domingo, 21 de fevereiro de 2021

Twitter adquire plataforma de Newsletter


Recentemente o Twitter anunciou a compra de uma plataforma de Newsletter, a Revue. A empresa holandesa foi fundada em 2015 e é direcionada para o envio de boletins informativos para escritores e editores. No site da plataforma a chamada de entrada evidencia o engajamento estreito com os utilizadores "Build a loyal audience: Revue makes it easy for writers and publishers to send editorial newsletters — and get paid". Neste momento, a Revue continuará a trabalhar de forma independente.

A aquisição parece fundamentar-se na estratégia de mercado para permitir a monetização para produtores de conteúdo, mas evidentemente mais especulações dos motivos começam a ser feitas no mercado. Certamente um dos pontos importantes para essa aquisição foi o baixo crescimento de utilizadores no Twitter em 2020 e uma possibilidade de ampliação das funcionalidades do Twitter.

Um ponto que deve ser destacado sobre essa aquisição é como o mercado digital tem cada vez mais se voltado para os produtores de conteúdo e o quanto isso tem instigado e motivado a população. Cada vez mais existem plataformas diferentes para os diversos tipos de produtores de conteúdo, seja vídeo, texto, imagem ou áudio. Quase todos os meses visualizamos atualizações de ferramentas com mais funcionalidades para incentivar a produção de conteúdo, não havendo dúvidas que esse mercado vem sendo muito rentável para as plataformas.

Por outro lado é sempre importante fazer uma reflexão pessoal sobre nossa capacidade de absorção e de disponibilização de tempo para cada nova tendência. Temos tempo para assimilarmos tanto conteúdo e tantas novas plataformas? Assim, acredito que esse movimento do Twitter poderia mostrar ou encaminhar para o entendimento de que não seremos capazes de adotar todas as plataformas e assimilar tanto conteúdo e começaremos a ser mais seletivos nas redes e canais que realmente queremos estar presentes.

Fonte 1
Fonte 2

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Roupas usadas ganham destaque no comércio eletrônico


O crescimento das vendas online de itens usados vem sendo apontado como uma grande tendência para os próximos anos. Já não é de hoje que plataformas como OLX e o próprio Marketplace do Facebook chamam a atenção e movimentam grandes quantias do mercado digital. Agora, a indústria da moda começa a ganhar destaque e posicionamento no que também pode ser chamado de re-commerce.

Dados apresentados pela ThredUP mostram que em 2018 o mercado de moda em 2a mão movimentou US$ 24 bilhões nos Estados Unidos, enquanto o mercado de fast fashion movimentou US$ 35 bilhões no mesmo ano. O estudo prevê que até 2028 o comércio de roupas usadas deve ultrapassar a indústria de fast fashion nos Estados Unidos.

Essa nova tendência tem aberto espaço para novos empreendimentos online, inclusive o mercado de de moda de luxo. A startup Vestiaire Collective, responsável pelo marketplace de roupas usadas e direcionada para o mercado de luxo, arrecadou em 2020 €59 milhões em investimentos, evidenciando a relevância dessa nova tendência.

Importante destacar que essa nova tendência esta diretamente relacionada com a Geração Z, também conhecido como centennials, estes agora começam a ter poder de compra e decisão e os seus hábitos de consumo devem impactar o mercado para as próximas décadas. Breves características desta geração, como a preocupação com o meio ambiente, procedência e responsabilidades das empresas e o tipo de produtos que consomem (ex. consumo de biológicos) devem modificar o mercado nos próximos anos, abrindo espaço para novas propostas de negócios.

Aqui é possível visualizar a pesquisa de 2020 completa sobre o mercado de usados realizado pela ThredUP: 2020 Resale Report

Confira também esse vídeo sobre o tema:



Quais outros mercados de usados ou de temas similares que vem sendo impulsionados pelas novas tendências de consumo vocês tem visto surgir no mercado? E alguma aposta de novas oportunidades para o futuro?

Fonte 1
Fonte 2
Fonte 3

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

A recente rede social Clubhouse que já se tornou uma das mais populares do momento

A nova rede social Clubhouse, criada em abril de 2020, vem diferenciar-se das restantes ao ser utilizada exclusivamente por áudio. Não existem fotografias, nem vídeos, nem a possibilidade de enviar mensagens privadas, no fundo, resume-se a salas virtuais, que podem ser públicas ou privadas, estando nestas últimas o acesso sujeito a convite. A conversa acontece em direto, não ficando uma gravação da mesma para a posterioridade, e é moderada pelos elementos que a criam.

O interessante é ser uma espécie de podcast em direto, sendo que tanto podemos estar numa sala a partilhar ideias com o nosso grupo de amigos, como com pessoas desconhecidas, ou até mesmo com alguém conhecido/famoso (como a apresentadora Oprah Winfrey, ou o humorista Chris Rock), com a ressalva de que para participarmos nas conversas é necessário a autorização de um dos moderadores.



Um mês depois do seu lançamento, a plataforma valia 100 milhões de dólares, sendo que atualmente já ultrapassa os mil milhões de dólares. Para este sucesso, muito contribuíram nomes conhecidos, destacando-se Elon Musk, que fez aumentar exponencialmente a popularidade da aplicação na semana passada, numa conversa pública que contou com temas como a colonização de Marte e até vacinas contra a Covid-19, e com o anúncio da participação do músico Kayne West na sua próxima conversa nesta plataforma. Há quem diga até que esta foi uma brilhante jogada de marketing para colocar a aplicação na ribalta mundial.

Ainda assim, nem tudo são pontos positivos e a recente aplicação já conta com diversas críticas. Os principais motivos incidem no facto de o Clubhouse só estar disponível na App Store (apesar de em janeiro deste ano já terem anunciado que preveem lançar uma versão para Android) e no facto de o acesso à aplicação ser apenas por convite, sendo que cada novo membro pode convidar mais duas pessoas e assim sucessivamente. Já existem, inclusivamente, usuários a vender convites ou a fazer giveaways dos mesmos.

Por um lado, estes dois restringimentos fizeram com que a rede social já seja considerada por muitos como elitista e promotora da desigualdade e da exclusão. E mais, problemas relativos à proteção de dados e violação de privacidade têm vindo também a ser descortinados, forçando uma solução por parte da empresa.

Por outro lado, muitos criadores de conteúdo, ou os chamados influencers, estão cada vez mais a promover e a escolherem trabalhar com esta aplicação, afirmando até que lhes será bem mais benéfica comparativamente ao Instagram, que dizem acabar por negligenciar os influencers "mais pequenos", ou com menos alcance.

Convido-vos a comentarem sobre esta nova rede social e sobre o seu formato tão distinto das restantes.

Estariam dispostos a serem utilizadores assíduos, ou só quererão experimentar numa fase em que a aplicação já não seja tão elitista?
E concordam que a mesma venha a ser uma melhor ferramenta de trabalho para os criadores de conteúdo, nomeadamente os que têm menos alcance?

 Fonte 1; Fonte 2

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Abertura da primeira Vila Nómada Digital na Europa, numa ilha em Portugal

O conceito de nomadismo digital é explicado por um estilo de vida e de trabalho que é nomádico (que não depende de um assento fixo ou local) e que depende do digital (internet e/ou rede móvel). No fundo, um nómada digital é alguém que usa a tecnologia para trabalhar, sendo que esse trabalho depende única e exclusivamente da internet para poder ser feito. 

Com a situação pandémica atual surgiu uma nova relação com o trabalho, geograficamente mais dispersa e com o aparecimento de novas sinergias. Desta forma, o fenómeno do nomadismo digital tem também ganho visibilidade. Assim, ao trabalhar de forma remota, as pessoas aproveitam para viajar e conhecer outros locais com bom tempo, boa gastronomia, atividades próximas da natureza e com sobretudo…boa Internet! 

Para alimentar este movimento, o nómada digital Gonçalo Hall avançou, em parceria com a Startup Madeira e com o Governo Regional da Madeira, com o projeto de uma Vila Nómada Digital na Ponta do Sol, município madeirense. Assim, a ilha da Madeira acolhe aquela que é a primeira Vila Nómada Digital em Portugal. Por períodos entre um e seis meses, esses empreendedores digitais vão fazer da ilha a sua casa, vivendo como locais. 

Este projeto teve início no mês de Fevereiro e, atualmente já existem 60 nómadas digitais instalados na Vila de Ponta do Sol. Em toda a ilha da Madeira, estão a viver cerca de 250, sobretudo estrangeiros, mas também alguns portugueses. Existem ainda 4200 pessoas inscritas com interesse em integrar este projeto. 

Sendo grande parte da receita da economia madeirense proveniente do turismo, no momento atual, é importante inovar na estratégia de atração de novos turistas. Pensando que os nómadas digitais consumem muito mais e por muito mais tempo (comparativamente aos turistas habituais), o projeto vai proporcionar “uma nova fonte de rendimentos para os negócios locais”. 

Neste contexto, o investimento público é da ordem dos 15 mil euros, mas o apoio ao projecto passa ainda pela cedência do Centro Cultural John dos Passos, onde os nómadas digitais podem trabalhar, com Internet gratuita. Para além da oferta de um espaço de trabalho, o projeto também assumiu parcerias com espaços de alojamento local a preços competitivos. Contudo, o mercado de alojamento na Ponta de Sol não é suficiente, o que tem feito que os nómadas se espalhem por toda a ilha, beneficiando todo o arquipélago. Os nómadas digitais contam também com uma equipa de suporte que auxilia em todos os processos (vistos, deslocação, alojamento, entre outros). 

Esta iniciativa encontra-se divulgada nas mais diversas plataformas online, com o intuito de aumentar a visibilidade e consequente interesse pela mesma, assumindo do Marketing Digital um papel fundamental neste projeto.

Deixo-vos com um vídeo que relata a experiência de alguns destes nómadas digitais:


E vocês, ficaram com vontade em experimentar o nomadismo digital?

Digital Nomads Madeira

Fonte 1; Fonte 2; Fonte 3

Com nova lei na Austrália, Facebook decide bloquear compartilhamento de notícias na plataforma.

A Austrália está prestes a aprovar uma nova lei que obriga companhias de tecnologia a pagar veículos de notícia pelas informações que estes compartilham em buscadores ou redes sociais. A mudança é inédita na história do mundo e obviamente impacta a forma como muitos negócios são tocados no país, e os grandes conglomerados de Silicon Valley começaram a se movimentar em torno do tema.

Em 17/02/2021, usuários do país passaram a estar proibidos pelo Facebook de compartilhar e visualizar notícias oriundas de veículos de media locais, uma vez que projetos de leis procuram forçar as redes sociais a pagarem os jornais regionais pela circulação de seus conteúdos jornalísticos dentro das plataformas.


 A luta entre a Big Tech e a Austrália tem vindo a ser travada há muito tempo. Os reguladores do país divulgaram um projeto das suas regras propostas no Verão passado, que permitiria a certos meios de comunicação social negociar individual ou coletivamente com o Facebook e o Google para que pudessem ser pagos pelas notícias distribuídas nesses sites.

Com o avanço da lei, o Facebook confirmou a decisão de bloquear o compartilhamento de links de notícias por usuários no país. A medida é imediata e afeta o ecossistema da rede social em quatro frentes: veículos australianos, que não poderão compartilhar ou postar qualquer conteúdo em suas páginas; veículos internacionais, cujos conteúdos não poderão ser visualizados ou compartilhados no país; usuários australianos, que estão impedidos de ver ou divulgar notícias de qualquer porte; e usuários de outros países, que não poderão ler e compartilhar conteúdos de notícias de páginas australianas.

No caso da Google, depois de ameaçar sair do país, começou a fechar acordos com veículos de notícias australianos para realizar o devido pagamento pelas informações compartilhadas em seu buscador. Estes acordos incluem a News Corp do norte-americano Rupert Murdoch e são avaliados na altura das dezenas de milhões de dólares para cumprir com o novo regulamento do país.

Trazendo a discussão ao nosso nível de consumidores e estudantes de marketing digital, fica a questão sobre se há justiça nessa decisão do governo australiano. Em era de "fake news" as redes sociais e os algoritmos dos mecanismos de busca, são vistos como inimigos dos jornalismo sério independente. Há muitos anos os jornais tentam se livrar dos modelos de "pay wall", quando só consegue se ler parte da notícia no site e se exige uma assinatura, pois esse desestimula o consumo da notícia e direciona o usuário para páginas ou postagem que trazem informação (muitas vezes inverídicas) de forma gratuita. O que causa uma restrição nas suas estratégias de preço. A medida é uma tentativa do governo de intervir nesse assunto. 

Fontes:

https://edition.cnn.com/2021/02/17/media/facebook-australia-news-ban/index.html

https://canaltech.com.br/redes-sociais/facebook-proibe-acesso-e-compartilhamento-de-noticias-na-australia-179106/

https://www.b9.com.br/139119/com-nova-lei-facebook-vai-bloquear-compartilhamento-de-noticias-na-australia/