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domingo, 7 de junho de 2026

Nike “Rip the Script”, quando o futebol deixa de ser publicidade e passa a entretenimento

A Nike voltou a fazer aquilo que poucas marcas conseguem fazer tão bem ao transformar uma campanha publicitária num verdadeiro momento de cultura digital.

A nova campanha “Rip the Script”, lançada no contexto do Mundial de Futebol 2026, reúne algumas das maiores figuras do futebol e do entretenimento mundial, incluindo Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Vini Jr., Erling Haaland, Ronaldinho, Zlatan Ibrahimović, LeBron James e Kim Kardashian. Mais do que um simples anúncio de produto, trata-se de um verdadeiro filme publicitário pensado para ser visto, comentado e partilhado nas redes sociais.

O mais interessante é que a campanha parte de uma ideia muito forte a de que o futebol não deve ser apenas previsível, controlado ou “escrito” por regras táticas. Pelo contrário, a Nike celebra o instinto, a criatividade e a capacidade dos jogadores de “rasgar o guião”. Esta mensagem combina muito bem com a própria identidade da marca, historicamente ligada à superação, à ousadia e à expressão individual dos atletas.

A presença de Cristiano Ronaldo é particularmente relevante. Para além de ser uma das figuras mais reconhecidas do futebol mundial, Ronaldo funciona como um verdadeiro meio de comunicação global. A sua participação aumenta imediatamente o alcance da campanha, especialmente junto de públicos que não seguem apenas futebol, mas também cultura pop, redes sociais e entretenimento. 


Para mim, dois dos momentos altos da publicidade são a cena em que a bola atravessa o vidro do gabinete onde Cristiano Ronaldo está a discutir o guião “The GOAT’s Goodbye”, e a sequência quase final em que Ronaldo surge das chamas com a bola na mão, fazendo lembrar a icónica cena do filme Exterminador Implacável.


Do ponto de vista do Web Marketing, “Rip the Script” é um excelente exemplo de como as marcas competem hoje pela atenção. Num ambiente digital marcado pelo excesso de conteúdos e pelo zapping constante, a Nike não tenta apenas vender chuteiras ou equipamentos desportivos. A marca cria uma narrativa cinematográfica, com humor, celebridades, surpresa e referências culturais, tornando a publicidade suficientemente interessante para circular como conteúdo.

Este caso aproxima-se dos conceitos de storytelling, customer engagement e word-of-mouth digital abordados na unidade curricular. A campanha não depende apenas dos meios pagos da Nike, ganha força porque os próprios utilizadores comentam, partilham, reagem e ajudam a amplificar a mensagem.

No fundo, a Nike mostra que, no marketing digital atual, a publicidade mais eficaz talvez já não seja aquela que interrompe o consumidor, mas aquela que o consumidor escolhe ver e partilhar.

Na vossa opinião, campanhas como “Rip the Script” mostram que as marcas desportivas estão a vender produtos ou estão cada vez mais a vender entretenimento, identidade e cultura? 

Fontes:

https://hypebeast.com/2026/6/nike-rip-the-script-2026-fifa-world-cup-campaign-short-film-cristiano-ronaldo-travis-scott-lebron-james-kim-kardashian-kylian-mbappe

https://www.footyheadlines.com/2026/06/new-nike-2026-world-cup-rip-the-script-ad.html

sábado, 16 de maio de 2026

Fiat: humor, identidade e publicidade memorável

Hoje ao rever alguns anúncios antigos e mais recentes da Fiat, percebi como a marca conseguiu manter uma identidade de comunicação muito própria ao longo do tempo. Mesmo com anuncios separados em 10 anos, com as mudanças no setor automóvel e com a integração no grupo Stellantis, a Fiat parece continuar fiel a uma linguagem criativa, leve e facilmente memorável.

Talvez por também ter um Fiat 500 de 2018, acabo por olhar para todas as campanhas com alguma nostalgia. O Fiat 500 sempre foi mais do que um simples citadino: é um carro com personalidade, com uma estética muito própria e com uma ligação emocional forte à história da marca.

Um primeiro exemplo interessante é o anúncio “Fiat 500S - Tested for Bad Boys”, onde a marca transforma uma situação improvável e humorística numa demonstração indireta da resistência do carro. No anúncio, uma discussão acesa leva uma mulher a descarregar a sua fúria no Fiat 500 de um homem, batendo-lhe com a mala e até dando pontapés no automóvel. A reviravolta está no facto de a Fiat apresentar esta situação como algo que os seus engenheiros já tinham antecipado e testado. Ou seja, em vez de comunicar a robustez do carro através de dados técnicos, a marca usa humor, exagero e storytelling para tornar essa mensagem muito mais memorável.


Um segundo exemplo, mais recentemente já no contexto Stellantis, a Fiat continua a apostar numa comunicação criativa e emocional, mas agora mais adaptada ao consumo rápido de conteúdos digitais. O segundo anúncio, criado há cerca de dois meses para assinalar o lançamento do recente Fiat 500 híbrido, apresenta uma narrativa bastante divertida e simbólica: Roberto sai de casa no seu novo Fiat 500 com a esposa, que lhe pergunta quem ficou a fazer o trabalho. Ele responde que ficou o “Roberto 1.0”. Pelo caminho, Roberto encontra esse robot humanoide “1.0” dentro de outro Fiat 500 e pergunta-lhe quem ficou a trabalhar. O robot responde que criou o “Roberto 2.0” para continuar o trabalho. A situação repete-se sucessivamente até surgir a “Roberta”, uma robot humanoide feminina que também não ficou a trabalhar: saiu no seu 500 para ir às compras e buscar o cão.


A essência do segundo anúncio está precisamente nessa ideia: até os próprios robots acabam por se apaixonar pela experiência de conduzir o novo Fiat 500e (hibrido) que tem caixa manual e não são puramente carros eletricos, pelo que preferem criar versões mais recentes deles próprios para que alguém continue a trabalhar em casa do Roberto, enquanto aproveitam a vida, os passeios e os pequenos momentos associados ao automóvel. O mais engraçado é que os humanoides acabam por reproduzir comportamentos tipicamente humanos e italianos, incluindo o clássico gesto italiano com a mão. 

No final como não podia deixar de ser, a assinatura “From Italy with amore” reforça precisamente esta componente emocional, descontraída e quase romântica da marca.

Do ponto de vista do Web Marketing, estes dois exemplos mostram que a publicidade automóvel não precisa de depender apenas de argumentos técnicos como potência, autonomia, consumo ou tecnologia. A Fiat aposta antes numa comunicação baseada em humor, storytelling e personalidade de marca.

Para mim, este tipo de conteúdo tende a funcionar muito bem no ambiente digital porque é fácil de consumir, fácil de recordar e facilmente partilhável nas redes sociais. Num contexto em que a atenção do consumidor é cada vez mais reduzida, campanhas criativas e emocionalmente reconhecíveis acabam por gerar muito mais engagement do que publicidade excessivamente técnica.

No fundo, a Fiat mostra mais uma vez, como nos tem vindo a habituar com os seus anúncios, que uma marca, mesmo pertencendo agora ao conglomerado Stellantis, pode evoluir sem perder totalmente a sua essência. Os formatos mudam, os canais evoluem, os grupos automóveis detentores das marcas fundem-se e o consumidor tornou-se mais digital, mas o humor, a criatividade e a capacidade de contar histórias continuam a ser ferramentas extremamente poderosas no marketing, em particular no caso da Fiat.

Na vossa opinião, as marcas automóveis ainda conseguem criar campanhas verdadeiramente memoráveis através do humor e do storytelling, ou o marketing atual está demasiado focado em tecnologia, performance e consumo rápido de conteúdos?

Fontes: 

https://www.youtube.com/watch?v=3YBhftZSlbM

https://www.youtube.com/watch?v=E2IZyHgkSeI

https://www.fiat.pt/modelos/500

El Corte Inglés: quando o retalho físico tenta reinventar-se no digital

Durante muitos anos, o El Corte Inglés foi visto como um símbolo do retalho físico tradicional. As grandes lojas, a variedade de departamentos, o atendimento personalizado e a experiência presencial sempre fizeram parte da identidade da marca. No entanto, com a crescente digitalização do consumo e o aumento das compras online, a empresa teve de responder a um desafio comum a muitos retalhistas históricos: a redução das visitas às lojas físicas e a necessidade de criar uma experiência mais integrada entre o online e o offline.

Embora tenha entrado relativamente tarde no comércio eletrónico, o El Corte Inglés conseguiu aproveitar uma das suas principais forças, que é a experiência de serviço e atenção ao cliente. Em vez de olhar para o digital como uma ameaça à loja física, a marca procurou aproximar os dois mundos, permitindo ao cliente pesquisar online, comprar através do website ou da app, escolher entrega ao domicílio ou optar pelo sistema Click & Collect, recolhendo a encomenda em loja. Desta forma, mantém uma relação contínua com a marca em vários pontos de contacto.


Um outro exemplo interessante desta lógica de conveniência já existia nas próprias lojas físicas através da chamada “Carta de Compras”. Este serviço permite que o cliente faça compras em diferentes departamentos sem ter de transportar todos os artigos durante a visita. As compras ficam associadas a uma carta e podem ser recolhidas mais tarde no piso de entregas ou recolha. Além disso, o cliente pode solicitar serviços complementares, como o embrulho de alguns artigos para oferta, algo particularmente útil nas compras de Natal.

Na prática, este modelo reduz fricção na experiência de compra e torna a visita à loja mais cómoda. O cliente circula livremente, continua a comprar em vários departamentos e só recolhe os artigos no final. Esta lógica mostra que o El Corte Inglés já trabalhava há muito tempo uma ideia de serviço integrado, mesmo antes de o conceito de omnicanalidade se tornar tão comum no retalho moderno.


Do ponto de vista do Web Marketing e do Comércio Eletrónico, o caso do El Corte Inglés é interessante porque mostra que o futuro do retalho não passa necessariamente por substituir a loja física pelo digital. Pelo contrário, passa por ligar melhor os canais "off" e "on", criando uma experiência contínua, conveniente e coerente para o consumidor.

A possibilidade de comprar online e recolher em loja reforça precisamente esta lógica omnicanal: o cliente beneficia da conveniência do digital, mas mantém o contacto com o espaço físico da marca. Ao mesmo tempo, a loja continua a ter um papel importante, não apenas como local de venda, mas também como ponto de apoio, recolha, confiança e relação com o cliente.

Hoje, o consumidor já não quer escolher entre comprar online ou comprar em loja. Quer pesquisar onde for mais fácil, comprar quando for mais conveniente e receber ou recolher da forma que melhor se adapta ao seu dia a dia. Nesse sentido, o desafio das marcas está em eliminar barreiras entre canais e transformar cada ponto de contacto numa parte da mesma jornada de compra.

No fundo, o El Corte Inglés mostra que o retalho tradicional pode continuar relevante quando consegue transformar a sua experiência de serviço numa vantagem também digital.

Na vossa opinião, marcas tradicionais que nasceram com formato de retalho físico, como o El Corte Inglés, ainda conseguem diferenciar-se pela experiência de serviço, ou o consumidor atual valoriza cada vez mais sobretudo preço, rapidez e conveniência digital?

Fontes:

https://www.elcorteingles.pt/welcome-tourists/pt/lisboa/services/handsfree-shopping/

https://www.elcorteingles.pt/info/click-collect/

https://www.elcorteingles.pt/ajuda/pt/envio-e-recolha/servicos-de-recolha/click-and-collect/

https://www.elcorteingles.pt/info/click-car/

Peugeot 206: quando um anúncio se transforma em memória coletiva

Arrisco-me a dizer que quase todos já vimos, mais do que uma vez, este anúncio do Peugeot 206. Lançado no início dos anos 2000, numa altura em que a Peugeot procurava reforçar uma imagem mais moderna, sem perder o histórico e o “pedigree” da marca, marcado por modelos míticos como o 205, este anúncio conseguiu traduzir muito bem essa ambição.

A publicidade da Peugeot 206, conhecida como “The Sculptor”, continua a ser um excelente exemplo de como uma marca consegue criar impacto sem depender apenas de argumentos técnicos sobre o produto. Em vez de apresentar o carro através de características como potência, consumo ou preço, a Peugeot construiu uma pequena história visual, simples e memorável, centrada no desejo de ter aquele automóvel.


O anúncio mostra um jovem que, ao ver o Peugeot 206, decide transformar artesanalmente o seu carro antigo numa versão improvisada do modelo. A ideia é exagerada, divertida e pouco realista, mas é precisamente isso que a torna eficaz. O foco não está apenas no automóvel, mas na forma como a marca consegue despertar aspiração, humor e identificação.

Do ponto de vista do Web Marketing, este anúncio continua relevante porque demonstra a força do storytelling e do conteúdo partilhável. Embora tenha sido criado antes da explosão atual das redes sociais, o vídeo continua a circular em plataformas como Facebook, YouTube e Instagram, funcionando quase como conteúdo viral. Isto mostra que uma boa ideia criativa pode prolongar a vida útil de uma campanha muito para além do seu lançamento original.

Este caso também ajuda a perceber que nem todo o marketing digital nasce no digital. Um anúncio pensado inicialmente para televisão pode ganhar uma nova vida online quando tem características que favorecem a partilha: é curto, visual, emocional, fácil de compreender e provoca uma reação. Neste sentido, a Peugeot conseguiu criar uma campanha com forte capacidade de "word-of-mouth", antes mesmo de este conceito estar tão associado às redes sociais.

Na minha opinião, este anúncio representa uma fase muito própria da Peugeot, em que a marca comunicava de forma criativa, jovem e emocional, mantendo uma identidade muito clara. Antes da integração no grupo Stellantis, a Peugeot parecia ter uma personalidade de comunicação mais autónoma e reconhecível, algo que este anúncio simboliza muito bem.

No fundo, “The Sculptor” mostra que a publicidade mais eficaz nem sempre é a que explica mais, mas sim a que fica na memória, e numa era em que a atenção é um bem escasso, essa talvez seja uma das maiores conquistas de uma marca.

Ainda hoje não consigo tirar aquela música indie da cabeça e atrevo-me a dizer que esta continua a ser uma das melhores publicidades automóveis alguma vez criadas.

Não é por mero acaso que o carro usado na publicidade ainda hoje é associado ao Musée de L’Aventure Peugeot, como símbolo da criatividade e da identidade da marca.


Na vossa opinião, as campanhas publicitárias atuais ainda conseguem criar este nível de ligação emocional e memorabilidade, ou o marketing digital moderno tornou-se demasiado rápido e descartável?

Fontes:

https://www.youtube.com/watch?v=wpqSvrjZsrU

https://laventure-association.com/en/evenement/peugeot-adventure-on-screen-at-laventure-peugeot-museum/

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Entre memes e mistério: o marketing do Duolingo nas redes sociais

 Nos últimos tempos, a Duolingo voltou a destacar-se nas redes sociais com uma campanha inesperada: a “morte” da sua mascote, a conhecida coruja verde.

Antes mesmo desta campanha, o Duolingo já era conhecido pela sua forma pouco convencional de comunicar, especialmente no TikTok. A marca construiu uma presença digital muito baseada em humor, tendências e interação com os utilizadores, transformando a sua mascote quase numa personagem com personalidade própria. Este tipo de abordagem permitiu criar uma ligação mais próxima com o público, fugindo ao tom mais institucional típico de muitas marcas. 

Embora esta campanha tenha acontecido há cerca de um ano, continua a ser um exemplo muito relevante para compreender o marketing digital atual. Num contexto em que as marcas procuram constantemente formas de captar atenção, este tipo de estratégia mostra como conteúdos virais podem ter um impacto duradouro e continuar a ser referência.

A marca anunciou, de forma aparentemente dramática, que a mascote tinha desaparecido, gerando rapidamente uma onda de reações no TikTok e noutras plataformas. Comentários, memes e teorias começaram a surgir, transformando a campanha num fenómeno viral.


O mais interessante neste caso é que não se trata de publicidade tradicional. O Duolingo não está diretamente a promover o produto, mas sim a criar um momento de entretenimento que envolve o público e incentiva a participação.

Esta estratégia mostra como, hoje em dia, as marcas procuram cada vez mais integrar-se na cultura digital. Em vez de comunicarem de forma direta, optam por criar conteúdos que se misturam com aquilo que os utilizadores já consomem nas redes sociais.

Além disso, a campanha reforça a importância do engagement. Ao gerar curiosidade e surpresa, o Duolingo consegue que os próprios utilizadores amplifiquem a mensagem, partilhando, comentando e criando conteúdo à volta do tema.

Curiosamente, a “morte” da mascote não foi definitiva... o Duolingo acabou por trazê-la de volta poucos dias depois, mostrando que toda a campanha fazia parte de uma narrativa pensada para gerar envolvimento contínuo e manter o interesse dos utilizadores.

Na minha opinião, este caso demonstra que o marketing digital está cada vez mais próximo do entretenimento. As marcas já não competem apenas pela atenção, competem também pela capacidade de criar momentos que façam as pessoas parar, reagir e participar.

Confesso que, ao ver os vídeos sobre o desaparecimento da coruja, também fiquei curiosa para perceber o que estava a acontecer e até me apareciam vários conteúdos relacionados com o assunto na minha "for you page".

No fundo, o Duolingo não está apenas a promover uma aplicação, está a criar uma história em que o consumidor quer participar.


E vocês, o que acham? Este tipo de campanhas torna as marcas mais próximas ou acaba por desviar a atenção do produto em si?

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Coachella: muito mais do que um festival de música, um fenómeno de marketing

Nos últimos anos, o Coachella deixou de ser apenas um festival de música para se tornar numa das maiores plataformas de marketing experiencial do mundo. Mais do que concertos, o festival passou a representar lifestyle, exclusividade e posicionamento de marca, tornando-se um espaço estratégico para empresas que procuram visibilidade junto de públicos jovens e altamente digitais.

Em 2026, marcas como Rhode, 818 Tequila, Gap, Adidas e American Express aproveitaram o evento para criar ativações exclusivas, espaços personalizados e experiências imersivas que iam muito além da publicidade tradicional. O objetivo deixou de ser apenas vender produtos, passou a ser criar momentos partilháveis e memoráveis que os consumidores querem mostrar nas redes sociais.

Um dos elementos mais marcantes desta estratégia é o chamado experiential marketing, em que a experiência vivida pelo consumidor passa a ser o foco principal da campanha. Em vez de recorrer apenas à publicidade tradicional, as marcas apostam na criação de espaços visualmente apelativos para partilha nas redes sociais, festas exclusivas, gifting suites e ativações VIP que despertam desejo e reforçam a sensação de exclusividade.

Outro ponto importante é o papel dos influenciadores. Muitos criadores de conteúdo tornam-se verdadeiros canais de distribuição da campanha, promovendo marcas de forma mais natural e eficaz do que campanhas pagas tradicionais. O conteúdo gerado por utilizadores  aumenta o alcance orgânico e reforça a credibilidade da marca junto da Geração Z.

Além disso, o Coachella funciona como um palco de posicionamento premium. Estar presente no festival significa associação imediata a tendência, luxo e cultura pop. Isso ajuda marcas emergentes a ganhar notoriedade e marcas consolidadas a reforçar a sua imagem aspiracional.

Esta transformação mostra como o marketing atual depende cada vez mais da criação de experiências e da capacidade de gerar conversa social. O Coachella tornou-se um exemplo claro de como eventos culturais podem funcionar como poderosas ferramentas de branding e vendas.

Na vossa opinião, festivais como o Coachella conseguem realmente influenciar decisões de compra ou funcionam sobretudo como montras temporárias de tendência?

Fonte: https://www.vogue.com/article/coachellas-big-brand-renaissance?utm_source 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Airbnb Experiences: a nova forma de intermediar experiências

 Quando pensamos no Airbnb, associamos imediatamente ao alojamento. No entanto, nos últimos anos, a marca tem vindo a expandir o seu modelo para além das casas, apostando também nas chamadas Airbnb Experiences.

Através desta funcionalidade, a plataforma permite que qualquer pessoa possa oferecer atividades como visitas guiadas, aulas de cozinha, workshops ou experiências culturais. Desta forma, o Airbnb passa a intermediar não só a estadia, mas também a forma como os turistas vivem o destino.

Este modelo é um exemplo claro de intermediação digital, onde a plataforma cria valor ao ligar diretamente dois lados do mercado: quem oferece a experiência e quem a procura. O mais interessante é que o Airbnb não é dono de nenhum destes serviços - limita-se a facilitar o contacto, gerir a plataforma e garantir confiança entre as partes.

Algumas das experiências disponíveis mostram bem até onde este conceito pode ir. Desde atividades como “ser sereia por um dia” - onde os participantes podem vestir uma cauda, aprender a nadar como sereia e até fazer sessões fotográficas temáticas - esculpir madeira com motosserras ou até criar joias com o próprio ADN, o Airbnb transforma atividades inesperadas em produtos turísticos. Existem também experiências como sessões onde se aprendem técnicas de sobrevivência em Porto Rico, como abrir cocos sem faca ou construir abrigos. Mais recentemente, a plataforma tem também apostado em experiências exclusivas e curadas, reforçando a ideia de que já não se trata apenas de viajar, mas de viver algo único e partilhável.
No meio de tantas opções, já quase parece normal encontrar atividades que nunca imaginaríamos experimentar… até começarmos a considerar seriamente fazer uma delas.



Por um lado, isto pode ser visto como uma forma de democratizar o acesso ao mercado, permitindo que qualquer pessoa monetize conhecimentos ou atividades. Por outro, também levanta algumas questões. Ao substituir intermediários tradicionais, como agências ou operadores turísticos, o Airbnb está a simplificar o processo… ou apenas a criar um novo tipo de dependência da plataforma?

Na minha opinião, este caso mostra como o marketing e o e-commerce estão cada vez mais ligados à criação de ecossistemas completos. O Airbnb já não vende apenas alojamento, vende uma experiência integrada, onde tudo acontece dentro da mesma plataforma.

Confesso que, ao ver algumas destas experiências na app, é fácil ficar com vontade de experimentar algo “diferente” e, no meio de tantas opções inesperadas, a ideia de passar um dia como sereia não parece assim tão descabida. Isto mostra bem como a plataforma não só intermedeia, mas também influencia o comportamento do consumidor.

No fundo, o Airbnb não vende casas nem experiências, vende acesso a pessoas.

E vocês, o que acham? Já experimentaram alguma destas experiências ou gostariam de experimentar alguma? 

Fontes: 

“Se não têm pão, comam brioches” … ou então façam um vídeo para a Domino’s

Está provado que a comida ocupa um lugar muito importante na mente do consumidor médio português (https://www.nit.pt/fit/saude/portugueses-pensam-mais-em-comida-do-que-em-sexo-e-desta-ninguem-estava-a-espera) e aquando do advento da redes sociais não era incomum sermos “inundados” pelo detalhe fotografado da última refeição de vários amigos, numa dinâmica de transição entre a word-of-mouth analógica e a word-of-mouse da era digital.

As marcas sabem deste duplo “vício":  o português adora falar de comida e adoooora mostrar o que comeu. Também sabem que a geração Z convive confortavelmente com a exibição imediata dos seus “feitos” e com a sensação de pertença ao contribuir para a criação de uma marca que aprovam.

Por tudo isto, a Domino’s lançou uma campanha que pretende tirar partido dessas características e criou um desafio de criação de conteúdos digitais que de uma vez só divulguem o produto, criem engagement, com alguma sorte se tornem virais (a Domino’s está certamente a fazer figas para que tal aconteça) e estimulem o word-of-mouse, tão importante nos dias de hoje para conseguir alcançar os números de uma campanha de tipo push, sem gerar os anticorpos a que esse tipo de campanha  dá lugar e em vez disso tirar partido da eficácia e credibilidade que uma comunicação espontânea gera junto dos consumidores.

 

Subitamente, todos podemos ser inluencers da Domino’s !

Este tipo de marketing participativo transforma o consumidor num embaixador da marca, com esta a beneficiar de todas as vantagens de uma mensagem genuína, abrangente e com rápida difusão a troco de…



UMA PIZZA!?! 

Hummmm….

Afinal, se calhar, não vou já a correr ligar a câmara do meu telemóvel.

Mas de tanto falar na Domino’s fiquei com vontade de comer qualquer coisa que leve pepperoni...

(Não se preocupem, prometo que não mando fotos)

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Quando um produto prova o seu valor sozinho: o caso DeWALT na NASCAR

No Marketing Digital atual, existem momentos em que a melhor publicidade surge de forma inesperada.

Numa corrida da NASCAR, ao sair da pit lane, um dos carros acabou por ficar com uma ferramenta DeWALT (serra elétrica) agarrada ao para-choque dianteiro. Sem que o piloto se apercebesse de imediato, a ferramenta foi arrastada ao longo de vários metros, sujeita a contacto constante com o alcatrão, vibração intensa e velocidade. Apesar do ocorrido, verificou-se que a ferramenta continuava a funcionar.

A DeWALT é uma marca de ferramentas utilizada em contextos exigentes, incluindo ambientes ligados ao desporto automóvel. O facto de estar presente num contexto como a NASCAR já transmite, por si só, uma perceção de qualidade, resistência e confiança associada à marca.

Este tipo de situação representa uma das formas mais poderosas de marketing: a prova real e inesperada da qualidade de um produto. Ao contrário da publicidade tradicional, onde as marcas afirmam que os seus produtos são resistentes, aqui essa resistência é demonstrada em contexto extremo e sem qualquer encenação.

Quando momentos como este são captados e partilhados online, entram no domínio do word-of-mouth digital (word-of-mouse). São os próprios utilizadores que divulgam o conteúdo, gerando milhares de visualizações, comentários e partilhas.

Curiosamente, neste caso, a marca não teve necessidade de reagir ativamente. A própria audiência assumiu esse papel, ao partilhar e comentar o acontecimento, funcionando como amplificadora da mensagem. De certa forma, foram os consumidores que “fizeram marketing” pela marca, reforçando a credibilidade do produto de forma espontânea.

Além disso, este exemplo reforça a ideia de que as marcas já não controlam totalmente a sua comunicação. Um acontecimento inesperado pode transformar-se rapidamente num fenómeno viral, trazendo visibilidade global sem qualquer investimento direto.

Outro fator essencial é a autenticidade. A geração atual valoriza demonstrações reais em vez de promessas publicitárias. Um produto que sobrevive a uma situação extrema como esta ganha credibilidade imediata junto do público.

Fica a questão: até que ponto as marcas conseguem beneficiar de situações inesperadas sem comprometer a autenticidade que as torna eficazes?


terça-feira, 14 de abril de 2026

Uma francesinha na Lua… e uma jogada de marketing bem assente na Terra

Tudo começa com uma imagem que parece saída de um breaking news: a Lua em destaque, o logótipo da NASA e uma mensagem que sugere que algo incomum foi detetado.

“Cientistas espaciais detetam algo estranho na Lua.”

O suficiente para parar o scroll.

Num ambiente saturado de conteúdo, onde captar atenção é cada vez mais difícil, esta publicação faz algo simples, mas extremamente eficaz: cria curiosidade imediata. E essa curiosidade leva à ação.

O utilizador vê, estranha… e desliza.

Só depois vem a revelação:
“Calma. É só a nossa francesinha.”

                                            https://www.instagram.com

Este momento de transição entre expectativa e surpresa é o que torna o conteúdo tão eficaz. Trata-se de um pequeno “plot twist” pensado para gerar engagement — um exemplo claro de como o storytelling pode ser aplicado em formatos curtos nas redes sociais. Mas há mais por trás desta criatividade.

A publicação surge num contexto em que o tema do espaço e das missões lunares voltou a ganhar atenção mediática. Ao aproveitar esse interesse coletivo, a marca insere-se numa conversa que já está a acontecer. Não cria atenção do zero, aproveita-a. Estamos perante um caso de real-time marketing, onde o timing e o contexto amplificam o impacto da mensagem.

Além disso, a estrutura em carrossel não é inocente. Cada imagem tem um papel: a primeira capta a atenção, a segunda imagem aprofunda o mistério e por fim, esclarece e o conjunto mantém o utilizador envolvido.

Este tipo de interação, deslizar, descobrir, reagir, é altamente valorizado pelos algoritmos, aumentando a probabilidade de o conteúdo chegar a mais pessoas. Esta publicação cumpre de forma exemplar o seu principal objetivo: destacar-se, envolver e ser lembrada.

Este caso mostra-nos que, no marketing digital atual, captar atenção não passa apenas por investir mais, passa por pensar melhor. Criar curiosidade. Contar uma história. E, sobretudo, dar ao utilizador um motivo para continuar.

E vocês, o que acham?
Já deslizaram um post só porque queriam perceber “o que vinha a seguir”?

sábado, 11 de abril de 2026

A Ryanair mudou mesmo… ou enganou-nos a todos antes do tempo? 😮👀

A Ryanair voltou a dar que falar e desta vez não precisou de grandes campanhas. Bastou um simples post a anunciar que iria adotar uma comunicação mais "corporate e profissional".

Mas há um detalhe que muda toda a perspetiva: a publicação foi feita antes do Dia das Mentiras. E isso não foi, de todo, por acaso.

 

(Deixo-vos aqui, como prova, o printscreen que tirei quando vi a publicação, tal foi o choque.) 

Ao antecipar-se às publicações do 1 de abril, a Ryanair apostou num território cinzento entre o sério e o humorístico. A verdade é quem, como eu, viu o post ficou na dúvida: será que a marca vai mesmo a mudar… ou isto já é a sua partida do dia das mentiras? O meu pensamento imediato foi: "Não é possível que uma marca com uma comunicação tão icónica mude assim a sua estratégia." A verdade é que a incerteza foi o que alimentou comentários, partilhas e discussões, ou seja, tudo aquilo que a marca pretendia.

Ao contrário da grande maioria das marcas, que apenas entram no “jogo” no próprio dia, a Ryanair decidiu destacar-se antes do ruído. E conseguiu exatamente isso mesmo. Quando finalmente chegou o dia 1 de abril e a conversa começou, a marca já estava no centro dela.

Toda a gente duvida dos anúncios que são feitos no Dia das Mentiras, mas quem é que coloca em causa o que é publicado nos dias anteriores? Eu nunca tinha pensado neste tipo de estratégia, mas a verdade é que é eficaz. De entre todos os posts que vi nesse dia, só me recordo deste.

E o mais interessante desta publicação é que, mesmo fingindo que vai abandonar o seu tom irreverente, a Ryanair acabou por fazer exatamente o oposto: reforçou-o. Esta brincadeira foi, na realidade, mais uma prova de que a marca conhece perfeitamente o seu público e sabe como captar a sua atenção sem perder a identidade. No fundo, para a marca não importa se alguém acreditou ou não. O que importa é que toda a gente falou sobre isso.

E vocês que viram a publicação da Ryanair, caíram na “mudança corporate”… ou perceberam logo que algo de errado não estava certo? Confesso-vos que eu acreditei mesmo...caí que nem uma patinha. Vi a publicação, confirmei a data várias vezes e fiquei chocada. Como não investiguei sobre o assunto, até a professora Teresa ter falado no assunto, pensei mesmo que haveria uma mudança. A Ryanair conseguiu que ficasse a pensar nela durante vários dias.

Levanto agora algumas questões. Será que esta estratégia pode ser usada todos os anos? O que aconteceria se todas as marcas tivessem pensado assim?

Na minha opinião, este método não pode ser usado todos os anos, senão perde o seu impacto. Se já estamos à espera que a marca faça o seu anúncio no dia anterior, o chocante torna-se o novo normal. Em relação a ser utilizado por todas as marcas, ainda bem que não tiveram todas a mesma ideia. Esta estratégia foi eficaz pois houve destaque de entre todo o ruído, o que não seria possível se todas as marcas tivessem feito a publicação no dia anterior.

Espero que tenham gostado! Comentem com sinceridade, o dia das mentiras já passou e já está visto que eu não consigo distinguir a verdade da mentira!😅

Continuação de um bom fim-de-semana! 😊

sábado, 14 de março de 2026

Quando um consumidor cria a campanha: o caso viral da Stanley no TikTok

Na era digital, os consumidores têm hoje um poder enorme para influenciar a reputação e a visibilidade das marcas. Um simples vídeo publicado nas redes sociais pode chegar a milhões de pessoas em poucas horas e gerar um impacto que muitas campanhas publicitárias não conseguem alcançar.

Um exemplo recente disso aconteceu com a marca Stanley, conhecida pelos seus copos térmicos.
Em novembro de 2023, uma utilizadora do TikTok publicou um vídeo onde mostrava o interior do seu carro completamente queimado após um incêndio. No meio dos destroços estava um copo Stanley que tinha ficado no porta-copos. Quando ela o abriu, mostrou que ainda tinha gelo dentro. O vídeo rapidamente se tornou viral, e acumulou milhões de visualizações e comentários. Este caso é um bom exemplo de User Generated Content (UGC) que hoje tem um impacto enorme na comunicação das marcas.


O mais interessante foi a forma como a marca reagiu. O próprio CEO da Stanley respondeu publicamente ao vídeo, agradecendo à cliente e oferecendo-se para substituir o carro que tinha sido destruído no incêndio.

Este episódio demonstra bem que efetivamente hoje em dia as marcas já não controlam totalmente a comunicação sobre os seus produtos. Muitas vezes são os próprios consumidores que criam conteúdos capazes de gerar enorme visibilidade para uma marca.

Na minha opinião, este caso demonstra também a importância da rapidez e autenticidade na resposta das empresas nas redes sociais. A Stanley não criou esta situação nem planeou esta publicidade, mas conseguiu aproveitar o momento e reforçar a sua imagem de forma muito positiva.
Num contexto digital em que qualquer pessoa pode influenciar a opinião pública, saber ouvir e reagir às conversas online tornou-se tão importante como qualquer campanha de marketing tradicional.

E vocês, o que acham? Estamos a assistir a uma mudança real na forma como o marketing acontece online? 

terça-feira, 8 de abril de 2025

O Enoturismo em Portugal sobreviveria sem o Marketing Digital?

Sim, mas não seria a mesma coisa. Cada vez mais, a comunicação de produtos e serviços depende dos meios digitais, e o Enoturismo não é exceção. Na verdade, pode-se afirmar que o Enoturismo é um exemplo paradigmático do impacto do marketing digital. Sem a comunicação digital, o Enoturismo estaria restrito à oferta dos grandes grupos hoteleiros e dos maiores produtores de vinho.

No entanto, hoje, ao somarmos toda a oferta de Enoturismo em Portugal, observamos que a combinação de pequenos produtores, parceiros de experiências e pequenas unidades hoteleiras já ultrapassa a oferta dos grandes grupos. Diversos nichos têm surgido, e disponibilizam novas opções para o mercado do turismo. O consumidor, agora, tem acesso a experiências que antes estavam fora do alcance da maioria.

No Enoturismo, a oferta é variada: desde alojamento, passeios pelas vinhas, participação nas atividades vitivinícolas até provas de vinho.

A combinação da comunicação digital com o desejo do consumidor por novas experiências, muitas delas fora das grandes cidades, tem impulsionado o crescimento do mercado de Enoturismo, ano após ano. Diversos estudos e notícias associam diretamente o crescimento deste setor ao marketing digital.

No Enoturismo, a comunicação do marketing digital pode assumir várias formas, desde uma simples página online do fornecedor (site, Instagram, TikTok), onde são partilhadas histórias sobre o Enoturismo, como as narrativas de famílias de produtores de vinho, algumas com várias gerações de história até testemunhos de influenciadores. Qualquer iniciativa digital individual não só comunica o serviço ou produto, como também promove o Enoturismo daquela região, ou até do país, que tem vindo a atrair cada vez mais portugueses e turistas estrangeiros.

É claro que as OTAs (Agências de Viagens Online) desempenham um papel crucial neste processo, facilitando a credibilidade da escolha do consumidor. A compra numa plataforma online transmite uma sensação de segurança, e os comentários deixados por outros consumidores reforçam essa confiança.


exemplos da comunicação digital dos nichos:

https://www.instagram.com/liliveloso/reel/DFHB95wNoFD/

https://donamatilde.pt/pt/

https://www.l-and.com/

https://www.quintadesaobernardo.com/

https://arvad.pt/en/

Fontes:

https://bibliotecadigital.ipb.pt/entities/publication/334171d5-7066-4c01-84ce-2ac05b5fab48

https://etoh.agency/pt/por-que-o-enoturismo-deve-considerar-o-marketing-digital/

https://aspectosdovinho.com/o-enoturismo-global-devera-crescer-13-ate-2034/

https://www.publico.pt/2024/11/26/terroir/noticia/enoturismo-crescer-storytelling-licoes-jornadas-enoturismo-2113429


domingo, 30 de março de 2025

O Marketing que não deixa nenhum desvio passar em branco

Quem diria que um evento político em Portugal, envolvendo um deputado e um conjunto de malas, se transformaria numa excelente oportunidade de marketing para várias marcas? 

A situação ganhou ainda mais visibilidade quando o caso de Miguel Arruda e as suas “malas” se tornou um verdadeiro meme nas redes sociais, gerando uma série de reações divertidas e irreverentes. Entre as marcas que souberam tirar proveito do acontecimento, o Licor Beirão destacou-se pela sua abordagem criativa e repleta de humor.



Aproveitando a confusão gerada pela situação das malas, a marca lançou uma campanha bem-humorada, com um trocadilho divertido. Conhecida como uma das marcas mais queridas em Portugal, publicou nas suas redes sociais uma imagem de uma mala de viagem coberta com autocolantes, com a legenda: "Chega de desvios!". A frase rapidamente foi interpretada pelo público como uma referência à situação que envolvia o deputado e as malas suspeitas e, ao mesmo tempo, está subjacente uma crítica aos desvios que se tornaram um tema central nos debates mediáticos.

Tal como em diversas outras situações, a marca soube captar a essência do momento, utilizando o seu tom divertido e descontraído para se associar a um tema atual e de grande impacto na comunidade online. O uso de uma mensagem simples, mas eficaz, gerou muitas interações e partilhas entre os utilizadores, amplificando a visibilidade da marca de forma orgânica.

O marketing humorístico tem sido uma das estratégias mais eficazes no mundo digital, e a campanha do Licor Beirão é um exemplo perfeito disso. Aproveitar uma situação viral para se conectar com o público de forma leve e divertida tem o potencial de gerar grandes resultados. Ao usar um tema de relevância nacional e ao mesmo tempo inserir o seu produto no contexto da conversa, a marca não só conseguiu potenciar o engagement nas suas plataformas, mas também reforçar a sua imagem como uma marca que está atenta às tendências culturais.

Mas não, não foi só o Licor beirão que brincou com o tema das "malas". 

Várias outras marcas também souberam explorar a situação com criatividade. Peixaria Silveira, por exemplo, usou a imagem de um funcionário a carregar uma mala, com a legenda: "Mala-andros", sugerindo o trocadilho com "malandros". Já a Feliciano Créditos & Seguros aproveitou a situação para promover os seus serviços de seguro de bagagens: "Chega de se preocupar com a sua bagagem.Saiba como pode assegurar a sua bagagem de porão".












Embora as abordagens tenham sido diferentes, o objetivo comum foi aproveitar o momento para se conectarem com o público de forma humorística, mas também relevante. Enquanto a Peixaria Silveira utiliza um trocadilho simples e direto, dando ênfase à sua capacidade de brincar com a situação e gerar risos, a Feliciano Créditos & Seguros adota uma abordagem mais séria, ainda que com um toque de humor, para promover o seu serviço de seguro que, no contexto da situação, fazia todo o sentido.

O que têm estas marcas em comum? A capacidade de se adaptar rapidamente a um acontecimento viral e integrar o humor nas suas campanhas de forma eficaz, criando uma conexão mais profunda com o público. 

Este tipo de marketing demonstra como as marcas podem ser rápidas a reagir a temas atuais, aproveitando o momento de forma inteligente para reforçar a sua presença junto do público. Além disso, são prova de que o humor, quando bem doseado, pode ser uma ferramenta poderosa para atingir notoriedade e engagement. E neste caso, estas marcas souberam usá-lo na perfeição.


Fontes:

https://visao.pt/atualidade/sociedade/2025-01-23-os-memes-e-piadas-sobre-o-caso-do-deputado-das-malas-que-estao-a-animar-a-internet/#&gid=0&pid=1

https://www.noticiasaominuto.com/pais/2713168/empresas-brincam-com-matriosca-de-malas-de-deputado-chega-de-desvios

https://www.instagram.com/licor_beirao/



sexta-feira, 21 de março de 2025

Tascas Portuguesas: Entre a Mesa e o Feed

Travessas de alumínio, copinho de vidro, menu no quadro de giz e a conta escrita no papel da mesa - são estas as características de um tasco "à portuguesa".

As tascas portuguesas, normalmente geridas por famílias, refletem a verdadeira cultura popular, sendo um lugar onde a gastronomia local encontra os diversos tópicos de conversa comuns, como o clima, a política ou o futebol. Esta imersão é dificilmente encontrada nos grandes centros urbanos, nos shoppings ou mesmo em restaurantes típicos, sendo uma parada obrigatória para quem quer conhecer Portugal profundamente.

Nos últimos tempos, tem-se assistido a uma popularização crescente destes estabelecimentos, principalmente graças a influencers que frequentam estes sítios, e os avaliam, realçando certas qualidades, como a comida caseira, o ambiente familiar, e os preços honestos (para os dias de hoje). Alguns exemplos destes influencers em Portugal são: Gastropiço, O Tascólogo e O Tasqueiro, que contam com centenas de milhares de seguidores nas redes sociais, nomeadamente no Instagram e no TikTok.




É possível relacionar a atuação destes influencers com alguns conceitos base do influencer marketing:

Autenticidade e Confiança
A transparência e autenticidade do conteúdo faz com que os consumidores o valorizem, transformando a experiência pessoal do influencer numa recomendação implícita em experimentar o produto.

Social Proof
Ao observar figuras influentes, com milhares de seguidores, visualizações e likes, a visitar tascas, os consumidores interpretam esta ação com uma "certificação" de qualidade do produto. A "prova social" atua como um estímulo para que os consumidores queiram viver a mesma experiência, seja por se identificarem com o conteúdo, curiosidade, ou o desejo de pertencer a um grupo que valoriza o ambiente familiar e a gastronomia tradicional.

Influência na Decisão
O caráter emocional e visual destes conteúdos faz com que estes sejam mais persuasivos, fazendo com que o consumidor se identifique com a experiência do influencer e queira replicá-la.

Alcance e Diversificação do Público
Além de atrair o público local, este tipo de conteúdo atrai turistas e estrangeiros que, durante a sua visita, procuram experienciar a cultura e gastronomia popular, sendo uma enorme vantagem do influencer marketing, que amplianda a visibilidade destes estabelecimentos.





O influencer marketing tem-se revelado uma ferramenta poderosa, e este caso não é exceção, tendo em conta que a dimensão destas empresas faz com que o marketing não seja uma prioridade, não sendo feito de maneira propositada - o que traz os influencers, e por consequência, os consumidores, é a busca por algo autêntico e familiar. 

Fontes:
https://run.unl.pt/bitstream/10362/175038/1/TDDM3523.pdf
https://www.winterhalter.com/br-pt/blog-winterhalter/marketing-para-restaurantes-guia-definitivo/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Impacto_cultural_do_TikTok
https://www.portocidadaniaportuguesa.com.br/blog/dicas/tascas-portuguesas
https://descla.pt/conhece-a-historia-das-tascas


terça-feira, 21 de maio de 2024

Pimple Patch e Monte Rushmore 🗿

A elf cosmetics é uma marca norte-americana que apresenta uma larga vasta de produtos de maquilhagem skincare, e apresenta como visão - criar um tipo diferente de empresa de beleza, construindo marcas que rompem as normas, moldam a cultura e conectam comunidades através da positividade, inclusão e acessibilidade

Recentemente, a marca deu o que falar com a publicação de um vídeo cómico que faz publicidade a um dos seus produtos, os ✨ Pimple Patches ✨

O vídeo mostra um helicóptero a transportar um pimple patch que é colocado no rosto de George Washington, afetado com uma borbulha

O anúncio fez sucesso nas redes socias da marca, tendo gerado milhões de likes e comentários positivos  nas plataformas de YouTube, Instagram e Tik Tok.


Adicionalmente ao vídeo, claramente utilizado para captar a atenção dos consumidores, a marca recorreu às plataformas digitais para partilhar informação referente ao produto, desde a forma como deve ser utilizado até aos resultados esperados.


A elf aproveitou o alcance conseguido para responder a questões dos seus consumidores, aumentando assim a proximidade entre a marca e os consumidores 

segunda-feira, 13 de maio de 2024

NOVA TREND DE VÍDEOS PARA IMPULSIONAR VENDAS! 💸💹

Marketing de humor é uma abordagem que utiliza o humor como meio de comunicação para promover produtos ou serviços. Esta estratégia visa atrair a atenção do público-alvo de forma descontraída e divertida, incorporando elementos humorísticos em campanhas publicitárias, anúncios, conteúdos e até mesmo nas redes sociais.

Tenho visto constantemente, no Instagram, este tipo de conteúdo e acho genial!

Utilizar um vídeo que outrora foi um meme, e colocar uma transição para promover a sua marca e os seus próprios produtos, é uma estratégia que impulsiona as vendas em 50%, conforme relatos de lojas.

Deixo-vos aqui alguns exemplos que retirei do Instagram:

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Aliens are real and hoop among us ! Wemby X Nike

A Nike volta a surpreender com o seu recente anúncio publicitario. Desta vez com Victor Wembanyama, o atleta francês sensação da NBA, e não é difícil perceber porquê. As suas estatísticas são verdadeiramente impressionantes e, sim, esses números fariam qualquer um pensar que ele é "de outro mundo". 

Wembanyama chamou a atenção não só dos adeptos e analistas, mas também de grandes marcas como a Nike, que vêem nele não só um jogador promissor, mas também um potencial ícone dentro e fora do campo. A sua combinação única de altura, habilidade e visão faz dele um talento geracional que, como o vídeo sugere, parece mais saido de um filme de ficção científica que de um campo de basquetebol.

O vídeo, em que ele é comparado a um extraterrestre, utiliza uma forma criativa e divertida de realçar como as suas capacidades e feitos são "de outro mundo".

Claro que, "do outro mundo" são também os lucros que a Nike tem aferido com as suas parcerias com atletas de alta competição. Espeficicamente na liga americana de Basketball (NBA), a sua associação com grandes nomes como Michael Jordan, LeBron James e Kevin Durant impulsionaram as vendas de calçado e vestuário desportivo, tornando-os best-sellers globais. Só em 2023, a marca Jordan, parceria da marca com o famoso atleta Michael Jordan, gerou em vendas $6.59 biliões de dolares.

Além de vendas, a parceria com atletas eleva o prestígio da marca através das campanhas publicitárias e eventos que atraem os midea e consumidores, reforçando o posicionamento da marca no mercado. A presença digital desses jogadores, é gigante, pois possuem muitos seguidores nas redes sociais, o que amplia o alcance e o engajamento da Nike com um público jovem e global. Este recente anuncio por exemplo, publicitado via "reels" na rede social Instagram, foi viasualizado por 7,3 milhões de utilizadores chegando a praticamente o dobro dos seguidores do jovem atleta, que conta com 3,9 milhões de seguidores na rede.


Fontes:

https://www.nike.com/pt/a/victor-wembanyama

https://marketeer.sapo.pt/um-eclipse-no-ceu-e-aliens-na-terra-nike-aposta-em-activacao-enigmatica/

https://www.tiktok.com/@culted/video/7355855581372075296


segunda-feira, 25 de março de 2024

Pequenos sons... grandes marcas!

Pequenos sons... grandes marcas! 

Quantos de nós, poderíamos identificar algumas marcas sem as vermos? Apenas ouvindo elementos sonoros de alguns segundos? Entretenimento? Estratégia? No marketing poucos são os acasos…

O sound logo, áudio marca, logo sonoro, é uma ferramenta importante e poderosa no marketing digital. Representa um som curto (0.5 a 3 segundos) distintivo e é parte integrante da identidade da marca.

Deixo-vos 2 exemplos que certamente poderiam reconhecer sem as imagens:



Esta identidade sonora tem por objetivo criar uma conexão memorável e emocional com a marca, diferenciando-a das demais, o que faz sentido atendendo ao mercado atual e à concorrência feroz pela atenção do consumidor.

A consistência acústica na gestão da marca melhora a diferenciação, permite o reconhecimento e uma experiência melhorada da marca.

É interessante perceber que o som influencia a percepção da marca - um estudo desenvolvido por Puligagga & VanBergen (2023) conclui que o instrumento utilizado na construção do logo sonoro influencia a percepção de sofisticação e robustez da marca.

De notar que o sound logo é diferente de um jingle (é boca doce é bom é bom é.... / é pudim danone / diga bom dia com Mocambo... e tantos outros 😆) ! A diferença é que um jingle é construído para uma campanha, enquando o sound logo deve ser muito mais inalterável.

Que outros exemplos conhecem? Consideram importante que a marca desenvolva esta identidade sonora? Poderá esta construção ser feita com base em gostos pessoais ou deve basear-se em evidências científicas?


Fontes:

Thuy, D. C., Kiet, P. T., & An, K. T. (2023). The Influence of Brand Sound on Brand Recognition of Vietnamese Consumers. VNU University of Economics and Business, 3(6), 36-36.

Puligadda, S., & VanBergen, N. (2023). The influence of sound logo instruments on brand personality perceptions: An investigation of brand ruggedness and sophistication. Journal of Business Research, 156, 113531.

https://www.romerolab.com.br/o-que-e-sound-branding/

domingo, 3 de março de 2024

O que nos reserva a Inteligência Artificial?

Quem nunca ouviu falar em Inteligência Artificial (IA)? Nos últimos anos esta tecnologia tem vindo a ganhar robustez, está na ordem do dia e é comentada por tod@s. Questiona-se quais os seus benefícios, aplicabilidade, impacto, segurança, futuro, etc. Se por um lado esta é amada por muitos, por outro há quem fique reticente com esta tecnologia e com tudo o que a envolve.

No nosso dia-a-dia vamos interagindo muitas vezes com a IA, nomeadamente na internet, marketing, educação, entre outros. No entanto, a IA traz consigo alguns desafios às empresas, escolas/universidades…, por exemplo o Chat GPT nas escolas/universidades fez com que fosse necessário criar estratégias, formar os Docentes com o intuito de oferecer ferramentas que permitam detetar quando o texto de um aluno não é da sua autoria. Como este exemplo há muitos outros. Quantas fake news construídas através de IA não são partilhadas nas redes sociais e se tornam virais? 

Em outubro de 2023 a TVI/CNN emitiu uma reportagem intitulada por “Reconhece Manuel Luís Goucha? Pense outra vez: como a Inteligência Artificial confunde a realidade”. Nesta reportagem sobre a IA é apresentado todo o processo utilizado para replicar a imagem e a voz do apresentador, bem como são exibidos alguns vídeos virais realizados através desta tecnologia. 

Reconhece Manuel Luís Goucha? Pense outra vez: como a Inteligência Artificial confunde a realidade

Analisando a reportagem torna-se um pouco assustador a “facilidade” com que a nossa imagem e voz podem ser utilizadas, assim como os falsos “momentos” que são criados. O pormenor com que a imagem é criada poderá fazer com que haja alguma dificuldade em perceber se o que está a ser divulgado é verdadeiro. No entanto, Pedro Domingos, Professor Emérito na Universidade de Washington e especialista em IA, não vê perigos nesta tecnologia, nomeadamente na democracia, uma vez que o ser humano “rapidamente aprende a perceber o que é fake e o que não é”. 

Isto leva-nos a pensar como será o futuro com a IA, uma vez que a tecnologia está em constante evolução e rápida, e de hoje para amanhã tudo pode mudar. 

Tal como já referi anteriormente a IA apresenta alguns desafios, principalmente no emprego. Futuramente haverá menos postos de trabalho devido à IA? Segundo o especialista Pedro Domingos, serão criados mais empregos, alguns vão se perder, e grande parte dos empregos serão modificados, uma vez que a IA permite a automatização de algumas tarefas, e de outras não. Eu tenho algumas reservas quanto a esta temática, pois é claro que se vão perder muitos empregos.

Não são só de desafios que se faz a IA. Vejamos o caso do Marketing Digital. Segundo José Frade (Codiretor PG Digital Business, PBS/UP) a IA revolucionou o Marketing Digital, uma vez que oferece um conjunto de ferramentas e tecnologias que permitem transformar as estratégias de marketing. Frade refere ainda que a IA “(…) Ajudou a desvendar segredos, aprimorar estratégias e alcançar resultados além da imaginação. Mas, acima de tudo, mostrou aos profissionais de marketing que, mesmo com toda a sua inteligência, a magia verdadeira reside na criatividade humana, na empatia e no toque pessoal que apenas os seres humanos podem oferecer.”

Toda a moeda tem dois lados, isto é, a IA tem as suas vantagens e desvantagens e como em qualquer ferramenta/tecnologia, se bem utilizada poderá trazer muitos benefícios. No entanto, é uma temática em que tod@s devemos estar atentos à sua evolução e aplicabilidade.

E tu o que pensas sobre as implicações da IA no futuro, nomeadamente no que diz respeito ao emprego?

Fonte: https://chatbotslife.com/will-ai-cause-mass-unemployment-f26537e5f25a

Fontes: