segunda-feira, 27 de abril de 2026

Seminário "E-commerce - Do Clique à Fidelização"

Na sequência do Seminário "E-commerce - Do Clique à Fidelização" realizado esta 6a feira, gostaria de agradecer a presença e a colaboração de todos os presentes, sem os quais não seria possível desenvolver com sucesso este tipo de iniciativas. Espero que o Seminário tenha correspondido às expectativas!


Quando a loja se transforma em experiência: o caso da Nike House of Innovation

Já não faz sentido falar de “ir às compras” como antes.

Na passada sexta-feira, tive  a oportunidade de participar numa palestra sobre E-commerce e Fidelização e percebi que, hoje, o consumidor não quer apenas produtos, quer contexto, quer experiência, quer sentir que está dentro de algo maior. 

É aqui que entram novas dinâmicas como o Live Shopping, onde a compra acontece em tempo real, com interação ao vivo, criadores ou marcas a apresentarem produtos, a responderem a perguntas e a criarem uma experiência mais envolvente e imediata. O futuro do retalho já não é mono-canal. É diversificação total de canais, interação ao vivo e uma experiência contínua, sem fronteiras claras entre o online e o offline.

Neste sentido, marcas como a Nike já estão a aplicar o mesmo princípio nas suas lojas físicas, transformando o espaço de venda num palco interativo, onde o cliente participa, explora e vive a marca, e não apenas compra. A Nike não faz isto em lives tradicionais, mas faz algo equivalente dentro da loja onde tudo é imediato, interativo e orientado para ação. É quase um “live shopping físico”, onde o cliente participa ativamente na experiência.

Se caminhares pela icónica 5ª Avenida, em Nova Iorque, vais encontrar a Nike House of Innovation, que me parece ser um excelente exemplo para perceber para onde o retalho está a caminhar e o tipo de experiência que está a ser criada à volta do consumo (ver mais info aqui e aqui). 


OFF = ON: quando o digital e o físico deixam de ter fronteiras

Com esta novidade a Nike fez uma coisa simples, mas poderosa: eliminou a separação entre online e offline. Estamos a falar de um espaço onde o retalho físico e digital deixam de ser dois mundos separados, onde o online entra na loja e a loja entra no online, sem fricção, sem barreiras, quase sem se notar (“OFF = ON”). Com a criação de uma app "Nike app", o digital deixa de “ajudar a loja" e passa a estar dentro da loja, onde o cliente consegue:

  • fazer scan de produtos num manequim e ver stock em tempo real
  • pedir peças diretamente para o provador
  • pagar diretamente na app sem passar por filas das caixas tradicionais (Instant Checkout)



É uma excelente estratégia de omnicanalidade pois o consumidor não quer apenas canais diferentes, quer um único percurso fluido, onde ele decide como, quando e onde interage.

Basicamente o cliente está imerso num ecossistema onde a conveniência digital e a gratificação instantânea física se fundem perfeitamente! Portanto, a loja física continua a ser essencial porque dá aquilo que o digital nunca consegue: sentir o produto, experimentar, viver o momento.

Muito além do showrooming

Se o showrooming transformou as lojas em simples pontos de exposição, a Nike fez exatamente o contrário: transformou-as em palcos de experiência, através de estratégias como: 

  • Sport Offense: Em vez de prateleiras confusas, a Nike organiza equipas focadas por desporto (Corrida, Basquetebol, Futebol), oferecendo uma curadoria clara ao atleta.
  • Speed Shop: No subsolo, o stock é decidido por IA preditiva baseada nos dados de consumo daquela comunidade local. A loja sabe o que o bairro quer antes mesmo de o cliente pedir!

A grande inovação da Nike foi permitir que o consumidor dite o ritmo da sua jornada. Se desejas assistência pessoal, há especialistas no Expert Studio. Se preferes autonomia, pode usar o Shop the Look para escanear QR codes em manequins e enviar as peças diretamente para o provador via app.

Aqui, o comprar deixou de ser só comprar, virou experiência!

Na Geração Z, a memória do momento é tão ou mais importante quanto o produto. Em Paris, a Nike elevou a fasquia ao lançar as Air Max Dn com hologramas 3D. Sob o mote "Feel the Unreal", os clientes podiam inspecionar detalhes técnicos de conforto através de imagens flutuantes, transformando a transação numa atividade de lazer imersiva. O objetivo era fazer com que o cliente se lembre do momento, não só do produto.

 


Co-criação: O Cliente como Designer (Prosumer)

Nesta nova paisagem, o consumidor quer é participação. E, por isso, mais uma vez a Nike foi estratégica com a criação do Nike Expert Studio e do Sneaker Lab numa lógica de "NIKE BY YOU" onde membros NikePlus podem personalizar os seus produtos com especialistas, transformando-os em peças únicas. Esta ligação emocional cria um "templo da marca" que o digital puro jamais conseguirá replicar! É aqui que surge a lógica do Prosumer: um consumidor que também cria. 



⚠️ O Desafio da Realidade: Nem Tudo é Tecnologia!

Apesar do brilho tecnológico, começaram a surgir sinais de que a Nike está num momento de reorientação.

Recentemente, a marca registou quedas nas vendas diretas e críticas pela falta de inovação mais disruptiva nos seus produtos core (ver mais info aqui).

A lição para nós?
A tecnologia e a omnicanalidade são ferramentas poderosas, mas nada substitui um foco consistente num produto/serviço e uma escuta ativa do consumidor.
Sob o comando de Elliott Hill, a Nike procura agora equilibrar este espetáculo digital com um regresso às suas raízes: a performance desportiva real.

Conclusão: Mas afinal o que realmente sustenta a relação?

Percebemos que o futuro do retalho não está em escolher entre físico ou digital, mas em conseguir integrar ambos de forma tão natural que o cliente nem se aperceba da diferença.

Mas, no meio de toda esta inovação, e tendo em conta os desafios que a Nike enfrentou a respeito disso... Até que ponto toda esta experiência é suficiente para conquistar o consumidor, se um produto/serviço deixar de acompanhar o nível de inovação esperado? Uma questão que merece reflexão. 

domingo, 26 de abril de 2026

Amazon: Exemplo de sucesso, ou ilusão do e-commerce?

Quando se fala em comércio eletrónico, é impossível não pensar na Amazon como um caso de sucesso. Ainda no Seminário da passada sexta-feira a empresa foi usada diversas vezes como um exemplo na área.

 


A verdade é que a Amazon revolucionou o conceito de e-commerce, popularizou a ideia de loja digital e tornou-se um exemplo clássico da teoria da cauda longa. Mas, será que este modelo é tão perfeito quanto parece?

De acordo com esta teoria, vender muitos produtos de nicho pode gerar tanto ou mais valor do que apostar apenas nos mais populares. No entanto, a realidade é que a visibilidade desses produtos é limitada. Num catálogo com milhões de referências, dominam os produtos mais vendidos e os anúncios pagos.

Assim, será que podemos dizer que todos os produtos têm as mesmas oportunidades dentro da plataforma? 🤔

A visibilidade que temos dos artigos depende fortemente do algoritmo. Os produtos patrocinados aparecem destacados, tendo um peso significativo nos resultados de pesquisa. Isto significa que, muitas vezes, não é apenas a qualidade do produto que determina o seu sucesso, mas sim o investimento que é feito em publicidade dentro da própria plataforma. Desta forma, o e-commerce deixa de ser um espaço totalmente democrático e passa a depender de recursos financeiros e investimentos.

Ou seja, quando pesquisamos um produto, estamos a ver as melhores opções, ou as mais pagas?💶

A confiança do consumidor também levanta algumas questões. Apesar do sistema de avaliações ser uma das grandes forças da Amazon, existem críticas relativamente a reviews falsas ou manipuladas, assim como a presença de produtos de qualidade duvidosa. Estes fatores afetam fortemente a experiência do utilizador e levantam dúvidas sobre a fiabilidade da plataforma.

Será que podemos confiar plenamente na plataforma e nas classificações online que ela contém? Até que ponto é que o comércio eletrónico consegue garantir a segurança e a qualidade dos artigos que disponibiliza? 🤝

Na minha opinião, é inegável que a Amazon é um dos maiores exemplos de inovação no que diz respeito ao comércio eletrónico e à criação de uma loja digital global. No entanto, através dela também conseguimos perceber algumas limitações deste modelo. A cauda longa existe, mas nem todos conseguem tirar partido dela de igual forma. O e-commerce oferece oportunidades, mas também cria novos desafios, nomeadamente na visibilidade dos produtos e na confiança que é transmitida aos utilizadores e compradores.

A minha verdadeira questão é:

Será o modelo de e-commerce da Amazon um verdadeiro caso de sucesso, ou simplesmente esconde bem as suas limitações? 

Volkswagen: quando não é preciso inventar para emocionar

A recente campanha da Volkswagen, com o conceito “We didn’t invent anything”, é um excelente exemplo de como, no marketing, nem sempre é preciso reinventar para gerar impacto.

Num setor como o automóvel, onde muitas campanhas apostam em tecnologia, performance e inovação, esta abordagem segue um caminho completamente diferente. Em vez de focar o produto de forma direta, aposta em algo muito mais simples e universal: relações humanas.

Ao longo dos vários filmes da campanha, vemos momentos do dia a dia entre pais e filhos, situações familiares que são facilmente reconhecíveis e com as quais qualquer pessoa se identifica. A música, a imagem e os pequenos detalhes ajudam a construir uma narrativa emocional que prende a atenção de forma natural. Só mais tarde é que a marca faz a ligação subtil a algumas funcionalidades dos seus automóveis.

O conceito central da campanha, desenvolvido pela BBDO Paris, parte desta ideia de “The Parents”, estabelecendo um paralelismo entre tecnologias de segurança dos automóveis e gestos instintivos de cuidado parental. Por exemplo, sistemas como o lane assist são apresentados como uma extensão tecnológica desse instinto de proteção que já existe entre pais e filhos.


E é precisamente isso que torna a campanha tão eficaz. A Volkswagen não tenta “inventar” nada no sentido tradicional do marketing automóvel. Em vez disso, humaniza a tecnologia, mostrando que a verdadeira inovação pode estar enraizada em algo tão simples como o cuidado e a proteção no dia a dia.

Num mercado onde muitas marcas competem para apresentar a tecnologia mais avançada ou visualmente mais impressionante, esta abordagem destaca-se pela sensibilidade. Em vez de especificações técnicas ou efeitos digitais complexos, aposta em cenas reais e emoções autênticas.

Este tipo de storytelling emocional cria uma ligação mais forte com o público, porque não vende apenas um automóvel: vende significado, proximidade e confiança. No fundo, posiciona a marca como algo que faz parte da vida real das pessoas.

Fica a reflexão: num mundo cada vez mais focado na inovação tecnológica, serão as campanhas mais simples e humanas aquelas que realmente permanecem na memória?

Fontes

“Alô Virgínia” e a viralidade no digital

No ecossistema digital atual, a pergunta já não é apenas se algo pode ser feito do ponto de vista legal, mas também como e por que razão isso ganha impacto online. No caso da música associada à influenciadora digital Virgínia Fonseca, esta discussão tornou-se evidente. O direito existe, mas o mercado e, sobretudo, o ambiente digital acabaram por falar mais alto e, no fim, todos beneficiaram.

Quando a música se tornou viral, a sua difusão aconteceu quase exclusivamente através de redes sociais, onde conteúdos são rapidamente partilhados. Plataformas como Instagram e TikTok foram essenciais para amplificar o alcance, transformando uma simples música num fenómeno de tendência. Isto mostra como o digital não é apenas um canal de divulgação, mas um verdadeiro acelerador de viralidade e de valor de marca.

A partir daí surgiu a dúvida: será que a Virgínia poderia impedir a utilização da música ou exigir pagamento pelo uso que estava a ser feito da sua imagem e associação ao conteúdo? A resposta passa por olhar não só para o direito, mas também para a realidade do ecossistema digital, porque nem tudo o que a lei permite faz sentido ser aplicado de forma rígida num ambiente onde a exposição gera valor imediato.

Do ponto de vista jurídico, o simples uso do primeiro nome de alguém, sem ofensa, difamação ou associação negativa, não gera automaticamente uma violação de direitos de personalidade. Ainda mais quando estamos perante uma obra artística, como uma música, que no contexto digital pode ser entendida como expressão criativa, referência cultural ou até homenagem.

Por outro lado, quando a própria Virgínia utiliza a música nos seus stories, vídeos e na sua rotina, não está a explorá-la comercialmente de forma independente. Está, na verdade, a amplificar um conteúdo que já existe, contribuindo para a sua circulação digital. Isto é diferente de integrar essa mesma música numa campanha publicitária formal, onde já existe uma exploração direta e planeada.

Na prática, esta ligação entre música e figura pública foi claramente intencional. Quem criou a música sabia o poder mediático da Virgínia no ambiente digital e antecipava que ela iria reagir, partilhar e gerar novos conteúdos. Foi exatamente isso que aconteceu. O resultado foi um fenómeno típico das redes sociais: exposição mútua e crescimento orgânico. A banda ganhou um hit viral, o público envolveu-se com o conteúdo e até produtos associados tiveram aumento de vendas, como o “Body Splash de Vanilla” da marca WePink da Virgínia, impulsionado pela própria referência na música.

Este caso torna-se ainda mais interessante quando percebemos que tudo isto é amplificado pelo digital. O conteúdo não vive isolado, mas sim dentro de um ecossistema onde comentários, partilhas, reações e conteúdos derivados prolongam a sua vida e aumentam o seu impacto. É este efeito em cadeia que transforma uma música num fenómeno cultural e comercial ao mesmo tempo.

No fundo, este caso mostra que o direito continua a ser fundamental, mas no ambiente digital ele cruza-se constantemente com marketing, influência e comportamento do consumidor. Em muitos casos, o mercado regula-se sozinho através da exposição e da viralização, criando valor para todas as partes envolvidas.

A música, tal como outras formas de conteúdo hoje em dia, é também negócio e envolve propriedade intelectual. No entanto, é precisamente a interação entre direito, criatividade e ecossistema digital que transforma um simples lançamento num fenómeno viral.

sábado, 25 de abril de 2026

Sprite e NBA: um case de WebMarketing global

A volta da Sprite como bebida oficial da NBA representa mais do que uma parceria comercial é também um exemplo claro de estratégias modernas de WebMarketing a marca retorna com foco em presença digital conteúdo interativo e conexão com novas gerações especialmente nas redes sociais da liga


Fonte imagen: The Coca-Cola Company. 

Este caso mostra como o branding emocional é essencial, pois a Sprite não vende apenas refrigerante, mas sim uma associação com cultura urbana e basquete criando assim, uma identificação com o público.

Outro ponto importante é que, também evidencia a importância do engagement digital já que a NBA possui forte presença online e permite campanhas com um enorme alcance junto com a interação com os fãs e vale ressaltar que, outro ponto relevante, é a experiência do utilizador com ativações digitais e conteúdos exclusivos que tornam a relação entre marca e consumidor mais dinâmica e envolvente.
https://www.instagram.com/reel/DV_L-FvBqBp/

Por fim, o retorno da Sprite à NBA mostra como as marcas podem usar o ambiente digital para ir além da publicidade tradicional. No contexto de WebMarketing, é um exemplo claro de como conteúdo, cultura e tecnologia podem ser combinados para criar conexões mais fortes com o público.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Influência digital: quando uma rotina se transforma em tendência

Há dois dias, a influenciadora Helena Coelho publicou um vídeo que rapidamente começou a dar que falar, mostrando mais uma vez o impacto que o marketing de influência pode ter. Desta vez, não foi sobre moda ou maquilhagem, mas sim sobre algo tão simples como a sua rotina de higiene oral.

https://www.instagram.com/reel/DXcwZnMDIK4/?igsh=MWo1aXR6cWJjOWg0bg==

No vídeo, partilha os produtos que usa no dia a dia: fio dentário, irrigador bocal (water flosser), escova elétrica, elixir sem álcool com flúor e até um gadget para o hálito. Marcas como Usmile ou Zdeer aparecem de forma natural.

À primeira vista, pode parecer apenas mais um conteúdo informativo ou de lifestyle. No entanto, o impacto vai muito além disso. Sempre que Helena Coelho partilha um produto, existe um efeito quase imediato no mercado. A sua credibilidade e proximidade com o público fazem com que muitos seguidores confiem nas suas recomendações, o que frequentemente leva ao esgotamento dos produtos mencionados.

Este fenómeno mostra como o marketing digital evoluiu. Já não se trata apenas de campanhas planeadas pelas marcas, mas também da capacidade dos influenciadores de gerar procura de forma orgânica. Um simples vídeo pode transformar produtos comuns em tendências virais em questão de horas.

Para além disso, este caso torna-se ainda mais interessante pela reação que gerou. Vários profissionais da área, nomeadamente dentistas, reagiram ao vídeo, comentando e analisando as escolhas feitas.

https://www.instagram.com/reel/DXfE9_0CKPT/?igsh=MW5nd3JwazNnOHo4cw==

https://vm.tiktok.com/ZGdHjdPBC/

https://vm.tiktok.com/ZGdHjLNAx/

Isto cria um segundo nível de conteúdo, onde diferentes vozes entram na conversa, aumentando ainda mais o alcance e a credibilidade do tema.

No fundo, estamos perante um efeito em cadeia típico do digital: um conteúdo gera atenção, essa atenção gera interação, e essa interação gera ainda mais conteúdo. O resultado é uma amplificação contínua que nenhuma campanha tradicional conseguiria replicar com a mesma rapidez.

Este caso levanta uma questão importante: até que ponto as decisões de consumo estão cada vez mais dependentes da influência digital? E será que confiamos mais na recomendação de um influenciador do que em especialistas?

Um minuto de silêncio que fez barulho: a campanha da Vodafone

Num mundo onde tudo acontece em segundos, onde cada scroll traz uma nova opinião, um novo conflito ou até um comentário agressivo, a Vodafone fez algo pouco comum: pediu para parar.

  “Um minuto para calar o ódio.”

A realidade é que o ambiente digital se tem tornado cada vez mais hostil. O discurso de ódio, os ataques gratuitos e a normalização da agressividade online fazem hoje parte da experiência diária nas redes sociais.

E é precisamente neste contexto que esta campanha ganha força.

Num ecossistema onde as marcas competem por atenção constante, esta destaca-se por fazer exatamente o oposto. Em vez de incentivar interação, incentiva silêncio.

E foi precisamente isso que captou a atenção.

A combinação de um tema sensível, a violência e o ódio online, com uma abordagem inesperada tornou o momento relevante e diferenciador. Não há promoção direta, nem call-to-action tradicional. Há apenas uma pausa.

Mas a campanha não ficou por aqui.


Foi reforçada nos Prémios PLAY, levando a mensagem para um palco físico e transformando um momento individual numa experiência coletiva. Mais do que uma publicação, tornou-se um posicionamento consistente.

Este caso mostra-nos algo cada vez mais evidente no marketing digital: destacar-se nem sempre passa por fazer mais barulho.

Às vezes, passa por fazer o contrário.

O que é que vocês acham? Num mundo onde o ódio gera engagement, será que parar é mesmo uma opção para as marcas?

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Entre memes e mistério: o marketing do Duolingo nas redes sociais

 Nos últimos tempos, a Duolingo voltou a destacar-se nas redes sociais com uma campanha inesperada: a “morte” da sua mascote, a conhecida coruja verde.

Antes mesmo desta campanha, o Duolingo já era conhecido pela sua forma pouco convencional de comunicar, especialmente no TikTok. A marca construiu uma presença digital muito baseada em humor, tendências e interação com os utilizadores, transformando a sua mascote quase numa personagem com personalidade própria. Este tipo de abordagem permitiu criar uma ligação mais próxima com o público, fugindo ao tom mais institucional típico de muitas marcas. 

Embora esta campanha tenha acontecido há cerca de um ano, continua a ser um exemplo muito relevante para compreender o marketing digital atual. Num contexto em que as marcas procuram constantemente formas de captar atenção, este tipo de estratégia mostra como conteúdos virais podem ter um impacto duradouro e continuar a ser referência.

A marca anunciou, de forma aparentemente dramática, que a mascote tinha desaparecido, gerando rapidamente uma onda de reações no TikTok e noutras plataformas. Comentários, memes e teorias começaram a surgir, transformando a campanha num fenómeno viral.


O mais interessante neste caso é que não se trata de publicidade tradicional. O Duolingo não está diretamente a promover o produto, mas sim a criar um momento de entretenimento que envolve o público e incentiva a participação.

Esta estratégia mostra como, hoje em dia, as marcas procuram cada vez mais integrar-se na cultura digital. Em vez de comunicarem de forma direta, optam por criar conteúdos que se misturam com aquilo que os utilizadores já consomem nas redes sociais.

Além disso, a campanha reforça a importância do engagement. Ao gerar curiosidade e surpresa, o Duolingo consegue que os próprios utilizadores amplifiquem a mensagem, partilhando, comentando e criando conteúdo à volta do tema.

Curiosamente, a “morte” da mascote não foi definitiva... o Duolingo acabou por trazê-la de volta poucos dias depois, mostrando que toda a campanha fazia parte de uma narrativa pensada para gerar envolvimento contínuo e manter o interesse dos utilizadores.

Na minha opinião, este caso demonstra que o marketing digital está cada vez mais próximo do entretenimento. As marcas já não competem apenas pela atenção, competem também pela capacidade de criar momentos que façam as pessoas parar, reagir e participar.

Confesso que, ao ver os vídeos sobre o desaparecimento da coruja, também fiquei curiosa para perceber o que estava a acontecer e até me apareciam vários conteúdos relacionados com o assunto na minha "for you page".

No fundo, o Duolingo não está apenas a promover uma aplicação, está a criar uma história em que o consumidor quer participar.


E vocês, o que acham? Este tipo de campanhas torna as marcas mais próximas ou acaba por desviar a atenção do produto em si?

quarta-feira, 22 de abril de 2026

É uma cabazada... quando a publicidade provoca

Nem sempre é preciso dizer o nome da concorrência para percebermos de quem se está a falar. A campanha do Lidl “É uma cabazada” prova exatamente isso.

No vídeo, o Lidl mostra um cabaz de compras mais barato em cerca de 16,78€, mas o detalhe mais interessante está na forma como essa comparação é feita. A funcionária da caixa aparece com um uniforme praticamente igual ao de outra cadeia de supermercados bem conhecida, não é exatamente o mesmo, mas é suficiente para qualquer pessoa perceber a referência.

E é aqui que a campanha se torna inteligente. Em vez de uma simples comparação de preços, o Lidl opta por uma abordagem mais provocadora, que capta atenção de imediato. Num contexto em que estamos constantemente expostos a publicidade, destacar-se tornou-se metade do trabalho, e este anúncio consegue fazê-lo.

Além disso, este tipo de conteúdo tem tudo para ser partilhado. Seja pela criatividade, pelo humor ou até pela polémica, são estas campanhas que acabam por gerar conversa e circular nas redes sociais. No fundo, são os próprios consumidores que acabam por amplificar a mensagem.

Ao mesmo tempo, o Lidl reforça o seu posicionamento como uma marca mais acessível, utilizando uma comparação clara e fácil de entender. A mensagem é simples: o mesmo tipo de compras, mas mais barato.

Ainda assim, fica a dúvida: até que ponto este tipo de provocação é sempre positiva? Pode chamar a atenção, mas também pode gerar reações menos favoráveis.

O polido, o imprevisível e como um post se torna viral!

Com uns dias de atraso em relação à publicação original, mas este tinha que ser o tema de um texto aqui! A parceria Bernardo Silva e La Roche-Posay tornou-se em tudo o que uma marca pode desejar: conteúdo viral, atenção prolongada e engagement genuíno.

No início nada de extraordinário. Uma típica campanha de redes sociais. Escolha de uma celebridade, um vídeo dentro tom e estilo de comunicação da marca, mensagem  alinhada e um produto certo para a época do ano (protetor solar). 


Tudo mudou quando o jogador publicou o conteúdo e quase de forma imediata começam a entrar comentários de vários colegas como Rúben Dias, João Félix e Bruno Fernandes. O que era para ser uma publicação certinha transformou-se em conversa de balneário. E foi neste exato momento que a campanha deixou de ser mais uma, e passou a ser conteúdo que as pessoas realmente querem ver.

Como é que a La Roche-Posay conseguiu isso?

Não conseguiu. Não foi a marca que tornou a campanha viral, mas a interação genuína entre amigos que não se inibiram de comentar a publicação como se tivessem a conversar entre si.

  •  Impacto: a partir do momento em que os jogadores entraram na conversa, as pessoas deixaram de ver a publicação apenas pelo vídeo. A atenção passou para a caixa de comentários e a expetativa de novas interações.
  • Engagement: colocar gosto numa publicação é algo mecânico, muitas vezes nem vemos a publicação. Comentários, respostas, marcar amigos por seu lado é outro nível. Cada comentário traz também novas pessoas à publicação e o alcance cresce de forma natural.
  • Genuíno: a dinâmica entre os jogadores é natural, não é forçada. Acontecendo de forma espontânea torna-se mais eficaz que qualquer patrocínio.
  • Relevância: os comentários dos colegas introduziram uma dose de humor na publicação. Levaram a conversa para o dia-a-dia. Isto tornou o conteúdo mais leve e também mais próximo. É verdade que a marca perdeu o controlo da narrativa,mas ganhou em impacto.

O que podemos aprender com este caso? O conteúdo perfeito e controlado nem sempre é o mais eficaz!

Os resultados desta parceria teriam sido muito diferentes se os jogadores não tivessem comentado? Não sabemos, mas provavelmente não. O conteúdo ganhou vida própria e esta pode ser uma lição para muitas marcas. Limitar o imprevisível pode bloquear atenção genuína e limitar o diálogo. 


Fontes: Instagram bernardocarvalhosilva, Meios & Publicidade

Imagens: Instagram bernardocarvalhosilva

terça-feira, 21 de abril de 2026

Será o Óscar o novo Ambrósio?

Hoje, tal como na famosa frase do anúncio da Ferrero Rocher - “Ambrósio, apetece-me algo!” - procuramos soluções que satisfaçam os nossos desejos e necessidades. No contexto atual, essa experiência já não depende de alguém que nos sirva, mas sim da capacidade de encontrar exatamente o que precisamos, no momento em que queremos.

Fonte: https://www.oscar-app.com/en

É precisamente aqui que entra a app Óscar. Através de poucos cliques, os utilizadores conseguem aceder a uma vasta gama de serviços domésticos, desde limpezas a reparações, de forma rápida, simples e totalmente digital. A aplicação transforma tarefas tradicionalmente demoradas num processo imediato, alinhado com as expectativas do consumidor moderno.

Este tipo de solução reflete uma mudança clara no comportamento do consumidor, cada vez mais orientado para a conveniência e para o consumo “on-demand”. Vivemos numa realidade onde o tempo é escasso e a facilidade de acesso a serviços se torna um fator decisivo.

Além disso, a app Óscar funciona como um intermediário digital eficiente, ligando oferta e procura quase em tempo real. Este modelo aproxima-se de outras plataformas digitais que se destacam pela sua capacidade de simplificar o quotidiano dos utilizadores.

Outro aspeto relevante é a transparência. A possibilidade de visualizar preços e avaliações previamente reduz a incerteza e aumenta a confiança, elementos fundamentais no ambiente digital.

Para a "Senhora", bastava chamar pelo Ambrósio para satisfazer um desejo de forma quase instantânea, hoje essa experiência é replicada digitalmente através da conveniência e rapidez com que conseguimos resolver necessidades. A app Óscar demonstra como, no marketing digital atual, a verdadeira proposta de valor está na utilidade e na experiência.

Fica a questão, até que ponto a conveniência imediata pode redefinir o que consideramos um serviço de qualidade?

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Bieberchella: como Justin Bieber transformou o Coachella numa oportunidade de negócio

O Coachella sempre foi conhecido pelas grandes atuações musicais, mas em 2026 um nome destacou-se acima de todos: Justin Bieber. A sua presença foi tão marcante que rapidamente surgiu nas redes sociais o termo “Bieberchella”, usado pelos fãs para descrever o impacto da sua atuação e da sua influência durante o festival.

Mais do que um simples concerto, Justin Bieber transformou a sua presença numa verdadeira campanha de marketing. Através da sua marca de moda, SKYLRK, criou o espaço exclusivo “Skylrk Oasis” dentro do festival e lançou uma coleção limitada de merchandising associada ao evento. Esta estratégia uniu música, moda e exclusividade numa experiência altamente desejável para o público.

No entanto, um dos maiores impactos do fenómeno “Bieberchella” não aconteceu apenas na sua própria marca, mas também na marca Rhode, fundada por Hailey Bieber. A forte presença mediática do casal durante o festival acabou por aumentar significativamente a visibilidade da marca de skincare, que já era uma das mais faladas entre o público jovem e digital.

Durante o Coachella, Hailey Bieber apareceu associada a várias ativações de marca e conteúdos virais ligados ao festival, fazendo com que a Rhode fosse amplamente mencionada nas redes sociais. O efeito foi quase imediato: milhões de visualizações no TikTok, Instagram e conteúdos gerados por fãs ajudaram a reforçar ainda mais o posicionamento premium da marca.

Outro aspeto importante foi a associação entre lifestyle e produto. A Rhode não vende apenas skincare, vende uma imagem de sofisticação, exclusividade e desejo. A presença no Coachella reforçou precisamente isso, mostrando como o festival funciona como uma plataforma de branding de luxo e influência social.

Este caso, “Bieberchella”, prova que artistas e celebridades já não vendem apenas entretenimento, vendem cultura, comportamento e consumo. E, neste caso, até uma marca como a Rhode conseguiu transformar esse momento cultural em valor real de branding.

Na vossa opinião, marcas como a Rhode beneficiam mais da associação a grandes momentos culturais como o Coachella do que de campanhas publicitárias tradicionais?


Fonte: https://www.shopdropdaily.com/post/rhode-skin-x-818-tequila-photo-booth-pop-up-activation-coachella 

Coachella: muito mais do que um festival de música, um fenómeno de marketing

Nos últimos anos, o Coachella deixou de ser apenas um festival de música para se tornar numa das maiores plataformas de marketing experiencial do mundo. Mais do que concertos, o festival passou a representar lifestyle, exclusividade e posicionamento de marca, tornando-se um espaço estratégico para empresas que procuram visibilidade junto de públicos jovens e altamente digitais.

Em 2026, marcas como Rhode, 818 Tequila, Gap, Adidas e American Express aproveitaram o evento para criar ativações exclusivas, espaços personalizados e experiências imersivas que iam muito além da publicidade tradicional. O objetivo deixou de ser apenas vender produtos, passou a ser criar momentos partilháveis e memoráveis que os consumidores querem mostrar nas redes sociais.

Um dos elementos mais marcantes desta estratégia é o chamado experiential marketing, em que a experiência vivida pelo consumidor passa a ser o foco principal da campanha. Em vez de recorrer apenas à publicidade tradicional, as marcas apostam na criação de espaços visualmente apelativos para partilha nas redes sociais, festas exclusivas, gifting suites e ativações VIP que despertam desejo e reforçam a sensação de exclusividade.

Outro ponto importante é o papel dos influenciadores. Muitos criadores de conteúdo tornam-se verdadeiros canais de distribuição da campanha, promovendo marcas de forma mais natural e eficaz do que campanhas pagas tradicionais. O conteúdo gerado por utilizadores  aumenta o alcance orgânico e reforça a credibilidade da marca junto da Geração Z.

Além disso, o Coachella funciona como um palco de posicionamento premium. Estar presente no festival significa associação imediata a tendência, luxo e cultura pop. Isso ajuda marcas emergentes a ganhar notoriedade e marcas consolidadas a reforçar a sua imagem aspiracional.

Esta transformação mostra como o marketing atual depende cada vez mais da criação de experiências e da capacidade de gerar conversa social. O Coachella tornou-se um exemplo claro de como eventos culturais podem funcionar como poderosas ferramentas de branding e vendas.

Na vossa opinião, festivais como o Coachella conseguem realmente influenciar decisões de compra ou funcionam sobretudo como montras temporárias de tendência?

Fonte: https://www.vogue.com/article/coachellas-big-brand-renaissance?utm_source 

sábado, 18 de abril de 2026

Coupang: quando a omnicanalidade não depende da loja física

Gostava de vos apresentar a Coupang, empresa que investiguei quando a Farfetch foi adquirida e que achei fascinante. 

Quando pensamos em omnicanalidade, pensamos quase sempre em marcas que ligam a loja física e a loja online: comprar no site e levantar em loja, experimentar em loja e encomendar pela app, devolver num canal aquilo que foi comprado noutro. Mas a Coupang mostra que essa lógica pode ir além.

No seu caso, a experiência integrada não assenta sobretudo em lojas abertas ao público, mas sim na articulação entre a plataforma digital, o membership, os pagamentos, o grocery, o delivery, o streaming e uma infraestrutura logística física própria. A mesma descreve-se como uma empresa tecnológica de retalho que investiu fortemente em fulfillment e em entregas rápidas para melhorar a experiência do cliente. Afirma também ter investido milhares de milhões de euros na Rocket Delivery para criar uma experiência diferenciadora e refere que 99% das encomendas são entregues em até um dia.

Para compreender melhor este caso, vale a pena distinguir três conceitos. No multicanal, a empresa está presente em vários canais, mas esses canais muitas vezes funcionam de forma separada. No omnichannel, o objetivo já é criar uma experiência fluída entre esses canais. Num nível ainda mais integrado, fala-se cada vez mais em unified commerce, isto é, uma lógica em que sistemas, dados, operações e contacto com o cliente funcionam como um único ecossistema. A literatura recente mostra precisamente que a evolução da omnicanalidade está cada vez mais ligada à integração operacional, à flexibilidade do fulfillment e à redução de fricção ao longo da jornada do consumidor. É aqui que a Coupang se torna especialmente interessante.

O que oferece ao cliente é, acima de tudo, extrema conveniência. Por meio do WOW Membership, a empresa oferece benefícios como entregas gratuitas, dawn delivery, same-day delivery, devoluções facilitadas, acesso ao Coupang Play, integração com o Coupang Eats e uso do Coupang Pay. Para o cliente, isto traduz-se numa proposta de valor simples: resolver várias necessidades do quotidiano no mesmo ecossistema, com poucos passos e um elevado nível de previsibilidade. No relatório anual, a empresa apresenta esta lógica como parte central da sua estratégia de retenção e crescimento.

É precisamente neste ponto que a relação entre o físico e o digital ganha relevância. Na experiência da Coupang, a promessa começa no digital: o cliente abre a app, escolhe o produto, paga e espera rapidez. Mas essa promessa só se cumpre porque existe um sistema físico muito robusto por trás: centros logísticos, gestão de inventário, automação, otimização de rotas e capacidade de last-mile delivery.  A empresa afirma que 99% das encomendas na Coreia são entregues em até um dia, resultado de investimentos avultados em infraestrutura e tecnologia. Ou seja, ao contrário de muitos exemplos clássicos de omnicanalidade, aqui o “físico” não aparece tanto como loja, mas como uma operação invisível que sustenta a experiência digital.

Este ponto é particularmente relevante em termos académicos, pois obriga a repensar o próprio significado de omnicanalidade. No caso da Coupang, não estamos apenas perante vários canais de venda, mas também perante a integração de vários serviços de consumo numa lógica quase contínua: comprar produtos, pedir refeições, aceder a entretenimento, pagar digitalmente e receber rapidamente em casa. Assim, a experiência não é apenas “comprar online”; é viver num ecossistema em que diferentes necessidades são resolvidas pela mesma plataforma. Isso aproxima a Coupang de uma lógica de service ecosystem, mais do que de um simples modelo de e-commerce.

Do ponto de vista do cliente, esta proposta gera valor porque reduz esforço. Em vez de comparar plataformas, mudar de app, repetir dados ou esperar demasiado tempo, o utilizador encontra uma experiência integrada e previsível. Essa redução de fricção é central na literatura sobre experiência omnicanal, que associa a integração e a flexibilidade do fulfillment a melhores níveis de satisfação, desempenho e fidelização. No fundo, a Coupang transforma conveniência em lealdade.

Ao mesmo tempo, este modelo também merece uma leitura crítica. A conveniência extrema oferecida pela Coupang depende de investimentos enormes em tecnologia, automação e rede logística, o que significa que nem todas as empresas conseguem replicar este tipo de integração. Além disso, quando uma plataforma concentra cada vez mais funções num único ecossistema, aumenta também a dependência do consumidor em relação à marca. Portanto, embora o caso seja um exemplo muito forte de inovação na experiência do cliente, também levanta questões sobre escalabilidade, concentração de mercado e sustentabilidade do modelo competitivo. Esta parte não invalida o sucesso da estratégia, mas ajuda a analisar o caso com mais profundidade. A própria dimensão da empresa evidencia essa escala: em 2025, a Coupang reportou 24,6 milhões de clientes ativos em Product Commerce e 34,5 mil milhões de dólares em receitas anuais totais.

Assim, a grande lição da Coupang é que a omnicanalidade já não precisa ser pensada apenas como uma ponte entre a loja física e a online. Pode também ser entendida como a integração total entre a promessa digital e a execução física, na qual o cliente tem uma experiência única, mesmo que os bastidores envolvam operações muito complexas. No caso da Coupang, o físico não desaparece; apenas deixa de ser visível como ponto de contacto principal e passa a funcionar como infraestrutura estratégica. É isso que torna este caso tão interessante para Web Marketing e Comércio Eletrónico: mostra que o verdadeiro valor já não está só em estar em vários canais, mas em fazer com que esses canais, serviços e operações pareçam um só.

Key Point do post: No caso da Coupang, o canal físico não desaparece, apenas deixa de estar no centro da experiência visível e passa para os bastidores, onde sustenta a promessa digital da marca.

Na vossa opinião, a verdadeira omnicanalidade continua a depender da ligação entre a loja física e a online, ou o futuro estará em ecossistemas digitais integrados, como o da Coupang?

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Ironman: quando uma marca se torna o próprio sonho

Quantas vezes já ouvimos alguém dizer: “o meu sonho é fazer um Ironman”?

Com o crescimento das corridas, do triatlo e dos desafios pessoais, cada vez mais pessoas colocam este objetivo na sua lista. O Ironman tornou-se um verdadeiro símbolo de superação, disciplina e conquista. Para muitos, não é apenas uma prova, é um marco de vida, muitas vezes até celebrado com uma tatuagem.


Mas há um detalhe que nem toda a gente conhece: o Ironman não é uma modalidade desportiva. É uma marca.

Na prática, trata-se de um evento específico de triatlo de longa distância, que pertence ao World Triathlon Corporation, atualmente integrada no The Ironman Group. Ou seja, qualquer pessoa pode praticar triatlo de longa distância, mas só está realmente a fazer um “Ironman” se participar numa prova oficial dessa marca.

E é aqui que entra o verdadeiro poder do marketing. A força da marca é tão grande que o nome “Ironman” passou a ser usado como sinónimo da própria prova. Isto é algo que poucas marcas conseguem alcançar: quando o mercado começa a usar o nome da marca para identificar toda uma categoria.

Hoje, o Ironman está presente em dezenas de países, com centenas de eventos e milhares de participantes. Quando o mercado passa a usar o nome de uma marca para designar toda uma categoria, isso revela a força da sua notoriedade, que acaba por sustentar eventos, provas em todo o mundo e até grandes patrocínios. Mais do que um evento desportivo, tornou-se um ativo global, baseado em propriedade intelectual e numa identidade extremamente forte.

Mas é no ambiente digital que esta força se amplifica de forma ainda mais evidente. As redes sociais têm um papel fundamental na construção deste fenómeno, através da partilha constante de experiências, treinos e conquistas por parte dos próprios atletas. Influenciadores digitais ligados ao desporto, como a Cláudia Dias (@claudiadias.oficial), que já realizou um Half Ironman e criou uma comunidade online onde incentiva e ajuda outras pessoas a prepararem-se para esta modalidade, contribuem diretamente para dar visibilidade e aproximar o público deste universo.

O mesmo acontece com o seu treinador, Alexandre Nobre (@nobre94), que também já realizou um Half Ironman e se encontra atualmente a preparar-se para completar um Ironman completo. Através da partilha do seu percurso, treino e evolução, acaba por inspirar e motivar outras pessoas a definirem objetivos semelhantes.


Neste sentido, o digital não só amplifica a visibilidade da marca, como também cria comunidades, gera identificação e transforma o Ironman num objetivo cada vez mais acessível e desejado.

Este caso mostra como uma marca bem construída pode ultrapassar o produto ou serviço que representa. Não estamos apenas a falar de desporto, mas de posicionamento, significado e aspiração.

Fica a reflexão: quantas marcas conseguem tornar-se tão fortes ao ponto de se confundirem com o próprio conceito que representam?

Airbnb Experiences: a nova forma de intermediar experiências

 Quando pensamos no Airbnb, associamos imediatamente ao alojamento. No entanto, nos últimos anos, a marca tem vindo a expandir o seu modelo para além das casas, apostando também nas chamadas Airbnb Experiences.

Através desta funcionalidade, a plataforma permite que qualquer pessoa possa oferecer atividades como visitas guiadas, aulas de cozinha, workshops ou experiências culturais. Desta forma, o Airbnb passa a intermediar não só a estadia, mas também a forma como os turistas vivem o destino.

Este modelo é um exemplo claro de intermediação digital, onde a plataforma cria valor ao ligar diretamente dois lados do mercado: quem oferece a experiência e quem a procura. O mais interessante é que o Airbnb não é dono de nenhum destes serviços - limita-se a facilitar o contacto, gerir a plataforma e garantir confiança entre as partes.

Algumas das experiências disponíveis mostram bem até onde este conceito pode ir. Desde atividades como “ser sereia por um dia” - onde os participantes podem vestir uma cauda, aprender a nadar como sereia e até fazer sessões fotográficas temáticas - esculpir madeira com motosserras ou até criar joias com o próprio ADN, o Airbnb transforma atividades inesperadas em produtos turísticos. Existem também experiências como sessões onde se aprendem técnicas de sobrevivência em Porto Rico, como abrir cocos sem faca ou construir abrigos. Mais recentemente, a plataforma tem também apostado em experiências exclusivas e curadas, reforçando a ideia de que já não se trata apenas de viajar, mas de viver algo único e partilhável.
No meio de tantas opções, já quase parece normal encontrar atividades que nunca imaginaríamos experimentar… até começarmos a considerar seriamente fazer uma delas.



Por um lado, isto pode ser visto como uma forma de democratizar o acesso ao mercado, permitindo que qualquer pessoa monetize conhecimentos ou atividades. Por outro, também levanta algumas questões. Ao substituir intermediários tradicionais, como agências ou operadores turísticos, o Airbnb está a simplificar o processo… ou apenas a criar um novo tipo de dependência da plataforma?

Na minha opinião, este caso mostra como o marketing e o e-commerce estão cada vez mais ligados à criação de ecossistemas completos. O Airbnb já não vende apenas alojamento, vende uma experiência integrada, onde tudo acontece dentro da mesma plataforma.

Confesso que, ao ver algumas destas experiências na app, é fácil ficar com vontade de experimentar algo “diferente” e, no meio de tantas opções inesperadas, a ideia de passar um dia como sereia não parece assim tão descabida. Isto mostra bem como a plataforma não só intermedeia, mas também influencia o comportamento do consumidor.

No fundo, o Airbnb não vende casas nem experiências, vende acesso a pessoas.

E vocês, o que acham? Já experimentaram alguma destas experiências ou gostariam de experimentar alguma? 

Fontes: 

A long tail também toca em vinil

No seguimento dos conceitos de “Cauda Longa” apresentados recentemente na UC, achei interessante ver o caso da AudioWax, uma empresa portuguesa de produção de discos de vinil. Na minha opinião, este exemplo liga-se bem a este conceito, porque mostra que um negócio não precisa de depender só de grandes sucessos ou de vendas em massa para criar valor.


Ao responder a pedidos mais específicos e a clientes de vários mercados, a empresa consegue trabalhar nichos diferentes e tirar partido de uma procura mais dispersa. Isto mostra como o digital e o alcance internacional podem dar espaço a negócios mais especializados.

Na vossa opinião, é esta lógica de nicho que torna negócios como este mais sustentáveis hoje em dia?

“Se não têm pão, comam brioches” … ou então façam um vídeo para a Domino’s

Está provado que a comida ocupa um lugar muito importante na mente do consumidor médio português (https://www.nit.pt/fit/saude/portugueses-pensam-mais-em-comida-do-que-em-sexo-e-desta-ninguem-estava-a-espera) e aquando do advento da redes sociais não era incomum sermos “inundados” pelo detalhe fotografado da última refeição de vários amigos, numa dinâmica de transição entre a word-of-mouth analógica e a word-of-mouse da era digital.

As marcas sabem deste duplo “vício":  o português adora falar de comida e adoooora mostrar o que comeu. Também sabem que a geração Z convive confortavelmente com a exibição imediata dos seus “feitos” e com a sensação de pertença ao contribuir para a criação de uma marca que aprovam.

Por tudo isto, a Domino’s lançou uma campanha que pretende tirar partido dessas características e criou um desafio de criação de conteúdos digitais que de uma vez só divulguem o produto, criem engagement, com alguma sorte se tornem virais (a Domino’s está certamente a fazer figas para que tal aconteça) e estimulem o word-of-mouse, tão importante nos dias de hoje para conseguir alcançar os números de uma campanha de tipo push, sem gerar os anticorpos a que esse tipo de campanha  dá lugar e em vez disso tirar partido da eficácia e credibilidade que uma comunicação espontânea gera junto dos consumidores.

 

Subitamente, todos podemos ser inluencers da Domino’s !

Este tipo de marketing participativo transforma o consumidor num embaixador da marca, com esta a beneficiar de todas as vantagens de uma mensagem genuína, abrangente e com rápida difusão a troco de…



UMA PIZZA!?! 

Hummmm….

Afinal, se calhar, não vou já a correr ligar a câmara do meu telemóvel.

Mas de tanto falar na Domino’s fiquei com vontade de comer qualquer coisa que leve pepperoni...

(Não se preocupem, prometo que não mando fotos)

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Quando um produto prova o seu valor sozinho: o caso DeWALT na NASCAR

No Marketing Digital atual, existem momentos em que a melhor publicidade surge de forma inesperada.

Numa corrida da NASCAR, ao sair da pit lane, um dos carros acabou por ficar com uma ferramenta DeWALT (serra elétrica) agarrada ao para-choque dianteiro. Sem que o piloto se apercebesse de imediato, a ferramenta foi arrastada ao longo de vários metros, sujeita a contacto constante com o alcatrão, vibração intensa e velocidade. Apesar do ocorrido, verificou-se que a ferramenta continuava a funcionar.

A DeWALT é uma marca de ferramentas utilizada em contextos exigentes, incluindo ambientes ligados ao desporto automóvel. O facto de estar presente num contexto como a NASCAR já transmite, por si só, uma perceção de qualidade, resistência e confiança associada à marca.

Este tipo de situação representa uma das formas mais poderosas de marketing: a prova real e inesperada da qualidade de um produto. Ao contrário da publicidade tradicional, onde as marcas afirmam que os seus produtos são resistentes, aqui essa resistência é demonstrada em contexto extremo e sem qualquer encenação.

Quando momentos como este são captados e partilhados online, entram no domínio do word-of-mouth digital (word-of-mouse). São os próprios utilizadores que divulgam o conteúdo, gerando milhares de visualizações, comentários e partilhas.

Curiosamente, neste caso, a marca não teve necessidade de reagir ativamente. A própria audiência assumiu esse papel, ao partilhar e comentar o acontecimento, funcionando como amplificadora da mensagem. De certa forma, foram os consumidores que “fizeram marketing” pela marca, reforçando a credibilidade do produto de forma espontânea.

Além disso, este exemplo reforça a ideia de que as marcas já não controlam totalmente a sua comunicação. Um acontecimento inesperado pode transformar-se rapidamente num fenómeno viral, trazendo visibilidade global sem qualquer investimento direto.

Outro fator essencial é a autenticidade. A geração atual valoriza demonstrações reais em vez de promessas publicitárias. Um produto que sobrevive a uma situação extrema como esta ganha credibilidade imediata junto do público.

Fica a questão: até que ponto as marcas conseguem beneficiar de situações inesperadas sem comprometer a autenticidade que as torna eficazes?


terça-feira, 14 de abril de 2026

Uma francesinha na Lua… e uma jogada de marketing bem assente na Terra

Tudo começa com uma imagem que parece saída de um breaking news: a Lua em destaque, o logótipo da NASA e uma mensagem que sugere que algo incomum foi detetado.

“Cientistas espaciais detetam algo estranho na Lua.”

O suficiente para parar o scroll.

Num ambiente saturado de conteúdo, onde captar atenção é cada vez mais difícil, esta publicação faz algo simples, mas extremamente eficaz: cria curiosidade imediata. E essa curiosidade leva à ação.

O utilizador vê, estranha… e desliza.

Só depois vem a revelação:
“Calma. É só a nossa francesinha.”

                                            https://www.instagram.com

Este momento de transição entre expectativa e surpresa é o que torna o conteúdo tão eficaz. Trata-se de um pequeno “plot twist” pensado para gerar engagement — um exemplo claro de como o storytelling pode ser aplicado em formatos curtos nas redes sociais. Mas há mais por trás desta criatividade.

A publicação surge num contexto em que o tema do espaço e das missões lunares voltou a ganhar atenção mediática. Ao aproveitar esse interesse coletivo, a marca insere-se numa conversa que já está a acontecer. Não cria atenção do zero, aproveita-a. Estamos perante um caso de real-time marketing, onde o timing e o contexto amplificam o impacto da mensagem.

Além disso, a estrutura em carrossel não é inocente. Cada imagem tem um papel: a primeira capta a atenção, a segunda imagem aprofunda o mistério e por fim, esclarece e o conjunto mantém o utilizador envolvido.

Este tipo de interação, deslizar, descobrir, reagir, é altamente valorizado pelos algoritmos, aumentando a probabilidade de o conteúdo chegar a mais pessoas. Esta publicação cumpre de forma exemplar o seu principal objetivo: destacar-se, envolver e ser lembrada.

Este caso mostra-nos que, no marketing digital atual, captar atenção não passa apenas por investir mais, passa por pensar melhor. Criar curiosidade. Contar uma história. E, sobretudo, dar ao utilizador um motivo para continuar.

E vocês, o que acham?
Já deslizaram um post só porque queriam perceber “o que vinha a seguir”?

Peaky Blinders: A Netflix e o desafio da atenção

 

A recente campanha de marketing para o lançamento do filme The Immortal Man, a continuação da saga Peaky Blinders, é um caso de estudo exemplar sobre como captar o interesse da Geração NET, onde a informação está cada vez mais saturada. A campanha começou no meio digital com uma vídeo estratégico em colaboração entre a Netflix e o Atlético de Madrid, onde participaram os principais jogadores da equipa espanhola; Koke, Giménez, Griezmann, Sørloth e Lookman. (vê aqui o vídeo)







Este conteúdo serviu para furar o desinteresse de uma audiência que ignora a publicidade tradicional, transformando a atenção (o "bem mais escasso" da atualidade) num ativo valioso para a marca. Ao longo de várias semanas, a campanha foi alimentada com mais de dez publicações nas redes sociais, criando uma narrativa de antecipação que integrou a identidade da série com a comunicação oficial do clube. Toda esta dinâmica preparou o público para o impacto da campanha offline que ocorreria no estádio a 14 de março.

Toda esta antecipação construída nos canais digitais materializou-se numa experiência em grande escala no estádio Riyadh Air Metropolitano. Durante o embate contra o Getafe, a narrativa que vinha sendo alimentada online ganhou vida, permitindo que o universo da família Shelby invadisse a realidade física dos milhares de adeptos presentes. Desde a chegada dos jogadores em veículos antigos acompanhados por atores caracterizados, até à transformação dos camarotes VIP no icónico pub The Garrison, cada detalhe foi pensado para envolver o público. Esta ativação foi desenhada como um motor de conteúdos, criando um cenário tão impactante, que a produção espontânea de User Generated Content por parte do público foi inevitável e massiva.


O sucesso da campanha residiu na transição para a Age of Reference. Ao utilizar os jogadores para obter uma validação Peer-to-Peer, a Netflix garantiu uma confiança que os anúncios tradicionais já não transmitem. Este movimento gerou um Word-of-Mouse massivo, onde o público assumiu o controlo da narrativa ao decidir o que era relevante partilhar, transformando a campanha numa manifestação da sua própria identidade e paixões.

Considerando o alcance desta campanha, desde as curtas-metragens digitais até à transformação completa de todo o recinto no universo da série, acham que o que realmente move a Geração NET é a experiência física e tangível ou apenas a facilidade de transformar esses momentos em conteúdo partilhável?