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terça-feira, 20 de maio de 2025

O Lado Sombrio da Exposição Digital: O Caso da Inês Aires Pereira


Na semana passada, Inês Aires Pereira foi convidada do podcast Geração 80, conduzido por Francisco Pedro Balsemão. Ao longo da conversa, os ouvintes puderam conhecer melhor o percurso da atriz e influencer, assim como os desafios profundos associados à vida no espaço digital.

Inês partilhou a sua trajetória, desde a infância até à fase atual da sua carreira. De forma aberta, confessou estar a atravessar um momento delicado no que diz respeito à sua saúde mental. Apesar de se encontrar sob acompanhamento psicológico, e contar com apoio em várias esferas da sua vida pessoal e profissional, admitiu que a sua saúde mental nunca esteve tão fragilizada. A razão? Uma combinação de fatores, sendo o mais impactante a exposição constante nas redes sociais, sobretudo durante o período da sua separação.

Durante anos, Inês optou por partilhar grande parte da sua vida nas plataformas digitais, “abrindo” as portas da sua casa ao público. Contudo, no momento em que procurou resguardar-se, já era tarde: a exposição já tinha ultrapassado os limites do controlo pessoal. A dor emocional causada pela separação foi amplificada pela atenção pública, tornando a experiência ainda mais difícil de gerir.

Atualmente, Inês reconhece o impacto do digital na sua vida: continua a consumir grande parte do seu tempo e continua a expô-la a julgamentos constantes. No entanto, como atualmente protege-se mais — partilha menos a vida pessoal, faz menos piadas — admite que já não vive a experiência digital da mesma forma.

O caso de Inês Aires Pereira é apenas um entre muitos que refletem a complexidade de ser uma figura pública no mundo digital. A carreira de influencer exige uma dedicação intensa e uma exposição permanente, que se torna difícil de equilibrar. Estamos ainda numa fase inicial de compreensão das implicações destas novas profissões, mas é já evidente que a saúde mental é um dos aspetos mais críticos — se não o mais afetado — neste contexto.

Para quem atua neste meio, é fundamental desenvolver a capacidade de discernir entre críticas construtivas e ataques gratuitos. Nem todos os comentários merecem atenção, e saber filtrar aquilo que contribui positivamente para o crescimento pessoal e profissional é essencial. Limitar a leitura de comentários e focar-se em interações significativas pode ser uma estratégia saudável. Estabelecer limites: saber quando dizer “não”, fazer pausas, principalmente no ambiente digital, onde tudo pode acontecer e a qualquer hora.

É igualmente importante reconhecer que a relação com os seguidores é volátil e marcada por sentimentos instáveis. Por isso, é necessário interpretar o comportamento online como um reflexo parcial da realidade, evitando que ele distorça a percepção do mundo físico e das relações humanas autênticas.

Hoje em dia, a saúde mental tornou-se uma prioridade transversal a todas as áreas profissionais. No entanto, esta é ainda uma realidade recente. Tudo indica que será alvo de crescente atenção e investimento, pois é precisamente nesta dimensão que muitos sinais de desgaste e colapso têm vindo a surgir.


Fontes:

https://expresso.pt/podcasts/geracao-80/2025-05-15-as-pessoas-tem-medo-do-ridiculo-porque-se-levam-muito-a-serio.-se-olhassemos-mais-para-o-mundo-com-amor-acabava-se-com-tanta-porcaria-0bf7fd1a

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/a-saude-mental-dos-influenciadores-digitais-desafios-e-cuidados,9bcbb1474570fa7f11ea258e05f64fc5475aohd3.html?utm_source=clipboard

https://institutocactus.org.br/saude-mental-de-famosos/

segunda-feira, 27 de maio de 2024

EQUILÍBRIO....UM DESAFIO!👏

A campanha "Disconnect to Connect" da DTAC, empresa de telecomunicações da Tailândia, incentiva as pessoas a desconectarem-se dos dispositivos digitais para se reconectarem com os entes queridos. Desta forma utiliza situações emocionais e do quotidiano para destacar como a tecnologia pode interferir nas interações humanas. O vídeo promove a importância do equilíbrio entre a vida digital e as relações pessoais, apelando ao valor da presença e ligação humanas. A DTAC destacou-se assim como uma empresa consciente da saúde digital.

     

A campanha utiliza o storytelling e é eficaz ao usar cenas simples e relacionáveis para ressaltar a necessidade de equilíbrio entre o uso da tecnologia e a vida real. É uma excelente estratégia de marketing emocional que sensibiliza o público promovendo a reflexão sobre os hábitos tecnológicos.

O uso excessivo da tecnologia transformou as comunicações familiares e pode afetar o desenvolvimento cognitivo, social e afetivo dos adolescentes, especialmente adolescentes de 11 a 17 anos Embora as tecnologias ofereçam benefícios, também trazem problemas como isolamento social, narcisismo, depressão e ansiedade. Silva & Silva (2017) sugerem que psicopedagogos desenvolvam estratégias para equilibrar o uso das tecnologias, promovendo um desenvolvimento saudável através de atividades lúdicas e desportivas, e fortalecendo os laços afetivos e o diálogo.

Em 2022, a Vodafone Portugal lançou uma campanha "Partilha o que estás a sentir" em que utilizou um vídeo para sensibilizar a sociedade que a tecnologia facilita a partilha de sentimentos e momentos especiais e neste caso até evitar uma situação fatal. Esta campanha criou um vínculo emocional forte, posicionando a Vodafone como uma facilitadora de conexões significativas.



Ambos os vídeos usam estratégias de marketing emocionais para destacar a importância das ligações humanas, mas a Vodafone centra-se na facilitação dessas conexões através da tecnologia, enquanto a DTAC enfatiza a necessidade de equilibrar o uso da tecnologia para preservar essas conexões.

E vocês o que pensam? Será a tecnologia um excelente meio de nos mantermos unidos? ou por outro lado pode ser a maior causa da nossa solidão? 

EQUILÍBRIO....UM DESAFIO!👏

Fontes:
ECO (2022). Vodafone elege saúde mental como tema da campanha de Natal. ECO. https://eco.sapo.pt/2022/12/06/vodafone-elege-saude-mental-como-tema-da-campanha-de-natal/
Lopes, A. P., Laranjeiras, A. L. C., Neves, R. W. S., & Alencar, V. V. (2021). O USO EXCESSIVO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS E SEUS IMPACTOS NAS RELAÇÕES PSICOSSOCIAIS EM DIFERENTES FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO. Caderno de Graduação - Ciências Biológicas E Da Saúde - UNIT - ALAGOAS, 6(3), 166–166. https://periodicos.set.edu.br/fitsbiosaude/article/view/8964
Silva, T. & Silva, L. (2017). Os impactos sociais, cognitivos e afetivos sobre a geração de adolescentes conectados às tecnologias digitais. Revista Psicopedagogia, 34(103), 87–97. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862017000100009