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sábado, 22 de março de 2025

Um "ChatGPT" à Portuguesa, com certeza

Em novembro de 2024, durante o Web Summit, o Primeiro-Ministro Luís Montenegro anunciou aquele que viria a ser o primeiro Large Language Model (LLM) português, destacando-o como um passo importante na afirmação do país no campo da inovação tecnológica. 


Fonte: Aqui

Nos últimos anos, têm sido frequentes as iniciativas para desenvolver modelos de linguagem próprios em vários países, e Portugal não quis ficar para trás. Com um nome que presta homenagem à eterna Rainha do Fado, o AMÁLIA, Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial, promete ser uma ferramenta capaz de compreender e gerar texto em português de Portugal, distinguindo as suas variantes e reconhecendo elementos da cultura e da história do país. 

Um Investimento Estratégico 

O projeto representa um investimento de 5,5 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e tem previsto um período de desenvolvimento de 18 meses. A execução operacional está a cargo da Agência para a Modernização Administrativa (AMA) e da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), em articulação com centros de investigação, como o NOVA LINCS, o Instituto de Telecomunicações (IT), o INESC-ID, o INESC-TEC, o CISUC e o ALGORITMI, bem como investigadores da Universidade da Beira Interior e da Universidade de Évora (Aqui).


Entre os objetivos do AMÁLIA, destacam-se os seguintes:
  • Preservar a soberania nacional;
  • Distinguir as variantes da língua portuguesa;
  • Reconhecer elementos da cultura e história de Portugal;
  • Controlar os dados utilizados para a sua aprendizagem;
  • Assegurar condições de armazenamento e utilização de dados sensíveis, como a maioria dos dados da Administração Pública. 
Afinal, ninguém quer ver os segredos do Estado a circular por aí sem controlo, certo?

A Versão Beta Está a Chegar... Mas não é para todos!

Segundo comunicado do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, a versão beta do AMÁLIA será lançada até ao final deste mês. 

O compromisso inicial previa que todas as versões do AMÁLIA fossem disponibilizadas de forma gratuita e em open source, permitindo o seu uso por centros de investigação, entidades públicas, empresas e cidadãos (Aqui). No entanto, sabe-se agora que esta versão não estará acessível ao público em geral – pelo menos, por agora. Apenas os especialistas diretamente envolvidos no seu desenvolvimento terão acesso à plataforma (Aqui). 

Posto isto, resta agora aguardar pelas próximas fases do projeto e esperar que, em breve, todos os portugueses possam interagir com o primeiro grande modelo de linguagem feito à medida da nossa língua e cultura.

Enquanto isso, permanecemos atentos – e, quem sabe, talvez o AMÁLIA venha a saber tanto de Portugal como Amália Rodrigues sabia de fado. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Abertura da primeira Vila Nómada Digital na Europa, numa ilha em Portugal

O conceito de nomadismo digital é explicado por um estilo de vida e de trabalho que é nomádico (que não depende de um assento fixo ou local) e que depende do digital (internet e/ou rede móvel). No fundo, um nómada digital é alguém que usa a tecnologia para trabalhar, sendo que esse trabalho depende única e exclusivamente da internet para poder ser feito. 

Com a situação pandémica atual surgiu uma nova relação com o trabalho, geograficamente mais dispersa e com o aparecimento de novas sinergias. Desta forma, o fenómeno do nomadismo digital tem também ganho visibilidade. Assim, ao trabalhar de forma remota, as pessoas aproveitam para viajar e conhecer outros locais com bom tempo, boa gastronomia, atividades próximas da natureza e com sobretudo…boa Internet! 

Para alimentar este movimento, o nómada digital Gonçalo Hall avançou, em parceria com a Startup Madeira e com o Governo Regional da Madeira, com o projeto de uma Vila Nómada Digital na Ponta do Sol, município madeirense. Assim, a ilha da Madeira acolhe aquela que é a primeira Vila Nómada Digital em Portugal. Por períodos entre um e seis meses, esses empreendedores digitais vão fazer da ilha a sua casa, vivendo como locais. 

Este projeto teve início no mês de Fevereiro e, atualmente já existem 60 nómadas digitais instalados na Vila de Ponta do Sol. Em toda a ilha da Madeira, estão a viver cerca de 250, sobretudo estrangeiros, mas também alguns portugueses. Existem ainda 4200 pessoas inscritas com interesse em integrar este projeto. 

Sendo grande parte da receita da economia madeirense proveniente do turismo, no momento atual, é importante inovar na estratégia de atração de novos turistas. Pensando que os nómadas digitais consumem muito mais e por muito mais tempo (comparativamente aos turistas habituais), o projeto vai proporcionar “uma nova fonte de rendimentos para os negócios locais”. 

Neste contexto, o investimento público é da ordem dos 15 mil euros, mas o apoio ao projecto passa ainda pela cedência do Centro Cultural John dos Passos, onde os nómadas digitais podem trabalhar, com Internet gratuita. Para além da oferta de um espaço de trabalho, o projeto também assumiu parcerias com espaços de alojamento local a preços competitivos. Contudo, o mercado de alojamento na Ponta de Sol não é suficiente, o que tem feito que os nómadas se espalhem por toda a ilha, beneficiando todo o arquipélago. Os nómadas digitais contam também com uma equipa de suporte que auxilia em todos os processos (vistos, deslocação, alojamento, entre outros). 

Esta iniciativa encontra-se divulgada nas mais diversas plataformas online, com o intuito de aumentar a visibilidade e consequente interesse pela mesma, assumindo do Marketing Digital um papel fundamental neste projeto.

Deixo-vos com um vídeo que relata a experiência de alguns destes nómadas digitais:


E vocês, ficaram com vontade em experimentar o nomadismo digital?

Digital Nomads Madeira

Fonte 1; Fonte 2; Fonte 3

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Huawei bate recorde em ano de polémicas

Em Portugal, a marca chinesa é líder de mercado. No total, em 2018, a Huawei exportou mais de 200 milhões de smartphones. Contudo, foi considerada um perigo à segurança informática, bloqueada pelos Estados Unidos e está sob o olhar atento da Austrália, Nova Zelândia e Japão, que já anunciaram a retirada da corrida ao 5G. Mas o ano da marca chinesa ficou marcada por um recorde. Em 2018, a Huawei foi recordista de vendas e, em Portugal, é já líder do mercado de smartphones.

Este ano a marca exportou mais de 200 milhões de smartphones e é já considerada a fabricante que mais cresceu, com um aumento de mais de 30% face ao ano passado. A marca aponta como causas para o sucesso as séries P20 e Mate20. Ainda sem números concretos e com a certeza de que a Europa e a China são os mercados que mais contribuem para este crescimento, a Huawei está convicta de que os telemóveis P20 são os preferidos das mulheres, que completam metade das 16 milhões de vendas dos modelos até agora. Já no que diz respeito aos Mate 20, lançados no mercado há pouco mais de dois meses, foram vendidos 5 milhões de unidades.

Em 2010, a marca acabou o ano com apenas três milhões de unidades vendidas. Ou seja, o volume anual de vendas cresceu 66 vezes desde então. No total, segundo um relatório da IPSOS, uma das principais instituições de pesquisa e inteligência do mercado, mais de 500 milhões de pessoas, em 170 países diferentes, possuem telemóveis Huawei.

A chinesa deixa assim de estar à margem de grandes empresas e entra na corrida como uma das melhores do mercado. No segundo e terceiro trimestre do ano, a Huawei consegui ultrapassar a Apple, com 14,6% do mercado, e tornou-se na segunda maior fabricante de smartphones do mundo. Nesse mesmo período, viu as vendas crescerem um terço face ao ano passado.

Agora, pela frente, tem apenas a Samsung, detentora de 20,3% do mercado, mas pretende destronar a empresa coreana já no último trimestre do próximo ano. O aviso foi deixado por Ken Hu, presidente da marca, na mesma conferência em que desafiou os Estados Unidos a provar que a marca está envolvida com a China em manobras de espionagem e que esta representa, efetivamente, uma ameaça à segurança.
Richard Yu, CEO da Huawei, encara o futuro com otimismo: «Olhando para o futuro, o negócio de consumo da Huawei incidirá sobre o conceito ‘customer-centric’ e ousará continuar a inovar, esforçando-se para se tornar uma marca pioneira e líder na próxima revolução de smartphones, além de continuar a criar constantemente valor para os consumidores, permitindo que aproveitem melhor as suas vidas, tornando efetivamente a Huawei numa marca amada pelos consumidores de todo o mundo».

Este ano, durante a visita a Portugal do Presidente chinês, Xi Jinping, a Altice e a Huawei assinaram um acordo com vista ao desenvolvimento da tecnologia 5G, a despeito da preocupação da União Europeia com a segurança da marca. Segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), ao longo dos últimos 14 anos a empresa investiu cerca de 40 milhões de euros em Portugal, e conta até com escritórios em Lisboa e com um centro de inovação e experimentação.

Fonte: