domingo, 31 de março de 2019

ASOS StyleMatch: o Shazam para moda

A loja de moda online ASOS (Ay-Sos), acrónimo de “As Seen On Screen”, foi lançada no ano 2000, tendo como inspiração a popularidade de filmes e séries de televisão que despertavam na audiência a vontade de comprar os produtos (decoração, guarda-roupa) que surgiam no ecrã. Nick Robertson, o fundador da ASOS, através da sua ligação à indústria do audiovisual descobriu que, por exemplo, a NBC recebia milhares de telefonemas de espectadores da série "Friends" que procuravam saber onde comprar as roupas usadas pela personagem Rachel Green ou onde se vendia a moldura pendurada na porta do apartamento de Monica Geller. Na altura, o Google tinha acabado de nascer, o Facebook ainda não existia e a Amazon era uma mera livraria.

Hoje em dia, a ASOS estendeu a sua atividade muito para além de reproduções do estilo das celebridades, tornando-se líder no mundo da moda digital, com quase 20 milhões de utilizadores ativos, sobretudo millennials. Ainda assim, a lógica “As Seen On Screen” mantém-se, mesmo que reinventada…




Seguindo outras "visual search tools" como a Pinterest Lens ou a Screenshop, apoiada por Kim Kardashian, a ASOS lançou a funcionalidade StyleMatch. Quando o utilizador faz upload de uma foto de um outfit ou visual usado por uma celebridade, influencer ou simplesmente alguém desconhecido que viu na rua, numa revista ou numa rede social, a StyleMatch devolve em poucos segundos resultados semelhantes a partir de uma base de 85,000 artigos que podem ser adquiridos na ASOS a preços bem mais convidativos do que os sugeridos pela Screenshop. Cerca de 30% das pesquisas do Google são por imagens, 80% dos contactos da ASOS com clientes são feitos via mobile, assim como 70% das encomendas. Apesar de estas "visual search tools" já existirem, esta é uma das primeiras detidas por uma loja online, a par com o eBay. Um verdadeiro "Shazam para moda"...


Promissores  são também os recentes desenvolvimentos promovidos pela Amazon Echo Look, uma nova funcionalidade da Alexa que através de algoritmos e machine learning aconselha os utilizadores sobre o look que devem usar, tornando possível por exemplo:
  • Perguntar à “Alexa o que acha do nosso look e obter dicas de styling
  • Comparar diferentes outfits e descobrir o que nos fica melhor com o Style Check
  • Refrescar o look com novos itens que combinem com os que já existem no armário

See, shoot, search and buy. And style: A próxima revolução no mundo da moda?

Fontes:

quinta-feira, 28 de março de 2019

A Praga do Digital


Carolina Afonso, Professora Universitária no ISEG e Diretora de Marketing da Konica Minolta, aborda, num artigo escrito para o Imagens de Marca, o uso excessivo da palavra "DIGITAL"em eventos, cursos, programas, etc. A verdade é que, nos últimos anos, temos assistido à multiplicação de iniciativas baseadas no “digital” e nas “maravilhas deste mundo novo”, desvalorizando a temática e tornando-a num daqueles lugares comuns.

"A palavra "digital" neste momento já começa a ser SPAM. Não há evento, curso, livro, especialista, processo, negócio, etc, que não tenha esta palavra. O problema está na utilização que lhe é dada...sinto que estão todos a falar de tudo e de nada..."


Mesmo no âmbito dos eventos da Academia esta tendência é notória, assistindo-se, muitas vezes, a oradores repetirem exemplos e até slides de outros oradores que ouviram noutras ocasiões falarem sobre o mesmo. Um dos mais repetidos exemplos é a apresentação da ideia de a UBER é a maior empresa de transporte do mundo sem possuir viaturas e de que o mesmo se passa com outras empresas (ex.: Airbnb, Whatsapp, Netflix, etc) nas respetivas áreas de negócio – há uns meses assisti a uma conferência em que, nas 6 sessões que ocorreram ao longo do dia com dezenas de oradores, esta ideia foi repetida em 4 sessões e, por vezes, por mais do que um orador na mesma sessão, criando-se um ambiente constrangedor para a plateia e para o painel. 


"Mas o que é afinal o digital de que todos falam? A estratégia que tenho assistido em eventos é usarem estatísticas de estudos que falam do digital e da transformação digital (muito deles duvidosos e outros apresentam dados desatualizados ou sem fontes) e repetirem exemplos e até slides de outros oradores que ouviram noutras ocasiões falarem sobre o mesmo."


Ao nível do marketing, assistimos muitas vezes à promoção do digital como solução para todos os problemas e como única hipótese para comunicar com os consumidores. Claramente, o digital nem sempre é a melhor estratégia nem a única solução, até porque em Portugal “Menos de 20% de PMEs tem site e menos de 10% vende online. 60% das empresas portuguesas não tem presença online (ainda que não se deva confundir a questão digital com a online) e o desconhecimento acerca do digital poderá prejudicar a estratégia de marketing e a empresa. O mesmo poderá passar-se com os canais "tradicionais", no entanto, a maioria das empresas portuguesas estará, em princípio, mais próxima de potenciar os seus resultados. Não obstante a falta de preparação para o digital e o uso (errado) excessivo da palavra, é urgente as empresas portuguesas apanharem este comboio antes que o percam de vez.

"Quem leva o tema do digital a sério sabe que o digital não é a fórmula para tudo. No que ao marketing diz respeito, o digital é um canal e tem que ser integrado na estratégia da empresa. Não tem que ser utilizado em todos os casos. Aliás um bom profissional de marketing deve ser agnóstico em relação aos canais. Os melhores canais, sejam os ditos tradicionais ou digitais são aqueles que trazem resultados para a empresa e há empresas com excelentes resultados que utilizam apenas canais tradicionais."


A procura incessante de tornar tudo “atrativo e moderno” usando a palavra digital (e outras) valerá a pena? Curiosamente é uma pessoa com uma ligação tão próxima ao digital que nos diz que não e que é preciso parar e não banalizar a questão. Mas, então, porque está Portugal tão mal preparado?



Fontes
https://www.imagensdemarca.pt/artigo/ha-um-elefante-na-sala-e-chama-se-digital/
Economia Digital em Portugal 2009-2020' (ACEPI), INE

quarta-feira, 27 de março de 2019

O nicho da Levi's

A cultura dos hits, do consumo em massa com o passar dos tempos foi substituído pelo consumo personalizado. Antes não havia tanta escolha, como a venda era feita em loja, as marcas apenas faziam o que sabiam que iam vender. Não podiam criar objetos apenas para um nicho porque poderiam ficar a perder, então apenas vendiam aquilo que era moda, que tinham a certeza que era vendido.
Com a chegada da era da internet, as marcas começaram a chegar aos nichos e tentar diferenciar os produtos, mantendo online os produtos e apenas seriam criados se fossem vendidos, evitando assim a perda de receita. Criou assim as chamadas prateleiras virtuais ilimitadas, que permite ter tudo virtualmente disponível.
Esta cultura de nichos e a maior relevância dos consumidores levou a que as marcas começassem a personalizar produtos de acordo com cada cliente. Um dos exemplos disto é a Levi's, que criou a Levi's Tailor Shop, que permite cada pessoa ter as calças, casacos, camisolas personalizadas.


A Levi's dá opção de: transformação das peças, em que podes até fazer coloração de tecido; cortes, para tornar calças em calções ou mesmo casacos de ganga em coletes; colocar bordados; colocar botões, remendos ou pins; rasgar peças ou reparar. Podemos ver no vídeo a baixo como é que este serviço especializado ocorre. 



Podes também criar a tua própria t-shirt, em qualquer loja Print Bar, o que permite ter a "típica"/ comum camisola da Levi's mas agora diferenciado.


Personalizar a tua própria roupa faz com que cada utilizador se sinta diferente e especial, que os torna mais fieis, algo extremamente difícil para a geração Millenium. Então esta estratégia permite que os clientes se sintam mais ligados à marca, pois o produto não foi apenas desenhado pela marca mas também tem a marca de cada um.



É necessário apenas ir à loja, o que permite que haja uma experiência mais interessante e mais envolvente com a marca do que se fosse apenas on-line, e desenhar e personalizar a t-shirt como desejar.
Concluindo, cada vez mais as marcas usam a personalização e tentam agradar a cada pessoa, o que dá ao consumidor mais controlo pois este participa no processo. Ele pode dar à sua roupa o seu toque pessoal que dá poder à sua voz.



domingo, 24 de março de 2019

Colchões Emma ou comércio eletrónico “de sonho”

É do conhecimento geral que o comércio eletrónico abarca hoje em dia praticamente todos os produtos e serviços. A marca alemã Emma, que chegou a Portugal no final de 2017, traz o e-commerce para uma outra dimensão com um novo conceito de colchões-in-a-box que promete trazer boas noites de sono aos seus utilizadores.
“Don’t worry sleep happy” é a assinatura da marca cujos colchões estão à distância de um simples clique e de apenas 3 dias de espera. E se passadas 100 noites não ficar satisfeito, o cliente pode agendar uma recolha e receber o respetivo reembolso, sabendo que o produto será doado a uma instituição de solidariedade social.



O produto
Com uma imagem clean e minimalista, a proposta da marca assenta num formato one-size-fits-all sem comprometer a alta qualidade, que é acessível ao público em geral, já que os preços variam entre os 399 e os 899 euros. A qualidade tem sido, aliás, reconhecida por várias entidades externas à marca. Em Portugal, o colchão da Emma foi eleito o melhor no teste da DECO pelo segundo ano consecutivo. Em 2017, foi também eleito o “melhor colchão do ano” na Holanda, França, Itália e Reino Unido, nomeadamente, nos concursos “Il Migliore dal Test Altroconsumo” (Itália), “Beste uit de Test” (Holanda), “Best buy Which?” (Reino Unido) e “Que Choisir” (França).
Do lado da produção temos um modelo de parcerias exclusivas que, segundo port-voz da empresa, confere uma flexibilidade que agrada à marca. Nomeadamente a par da expansão do negócio para o mercado ibérico surge a constatação de que existem muitos produtores bastante competitivos, pelo que os fornecedores da Europa do Sul estão atualmente na mira da empresa.


Modelo de distribuição

O modelo de distribuição é híbrido, já que o cliente pode efetuar a compra online, através do website, ou numa das 525 lojas de retalhistas em que está presente por toda a Europa.
Após a análise da jornada de compra dos consumidores, a marca vem dar resposta a uma necessidade de mercado até aqui ignorada. Antigamente, depois de várias noites mal dormidas, o consumidor deambulava pelas lojas para receber informação dos retalhistas (nomeadamente quanto a graus de dureza e tipos de sono), acabando por seguir as sugestões do vendedor e ter de esperar depois cerca de 6 semanas para receber o seu novo colchão.
Hoje em dia, depois de uma dessas noites mal dormidas o consumidor tem acesso a um verdadeiro mundo de ofertas, fazendo com que muitas vezes até inicie a compra online mas cancele no momento final por sentir falta de ver e tocar o produto.
Daí a presença da Emma em grandes retalhistas nos vários países, fazendo com que o cliente possa fazer a sua pesquisa online e ver e tocar no produto antes de comprar, dando resposta a uma das grandes tendências dos consumidores atuais: ROPO (Research Online Purchase Offline).
Para a Emma, o fenómeno de desintermediação que o comércio eletrónico permite não faria sentido, pois só com a ajuda dos retalhistas consegue melhor responder às necessidades dos clientes e assim garantir o seu próprio sucesso. Para os retalhistas, a vantagem está no incremento do tráfego na loja e de taxas de conversão elevadas, uma vez que os clientes já vão informados acerca do produto, ao mesmo tempo que têm em mãos uma excelente oportunidade de venda de produtos relacionados, como lencóis e almofadas, que a marca também disponibiliza.
Esta opção por um modelo de distribuição híbrido vem ainda diluir algumas das desvantagens de uma presença exclusivamente online, nomeadamente a impossibilidade de experimentação e a insegurança que alguns consumidores ainda sentem nas transsações e pagamentos online.
Em Portugal, a marca pode ser vista fisicamente no El Corte Inglés e nas lojas Colchões e Companhia.

Comunicação
A empresa está ciente de que os hábitos dos consumidores, assim como a predisposição para a compra online, diferem de país para país, adotando por isso uma abordagem individual para cada novo mercado. Atualmente presente em 20 países, a marca tem como próximos alvos a Índia, Hong Kong e os EUA. A atual assinatura “Don’t worry sleep happy” é dirigida àqueles que valorizam qualidade, preço justo e processos de compra simplificados. A imagem assenta no dark blue a representar a noite, e no fresh orange que transmite a ideia da manhã brilhante. 


A campanha conta com a assinatura da agência Motor Kommunikation e marcará presença sobretudo online, mas também em televisão, começando nos países mais desenvolvidos pela marca, nomeadamente a Alemanha, Reino Unido, França e Holanda. Em Portugal, onde ainda se está a começar por fazer passar este novo conceito, foi realizado apenas um teste de campanha de 3 semanas em televisão (na TVI e cabo), com um investimento que totalizou os 30 mil euros.   

A inovar desde 2015
A Emma começou em 2015 como uma startup de origem alemã, com sede no centro de Frankfurt, onde estão atualmente os seus 250 funcionários, seis dos quais constituem a equipa de Portugal e nove a de Espanha. Desde o seu lançamento vendeu já 300 mil colchões e em 2018 respondeu por vendas na ordem dos 79 milhões de euros.  
No mês passado lançou mais um produto inovador: um colchão de bebé disponível para crianças dos 0 aos 5 anos, constituído por fibras com canais de ar que garantem a circulaçãoo do ar de forma optimizadam, mantendo um ambiente fresco e regulando a humidade. 

Com esta proposta de valor, digam lá se não dá vontade de experimentar os colchões Emma? :) 


Fontes: 
Revista Marketeer Fev. 2019

sexta-feira, 22 de março de 2019

Blended Marketing, a fusão de dois mundos


O consumidor atual é multicanal, conecta-se e interage com uma marca não só através dos espaços físicos, como através dos vários canais digitais onde a pode encontrar. Com o rápido crescimento das compras online, o consenso geral é de que há uma menor probabilidade dos consumidores fazerem compras nas lojas físicas, preferindo percorrer um site, selecionar os produtos apenas com um “clique” e ter as suas compras à porta de sua casa em poucos dias.

Estando esta tendência a crescer em popularidade, torna-se imprescindível que todas as marcas usem o Blended Marketing – união das estratégias de marketing digital e marketing offline. Isto significa potenciar a presença da marca no mercado. O desafio passa por sincronizar as ações do marketing digital com o marketing tradicional de maneira a que uma estratégia não atropele a outra.

Aqui ficam alguns exemplos de campanhas originais e memoráveis, que proporcionaram uma experiência única ao cliente e, por conseguinte, obtiveram excelentes resultados.

#ShareaCoke

A campanha "Share a Coke" foi uma das campanhas de marketing que teve melhores resultados em toda a história da marca Coca-Cola. A título de exemplo, nos Estados Unidos esta campanha aumentou as vendas em 2% invertendo mais de 10 anos de declínio do seu consumo.
A marca comercializou as latas e garrafas de refrigerante com a inscrição dos nomes mais populares, e os consumidores eram encorajados a encontrar latas e garrafas com o seu nome, ou com o nome de alguém especial para si, e partilhá-las com amigos e familiares. Para além disto, os consumidores podiam partilhar as suas experiências e histórias nas redes sociais com a hashtag #ShareaCoke.
Através da personalização a Coca-Cola tornou o seu público no protagonista e encorajou-o a participar no enredo da história, envolvendo-o assim na sua campanha. Os resultados falam por si!

Um produto por um tweet


Outro exemplo de Blended Marketing foi a Tweet Shop que a marca Special K criou nas ruas de Londres, onde os utilizadores podiam adquirir os seus produtos a troco de um tweet. Basicamente, o que o consumidor precisava de fazer era escrever um tweet sobre a marca para poder receber um dos seus produtos. A Special K soube gerar ruído e deixar o seu cunho entre o público-alvo, recorrendo ao word-of-mouth mas ajustado ao mundo digital.

La Rioja no metro de Madrid

A agência de viagens online Destinia, em parceria com LaRioja Turismo, colocou cartazes nas estações de metro de Madrid com dispensadores com aromas da região – La Rioja – para que os transeuntes se recordassem ou ficassem a conhecer os mesmos. Ao interagirem com a publicidade, cheirando os diferentes aromas e identificando-os, os transeuntes partilhavam a solução nas redes sociais com o hashtag #viajaralariojana, podendo ser sorteados com umas férias no hotel de La Rioja.

A tua bateria por um Kit Kat


A campanha da marca de chocolate Kit Kat é um excelente exemplo de como fazer publicidade offline recorrendo ao digital de uma forma no mínimo diferente. O slogan “Have a break, have a Kit Kat” foi o mote para esta campanha, em que aos participantes, em troca de uma pausa do seu telemóvel, era oferecido um Kit Kat; apenas tinham de ceder toda a bateria do seu telemóvel. Podiam, mais tarde, partilhar esta experiencia nas redes sociais usando as hashtags #MiRespiro #MyBreak.

“Inspiration Day”


Kotex, uma empresa de higiene íntima feminina, realizou a primeira campanha feita através do Pinterest, usando o Blended Marketing. Na campanha “Inspiration Day”, a marca selecionou 50 utilizadoras do Pinterest e analisou os seus interesses, de seguida enviou-lhes uma caixa surpresa personalizada de acordo com os seus gostos. Apenas pediu que em troca partilhassem no Pinterest as fotografias do que continha a caixa surpresa. As selecionadas não só partilharam no Pinterest como também o fizeram noutras redes sociais como o Instagram, o Twitter e o Facebook. O alcance, tal como esperado, foi muito além das 50 participantes; tal pode ser confirmado nos segundos finais do vídeo.

E vocês, lembram-se de alguma campanha que tenha usado esta técnica de marketing? Teve impacto no vosso comportamento enquanto consumidores?

quinta-feira, 21 de março de 2019

Millennials, podem prestar atenção?

Os Millennials são nativos digitais que cresceram com a tecnologia nas suas mãos. Frequentemente são confundidos com adolescentes mimados e que não sabem o que querem, mas para além de serem todos diferentes entre si são também super meticulosos quanto a cada produto ou serviço que estão prestes a comprar. Com o acesso constante à tecnologia tornaram-se consumidores extremamente exigentes. Querem experimentar em vez de possuir daí valorizarem a autenticidade de cada marca e serviço em si próprio. E são também socialmente conscientes, preocupam-se com as alterações climáticas e apoiam projetos locais.

De acordo com a Visão, aquilo que os Millenials mais compram online são roupas, viagens e bilhetes para eventos. Afinal quem não gosta de um bom concerto? Mostra-se também que 72% dos Millennials vivem ainda com os pais. Eles bem gostavam de ter uma casa, mas ficar endividados até ser velhinhos? Não obrigada!

Esta geração sabe tirar o melhor proveito da tecnologia, procurando a maior qualidade pelo preço mais baixo. São peritos em encontrar vales de descontos, cupões e até “viagens” grátis, de tal forma que examinam com minúcia cada compra.

E o que será que influencia as compras dos Millennials pelo mundo online? Entre vários motivos encontra-se a opinião de seres humanos que não conhecem mas que escreveram uma review no produto em questão, e portanto merecem ser levados em atenção. Os amigos e família vêm de seguida nesta escada de influência, já os anúncios de televisão surgem em último lugar.. Ain’t nobody got time to watch tv, right?!


O que devem então fazer as marcas para captar a atenção desta geração sempre online?
Antes de mais serem honestas. Eu que também faço parte desta geração, valorizo uma marca honesta, capaz de me chamar a atenção indo direta ao assunto e sem rodeios. A presença nas redes sociais é essencial nos dias de hoje. Vídeos, gifs e boomerangs são as novas formas de prender a nossa atenção. 
A Forbes, através do relatório da Nielsen “The Millennials on Millennials Report”, ajuda-nos a perceber o que está a mudar no mundo digital e o caminho a seguir para conquistar o entusiasmo dos Millennials.
  • Os padrões de visualização estão a mudar
Como demonstra o relatório da Nielsen, é pouco frequente um Millennial ver televisão, e nos raros momentos em que o faz opta por mudar de canal assim que a publicidade entra em ação. Isto muda drasticamente a maneira de fazer marketing passando a existir um grande ênfase nos dispositivos móveis. A atenção desta geração está agora dividida entre TV, smartphones, tablets e computadores muitas das vezes usados em simultâneo.
  • É necessário ir ao encontro de cada cliente
Os Millennials adoram o multitasking! Olham para a televisão, mexem no telemóvel e ainda abrem novos separadores no navegador da web, estando assim conectados a várias plataformas ao mesmo tempo. As marcas têm agora de dividir o seu investimento em publicidade pelas várias plataformas de forma a ir de encontro ao seu grupo-alvo. E têm de ser autênticas acima de tudo, uma vez que os Millennials não se interessam por anúncios impessoais. 

  • Segmentação dirigida ao indivíduo
Modelos de segmentação gerais deixaram de fazer sentido. As marcas passam a ter de acompanhar o dia a dia de cada cliente através de anúncios em várias redes sociais. Campanhas interativas, com mensagens, emoção e impacto são as preferidas dos Millenials que gostam de se sentir parte da história narrada. Nasceram habituados a analisar produtos em várias plataformas, a ouvir a opinião do amigo ou a ver a review feita pelo comprador anterior e, como tal ponderam bem antes do momento de compra. Resta às marcas criar uma forte relação com estes, com base na confiança e integração de forma a torná-los consumidores leais.

O surgimento dos influencers digitais realça o valor que os Millennials dão à integração na conversa criada pela marca. Estes preferem ser parte integrante de cada anúncio garantindo uma conexão com a marca.

Os Millennials têm muito a oferecer e as marcas muito a ganhar com eles.
Não acham?

quarta-feira, 20 de março de 2019

Os Influenciadores aos Olhos das Marcas

A SocialPubli realizou um estudo acerca da visão das marcas/empresas sobre os influenciadores, tendo uma amostra de 150 empresas de Portugal, Espanha, EUA, Colômbia, México e Perú. Talvez como reflexo de o mundo se ter tornando num aldeia global digital, não existem diferenças significativas entre os diversos países analisados, apesar dos diferentes contextos de cada um.



INFLUENCERS EVERYWHERE
“A grande maioria dos inquiridos (cerca de 80%) assume que o marketing de influência é importante para a sua marca, considerando o lançamento de produtos (34,2%) e a produção de conteúdos (35,4%) os principais momentos em que apostam na colaboração com influenciadores; 20,3% conta ainda com a colaboração de influenciadores para divulgação de eventos das marcas.” .




A procura de influenciadores para representação de marcas/produtos/empresas tem vindo a crescer de forma exponencial nos últimos anos, o que muito se deve à revolução digital e ao surgimento de cada vez mais redes sociais, havendo, pela análise dos dados suprarreferidos, uma maior tendência para o uso desta estratégia em momentos especiais e pontuais de lançamento de um produto ou anúncio de uma novidade – 37,2% dos inquiridos afirmou que apenas recorre a influenciadores para ações especiais.

No entanto, o surgimento da geração millennial (e da geração Z) tornou claro o interesse pelo storytelling, potenciando o número de influenciadores “anónimos” com os quais os consumidores se identificam mais facilmente e que conseguem “contar uma história” mais “real” e próxima da realidade dos consumidores. – “… 87% dos anunciantes prefere que os influenciadores publiquem conteúdo original…”.



Entre as marcas que pertenciam ao estudo, o principal objetivo ao recorrerem a influenciadores passa por aumentar o (re)conhecimento da marca (25%) e o engagement com esta (15%), sendo que apenas 9,3% referiram o aumento das vendas como um dos objetivos desta estratégia. Estes dados refletem claramente a aposta das marcas na notoriedade e no reconhecimento em detrimento do aumento imediato das vendas, uma tendência que tem sido evidenciada pelo rumo das marcas, mas que, agora, se confirma com este estudo.  Se, por um lado, num mundo cada vez mais repleto de informação é importante uma marca conseguir destacar-se e estabelecer uma relação de confiança e de fidelidade com os seus consumidores, por outro, seria de esperar uma maior relevância dos influenciadores no aumento das vendas.

Deveriam as marcar estabelecer uma estratégia que complementasse o objetivo do aumento das vendas com o uso de conteúdos de influenciadores ou devem manter o aumento da notoriedade como objetivo principal?

terça-feira, 19 de março de 2019

Comunicação de Crise e as Redes Sociais

O contexto atual das redes sociais obriga, como tanto discutimos ao longo das aulas, a que haja da parte das marcas um muito maior investimento, de tempo e dinheiro, nestas ferramentas. Duas das questões absolutamente críticas sobre as redes sociais são, por um lado, a enorme quantidade de consumidores que delas são usuários, e por outro, a velocidade da propagação da informação.
A comunicação de crise- que pode ser definida como um conjunto de ações de comunicação que visam debelar ou minorar os efeitos de uma crise- não pode, naturalmente, ser alheia a este contexto.

Um estudo da Medium Reports conclui, por exemplo, que 25% dos utilizadores verificados do Twitter são jornalistas, e um outro estudo da Columbia Journalism concluiu que 59% por cento dos jornalistas estão naquela rede social. Ora, sendo os jornalistas responsáveis por amplificar muita da informação que chegam ao consumidor sobre determinado acontecimento, é fundamental que haja uma preocupação das organizações em usar as redes sociais para informar (para que se evite a propagação de boatos e informações falsas). De resto, diversas organizações têm usado esta ferramenta sabiamente. Vejamos o exemplo abaixo:

Southwest_2-1


O exemplo acima sustenta a tese de que a informação deve ser clara e atempada. De facto, a chave aqui parece ser a informação. Um trabalho de Revisão de Literatura sobre comunicação de crise nas redes sociais, elaborado por Eriksson (2018), aponta para o facto de mensagens ricas em informação são mais bem recebidas pela audiência do que simples pedidos de desculpa.

Mas para que a comunicação de crise seja efetiva, o trabalho deve iniciar-se muito antes da crise surgir. Refere o artigo supracitado que é essencial que haja uma monitorização constante das redes sociais para, por um lado, perceber quais são, normalmente, os hot-issues que, normalmente, resultam em crises, quer para que se possa responder a "paracrises" (i.e, pequenos problemas/polémicas que deverão ser eliminadas no início, para que se evite que estas se transformem em verdadeiras crises). Através da monitorização, as organizações poderão perceber quem são os seus "faith-holders", bem como os seus "hate-holders" (Eriksson, 2018).
A seguir, um exemplo de como deverá ser tratada uma "paracrise":
Telegraph_hitler_teapotO The Telegraph deu eco a uma pequena polémica que surgiu nas redes sociais, por alegadamente uma chaleira da marca JcPenney se parecer com a figura de Hitler. A resposta não tardou:

JCPenney_tweets

De facto, e apesar de se tratar de uma situação muito inicial, a JcPenney não deu aso a polémicas e repetiu, incessantemente, a sua explicação aos diversos users que comentaram o assunto, usando de particular bom-humor. Resultado? As vendas da chaleira dispararam...

Apesar de todos os factos supracitados, diversos autores entendem que as redes sociais não são resposta única em situações de crise. Ainda que tenham a característica de poder providenciar informação de forma rápida, potencialmente impedindo que o boato e a inverdade se propague rapidamente, diversos autores apontam ainda para a maior credibilidade reconhecida à informação veiculada nos meios tradicionais (como a TV ou a rádio). Assim, a rede social deve ser vista como um complemento a uma estratégia mais completa, assente em disseminar informações através de tantos meios quanto possível e de tantas formas quantas possível (Eriksson, 2018).


Para terminar, deixo-vos o desafio de despenderem 17 minutos na visualização da Ted talk acima, onde a oradora trata o triplo tema social media, real time news cycle e mobile technology, e os desafios e oportunidades a eles associados.

"Sad dad trying to sell donuts goes viral"


Nos dias de hoje cada vez mais as redes sociais são utilizadas de forma a promover determinadas atitudes e ações nas pessoas, de modo a que reajam a certas situações e não fiquem apenas no campo da observação. Cada vez mais as pessoas gostam de se sentir poderosas e achar que as suas contribuições são importantes e que fazem a diferença.
Posts que criem emoção normalmente geram uma ação mais rápida que atinge um maior número de utilizadores. Neste caso em especial, um pequeno rapaz fez um post no Twitter em que referia estar triste pelo pai não ter clientes na sua loja de donuts, aberta recentemente.
A comunidade do Twitter foi solidária e decidiu ajudar o menino. Podem ver na imagem a publicação feita e os likes e partilha foram enormes.
O post foi feito durante o fim de semana e a intenção do Billy, nome do menino era que os seus amigos se dirigissem à loja do seu pai para animá-lo.
De forma inesperada, o post atingiu mais de 320 mil retweets e mais de 730 mil gostos e isso, fez com que o pai ficasse mais feliz ainda do que o Billy esperou. Dois dias após o post ter sido lançado a loja já tinha vendido tudo e continuou nos dias seguintes. Foram sendo também publicadas várias fotografias na loja, incluindo o pai a sorrir juntamente com clientes satisfeitos, as quais contrapunham a primeira foto postada pelo menino em que o pai se encontrava sozinho e triste na sua pastelaria.





Podemos concluir que realmente o poder da partilha é bastante relevante a nível da publicidade neste meio digital como é o Twitter e não tanto como nos meios tradicionais como outdoors, jornais
Como vemos neste caso é possível verificar que um negócio pode ser impulsionado através de uma rede social sem qualquer tipo de custos e, por vezes, de forma mais eficaz. Deste modo, conseguem atingir um maior número de pessoas e é uma publicidade ativa, em que os próprios consumidores partilham e contribuem de forma positiva.

Se quiserem saber desta notícia de forma mais detalhada, podem ler a notícia completa no link partilhado abaixo:

segunda-feira, 18 de março de 2019

Publicidade indesejada com fim à vista?

Não é novidade para ninguém que as publicidades sugeridas nos motores de busca se aproximam cada vez mais do utilizador em questão. Isto funciona através da recolha de dados online relativos a cada indivíduo, e a plataforma por si só faz aproximar os anúncios com as necessidades pessoais de cada um, melhorando a experiência tanto do utilizador como também das empresas que chegam mais  facilmente ao seu público alvo.


Mas este trabalho passa igualmente por eliminar conteúdo potencialmente indesejado. Só em 2018, o Google removeu mais de 6 milhões de anúncios fraudulentos por dia, um total de 2,3 mil milhões de anúncios ao longo do ano. É um valor 28% mais baixo do que em 2017, em parte devido a maiores restrições no tipo de publicidade que o Google autoriza.

A estratégia passa por desviar o foco de anúncios específicos para os utilizadores responsáveis por esses mesmos anúncios. Em 2018, foram bloqueadas quase um milhão de contas de anúncios publicitários, quase o dobro do valor de 2017.

O phishing (atacantes disfarçam-se de entidades legítimas, como bancos, para enganar utilizadores e levá-los a fornecer dados confidenciais) e anúncios, disfarçados de notícias falsas para levar os utilizadores a clicar neles, continuam a ser um problema.

Qual é a vossa opinião? Sentem que estes esforços de aproximar a publicidade do utilizador e eliminar conteúdo indesejado estão a ter resultado?

Fontes:
https://support.google.com/adspolicy/answer/143465?hl=en
https://www.publico.pt/2019/03/14/tecnologia/noticia/google-removeu-23-mil-milhoes-anuncios-2018-1865371?fbclid=IwAR0hGd2mzrZoL6-ftBANBKkHzlt8mFIFKVWSKmBsdCjM78uptfeDWHDbDFc

sábado, 16 de março de 2019

O escândalo do programa televisivo

A estação televisiva TVI teve durante muitos anos foi líder de audiências e sempre teve programas que envolviam polémica mas nunca tanto como na sua última estreia. No dia 10 de março de 2019, a estação televisiva estreou um novo programa de televisão chamado "Quem quer casar com o meu filho?". Este programa consiste em uma mãe e um filho escolherem a rapariga ideal para casar, fazendo perguntas como "Sabe cozinhar?", "Tem filhos?" "Fuma?" "Bebe?", entre outras. A maioria das pessoas considerou este programa machista e criou grande revolta entre as mulheres que dois dias antes tinham saído à rua para lutar pelos seus direitos. As mulheres defendem que não precisam de ser aceites por ninguém e que o programa é "ridículo".
Atualmente as marcas não tem poder sobre as opiniões que correm pelas redes sociais. A partir do momento em que a TVI faz a estreia deste programa teve logo muitos comentários negativos que não obtiveram resposta imediata.





Mas não houve apenas comentários negativos nas redes sociais também houve nos programas de rádios, porém a TVI continuava sem dar resposta mas o assunto não foi esquecido.




Passaram 5 dias para a TVI se defender ou pelo menos tentar, no programa "Deus e o Diabo", onde colocou o diretor de programas da TVI, a apresentadora do programa Leonor Poeiras e uma psicóloga que escreveu uma crítica sobre o programa. Este que tinha como objetivo diminuir as críticas nas redes sociais e a aceitação dos portugueses criou ainda mais críticas após uma discussão acesa entre a apresentadora e a psicóloga. A apresentadora teve várias críticas nas redes sociais como as seguintes.





Ao contrário da TVI, a Leonor Poeiras respondeu aos comentários dizendo que apenas foi o primeiro episódio, que não apresentaria um programa machista e convida as pessoas a verem os próximos episódios. Nem assim deixou de receber críticas, tanto sobre o programa como contra a sua atitude a defender o mesmo.


A TVI teve exatamente a atitude "como não reagir" pois:
  • Demorou a responder às críticas; 
  • Não pediu desculpa nem reconheceu o incomodo que pode ter causado à susceptibilidades das pessoas;
  • Deu uma resposta agressiva.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Responsividade nas Redes Sociais


--> É frequentemente discutida, nos nossos dias, a grande dificuldade que as marcas têm em fidelizar os consumidores – sobretudos os Millenialls. A disponibilidade de um grande número de opções, no que toca a produtos, assim como a dificuldade em reter a atenção deste grupo de consumidores, torna essencial que as marcas entendam quais as práticas e estratégias que deixam o objetivo da fidelização dos consumidores mais próximo.

Surge, aqui, a importância da responsiveness no contexto digital. Uma rápida pesquisa no Google permite chegar a uma definição deste termo: “a qualidade de reagir rápida e positivamente”. Tal como refere o autor Alfred Lua num artigo no site Buffer, as redes sociais deixaram de ser um canal one-to-many - utilizado pelas marcas para atingir o maior número possível de consumidores- para passarem a ser um canal one-to-few ou one-to-one, um canal de engagement. A possibilidade de comunicar diretamente com um consumidor individual e de providenciar apoio ao cliente deve ser, assim, aproveitada pelos marketeers. Um estudo da Sprout Social revelou que marcas responsivas são mais procuradas pelos consumidores, ao contrário das marcas pouco responsivas, incapazes de obter lealdade por parte dos consumidores.


Certas marcas não usam, contudo, esta possibilidade em seu benefício. Para além daquelas que não respondem ao consumidor, outras existem que, segundo a Glossy, usam chatbots, isto é, guiões automatizados que não prestam os adequados esclarecimentos aos consumidores em situações de pergunta muito específicas.
Para além de apoio ao cliente, as responsividade pode ser um meio de atingir maior Customer Intimacy – isto é, o processo de construção de uma relação com o consumidor.


Tendo tudo isto em mente, o site Technology Therapy propõe 3 práticas essenciais para as marcas nas redes sociais:
1) Verificar o response rate regularmente – avaliar com precisão a quantidade de perguntas e comentários feitos nas redes sociais semanalmente, quantos foram respondidos e quanto tempo demorou a resposta
2) Examinar os processos de apoio ao cliente- assegurar que todos os membros das equipas competentes estão cientes da sua responsabilidade de responder, integrando esta informação no treino de apoio ao cliente- o objetivo último deve ser o de assegurar um apoio permanente.
3) Assegurar a rapidez da resposta- o Facebook, premeia algumas páginas com a distinção de “very responsive to messages” – o que aumenta a disposição dos consumidores em procurar o contacto com as marcas através das redes sociais.


Qual é a vossa opinião sobre o tema? 
É habitual procurarem o contacto direto com as marcas através das redes sociais? 
Em que situações?