quinta-feira, 20 de março de 2025

...EIS A QUESTÃO

Mau tempo deixa loja do IKEA sem ‘A’ em Loures. A marca sueca aproveitou o acontecimento desta madrugada para brincar com a situação, nomeadamente através da eterna dúvida sobre como se pronuncia o seu nome através de uma publicação na rede social Instagram. 


Esta quinta-feira, nem uma hipótese, nem a outra, já que o "vento da madrugada levantou as dúvidas" com este acontecimento. A brincadeira por parte da gigante do mobiliário foi vista com agrado por parte dos utilizadores que aplaudem a iniciativa: 





Ao aproveitar um evento inesperado, a marca não só demonstrou agilidade e sentido de humor, mas também estimulou o envolvimento do público ao convidá-lo a participar numa discussão comum sobre a pronúncia de 'IKEA'. 

Este tipo de conteúdo é eficaz porque humaniza a marca e a aproxima dos consumidores, incentivando interações que aumentam a visibilidade e reforçam a identidade da mesma. Além disso, ao abordar uma dúvida frequente de forma descontraída, IKEA reforça a sua presença digital e mantém-se relevante nas conversas quotidianas dos portugueses. Fica a questão: IKEÁ ou IKEIA?


Fontes


terça-feira, 18 de março de 2025

O simples caso da Ryanair


Já viajaste na Ryanair? Então sabes como é.

É quase como apanhar um autocarro low-cost dos céus. Bilhetes baratos, bancos desconfortáveis, espaço reduzido, bagagem contada ao milímetro e um serviço essencialmente funcional fazem parte da experiência.

Naturalmente, quando algo não acontece como o esperado, os passageiros recorrem às plataformas digitais para exprimir a sua frustração. Mas o que distingue a Ryanair de outras marcas é a forma como responde a esses desabafos. Sarcasmo, humor e uma dose saudável de provocação fazem parte da receita.

Em vez de seguirem o método tradicional (criarem um site, lerem as críticas, responderem aos comentários com o script genérico), a Ryanair “abraça” as críticas e aproveita os mesmos meios para as transformar em conteúdos virais. E a verdade é que esta estratégia tem funcionado super bem. Mas porquê? O que podemos aprender com a Ryanair para aplicar ao Marketing e Comércio Eletrónico?

A Ryanair é “transparente” em relação à sua identidade. Nunca vendeu uma experiência premium e as suas limitações fazem parte da narrativa. Por exemplo, quando um passageiro com 2 metros de altura se queixa do pouco espaço entre os bancos, a Ryanair não pede desculpa, mas sim responde com um meme que diz “O voo foi £9.99. Ultrapassa isso”.

https://www.tiktok.com/@ryanair/video/7459447601440640288

Arriscado? Pode parecer, mas, de facto, há coerência com o posicionamento da marca.

O humor sempre foi uma ferramenta poderosa no marketing e a Ryanair é mestre nessa arte. A empresa transforma os aspetos mais negativos da experiência ao cliente em material de entretenimento. E os números não enganam. A organização acumula milhões de seguidores e gostos nas suas redes sociais. O mais engraçado é que isto não afasta os consumidores, pelo contrário, só cria uma relação mais próxima e descomplicada com a marca.


As pessoas não interagem apenas com a Ryanair, mas também partilham e amplificam as respostas da empresa. Cada crítica transformada num meme aumenta o alcance da marca sem custos publicitários.

Creio que a abordagem da Ryanair não funciona apenas nas companhias aéreas, mas sim em muitas outras empresas presentes no mundo digital. No fundo a Ryanair ensina-nos a ser autênticos, ter sentido de humor e aproveitar as redes sociais para conversar com os consumidores e não apenas vender.

Fontes:

https://tnews.pt/o-caso-de-sucesso-da-ryanair-no-tiktok/

https://skift.com/2024/03/22/ryanair-ceo-shares-social-media-strategy/#:~:text=Despite%20O'Leary's%20personal%20disinterest,team%20has%20significant%20creative%20freedom.

https://www.boredpanda.com/funny-ryanair-social-media-roasts/

domingo, 16 de março de 2025

PB: Persuasão Barata ou Personal Branding?

Kylie Cosmetics. Fenty Beauty. Tesla. Rare Beauty.

A grande maioria de nós associará estes nomes automaticamente a caras bem conhecidas do público. Através dos media Kylie Jenner, Rihanna, Elon Musk e Selena Gomez construíram uma imagem que reflete (idealmente) os seus ideais, valores e crenças, e transportaram-na para a origem dos seus produtos.
Catapultada pelo reality show “Keeping up with the Kardashians” Kylie construiu posteriormente uma forte presença no digital que originou uma conexão do público com ela, gerando-se um vínculo que converteu seguidores em compradores. A consistência na partilha da sua vida pessoal no Instagram, Snapchat, TikTok cria uma sensação de proximidade com os seguidores, tornando sua imagem mais acessível e aparentemente genuína. A criação de conteúdo visual e estético são reforçados pela forma como se apresenta e, por outro lado, reforçam a sua imagem como um ícone de estilo e beleza.


A Rihanna canalizou a sua popularidade para a Fenty Beauty, promovendo um caminho de procura de inclusão através da diversidade de tonalidades dos seus produtos. A sua ascensão rendeu-lhe a 'Rhianna Navy' e uma contínua trajetória de sucesso. As mensagens que transmite nos media sobre aceitação e empoderamento, através do storytelling de produtos, e os testemunhos e partilhas reais, humanizam a marca e agregam uma comunidade de fãs que contribui para a sua expansão.


Também adepta da autenticidade e da autoaceitação, Selena Gomez compartilha conteúdos que refletem esses valores, como posts/ vídeos de awareness sobre saúde mental, confiança e a importância de se reconhecer a própria beleza. Reafirmou a ideia de beleza real, sem filtros ou inatingíveis, com o lançamento da Rare Beauty, uma marca de cosméticos. Nas suas interações nas redes, valoriza a diversidade e associa frequentemente as suas campanhas a um propósito. Compartilha feedback de pessoas reais que usam os seus produtos, criando um senso de comunidade e um vínculo emocional com a marca.


Menos visual e mais polémico, o Elon Musk usa, sobretudo, a rede social X para divulgar a sua visão e as suas empresas. Desafiador do status quo e baseado na informalidade, irreverência e controvérsia, gera curiosidade de fãs e haters. Nas redes sociais, responde a perguntas e interage de forma próxima com os utilizadores, promovendo uma imagem descontraída de um CEO. Atualiza lançamentos, transformações e inovações da SpaceX, Tesla, Neuralink e The Boring Company através das redes, de modo informal, mas impactante.



Sendo a narrativa de jovem celebridade a empresária de sucesso ou de CEO de sucesso a símbolo e influenciador, estas personalidades basearam- se na sua notoriedade e presença nas redes sociais para construir uma identidade pessoal materializada na sua marca. Associam fortemente o personal branding ao human branding para solidificar a sua imagem. Apesar de estes conceitos serem explorados na literatura moderna, “ the branding of individuals is as old as human interaction and society itslef “ (Braudy, 1997). Qual o limite desta estratégia? É legítimo alavancar uma marca apenas pelo carisma ou status? O drive de um comprador será apenas uma necessidade ou a busca de uma imagem também para si mesmo? Como proteger a causal social da marca?

Fontes:

https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2020.01809/full
https://www.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2018.02238/full

https://www.researchgate.net/publication/377584539_Personal_Branding_A_Systematic_Literature_Review

UMA BIC, IA & SHAKESPEARE ENTRAM NUM BAR…

A história da BIC inicia-se após a Segunda Guerra Mundial, nos subúrbios de Paris, onde Marcel Bich começa a fabricar peças suplentes para canetas-tinteiro. A esferográfica já existia, mas faltava-lhe a perfeição. Bich reconhece o potencial do produto... se, e só se, fosse bem concebido.

Durante dois anos trabalhou incansavelmente para desenvolver a caneta esferográfica ideal. Para isso, ele teve uma visão clara: proporcionar uma experiência de escrita suave e sem esforço para libertar a mão para a expressão criativa. A sua busca pela perfeição levou-o a ser o primeiro a utilizar ferramentas de relojoaria de precisão para fabricar canetas. Assim nasceu, no final do ano 1950, a esferográfica BIC® Cristal® a primeira esferográfica de alta qualidade acessível a todos.

Ainda hoje é a Esferográfica nº1 no Mundo!


A BIC lançou uma campanha especial para celebrar os seus 75 anos no Brasil. Em parceria com a agência VML, o projeto ‘Uma BIC, Um Livro, Dois Clássicos’ reescreveu a obra Romeu e Julieta, de William Shakespeare, utilizando apenas uma caneta.

Durante 20 dias, o sistema recriou o texto da peça, guiado por análise de caligrafia e validação de especialistas. Um perito em caligrafia comparou 10 das 22 características definidoras do script original de Shakespeare e confirmou a autenticidade na escrita. 

Segundo a empresa, o robô escreveu ininterruptamente durante 63 horas, e a caneta ainda tinha tinta no final do processo. Deixo-vos a prova:


O projeto gerou conversas globais sobre a interseção entre tradição e inovação. Reforçou a missão da BIC de inspirar criatividade enquanto celebrava a relevância duradoura da palavra escrita. O manuscrito reescrito agora está no Real Gabinete Português de Leitura, deixando um legado cultural duradouro.

Fontes:

sexta-feira, 14 de março de 2025

"Share a Coke": a campanha que modificou as embalagens da Coca-Cola

Já encontraste uma garrafa de Coca-Cola com o teu nome no rótulo? A campanha "Partilha uma Coca-Cola" não só revitalizou a marca, como também criou uma forte ligação emocional com os consumidores. Esta estratégia simples, mas altamente eficaz, transformou a experiência de consumo num momento único e personalizado, tornando-se um fenómeno global.

Lançada em 2011 na Austrália, rapidamente se expandiu para vários mercados internacionais, adaptando os rótulos com os nomes mais comuns de cada país. Esta abordagem não apenas incentivou a compra individual, mas também estimulou a partilha entre amigos e familiares, criando uma experiência emocionalmente envolvente. A força da campanha residiu na capacidade de transformar um simples refrigerante num elemento de interação social e conexão emocional.

A Coca-Cola maximizou o impacto digital da campanha através das redes sociais, incentivando os consumidores a partilhar fotos e histórias com a hashtag #PartilhaUmaCocaCola. Esta estratégia gerou um grande volume de conteúdo autêntico e viral, aumentando a visibilidade da marca e reforçando o envolvimento do público. Além disso, a personalização da campanha para diferentes mercados, com nomes e mensagens adaptadas a cada região, garantiu um impacto global sem perder a relevância local.

A Campanha "Share a Coke" é um exemplo notável de como a personalização e integração eficaz das redes sociais podem transformar a relação entre uma marca e seus consumidores. Para além do aumento significativo das vendas, a Cola-Cola conseguiu criar momentos memoráveis, que os consumidores tiveram prazer em partilhar, reforçando assim a conexão emocional e lealdade à marca.

A Coca-Cola utilizou plataformas como Facebook, Instagram e Twitter para criar um diálogo direto com os consumidores, encorajando o conteúdo gerado por eles e promovendo uma sensação de comunidade. Além disso, a marca recorreu a influenciadores digitais para aumentar o alcance da campanha de forma orgânica e espontânea.

No ambiente digital, a Coca-Cola também desenvolveu experiências interativas, como sites e apps, que permitiam aos consumidores procurar e partilhar as garrafas com seus nomes. A utilização de e-mail marketing manteve o público informado e engajado, enquanto a análise de dados ajudou a otimizar a campanha em tempo real, garantindo relevância local.

Esta campanha obteve resultados positivos para a marca, pelo que o número de pessoas que bebe coca-cola aumentou em 5% e o número de jovens que a consomem cresceu 7%.

Fontes: