Nos últimos tempos, é cada vez mais comum ver crianças e jovens a dizerem “67” em vídeos, nas redes sociais e até no dia a dia. O mais curioso é que, na verdade, quase ninguém sabe explicar exatamente o que isso significa.
E é aqui que isto se torna interessante do ponto de vista do marketing digital. O “67” não nasceu como uma campanha ou uma ideia de marca, mas acabou por ganhar força sozinho, através das redes sociais, da repetição e da forma como os utilizadores vão copiando comportamentos uns dos outros.
Em plataformas como o TikTok e o Instagram começaram a surgir vídeos, sons e referências associadas ao número, o que ajudou a transformar algo que, à partida, não tinha um significado claro, numa espécie de “código” cultural entre utilizadores. Este tipo de fenómenos demonstra como o digital cria tendências que se propagam de forma autónoma, sem necessidade de uma origem formal de marketing ou comunicação de marca.
No fundo, o mais interessante nem é perceber o que o número significa (porque muitas vezes nem existe uma explicação única), mas sim perceber como ele se espalha. As pessoas repetem porque veem outros a repetir, partilham porque está a ser partilhado, e assim cria-se uma tendência que cresce de forma orgânica e quase auto-sustentada.
Do ponto de vista do marketing digital, isto mostra algo muito simples: nem sempre é preciso uma grande mensagem ou uma ideia estruturada. Às vezes, basta um elemento pequeno, fácil de reproduzir e culturalmente adaptável para ganhar vida própria dentro das redes sociais.
Este fenómeno ganhou ainda mais força com a música “Six Seven” de Laurinha Costa, DJ Cabello e DJ Tchouzen, que ajudou a amplificar a tendência através do som e da dança.
Aqui, a lógica é clara: quando um elemento é associado a música e coreografia, a probabilidade de viralização aumenta significativamente, porque facilita a replicação e a participação ativa dos utilizadores.
Do ponto de vista do Web Marketing, este caso é particularmente relevante porque mostra que as tendências digitais não vivem isoladas. Elas constroem-se através de um ecossistema de conteúdos: vídeos, música, memes e interações, que se alimentam mutuamente e aceleram a sua disseminação.
Neste contexto, várias marcas já perceberam a importância de integrar tendências em vez de apenas criar campanhas isoladas. No caso do TikTok, muitas tendências musicais e virais acabam por ser incorporadas por criadores e até por marcas, que procuram ganhar relevância dentro da cultura da plataforma. Também marcas como a Nike têm recorrido frequentemente a códigos culturais do digital e tendências orgânicas para reforçar a sua presença junto de públicos mais jovens.
Isto mostra uma mudança importante no marketing contemporâneo: as marcas já não são apenas criadoras de tendências, mas também observadoras e participantes da cultura digital.
💡E aqui entra um exemplo interessante: o fenómeno do “67” poderia perfeitamente ter sido explorado por uma marca como a McDonald's. A marca tem histórico de comunicação altamente ligada à cultura jovem e viral, e poderia ter integrado o número numa campanha simples, visual e altamente repetível: por exemplo, através de conteúdos curtos no TikTok com humor e repetição, transformando um fenómeno espontâneo numa ativação global de engagement.
E é precisamente isso que torna este tipo de tendências tão relevante para o marketing digital: elas não são criadas, são descobertas.
No fundo, o “67” mostra algo essencial no comportamento digital atual: nem sempre importa o significado original, mas sim a capacidade de algo ser repetido, reinterpretado e partilhado até se tornar parte da cultura coletiva.
E fica a reflexão final: no digital, o mais poderoso não é o que se diz… mas o que todos decidem repetir.











