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segunda-feira, 30 de março de 2026

Quando o choque também educa: a campanha que fez da Nova Zelândia “O Melhor Lugar do Mundo para ter Herpes”

À primeira vista, parece uma campanha absurda. E talvez seja precisamente por isso que resulta tão bem.

Em 2024, a New Zealand Herpes Foundation lançou a campanha “Make New Zealand the Best Place in the World to Have Herpes”, com um objetivo claro: combater o estigma associado ao herpes. Em vez de seguir um tom clínico, sério ou moralista, a campanha escolheu o caminho oposto, recorrendo ao humor, à provocação e a uma estética quase turística para chamar a atenção para um tema que continua rodeado de vergonha e desinformação.

O mais interessante neste caso é que a campanha não se limitou a informar. Tentou mudar perceções! Ao apresentar a ideia de que a Nova Zelândia podia tornar-se o “melhor lugar do mundo para ter herpes”, a marca pegou num tema tabu e transformou-o numa mensagem altamente partilhável. Isto é particularmente relevante em Web Marketing, porque mostra que, no digital, muitas vezes a atenção não se conquista apenas com informação útil, conquista-se com uma ideia inesperada, capaz de parar o scroll e gerar conversa.

Do ponto de vista estratégico, esta campanha é forte por várias razões. Primeiro, porque usa humor para abordar um tema sensível sem banalizá-lo. Segundo, porque cria uma narrativa muito própria, com celebridades locais, vídeos educativos e até um ranking internacional de estigma. E terceiro, porque transforma uma causa de saúde pública num conteúdo com verdadeiro potencial viral. Em vez de falar apenas a quem já está sensibilizado para o tema, a campanha conseguiu se inserir na cultura digital e alcançar muito mais pessoas.

Este caso também mostra que o marketing digital não tem de servir apenas a marcas comerciais. Pode ser uma ferramenta poderosa para a mudança social, desde que haja uma boa leitura do público, coragem criativa e execução coerente. O reconhecimento internacional da campanha, incluindo o prémio máximo Cannes Lions Grand Prix for Good em 2025, reforça precisamente isso: quando a criatividade é usada de forma estratégica, até mesmo um tema desconfortável pode ser transformado em impacto positivo.


No fundo, esta campanha prova que, no ambiente digital, o choque nem sempre afasta. Quando bem pensado, pode ser o ponto de partida para gerar atenção, educar o público e mudar mentalidades.

Na vossa opinião, campanhas com humor e choque são uma forma eficaz de abordar temas tabu ou correm o risco de desvalorizar assuntos sensíveis?

segunda-feira, 27 de maio de 2024

EQUILÍBRIO....UM DESAFIO!👏

A campanha "Disconnect to Connect" da DTAC, empresa de telecomunicações da Tailândia, incentiva as pessoas a desconectarem-se dos dispositivos digitais para se reconectarem com os entes queridos. Desta forma utiliza situações emocionais e do quotidiano para destacar como a tecnologia pode interferir nas interações humanas. O vídeo promove a importância do equilíbrio entre a vida digital e as relações pessoais, apelando ao valor da presença e ligação humanas. A DTAC destacou-se assim como uma empresa consciente da saúde digital.

     

A campanha utiliza o storytelling e é eficaz ao usar cenas simples e relacionáveis para ressaltar a necessidade de equilíbrio entre o uso da tecnologia e a vida real. É uma excelente estratégia de marketing emocional que sensibiliza o público promovendo a reflexão sobre os hábitos tecnológicos.

O uso excessivo da tecnologia transformou as comunicações familiares e pode afetar o desenvolvimento cognitivo, social e afetivo dos adolescentes, especialmente adolescentes de 11 a 17 anos Embora as tecnologias ofereçam benefícios, também trazem problemas como isolamento social, narcisismo, depressão e ansiedade. Silva & Silva (2017) sugerem que psicopedagogos desenvolvam estratégias para equilibrar o uso das tecnologias, promovendo um desenvolvimento saudável através de atividades lúdicas e desportivas, e fortalecendo os laços afetivos e o diálogo.

Em 2022, a Vodafone Portugal lançou uma campanha "Partilha o que estás a sentir" em que utilizou um vídeo para sensibilizar a sociedade que a tecnologia facilita a partilha de sentimentos e momentos especiais e neste caso até evitar uma situação fatal. Esta campanha criou um vínculo emocional forte, posicionando a Vodafone como uma facilitadora de conexões significativas.



Ambos os vídeos usam estratégias de marketing emocionais para destacar a importância das ligações humanas, mas a Vodafone centra-se na facilitação dessas conexões através da tecnologia, enquanto a DTAC enfatiza a necessidade de equilibrar o uso da tecnologia para preservar essas conexões.

E vocês o que pensam? Será a tecnologia um excelente meio de nos mantermos unidos? ou por outro lado pode ser a maior causa da nossa solidão? 

EQUILÍBRIO....UM DESAFIO!👏

Fontes:
ECO (2022). Vodafone elege saúde mental como tema da campanha de Natal. ECO. https://eco.sapo.pt/2022/12/06/vodafone-elege-saude-mental-como-tema-da-campanha-de-natal/
Lopes, A. P., Laranjeiras, A. L. C., Neves, R. W. S., & Alencar, V. V. (2021). O USO EXCESSIVO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS E SEUS IMPACTOS NAS RELAÇÕES PSICOSSOCIAIS EM DIFERENTES FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO. Caderno de Graduação - Ciências Biológicas E Da Saúde - UNIT - ALAGOAS, 6(3), 166–166. https://periodicos.set.edu.br/fitsbiosaude/article/view/8964
Silva, T. & Silva, L. (2017). Os impactos sociais, cognitivos e afetivos sobre a geração de adolescentes conectados às tecnologias digitais. Revista Psicopedagogia, 34(103), 87–97. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862017000100009