Atualmente, a internet
e em especial as redes sociais trouxeram uma vasta fonte de influência para os
nossos comportamentos. Especialmente no que consumimos, e também no que compramos.
Várias marcas reinventaram a
sua essência e adaptaram-se à moda atual. Desde a Gucci com malas e vestuário
no metaverso, a diferentes colaborações entre casas de luxo distintas, como a Fendi
e Versace, que criou uma edição limitada de produtos com base na “Fendace”, todas
estas decisões das marcas refletem cada vez mais a necessidade de cativarem os
consumidores pela imagem dos seus produtos e não apenas pela sua qualidade.
No outro lado da moeda,
temos a Hermès. Esta marca nasceu em França e é considerada por vários especialistas
como a marca de luxo mais valiosa do mundo. A Hermès foca-se atualmente na
comercialização de produtos de pele, acessórios, mobiliário, fragrâncias,
jóias, ready-to-wear e material de hipismo. Este último é curiosamente a
essência core da marca, e que alimenta todo o propósito dos produtos, e
também a forma como estes produtos da marca são apresentados.
E
porque é que esta marca se destaca no mercado atualmente? Em 1984 foi criada a “Birkin”,
uma mala desenhada por Jean-Louis Dumas, CEO da empresa, e Jane Birkin, atriz e
cantora, durante um voo entre Paris e Londres. Todo o simbolismo e presença
desta marca chega aos dias de hoje por diferentes variantes da mala, e de
outras da família, como a mala “Kelly” ou os lenços “Twilly”. Estas malas são consideradas
as “quota bags” da marca, e apenas os clientes com alto perfil na loja têm
a chance de lhe ser oferecida uma em mãos, nas lojas. A procura destes produtos é bastante elevada pelo seu nicho, devido ao status que ter uma destas malas indica à sociedade, e ainda o valor que elas detêm ao longo do tempo (de onde sobressai a ideia de investimento).
O seu mercado online da
empresa baseia-se somente em pequenos produtos de pele, ou então o vestuário com
distribuição genérica ao público. Esta consideração demonstra claramente a cultura
“click and mortar”, onde o retalho da marca é realizado tanto no domínio
online como presencial, com destaque principal para o último domínio.
Num mundo onde a reputação
da marca é algo que ainda é muito associado à sua imagem e à forma como
publicita os seus produtos, a Hermès diz-se distinta das restantes casas de moda
de luxo através da “política do produto”. Esta política foca-se apenas na
qualidade dos produtos e na aposta em produção artesanal.
Todo este buzz à volta de um estilo de
carteira elevou a procura pelos produtos da marca, e no mercado em segunda mão,
os preços destas malas triplicam em relação ao seu preço real, onde algumas
malas raras chegam a quase 500 000 euros em leilões. São milhares os
vídeos publicados nas redes sociais sobre estas malas, desde os típicos unboxings, às
dicas de como tentar angariar uma destas malas dentro da loja, o que cultivou ainda mais a cultura da revenda e do mercado em segunda mão para os produtos desta marca.
A situação apresentada
da marca deixa as suas dúvidas sobre o atual sucesso dos seus produtos: se por
um lado a história e a qualidade são pontos bases intrínsecos na intenção de compra
do cliente, todo o protagonismo que a imagem destes produtos representa na sociedade
estará apenas relacionado com a sua qualidade? A cultura de tendências poderá
estar a afetar positivamente a procura pela marca.
Com isto, acham que
ainda deve de ser pertinente para a Hermès continuar a pronunciar-se apenas
sobre a qualidade dos produtos e manter o seu perfil discreto, ou deve de aproveitar o embalo atual e expandir
a divulgação de outros produtos?
Fontes:
https://martinroll.com/resources/articles/strategy/hermes-the-strategy-behind-the-global-luxury-success/
https://missionmag.org/hermes-expands-amid-quiet-luxury-boom/
https://marketeer.sapo.pt/conheca-as-tendencias-do-marketing-de-luxo-em-2023/