o consumidor tome ações que sejam lucrativas para a empresa. Já os native ads são publicidade [1].

Para quem esteja curioso quanto às diferentes formas como este tipo de publicidade acaba a ser mau para os consumidores e porque é que as empresas gostam deste tipo de publicidade e os sites de notícias se sujeitam a este tipo de práticas, aconselho o vídeo do John Oliver que postei no início e, ainda, um artigo científico que consta das fontes deste post [2]. Pela sua extensão, seria demasiado estar a colocar todos os exemplos desse mesmo artigo aqui neste post, mas tentei resumir aquilo que considerei mais importante.

Terminando agora com um exemplo, um site que muitas vezes recorre a native ads é a Buzzfeed, sendo que esta é praticamente pioneira neste tipo de práticas no mundo digital. O modelo de negócio da Buzzfeed tem por base exatamente isso — através da produção de conteúdo viral estes conseguem acesso à atenção de milhões de consumidores e, depois, capitalizam desta mesma atenção vendendo o seu “espaço” online a empresas. Facilmente acedendo-se ao site da Buzzfeed conseguimos encontrar este tipo de conteúdos. Por exemplo, entrei na página do facebook e logo dentro dos primeiros posts consta este.



Para além dos seus diversos canais do Youtube que tem séries com grande potencial virar como o Worth It ou o Buzzfeed Unsolved), o tipo de entretenimento da Buzzfeed baseia-se essencialmente nas suas listas de conteúdo útil e “relatable” para a geração millennial e ainda pelos seus quizzes. O exemplo acima (relativamente recente) tem uma lista de diferentes caixas de subscrição que podem ser dadas como prendas — assim, são sugestões, que se inserem no tipo de conteúdo que a Buzzfeed costuma produzir, mas são também publicidade, sendo que a própria Buzzfeed desde há uns anos para cá, devido a controvérsias, começou a incluir o seguinte no início de cada post deste género: “We hope you love the products we recommend! Just so you know, BuzzFeed may collect a share of sales or other compensation from the links on this page. Oh, and FYI — prices are accurate and items in stock as of time of publication.
Outro exemplo, foi uma parceria entre a Buzzfeed e a Dunking Donuts, em que se associava os famosos testes de personalidade do Buzzfeed a produtos da Dunking Donuts.

E vocês, como consumidores, como é que reagem a este tipo de publicações?

Fontes:
[1] https://ignitevisibility.com/native-advertising-why-it-is-the-next-big-thing-for-marketing/
[2] Bakshi, A. C. (2015). Why and How to Regulate Native Advertising in Online News Publications. UB Journal of Media Law & Ethics, 4(3/4), 4-47, disponível em: http://law.ubalt.edu/academics/publications/medialaw/pdfs_only/Vol.%204%20No.%203-4.pdf

Nada como brincar com temas sérios….

Sendo o preservativo um tema por norma bastante conservador, uma vez que é falado para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e para evitar gravidezes indesejadas, nada como ter uma marca a desconstruir esta imagem de uma forma bastante humorística.
É esta a estratégia que a Control utiliza para comunicar com o seu público, em particular os Millennials, nas redes sociais, não deixando de passar a mensagem principal de sexo seguro.
Para tornar o diálogo mais fácil e cativante com este público, a marca comunica de forma informal e bastante jovial.

Pegando no caso de um tremor de terra que aconteceu em Portugal no início do ano (sem vítimas), a marca colocou um post no Facebook que no espaço de 3 horas gerou bastante buzz, uma vez que teve: 500 likes, mais de 200 partilhas e mais de 100 comentários. A aposta da marca nas redes sociais, tem gerado um número crescente de seguidores no Facebook (mais de 170.000 seguidores) e no Instagram (mais de 4.000 seguidores).


Para gerar este número de seguidores nas redes sociais, é preciso estar sempre a alimentar as mesmas com posts atuais como o abaixo, em que a marca brinca com a questão dos dados pessoais (RGPD), tema tão falado nas últimas semanas.


Fonte:
https://marketeer.pt/2018/05/16/control-mostra-como-brincar-com-temas-serios/