segunda-feira, 13 de março de 2023

O Marketing Digital nas cerimónias de Prémios (Óscares 2023)

 Olá a todos,

Após qualquer gala de entrega de prémios do mundo artístico é habitual ouvirmos nos dias seguintes, tanto nas redes sociais como nos nossos grupos de amigos, as opiniões mais díspares sobre os resultados finais com, as mais diversas teorias de conspiração sobre os motivos que levaram um artista a ganhar o prémio ou sobre o porquê da Beyoncé não ter ganho o prémio de melhor álbum. 

Na ressaca da mais recente gala dos Óscares, decidi fazer uma reflexão sobre como é que a escolha dos vencedores é influenciada pelas campanhas de marketing dos grandes estúdios de entretenimento. 

Todos os anos, a cerimónia celebra o melhor no mundo do cinema, reconhecendo performances de artistas, realização, argumento e feitos técnicos. No entanto, ao longo dos anos, os Óscares e a maior parte das cerimónias, tornaram-se cada vez mais um campo de batalha para as campanhas de marketing digital dos estúdios de cinema, em vez de uma plataforma para homenagear a excelência artística. 

No início da era digital, os estúdios de cinema reconheceram a importância da comunicação online na geração de buzz em torno dos seus filmes. Com o surgimento das redes sociais, os estúdios puderam, e continuam a conseguir, alcançar uma audiência global com o clique de um botão, o que torna o caminho até à cerimónia dos Óscares o palco perfeito para mostrar a sua perícia e criatividade  em marketing digital. Em alguns casos o foco mudou de criar filmes de qualidade para criar hype em torno deles, com os estúdios a utilizar um forte investimento em campanhas online que chamam a atenção do público e consequentemente da Academia. 

Enquanto os Óscares são destinados a celebrar a excelência artística, a influência das campanhas de marketing digital podem ofuscar a perceção que os espectadores têm sobre o filme e consequentemente a qualidade dos mesmos. Os estúdios usam uma série de táticas para gerar engagement e difusão de conteúdo, incluindo influencer marketing, publicidade em redes sociais e até participações em segmentos populares de canais de Youtube. 



Estas estratégias podem distrair o público geral do próprio filme, com muitas pessoas a assistirem aos Óscares para ver se a inconsciente campanha de marketing a que foram sujeitos ganhará em vez de qual filme/ator/realizador ganhará.

No caso da edição dos Óscares de 2021, foi demonstrado o poder das campanhas de marketing digital. O vencedor de Melhor Filme, "Nomadland", foi promovido com muita força pela Searchlight Pictures, o estúdio por trás do filme. Utilizaram uma série de estratégias para criação de notoriedade à volta da longa metragem, incluindo influencer marketing, anúncios em redes sociais e uma extensa campanha de relações públicas, normalmente enquanto frequentavam outros festivais. Embora "Nomadland" seja sem sombra de dúvida um grande filme, a campanha de marketing digital ajudou o filme a destacar-se dos seus concorrentes e a garantir o prémio de Melhor Filme. 


Utilizando este ano e o meu caso pessoal como exemplo, posso dizer que não vi a maior parte dos filmes nomeados e os que vi provavelmente adormeci a meio. No entanto havia um actor que eu queria que ganhasse o prémio de Melhor Actor, o Brendan Fraser pela sua participação no “The Whale”.

Se vi o filme? Não. Então comecei a questionar-me porque é que queria que este ator levasse a estatueta para casa e reparei que durante vários meses fui bombardeado por conteúdo do submundo dos reels e tik toks, sempre com a mesma passagem do filme. De repente, já estava num loophole sem fim entrevistas e reportagens no youtube sobre como o próprio ator esteve afastado do cinema devido a escândalos e depressões e a criar uma ligação estranha não só com a personagem mas também com o actor. A sua prestação até podia ser má nos 99% de filme que não vi mas eu queria genuinamente que ganhasse (e ganhou). Maldito algoritmo. 


Ao que parece o aumento da influência das campanhas de marketing digital nos Oscares tem gerado preocupação por parte de pessoas dentro da indústria cinematográfica. Muitos argumentam que o foco nas campanhas de marketing tira o protagonismo dos filmes em si, e que os Óscares deveriam voltar a celebrar a excelência artística em vez da promoção online e da procura de likes e cliques e, embora as campanhas de marketing possam certamente ajudar a gerar buzz do público geral em torno de um filme, elas não devem ser o fator determinante no processo de decisão dos vencedores dos Óscares. 

Para concluir, os Óscares tornaram-se num fim de campo de batalha para as campanhas de marketing digital em vez de uma plataforma para celebrar a excelência artística. Embora essas campanhas possam certamente gerar notoriedade em torno de um filme, elas não devem ser o fator determinante no processo de decisão dos Óscares. O foco deve ser na qualidade dos próprios filmes, e a Academia bem como qualquer responsável de uma cerimónia de prémios deve ter a responsabilidade de honrar e reconhecer as performances, em todas as artes artísticas. As campanhas de marketing digital podem ser úteis para promover filmes, música, teatro e gerar interesse, mas não devem obscurecer o valor artístico dos filmes e a importância da criatividade e do talento dos artistas envolvidos na sua criação.

Fontes: 
https://cinematicslant.com/2020/11/30/nomadland-marketing-recap/ 
https://www.thedrum.com/news/2022/03/28/oscars-2022-what-we-can-learn-movie-marketing

Quiet Quitting e a Geração Z.

Olá a todos! 

Hoje trago aqui um tema polémico o qual se propagou única e exclusivamente devido à existência de redes sociais com conteúdo a circular e a ser criado 24/7. Para além disso, como temos falado sobre a geração Z, achei que seria interessante abordar o mesmo. 

Já falámos sobre as diferentes características desta geração, desde a sua ligação próxima aos valores como autenticidade, honestidade e sustentabilidade até à sua capacidade – ou não – de fazer multitasking. No entanto, é de ressalvar que esta geração dá muito valor ao chamado work-life balance. O gen Z não abdica de um café com os amigos ou uma saída à noite só porque o chefe precisa de alguma coisa urgente. Assim, nas redes sociais, esta nova geração aclama que ‘’trabalhamos para viver, não vivemos para trabalhar’’. Na onda deste mindset, surge o Quiet Quitting. 

Este fenómeno nasce na China e propaga-se no TikTok em forma de protesto à precariedade no trabalho. Este resume-se em nada mais nada menos do que : recusa em fazemos mais do que para o que eu sou pago. O TikTok desde que apareceu tornou-se numa ferramenta de propagação de tendências instantaneamente, e com esta moda não seria diferente. Assim, este tema chega aos 4 cantos do mundo e faz surgir notícias e reações de imensa gente e de imensas empresas. 

A meu ver, este fenómeno é expectável de uma geração como a  Z – na qual eu me integro, apesar de não me reconhecer neste fenómeno -. A clareza com que esta geração separa a vida pessoal e a profissional é efetivamente impulsionadora deste estilo de vida! Óbvio que isto não acontece apenas porque temos uma geração com uma postura muito forte e muito qualificada, aliás, em maior parte dos casos, parece-me que acontece com o objetivo de causar alguma consciência para temas como a saúde mental, depressões e burnout, os quais me parecem temas relevantes e essenciais num mundo como o nosso. 

No entanto, e não querendo de todo romantizar temas como o burnout, como é que uma geração que toma a postura de ‘’não mexo nem mais uma palha do que o que é suposto’’, pode defender também que todos podemos ser empreendedores, todos podemos ter sucesso e todos podemos ter a vida com que sonhamos? Parece-me quase como o sonho da american way of life da atualidade que nunca se concretiza. 

Apesar de defender que devemos equilibrar a nossa vida e que podemos ter muita coisa dos dois mundos, nem sempre podemos ter o melhor dos dois mundos, daí existirem prioridades, as quais se vão adaptando às nossas necessidades e ao nosso dia-a-dia. 

Sou totalmente contra o workaholism, porém olhando para a situação socioeconómica que vivemos, como é que os jovens – o grupo etário no mercado de trabalho com menos experiência – se pode dar ao luxo de pôr em prática o quiet quitting. Sou totalmente contra a exploração dos estagiários e dos recém-empregados – até porque me incluo neste grupo - , dos salário baixos e das precárias condições que muitas empresas praticam, mas não acham que em vez de nos ‘’demitirem silenciosamente’’, deveríamos lutar por mais direitos em vez de menos deveres? 

Sou totalmente apologista de que uma pessoa só trabalha bem se estiver feliz com a sua vida pessoal, no entanto, também só é feliz se estiver minimamente realizada na sua vida profissional. Por tal, parece-me que há uma reciprocidade entre os dois pólos. 

Para além de tudo isto, devemos medir o impacto que estas opiniões têm numa rede social.  Tal como foi referido em aula, esta geração é altamente influenciável por desconhecidos/influenciadores digitais, etc. e por tal, estas opiniões fortes/diferentes quando surgem numa rede social como o TikTok propagam-se rapidamente por todos os seus utilizadores, acabando por os influenciar. Se por um lado, o TikTok poderá ser uma ferramenta fortíssima para as empresas crescerem e darem a conhecer a sua marca, poderá também ser uma ferramenta de propagação de ideias, as quais devem ser escrutinadas e esmiuçadas. 

Qual é a vossa opinião sobre este assunto tão polémico e como é que enquadram esta teoria nesta geração? Para além disso, qual é o papel do TikTok no meio disto? E acima de tudo, que tipo de estratégias de Marketing Digital é que as empresas podem usar para impedirem que esta tendência se propague pelos seus trabalhadores? 

Fontes: 

https://observador.pt/opiniao/a-demissao-silenciosa-quiet-quitting-vai-acabar-mal/ 

https://www.publico.pt/2022/09/24/sociedade/noticia/quiet-quitting-nao-apenas-moda-redes-sociais-reaccao-precariedade-2021627

sexta-feira, 10 de março de 2023

Email Marketing: Uma ferramenta repleta de potencialidades

Num mundo cada vez mais dominado pelo digital, e onde as marcas e empresas recorrem às mais variadas ferramentas e abordagens para se diferenciarem da concorrência. É fulcral que a sua estratégia de marketing digital vá de acordo com os interesses do seu público-alvo(s), revelando-se a necessidade inerente de criação de conteúdo apelativo e dinâmico. Algo que vai muito para além da atuação nas redes sociais.

O email marketing é um dos meios mais eficazes para envolver e fidelizar os consumidores a uma marca, empresa ou negócio. De um modo simples, o email marketing consiste em criar emails e newsletters com o objetivo de promover algo ou apresentar novos produtos e serviços. A partir desta ferramenta, constroem-se relações duradouras, fruto do envolvimento personalizado, para além de aumentar a notoriedade e o conhecimento pela marca.

Uma aposta no email marketing traz um conjunto abrangente de vantagens:

  • Criação de conteúdo personalizado - Desde algo simples, como incluir o nome do destinatário no corpo do email, até à inserção de diferentes imagens, textos ou temas, de acordo com o público-alvo que se pretende atingir. Neste caso, pode-se recorrer ao envio de diferentes emails para várias listas de contactos, tendo por base a segmentação realizada anteriormente;
  • Crescimento das vendas - Ao apresentar novos produtos e serviços nas campanhas de email marketing, está-se a encorajar os clientes à sua aquisição, a par de se poder oferecer promoções e preços especiais;
  • Gerar tráfego para o website e geração de leads - Adotar call-to-actions (CTA´s), nomeadamente links (no formato de um botão, por exemplo) ao longo do email, que remetam para o website é uma das formas mais eficazes para enviar utilizadores para o website. A utilização de CTA´s eficazes contribui igualmente para a geração de leads. Deve-se ter em atenção que a lista de subscritores deverá se tratar de potenciais clientes;
  • Produção de campanhas rentáveis - Enquanto que as campanhas tradicionais, como a impressa, podem ser dispendiosas, as campanhas de email marketing tendem a ser mais rentáveis. Por exemplo, não haverá despesas ao nível de correio e não se terá de pagar por meios de distribuição física;
  • Medição do desempenho - Ao se ter acesso a várias métricas (KPI´s) - taxa de abertura, taxa de rejeição, taxa de unsubscribe e taxa de conversão - percebe-se quais são os tipos de campanha que obtém melhores resultados;
  • Recolha de feedbacks - O envio de formulários de satisfação permite obter o feedback dos clientes, e os aspetos que podem ser melhorados. Mantém-se assim uma atenção constante na experiência do cliente, a fim de garantir que este mantém a interação e o envolvimento com a marca.

Contudo, é pertinente mencionar alguns aspetos que se deve ter em atenção:
  • Spam - Em alguns casos, os emails podem cair em pastas de spam, sendo ignorados totalmente pelos destinatários. Pode-se ainda receber queixas dos mesmos, caso o conteúdo do email não seja relevante;
  • Tempo de elaboração - Criar emails de sucesso leva o seu tempo, dado que exige constantemente novos conteúdos, modelos de email, e monitorização constante das campanhas;
  • Limitações de espaço - Emails de longa dimensão demoram tempo a carregar. No tempo que leva para o email carregar, o potencial cliente pode ter perdido o interesse e ter passado para outras coisas;
  • Design - O email é acessível através e vários dispositivos. Deve-se encontrar um design que funcione para todas as plataformas. O design deve ser agradável em diferentes dispositivos, de modo a não se perderem subscritores. Emails confusos, desorganizados, pouco profissionais e com erros, tornam-se frustrantes para os destinatários, uma vez que estes esperam conteúdo de elevada qualidade;
  • Elevada competitividade - Sabendo-se que o email marketing é uma ferramenta rentável e que traz um grande retorno ao nível do investimento, muitas empresas acabam por incorporá-lo na sua estratégia de marketing digital. Assim sendo, tornam-se crucial encontrar aspetos que se diferenciem da concorrência, nunca deixando de responder às necessidades da audiência.
Por fim, pode-se concluir que o email marketing é um forte aliado para as empresas dinamizarem e alavancares as suas estratégias de marketing digital. No entanto, devem dedicar recursos e tempo para criarem valor para a sua audiência, evitando cair em pastas de spam e, acima de tudo, no esquecimento.

E tu, conheces outras vantagens ou desvantagens do email marketing? Quais são as tuas plataformas favoritas? Recomendo o Mailchimp, dada a facilidade e liberdade na criação de conteúdos, e toda a sua utilização ser bastante intuitiva.


Fontes utilizadas:

quarta-feira, 8 de março de 2023

Vantagens e Desvantagens do Comércio Eletrónico para os Empresários

Como forma de iniciar a minha participação no Blog considero essencial relembrar alguns conceitos essenciais acerca do comercio eletrónico: conceitos, vantagens e desvantagens. 

O termo comércio eletrónico ou e-commerce aplica-se às atividades comerciais como a compra e venda de produtos e serviços, levadas a cabo através de sistemas eletrónicos como a internet e redes de computadores. Assim, todas as transações comerciais são realizadas por meio de ferramentas online. 

Este é atualmente um dos mais importantes fenómenos da Internet que tem verificado uma rápida expansão à medida que o mundo muda cada vez mais para uma cultura digital e que prevê continuar a expandir-se fortemente. Segundo relatórios recentes do Statista mostram esta tendência de crescimento ascendente e revelam que as vendas globais de comércio eletrónico chegarão a US 6,3 triliões em 2023. 

Muitas pessoas consideram as vendas online como uma possibilidade para ganhar dinheiro extra e para conquistar a tão sonhada liberdade financeira. Sem dúvidas que esta modalidade de vendas é uma excelente maneira de alcançar esse plano, mas, para que tal seja possível, é necessário se ter em conta as suas vantagens e desvantagens uma vez que, esta nova tendência afeta de uma forma direta o comportamento de compra. 

A maior e mais importante vantagem que o e-commerce oferece é a possibilidade de chegar ao mercado global, satisfazendo a procura nacional e internacional deixando de existir limites geográficos. Com a ajuda do e-commerce, qualquer empresa ou individuo pode vender ou comprar produtos e serviços sem terem de se deslocar. 

Para além disso, no comercio eletrónico as restrições de tempo são inexistentes durante a condução dos negócios permitindo realizar transações comerciais 24 horas por dia, bem como durante os feriados e fins de semana, aumentando de uma forma significativa o volume de vendas e os resultados. 

Para aqueles que pretendem vender os seus produtos e serviços através desta modalidade beneficiam de uma redução significativa de custos associados ao marketing, atendimento ao cliente, processamento, armazenamento e controlo de stock e, para além disso, diminui os custos em infraestruturas necessárias para o negócio, como a configuração de lojas físicas, aumentando assim as suas margens de lucros.

No entanto, embora existam muitas vantagens para os empresários em criar um negócio e-commerce, é igualmente importante deixar claro que existem algumas questões neste ramo de atividade que também devem ser consideradas, como por exemplo, a insegurança sentida por parte do consumidor. O consumidor online caracteriza-se por ter menos aversão ao risco do que o consumidor das lojas físicas (Allred, Smith e Swinyard, 2006), na medida em que a realização das compras pela Internet está sempre associada ao risco, desde o acesso indevido a dados do cartão de crédito, às políticas de devolução, ou ao risco da encomenda não ser entregue ou ao risco de o próprio produto/serviço não corresponder às expetativas. (Dubelaar, Jevons e Parker, 2003) Assim, torna-se fundamental para um empreendedor convencer o cliente da qualidade dos seus produtos e transmitir confiança da sua prestação. 

A forte dependência das tecnologias para a realização da venda ou compra do serviço também corresponde a uma desvantagem para ambos os interlocutores pois os vários problemas associados à internet, como por exemplo, a fraca conexão com a mesma, poderão tornar esta experiência negativa. 

Então, após apresentar alguns dos convenientes e inconvenientes de e-commerce, consideram vantajoso para os empreendedores recorrerem a esta tendência? 

Na minha opinião, o comercio eletrónico é uma excelente forma de potenciar o negócio atuando em diversos nichos e possibilitando o empreendedor de obter melhores resultados. Contudo, como em qualquer negócio existem riscos associados e, desta forma, é muito importante que antes de se iniciar o projeto de e-commerce se faça um balanço dos custos/benefícios e que se realize um estudo muito criterioso. 

Que mais vantagens e desvantagens consideram ser importantes refletir num início de vendas online? E para o consumidor como nós, quais acham que são as maiores desvantagens no universo high tech? Já tiveram alguma experiência desagradável? 

Fontes usadas:

https://pwm.pt/o-que-e-e-commerce/ 

https://dlojavirtual.com/e-commerce/comercio-eletronico-vantagens-e-desvantagens/ 

https://ecommercenews.pt/as-vantagens-e-desvantagens-do-e-commerce/

sábado, 4 de março de 2023

Nova normalidade no Pós Pandemia e as Tendências para 2023 no Comércio Eletrónico.

Como forma de iniciar a minha participação no blog e celebrar o início do ano de 2023, acho interessante começar por analisar os impactos que existiram no comércio eletrónico causados pela pandemia. Parece uma realidade distante, mas prolongou-se por mais de 2 anos e marcou a sociedade de forma inesperada.
Por tal, parece-me ser revelante ver o que mudou no nosso país e na sociedade no geral bem como, analisar as tendências para 2023. 

O comércio eletrónio era já antes da pandemia a grande tendência e o bote salva-vidas de uma grande parte dos negócios. Os portugueses já recorriam ao online para comprarem e com um simples telemóvel faziam intermináveis pesquisas sobre qual o melhor produto e melhor relação preço-qualidade para que fizessem a melhor escolha possível e por tal, era já notória a importância desta nova tendência e o impacto que teria a médio-longo prazo. 

Com a chegada da pandemia, o encerramento de centros comerciais e a “obrigação” de reduzir as interações sociais, o comércio eletrónico deu o seu maior pulo como forma de satisfazer as necessidades dos consumidores fechados em casa e dos comerciantes desesperados com os fracos resultados e a incerteza de data para a volta à normalidade. 

Assim, as empresas – grandes, médias e pequenas – a nível mundial viram-se forçadas a adaptarem-se à situação e assim foi, no entanto, é interessante constatar que segundo artigo do Sapo, “cerca de 20% a 30% da transformação digital impulsionada pelos desafios colocados pela pandemia, tenham vindo para ficar” e por tal, efetivamente existe um "novo normal’’ e não um regresso à normalidade. 

Esta tendência também se verificou em Portugal, já que segundo a SIBS em comunicado à Sapo,  “o comércio digital representa agora, aproximadamente, 15% do total de compras pagas com meios eletrónicos. Antes da pandemia representava 9%. Destaque para o MB Way, tanto nos pagamentos com número de telemóvel, como na criação de cartões virtuais MB NET, que nos últimos meses cresceu duas a quatro vezes mais do que crescia antes da Covid-19.” 

No que toca ao comércio eletrónico propriamente dito, segundo a Marktest, "mais de 56% dos portugueses já fazem compras online e que quase um terço (30%) faz compras na internet entre duas a três vezes por mês e uma vez por mês. Os mesmos dados revelavam ainda que 14,2% dos que fazem compras online já as fazem semanalmente." 

No entanto, há quem defenda que as lojas físicas continuam a ser o espaço de eleição dos clientes pela possibilidade de contacto e de interação com outro ser humano, o qual é capaz de aconselhar e apoiar decisões de compra, tal como referido em entrevista pelo diretor comercial da Worten. 

Porém, o fenómeno Glovo e Uber Eats, o qual praticamente não envolve interação humana, veio para ficar e segundo a empresa Glovo “nestes últimos dois anos vimos os hábitos dos portugueses alterarem por completo. Se já estávamos numa rota de crescimento desde que entrámos em Portugal, há pouco mais de 4 anos, e a converter de forma estável os hábitos de consumo, nos últimos dois anos vimos o consumo dos portugueses aumentar de forma mais acentuada”. No entanto, não é na entrega de comida onde a Glovo mais cresce, é na entrega de "quase tudo menos comida’’, levando a que empresas como a Uber Eats comecem a pensar em seguir o mesmo caminho. 

Então, a meu ver, será que o consumidor dá assim tanto valor à interação humana, já que, mesmo num período pós-pandemia continuamos a verificar que a alimentação não é o bem mais encomendado pela internet, mas sim, eletrodomésticos, telemóveis e decoração? Ou será que o português se acomodou ao novo normal? 

Olhando agora para o futuro, sabendo o impacto que o passado teve, devemos analisar as tendências para este novo ano. 

Do meu ponto de vista, a aposta em comércio eletrónico e em estratégias omnicanal já não são uma opção mas sim uma necessidade, no entanto, a integração das redes sociais e do chamado “social commerce”, será a nova plataforma a adicionar à estratégia de omnicanal, já que é uma das tendências mais aclamadas até porque segundo o Statista, cerca de 724 mil milhões de dólares foram gerados em social commerce em 2022 e a estimativa é que esta tendência cresça mais de 30% até 2030. 

Ainda, a aposta em live commerce é uma moda que nasceu com a pandemia e que se tem vindo a intensificar, sendo já fonte de receita para diversas empresas, aliás segundo a Marketshow, os carrinhos de compras podem chegar até valores superiores em mais de 20% ao valor captado pelas plataformas de e-commerce tradicionais. 

Além disso, a relação do comércio eletrónico com a realidade aumentada e o metaverso provavelmente serão a aposta do futuro para diversas marcas como já é o caso da Nike. 

Por fim, mas não menos importante, a relação com a sustentabilidade é também essencial e cada vez mais valorizada pelos consumidores, por isso, a aposta em produtos ecológicos, redução de plástico, etc. deverá – sendo que por algumas empresas já é -  ser o próximo passo para atingir um novo público alvo e expandir as vendas. 

Que mais tendências acham que podem existir? E com quais se relacionam mais? 

Fontes usadas: 

https://tek.sapo.pt/noticias/negocios/artigos/pandemia-mudou-o-comercio-eletronico-em-portugal-o-que-ficou-depois-da-tempestade 

https://smartlinks.pt/5-tendencias-do-e-commerce-para-2023/ 

https://phcsoftware.com/business-at-speed/marketing-digital-em-2023-tendencias-e-oportunidades/ 

https://pt.linkedin.com/pulse/tend%C3%AAncias-para-e-commerce-em-2023-octavio-hozawa?trk=pulse-article