sábado, 22 de março de 2025

Afinal, o Ice Tea de Pêssego da Lipton vai ser descontinuado ou não?

​A marca Lipton anunciou recentemente nas suas redes sociais que o seu icónico sabor de Ice Tea de Pêssego seria descontinuado, mantendo apenas os sabores de Manga e Limão. A publicação intitulada "Rest In Peach" informava que o sabor seria descontinuado, mas deixava em aberto a possibilidade de um regresso futuro.


Após o grande anúncio da Lipton a reação dos seus seguidores não poderia ter sido mais previsível: caos, desespero e fãs inconformados a lamentar a perda do seu adorado Ice Tea de Pêssego. “Como ousa uma marca tocar no sagrado néctar das tardes de verão?”



Mas, surpresa das surpresas, era tudo uma brincadeira! Afinal, o Ice Tea de Pêssego não estava a caminho da extinção. Numa publicação digna de uma telenovela, a Lipton regressou às redes sociais para tranquilizar os fãs em choque: “Calma, pessoal! O pêssego continua vivo e bem fresquinho.” 

“Quem diria que um chá gelado poderia causar uma montanha-russa emocional?”


Ups, parece que alguém na Lipton se adiantou no calendário. “Ainda estamos em março? Baralhámo-nos nas datas!” A Lipton anunciou numa publicação que não esclarecia se tudo isto era uma jogada de marketing genial ou apenas um erro embaraçoso. O que é certo é que, por algumas horas, a internet acreditou que o mítico Ice Tea de Pêssego estava condenado ao esquecimento. 

A confusão instalou-se, mas, para dar a volta à situação, a Lipton esclareceu que tudo isto era suposto acontecer apenas no Dia das Mentiras e que alguém, antes do tempo, clicou no botão “publicar”. E pronto, o estrago estava feito. No seu comunicado oficial, a marca garantiu que “esta publicação faz parte de uma campanha global alusiva ao Dia das Mentiras e que “o sabor de pêssego está para ficar”, “e ainda bem”.

Agora, fica a questão: foi uma jogada de mestre ou um tiro no pé? Se a intenção era gerar buzz, conseguiram. Mas será que vale a pena brincar com as emoções dos consumidores, ainda por cima quando se trata do sabor favorito de muitos? No fim, a lição parece clara: há sustos que vendem, mas também há sustos que só dão sede… e vontade de procurar uma marca menos brincalhona.


Fontes: https://marketeer.sapo.pt/afinal-era-tudo-mentira-ice-tea-de-pessego-nao-vai-acabar-e-acao-esta-a-enfurecer-clientes/

https://www.noticiasaominuto.com/economia/2750016/ups-ainda-estamos-em-marco-afinal-nao-e-o-fim-do-ice-tea-de-pessego

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/morreu-o-ice-tea-de-pessego-brincar-com-tirar-um-produto-do-mercado-beneficia-ou-prejudica-a-marca

O que não fazer com 8 milhões de dólares

O Super Bowl, mais do que uma final de futebol americano, é um evento que atrai milhões de espectadores, não apenas pelo jogo em si, mas também pelos famosos intervalos publicitários. As marcas entram numa corrida pelo anúncio mais criativo e memorável, contudo, esta competição tem um preço altíssimo, sendo o custo estimado de um anúncio com trinta segundos de oito milhões de dólares.

Foi numa tentativa de ganhar esta competição que Kanye West decidiu investir os milhões de dólares previstos para a produção do anúncio em coroas para os dentes, o que o obrigou a ter de gravar o anúncio com o seu próprio telemóvel. Este anúncio tinha o objetivo de promover o site que o artista utiliza para vender a sua marca de roupa "Yeezy".
 


O vídeo gerou bastante controvérsia, contudo, infelizmente, não foi devido ao carácter estranho e diferente do vídeo. Após o vídeo ser exibido o artista eliminou todos os artigos presentes no site, adicionando uma T-shirt com um design bastante invulgar e um custo de 20 dólares. Deixo aqui a imagem da T-shirt e outra correspondente ao antes e depois da exibição do anúncio.


sexta-feira, 21 de março de 2025

Tascas Portuguesas: Entre a Mesa e o Feed

Travessas de alumínio, copinho de vidro, menu no quadro de giz e a conta escrita no papel da mesa - são estas as características de um tasco "à portuguesa".

As tascas portuguesas, normalmente geridas por famílias, refletem a verdadeira cultura popular, sendo um lugar onde a gastronomia local encontra os diversos tópicos de conversa comuns, como o clima, a política ou o futebol. Esta imersão é dificilmente encontrada nos grandes centros urbanos, nos shoppings ou mesmo em restaurantes típicos, sendo uma parada obrigatória para quem quer conhecer Portugal profundamente.

Nos últimos tempos, tem-se assistido a uma popularização crescente destes estabelecimentos, principalmente graças a influencers que frequentam estes sítios, e os avaliam, realçando certas qualidades, como a comida caseira, o ambiente familiar, e os preços honestos (para os dias de hoje). Alguns exemplos destes influencers em Portugal são: Gastropiço, O Tascólogo e O Tasqueiro, que contam com centenas de milhares de seguidores nas redes sociais, nomeadamente no Instagram e no TikTok.




É possível relacionar a atuação destes influencers com alguns conceitos base do influencer marketing:

Autenticidade e Confiança
A transparência e autenticidade do conteúdo faz com que os consumidores o valorizem, transformando a experiência pessoal do influencer numa recomendação implícita em experimentar o produto.

Social Proof
Ao observar figuras influentes, com milhares de seguidores, visualizações e likes, a visitar tascas, os consumidores interpretam esta ação com uma "certificação" de qualidade do produto. A "prova social" atua como um estímulo para que os consumidores queiram viver a mesma experiência, seja por se identificarem com o conteúdo, curiosidade, ou o desejo de pertencer a um grupo que valoriza o ambiente familiar e a gastronomia tradicional.

Influência na Decisão
O caráter emocional e visual destes conteúdos faz com que estes sejam mais persuasivos, fazendo com que o consumidor se identifique com a experiência do influencer e queira replicá-la.

Alcance e Diversificação do Público
Além de atrair o público local, este tipo de conteúdo atrai turistas e estrangeiros que, durante a sua visita, procuram experienciar a cultura e gastronomia popular, sendo uma enorme vantagem do influencer marketing, que amplianda a visibilidade destes estabelecimentos.





O influencer marketing tem-se revelado uma ferramenta poderosa, e este caso não é exceção, tendo em conta que a dimensão destas empresas faz com que o marketing não seja uma prioridade, não sendo feito de maneira propositada - o que traz os influencers, e por consequência, os consumidores, é a busca por algo autêntico e familiar. 

Fontes:
https://run.unl.pt/bitstream/10362/175038/1/TDDM3523.pdf
https://www.winterhalter.com/br-pt/blog-winterhalter/marketing-para-restaurantes-guia-definitivo/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Impacto_cultural_do_TikTok
https://www.portocidadaniaportuguesa.com.br/blog/dicas/tascas-portuguesas
https://descla.pt/conhece-a-historia-das-tascas


Do Dubai para o OLX

O "chocolate do Dubai" emergiu como um fenómeno global, conquistando paladares e gerando uma procura sem precedentes. Originalmente criado pela Fix Dessert Chocolatier em 2021, este chocolate distingue-se pelo seu recheio de pistácio e kadaif, inspirado na sobremesa árabe knafeh. Inicialmente disponível apenas no Dubai e em Abu Dhabi, rapidamente se tornou viral nas redes sociais nos últimos meses.



Em resposta a esta tendência, marcas europeias de chocolates desenvolveram as suas próprias versões. A Lindt lançou a sua recriação, que esgotou em 40 minutos em Lisboa. O Lidl introduziu o "Dubai Style Chocolate" da marca J.D. Gross a 20 de março, ao preço de 4,99 euros, levando a uma corrida aos seus supermercados e ao rápido esgotamento do produto.
A escassez nas prateleiras físicas impulsionou um mercado paralelo de venda do chocolate online. Plataformas como a Vinted e o OLX registaram anúncios de revenda destas tabletes a preços inflacionados, oscilando entre os 10€ a 60€ euros por unidade. Este fenómeno reflete a dinâmica de oferta e procura, onde produtos virais, ao tornarem-se escassos, são alvo de especulação e revenda a valores significativamente superiores ao preço original.​


Este caso ilustra como as tendências digitais podem influenciar o comportamento do consumidor e o mercado, transformando um simples produto alimentar num objeto de desejo e especulação económica.

Fontes:
https://sicnoticias.pt/especiais/insolitos/2025-03-20-chocolate-do-dubai-o-fenomeno-que-esta-nas-bocas-do-mundo-e-levou-a-recriacoes--e-acambarcamentos--c08aa098

https://expresso.pt/sociedade/tendencias/2025-03-15-tendencia-ou-descoberta-gastronomica--o-chocolate-do-dubai-so-se-vende-nos-emirados-mas-portugal-ja-tem-versoes-alternativas-01c42dc4

https://www.noticiasaominuto.com/economia/2750920/lacrado-a-100-febre-do-chocolate-do-dubai-chega-ao-mercado-de-2-mao?utm_medium=email&utm_source=gekko&utm_campaign=afternoon

L’Oréal e a Era Digital: A Tecnologia ao Serviço da Beleza

Anteriormente, a maquilhagem era utilizada apenas pelos elementos superiores da sociedade, como a realeza. Com o passar do tempo, especialmente durante a Revolução Industrial, o uso de produtos cosméticos, sobretudo a maquilhagem, tornou-se mais comum entre o público feminino. Hoje, a maquilhagem, o autocuidado e a higiene pessoal fazem parte da rotina diária de muitas mulheres.

Para Martins (2019), a L’Oréal com o passar dos tempos foi compreendendo as alterações nos padrões de consumo, no estilo de vida e nos comportamentos dos consumidores. Estes que na era digital ficaram cada vez mais tecnológicos e presentes nas redes sociais, olhando com agrado para a comunicação direta com a marca no digital. A L’Oréal como estratégia de comunicação de marketing eficiente apostou no desenvolvimento de uma relação próxima com o seu público, através do meio digital.

Comentários e Respostas no Facebook da L’Oréal

Durante a pandemia, para compensar a queda nas vendas físicas, a marca investiu na expansão do comércio online. Mas como é que esta estratégia decorreu?

Em 2018, segundo o Público, a L’Oréal efetuou uma parceria com a Google, baseada na tecnologia desenvolvida pela Modiface, resultando numa ferramenta virtual (Simulador Virtual). A parceira permitiu testar produtos online através do uso de inteligência artificial e de realidade aumentada.

O Público avançou que, durante a pandemia, através do Facebook da L’Oréal percebeu-se que a utilização do Simulador Virtual quintuplicou, pelo que o número de testes e, consequentemente, compras online, em tempo real, aumentaram muitíssimo. As vendas online e a comunicação estreita da marca com os consumidores no Facebook contribuiu para o aumento das receitas.


Como funciona a tecnologia inovadora do Simulador Virtual?

Veja-se o caso do Scanner da Pele: Em apenas 10 minutos é capturada a pele e identificado o tom exato de base (maquilhagem) para cada tipo de pele. A tecnologia incorporada na aplicação localiza as bases e as cores, e devolve as que apresentarem 95% de correspondência com a pele.

Aqui, nesta página web, é possível compreender que através do uso da Inteligência Artificial e da Realidade Aumentada, os consumidores podem ter a experiência virtual de compreenderem como ficariam com determinado produto fornecedio pela marca. Existe na página um simulador de maquilhagem virtual, que lê as característica do rosto, e permite a testagem dos produtos e a compra online, em tempo real e imediato.



Fontes: