quinta-feira, 14 de maio de 2020

Glovo Market

A aplicação de encomenda e entrega de refeições, farmácia e mercearia Glovo lançou um novo conceito: o Glovo Market. É a primeira aplicação deste “género” a criar um supermercado “próprio” onde é possível encontrar artigos de mercearia, como pão, fruta ou bebidas, talho, peixaria, higiene, limpeza e, por fim, produtos para animais e bebé, totalizando 9 categorias de produtos. Está aberto todos os dias até à meia noite, com uma taxa de entrega de 2,99€ e sobretaxa de 1,99€ aplicada a compras que não atingem os 10€.
Este conceito foi criado no inicio do ano de 2020 e um dos primeiros países a receber esta opção foi a Argentina. Em Barcelona, existe, também, o SuperGlovo, um armazém onde a aplicação conserva os produtos.


Além do Glovo Market, a empresa passou também a ter as lojas de proximidade Amanhecer disponíveis na app, com várias opções de pedidos que incluem mercearia, bazar, congelados, frescos e garrafeira, entre outros. Neste caso, a taxa de entrega é de 1,99€ acrescendo de uma sobretaxa para compras inferiores a 6 euros.
Anteriormente, a Glovo tinha expandido as entregas para além das refeições com a parceira com as lojas Zu (animais), Note! (papelaria) e Go Natural (supermercado). Em abril, reforçou a oferta de lojas Continente, Continente Bom Dia e Continente Modelo na aplicação. Atualmente, conta com 16 super/ hipermercados no Porto e 16 em Lisboa, com uma taxa de entrega de 2,49€ e sobretaxa de 1,49€ no caso de compras inferiores a 6€.

Este exemplo permite ilustrar a necessidade crescente que as empresas enfrentam de estar presentes em diversos canais de distribuição, a nossa conhecida estratégia multichannel. A conveniência é uma palavra de ordem para os consumidores e, por isso, a parceria com uma aplicação de entregas (como a Glovo ou Uber Eats) pode ser uma opção para muitas empresas.

Já conheciam este supermercado “digital”? Acham que terá sucesso?

Fontes:

Novas tecnologias causam déficit de atenção?

Todos sabemos que as gerações mais novas têm uma grande dificuldade em manter o foco e prestar atenção em o que quer que seja. Dizem que o limiar de atenção médio em 2015 era de 8.25 segundos. Uma capacidade de atenção menor que a do formidável peixinho dourado.

De fato podemos perceber em nosso dia a dia os sintomas deste fenômeno da falta de atenção. Quando andamos na rua e reparamos que as pessoas sequer olham para o chão em frente aos seus pés pois suas visões estão concentradas na tela do Smartphone (esta ação pressupõe que tu próprio não sejais o exemplo dado). De vez em quando ainda vemos um ou outro acidente.


Também percebemos este fenômeno quando vamos a um restaurante. Ao olhar para as outras mesas percebemos que a maior parte das pessoas, especialmente os mais novos, estão com faces pregadas aos telemóveis. Os dedos alternam os aplicativos constantemente, do facebook para o instagram, do twitter para o tiktok e de volta para o facebook. O ciclo repete-se.

Teriam os telemóveis e as novas tecnologias causado uma condição de déficit de atenção nestas pessoas?

Antes de responder esta pergunta , deixe-me apontar para um outro fenômeno que , aparentemente, antagoniza este: Podcasts e binge watching de series.

A iniciar pelos podcasts, podemos apreender um pouco a magnitude disto. Quarenta porcento dos ouvintes de têm entre 12 e 24 anos , ou seja , os mais "desatenciosos". Tendo isto em mente , a duração média de um podcast é de 43 minutos, ademais pode-se fazer o caso de um dos podcasts mais ouvidos, o The Joe Rogan Experience ,que possui episódios usualmente na casa das 3 horas de duração. Será que as pessoas escutam-no sem prestar atenção?

Já no reino audiovisual encontramos o binge watching. Lembro-me quando reclamavam que os filmes do Senhor dos Anéis do Peter Jackson eram demasiado longos. Hoje em dia todos temos aquele amigo que assistiu a 4° temporada de La Casa de Papel inteira no mesmo dia que foi disponibilizada. Alguns até reclamam que foi curta.



Qual seria a causa destes fenômenos? A qualidade dos conteúdos? Ao comparar os podcasts com seu antecessor , o rádio, percebemos as alterações na forma do conteúdo. Acho que nunca houve uma entrevista de 5 horas em uma rádio. Já no mundo dos podcasts vemos coisas tal qual a entrevista do Alex Jones no The Joe Rogan Experience. Uma conversa de 5 horas a respeito de aliens nazistas interdimensionais, terra plana e etc. Isto seria impossível na rádio, porém , isto não só é possível como é amplamente consumido em forma de podcast. Ora , esta entrevista teve até o momento 20 milhões de visualizações apenas no Youtube. O podcast possibilitou a circulação de conteúdos especializadíssimos de nicho, mas descobriram que o tamanho destes nichos era muito maior do que se esperava. Isto também ocorre no mundo das séries e filmes, a quantidade de tramas e subtramas e sua complexidade só é comparável à obras de grandes literatos como Balzac. Embora não comentarei a respeito da qualidade do conteúdo , uma coisa é certa , acompanhar este número acachapante de histórias , arcos, tramas e subtramas requer uma coisa: atenção.

Talvez o conteúdo pouco importe, talvez o simples fato da escolha do conteúdo seja suficiente para mudar algo em nosso cérebro e fazer com que prestemos mais atenção. Esta escolha do conteúdo era impossível antes da era do streaming. "Contra a vontade ninguém procede bem , ainda que a ação em si mesma seja boa" (Santo Agostinho, Confissões)

Embora a questão suscitada na início continue sem respostas definitivas, gravitamos a pensar que sua resposta é positiva. Ora, todos vemos que as pessoas não prestam mais atenção, ao menos não como antigamente, entretanto o fenômeno do streaming levanta certas questões a respeito deste juízo a respeito da falta de atenção. Talvez sejam tipos de atenção diferentes. Talvez estas novas tecnologias atraiam a atenção para si e , egoístas que são , não dividem-na com o mundo real. Fica esta questão para os pesquisadores responderem.

Fontes:
https://www.cision.com/us/2019/08/5-basic-tips-on-how-to-podcast/
https://time.com/3858309/attention-spans-goldfish/
https://castos.com/see-your-podcast-rankings-in-itunes/
https://www.youtube.com/watch?v=-5yh2HcIlkU

High tech, low touch? Os desafios da pandemia para as marcas

A dicotomia tech vs. touch, muito associada ao marketing digital, pretende chamar a atenção para o facto de o uso intensivo de tecnologia levar potencialmente a uma redução das interações pessoais entre empresas e clientes, uma vez que estas passam a poder ser realizadas à distância.

Nunca como nos tempos atuais tal foi tão verdade. Devido à necessidade de manter o distanciamento social, o Marketing Low Touch, com base digital, irá ser cada vez mais decisivo. A comunicação online, o e-commerce, o big data, os assistentes virtuais, a automação e a inteligência artificial serão cada vez mais importantes nas estratégias de marketing, sobretudo em serviços.


No entanto, o high tech e o high touch podem não ser necessariamente realidades opostas. A atual geração de consumidores prefere marcas que conseguem combinar os dois. A tecnologia high tech pode ser utilizada para criar uma experiência high touch, onde uma eficaz gestão de dados permite tratar cada cliente pelo nome e proporcionar ofertas personalizadas - tal como acontece no comércio tradicional. Através da tecnologia, é possível manter o contacto mesmo com quem não está perto fisicamente, conhecer quem partilha os mesmos interesses e desenvolver negócios com alcance global.


Mas se na China, no Flyzoo, hotel da Alibaba, quase tudo é feito por robots e via alta tecnologia (como abordado nas aulas) e na Coreia do Sul restaurantes recorrem a robots para conter os contágios, no Japão o Hotel Henn-na, conhecido por ter robots a assegurar grande parte das tarefas, acabou por "despedir" metade destes, já que na verdade eram os (poucos) funcionários humanos que faziam grande parte do trabalho face à incapacidade dos robots de p.e. responderem a questões dos hóspedes. Por muitos que sejam os avanços e a adoção crescente, a tecnologia parece ainda não conseguir oferecer a flexibilidade, a empatia e o toque pessoal que um serviço high touch proporciona.

Assim, se a pandemia acentuou o low touch, para manter o envolvimento e impedir o afastamento dos consumidores, é exigido às marcas que sejam cada vez mais high touch e mostrem o seu lado emocional, mesmo que à distância. Uma dessas marcas é a Dove. Conhecida pela sua "Campaign for Real Beauty", baseada em conteúdos dedicados à promoção da auto-estima que se tornaram virais nas redes sociais, a marca exalta agora como "Courage is Beautiful", através da campanha "Take Care, Stay Safe" que mostra rostos de profissionais de saúde marcados por equipamentos de proteção. A campanha inclui ainda iniciativas associadas a donativos, #selfesteemathome e #washtocare.


Também a Nike, outra marca conhecida pela associação a causas sociais que também viralizam,  lançou a campanha "You Can't Stop Us" para ajudar os consumidores a manterem-se ativos durante a pandemia através da atividade física, partilhando dicas de workout, nutrição e sessões de exercício em live streaming. Ambas as iniciativas surgem bem alinhadas com os valores de ambas as marcas.


Cada vez mais, e principalmente nos atuais tempos high tech e de pandemia, os consumidores querem que as  marcas, para além de venderem produtos e serviços, defendam valores com significado, relevância e com os quais estes se identificam. O propósito personifica as marcas, pois, cada vez mais, se compra um produto, uma marca ou serviço, pelo que nos transmite e o que entrega de volta à sociedade e não só pelo que o compõe. Com o sucesso e ubiquidade atingidos pelas ferramentas digitais, são os consumidores que condicionam a forma como as marcas agem, quais os seus valores e causas a que se associam, fazendo com que estas não só se superem, mas também ajudem a criar um mundo melhor... e mais high touch!

quarta-feira, 13 de maio de 2020

O engagement dos influenciadores portugueses

A Brinfer, uma plataforma que analisa dados relativamente ao Instagram, lançou estes dias a lista dos influenciadores portugueses com mais engagement a nível nacional (dados analisados desde o dia 14 de janeiro de 2020 até ao dia 12 de fevereiro de 2020).

Para ter engagement, não basta ter muitos seguidores, é necessário haver interações entre esses seguidores e o dono da página, ou seja, para serem consideradas contas com elevado engagement é preciso haver um considerável número de gostos e de comentários. Atualmente, o Instagram é uma das redes socais mais utilizadas pelos famosos para interagirem com o seu público, para mostrarem o seu dia-a-dia, divulgarem o seu trabalho e as coisas de que mais gostam.

Ao longo desta lista podemos encontrar apresentadores/as, jogadores de futebol, atrizes/atores, youtubers, comediantes, bloguers, entre outros, sendo que os primeiros lugares são ocupados por pessoas como: Cristiano Ronaldo, Cristina Ferreira, Sara Sampaio e Rita Pereira.


Olhando para os números apresentados neste relatório, percebemos que não é à toa que cada vez mais as marcas recorrem a estes influencers de forma a publicitar os seus produtos e alcançar novos públicos. Podemos ver o caso da parceria entre o CR7 e a Nike, a Rita Pereira e a Prozis, a Cristina Ferreira e a L'Oréal, entre outros.


Podem consultar a referida lista aqui.

Anúncio da NOS gera onda de críticas

A NOS lançou recentemente um anúncio com o qual, via televisão ou internet, certamente já nos cruzamos. Se numa primeira fase, o anúncio gerou uma onda de críticas associadas ao rosto da fadista Mariza, nos últimos dias, os internautas, seguidores da marca nas redes sociais, têm vindo, na sua maioria, a demonstrar o seu desagrado quanto à frequência com que vêm sido confrontados com o anúncio.




Teresa Lencastre, num artigo de opinião do Jornal Público (2020), tece, tal como muitos outros, fortes críticas à postura da marca no âmbito deste anúncio:

"A narrativa é relativamente simples: faz uso de símbolos da identidade portuguesa para deixar uma mensagem de união nestes estranhos dias de pandemia. Imagens de lugares icónicos de Portugal vazios, como a Avenida dos Aliados ou a Ponte de Luís I, cruzam-se com as de famílias portuguesas em casa, ao som de um fado melancólico que canta a “saudade”. A marca apropria-se destes elementos patrióticos, explora a sincronia entre o seu próprio nome e o significado da palavra “nós” e fala, assim, em nome dos portugueses: “Todos juntos, seremos nós.”
A mensagem é míope, por presumir uma empatia que não existe. Chega a ser soberba, por achar que pode falar, num anúncio empresarial, em nome de quem não representa. Há uma falta de coincidência entre aquilo que a Nos é para muitos portugueses e aquilo que de mais profundo compõe o “nós” português colectivo. Ao falar por nós, no que de mais visceral nos identifica, a marca comete um erro. A Nos está longe de ser o mesmo que nós. Irrita porque, à semelhança de outras irritações, toca num ponto sensível, num momento de acrescida fragilidade social. Toca no que não lhe pertence.
Reforço também a convicção do poder das mensagens, dos símbolos e do potencial de empatia ou de aversão que a publicidade comporta. Continuo a achar que as marcas podem e devem falar connosco. Mas têm de ter muito, muito cuidado ao falar por nós
.”

Tendo em conta o que temos vindo a estudar nas aulas, qual a vossa opinião sobre esta abordagem da NOS?
Fonte:
https://www.publico.pt/2020/05/11/p3/cronica/erro-falar-1916042 (acedido a 13.05.2020)